

{"id":320,"date":"2019-07-29T08:17:19","date_gmt":"2019-07-29T11:17:19","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/o-pediatra-cuida-da-saude-da-crianca-e-parceiro-da-mae\/"},"modified":"2019-07-29T08:17:19","modified_gmt":"2019-07-29T11:17:19","slug":"o-pediatra-cuida-da-saude-da-crianca-e-parceiro-da-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/o-pediatra-cuida-da-saude-da-crianca-e-parceiro-da-mae\/","title":{"rendered":"\u201cO pediatra cuida da sa\u00fade da crian\u00e7a, \u00e9 parceiro da m\u00e3e\u201d"},"content":{"rendered":"<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">H\u00e1 quatro anos, a estudante Daniele Gouveia Anselmo, de 20 anos, precisa deixar Rio Verde, onde mora, para trazer o filho Nicolas, de 4 anos, para uma consulta semestral no Hospital Materno-Infantil Dr. Jurandir do Nascimento (HMI), em Goi\u00e2nia. Ela sai \u00e0s 5 da manh\u00e3 e passa quase o dia inteiro na unidade. A crian\u00e7a nasceu com um grave problema intestinal, que exigiu uma cirurgia j\u00e1 no primeiro m\u00eas de vida, tamb\u00e9m realizada no HMI. O hospital, que integra a rede da Secretaria de Estado da Sa\u00fade de Goi\u00e1s (SES), foi \u2013 e ainda \u00e9 \u2013 fundamental na vida da crian\u00e7a. Ela revela que, se n\u00e3o fosse o HMI, uma unidade p\u00fablica, n\u00e3o teria como tratar da crian\u00e7a, muito menos em Rio Verde. Nos bastidores dessa hist\u00f3ria de final feliz, ganha destaque o protagonismo de um profissional fundamental para a vida de Nicolas e tamb\u00e9m de milhares de outras crian\u00e7as, que tamb\u00e9m t\u00eam acesso a um atendimento que n\u00e3o pode ser apenas moment\u00e2neo, pontual, nas emerg\u00eancias. Trata-se do pediatra, m\u00e9dico especialista homenageado todo dia 27 de julho pela Sociedade Brasileira de Pediatria e tamb\u00e9m pela SES, que reconhece a import\u00e2ncia desse profissional. Na entrevista abaixo, a diretora t\u00e9cnica do HMI, Sara Gard\u00eania, fala um pouco do papel desse profissional na luta constante pela qualidade de vida das crian\u00e7as e futuros adultos. Confira.<\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">Como \u00e9 o perfil do atendimento pedi\u00e1trico, \u00e9 basicamente preventivo?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Eu vou fazer, antes, um breve hist\u00f3rico sobre a pediatria, que \u00e9 uma especialidade da medicina, e n\u00e3o um cl\u00ednico-geral de crian\u00e7a, como muita gente pensa. Ela compreende desde o primeiro dia de vida at\u00e9 os 18 anos. O pediatra deveria acompanhar todas essas fases. Claro que entre um beb\u00ea e um adolescente existem muitas diferen\u00e7as e, por isso, existem as subespecialidades pedi\u00e1tricas. Por exemplo, a neonatologia, que vai de 0 a 28 dias de vida; em seguida, a pediatria cl\u00ednica, que vai at\u00e9 mais ou menos at\u00e9 os 11 anos; e, a partir da\u00ed, o hebiatra, que \u00e9 o pediatra que trata o adolescente. Ele (hebiatra) tem que ter um entendimento da mudan\u00e7a que a crian\u00e7a sofre, a parte psicol\u00f3gica, genital, toda a metamorfose que a crian\u00e7a sofre. E quanto mais jovem, maior a necessidade de acompanhamento cont\u00ednuo. Por isso que temos a puericultura, que talvez seja essa a sua pergunta, sobre preven\u00e7\u00e3o. O ideal \u00e9 que a m\u00e3e, ao saber que est\u00e1 gr\u00e1vida, come\u00e7a ali a preocupa\u00e7\u00e3o com a crian\u00e7a, desde a alimenta\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, os cuidados com doen\u00e7as que ela pode ter e que podem interferir no beb\u00ea. Deveria come\u00e7ar nessa fase. Hoje, existem at\u00e9 pediatras que fazem pr\u00e9-natal da pediatria, pessoas que acompanham as gestantes, antes mesmo de o beb\u00ea nascer. E, quando ele nasce, existe o minuto de ouro, que \u00e9 importante para a vida toda. <\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">O que \u00e9 o minuto de ouro?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando a crian\u00e7a nasce, h\u00e1 uma nota para ela, que \u00e9 a nota de Apgar. Virg\u00ednia Apgar \u2013 que n\u00e3o era uma pediatra, mas uma anestesista \u2013 come\u00e7ou a dar notas para fun\u00e7\u00f5es como colora\u00e7\u00e3o, respira\u00e7\u00e3o, frequ\u00eancia card\u00edaca, reflexos da crian\u00e7a, movimentos. H\u00e1 notas no primeiro e quinto momentos. E isso faz toda a diferen\u00e7a pro progn\u00f3stico da crian\u00e7a. Enfim, a crian\u00e7a nasceu. Ap\u00f3s receber essa aten\u00e7\u00e3o no minuto de ouro, a m\u00e3e vai precisar de um suporte para aprender a colocar o beb\u00ea no seio, para saber a import\u00e2ncia do aleitamento materno, para conhecer como vai ser a alimenta\u00e7\u00e3o, o crescimento e o desenvolvimento da crian\u00e7a. Naquele momento, a crian\u00e7a tem que ser avaliada. O ideal \u00e9 que ela seja avaliada at\u00e9 as 48 horas de vida no hospital, na maternidade. E, a partir da\u00ed, a cada m\u00eas \u2013 a cada 15 dias, no come\u00e7o, a depender da necessidade, porque \u00e0s vezes a crian\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 ganhando peso suficiente e precisa ser acompanhada, \u00e0s vezes, (existe) uma icter\u00edcia, uma doen\u00e7a infecciosa, logo no come\u00e7o, e ela precisa de um acompanhamento de rotina. Existem fatores importantes a que o pediatra tem que se atentar. Por exemplo, tem pediatra que consegue identificar autismo logo quando a crian\u00e7a ainda \u00e9 um nen\u00ea. A gente tem que acompanhar m\u00eas a m\u00eas, depois ano a ano, e a crian\u00e7a vai ficando mais independente, e esse per\u00edodo vai se espa\u00e7ando e, logo depois, passa a ser um acompanhamento como o de adulto.<\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">\u00c9 poss\u00edvel esse tipo de atendimento na rede p\u00fablica, para quem n\u00e3o pode ter atendimento particular ou com plano de sa\u00fade?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No servi\u00e7o p\u00fablico tem mais dificuldade, principalmente pela quantidade de gente (que necessita do atendimento) e pela cultura. Para a m\u00e3e, \u00e9 dif\u00edcil. \u00c0s vezes, trabalha a semana inteira e n\u00e3o consegue levar o filho para uma consulta, e (sem alternativa) tem a emerg\u00eancia. Ela leva pode levar de madrugada. Ent\u00e3o a gente tem uma cultura. E as nossas leis tamb\u00e9m, agora que est\u00e1 se voltando um pouco para o acompanhante, pois a crian\u00e7a precisa de um acompanhante, n\u00e3o pode ir sozinha pro m\u00e9dico, precisa de algu\u00e9m para orientar. E, \u00e0s vezes, a m\u00e3e passa o dia inteiro esperando uma consulta e precisa do atestado. O servi\u00e7o p\u00fablico d\u00e1 o direito (de licen\u00e7a\/acompanhante?) ao pr\u00e9-natal, mas, \u00e0s vezes, a m\u00e3e n\u00e3o consegue entrar no pr\u00e9-natal; depois, d\u00e1 direito ao atendimento de puericultura, mas n\u00e3o consegue acompanhar. A m\u00e3e come\u00e7a direitinho, mas abandona\u2026 Normalmente, s\u00f3 leva ao pediatra uma crian\u00e7a j\u00e1 com um problema, infelizmente. Em uma crian\u00e7a acompanhada pelo pediatra desde cedo \u00e9 mais f\u00e1cil identificar patologias. N\u00e3o \u00e9 (como) aquele menino que passou na frente dele (pediatra) s\u00f3 uma vez, com uma dor. O pediatra cuida da sa\u00fade. Na verdade, o que est\u00e1 faltando \u00e9 entender que o pediatra \u00e9 um parceiro da m\u00e3e. A puericultura n\u00e3o \u00e9 tratamento de doen\u00e7a, \u00e9 acompanhamento do desenvolvimento. (\u2026) <\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">Mas existe a preocupa\u00e7\u00e3o de levar sempre a crian\u00e7a ao m\u00e9dico, manter esse acompanhamento?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 poss\u00edvel na rede p\u00fablica, se a m\u00e3e cuidadosa tiver esse atendimento, esse tipo de m\u00e9dico sempre. Existem m\u00e3es que s\u00e3o muito zelosas. Essas m\u00e3es costumam dar sequ\u00eancia a atendimentos. Mas s\u00e3o pouqu\u00edssimas. Existe at\u00e9 uma solicita\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Pediatria para a inclus\u00e3o do pediatra no programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Porque, normalmente, quem est\u00e1 no Sa\u00fade da Fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 pediatra, \u00e9 um cl\u00ednico, \u00e0s vezes, nem \u00e9 um m\u00e9dico com especialidade \u2013 o cl\u00ednico tamb\u00e9m \u00e9 uma especialidade. Ele est\u00e1 ali, \u00e0s vezes n\u00e3o sabe tratar um adulto, muito menos uma crian\u00e7a. Existe um modelo ingl\u00eas de sa\u00fade, que \u00e9 o modelo Dawsoniano, que prop\u00f5e solu\u00e7\u00e3o para o problema da sa\u00fade b\u00e1sica com quatro especialistas: um pediatra, um gineco-obstetra, um cl\u00ednico e um cirurgi\u00e3o. Aqui em Goi\u00e2nia j\u00e1 houve esse modelo, no passado, e as coisas funcionavam. Mas, de repente, os pediatras come\u00e7aram a escassear. E voc\u00ea v\u00ea o impacto disso aqui no hospital. Se voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea um pediatra l\u00e1 na sa\u00fade b\u00e1sica, vai para a m\u00e9dia complexidade. E isso vai se refletir como? Hospitais lotados, pacientes nos corredores, crian\u00e7as mal-assistidas, pais revoltados, estresse na equipe m\u00e9dico-multiprofissional. Na verdade, \u00e9 um problema t\u00e3o pequeno que poderia ser resolvido l\u00e1 na sa\u00fade b\u00e1sica. N\u00e3o seria da noite pro dia. Mas com uma sa\u00fade b\u00e1sica bem organizada, acredito que nenhuma m\u00e3e traria uma crian\u00e7a a ponto de exp\u00f4-la a ter catapora, meningite, numa emerg\u00eancia. <\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">Quais seriam esse atendimento t\u00edpico da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e de que forma essa aus\u00eancia impacta o HMI?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Vou dar um exemplo: crian\u00e7a tem muito tipo de infec\u00e7\u00e3o viral, resistentes e com febre, que \u00e9 um sinal, n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a. A crian\u00e7a come\u00e7ou a ter febre agora, n\u00e3o adianta levar ela (\u00e0 emerg\u00eancia) nesse momento \u2013 talvez se for para acalmar. Se eu fosse pediatra de uma crian\u00e7a que eu j\u00e1 conhe\u00e7o e ela chegasse no meu consult\u00f3rio com febre, mas ativa, brincando, eu saberia o que era: de repente, s\u00f3 um quadro viral. Eu diria: \u201cVamos esperar mais 48 horas\u201d. Mas a\u00ed a m\u00e3e vem para emerg\u00eancia com essa crian\u00e7a febril. Ela vai aguardar na recep\u00e7\u00e3o um razo\u00e1vel tempo. Dependendo do dia, pode aguardar de 4 a 6 horas. Por isso, muitos v\u00eam at\u00e9 de madrugada. A\u00ed a crian\u00e7a vai ter contato com outra criancinha que est\u00e1 com meningite do lado dela, porque ningu\u00e9m sabe. N\u00e3o est\u00e1 escrito na testa \u201cestou com meningite, estou com catapora\u201d. J\u00e1 est\u00e1 com imunidade baixa, j\u00e1 est\u00e1 doentinha. A\u00ed, aquela febre que poderia ser uma virosezinha vai virar uma varicela, uma catapora mais adiante. Ent\u00e3o, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que apenas os casos mais graves venham para o hospital \u2013 mas para a m\u00e3e tudo \u00e9 grave, n\u00e9? Mas ela precisa ter o acesso aberto para levar o filho ao atendimento b\u00e1sico. A ideia \u00e9 esta: ir para a assist\u00eancia b\u00e1sica, para olhar o ouvidinho, a garganta da crian\u00e7a. \u00c0s vezes, apenas o pediatra olhar no olho da m\u00e3e, para tranquiliz\u00e1-la. Ent\u00e3o, para o HMI seriam os casos mais graves, convuls\u00f5es, v\u00f4mito que n\u00e3o para, tem que tomar soro e tudo. Uma crian\u00e7a que tem diarreia, est\u00e1 com os olhos fundos \u2013 e diarreia \u00e9 uma doen\u00e7a boba, n\u00e9? Mas mata. Em crian\u00e7a, mata. Mas se uma crian\u00e7a tem les\u00e3o na pele h\u00e1 dois meses e vem para a emerg\u00eancia, porque um dia o menino se co\u00e7ou e sangrou? A emerg\u00eancia acaba realizando um trabalho de triagem, devolvendo a crian\u00e7a para o fluxo. Isso n\u00e3o ocorreria se tiv\u00e9ssemos uma boa sa\u00fade b\u00e1sica, com um bom funcionamento pedi\u00e1trico.<\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">H\u00e1 car\u00eancia de pediatras para o bom funcionamento do sistema p\u00fablico?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Qual o problema da Pediatria? \u00c9 dinheiro. Planos de sa\u00fade pagam por uma consulta o qu\u00ea? 50 reais. Eu n\u00e3o sei, eu n\u00e3o trabalho com plano de sa\u00fade. Que sejam 60 reais. Mas se eu fizer uma endoscopia, eu recebo 350 reais. Ent\u00e3o, quem procura outras \u00e1reas \u00e9 a pessoa que procura fazer procedimentos? Pediatria n\u00e3o. O que voc\u00ea encontra na pediatra? O idealista, o cara que gosta de crian\u00e7a, que gosta de tratar crian\u00e7a e, infelizmente, quem n\u00e3o est\u00e1 nesse perfil n\u00e3o se adapta. Eu acho que o perfil do pediatra \u00e9 aquele que gosta mesmo de lidar com a crian\u00e7a e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a crian\u00e7a. Ele pega o combo, que \u00e9 a crian\u00e7a, a m\u00e3e da crian\u00e7a, o pai da crian\u00e7a, av\u00f3, a bab\u00e1. Tem a m\u00e3ezinha humilde que n\u00e3o sabe se comunicar e voc\u00ea vai ter que entrar no mundo dela. Tem o pai estressado&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">Ainda sobre a car\u00eancia na sa\u00fade b\u00e1sica, os reflexos ainda est\u00e3o sendo sentidos no HMI?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Posso dizer que melhorou muito, nos \u00faltimos meses. Eu acredito que os Cais voltaram a ter pediatras e isso teve um impacto muito grande aqui na minha porta. At\u00e9 mesmo atendimento mensal reduziu bastante (colocar os n\u00fameros). E n\u00e3o foi s\u00f3 uma quest\u00e3o cultural. \u00c9 ter a facilidade de ter um pediatra l\u00e1 no Cais. N\u00e3o \u00e9 porque a m\u00e3e \u00e9 cabe\u00e7a dura, n\u00e3o. Ela vem aqui se n\u00e3o tiver op\u00e7\u00e3o. Na minha porta n\u00e3o deixou de vir, mas diminuiu muitos esse tipo de paciente, que poderia estar aguardando muito no corredor. Agora, s\u00e3o atendidos em outras unidades, e isso \u00e9 muito importante. Isso mostra tamb\u00e9m uma boa vontade das pessoas em querer melhorar esse acesso das m\u00e3es. <\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">Qual a import\u00e2ncia da vacina\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ou mais importante quanto o pediatra. \u00c9 de extrema import\u00e2ncia. Imagine: a gente conseguiu erradicar a p\u00f3lio, conseguimos erradicar o sarampo \u2013 agora voltou, porque teve uma cepa selvagem na \u00c1frica \u2013, n\u00f3s conseguimos erradicar a var\u00edola. A import\u00e2ncia \u00e9 grande, \u00e9 uma import\u00e2ncia social muito grande. \u00c9 uma coisa que vale a pena.<\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">O HMI \u00e9 um hospital de m\u00e9dia e alta complexidade. O que significa?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">S\u00e3o atendimentos que necessitam de uma interven\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida e mais espec\u00edfica. Por exemplo, uma crian\u00e7a que est\u00e1 em imin\u00eancia de morte, uma crian\u00e7a que precisa de uma subespecialidade pedi\u00e1trica. No ambulatorial, que faz parte da m\u00e9dia e alta complexidade, h\u00e1 um reumatologista pediatra \u2013 voc\u00ea n\u00e3o vai encontrar isso na rede b\u00e1sica. Eu tenho aqui, por exemplo, algu\u00e9m que vai fazer atendimento de alergias alimentares em crian\u00e7as, um gastropedi\u00e1trico. Se eu preciso de um profissional nefropediatria, tamb\u00e9m n\u00e3o vou encontrar isso no Cais, n\u00e3o vou encontrar na rede b\u00e1sica. \u00c9 para atender casos mais graves. <\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">Qualquer um pode buscar esse tipo de atendimento?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O ideal \u00e9 que a crian\u00e7a venha via regula\u00e7\u00e3o. Por exemplo, um menino diab\u00e9tico vem na emerg\u00eancia, a\u00ed eu preciso de um endocrinopediatra, que eu tenho aqui. Eu n\u00e3o vou encontrar um no Cais. Se eu sei que meu filho tem diabetes, eu trago ele direto. Posso at\u00e9 levar se for em um Cais mais perto, mas vou levar numa crise de cetoacidose, n\u00e9? Mas para o acompanhamento, eu preciso \u2013 e meu filho merece \u2013 que eu leve ele no endocrinopediatra. E no HMI, esse m\u00e9dico n\u00e3o vai agir sozinho. O atendimento vai passar tamb\u00e9m por uma nutricionista, um psic\u00f3logo, e o paciente ou a m\u00e3e vai aprender utilizar as insulinas, por exemplo. <\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">O que \u00e9 preciso melhorar na pediatria p\u00fablica?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A coisa que mais precisaria melhorar aqui em Goi\u00e2nia chama-se regula\u00e7\u00e3o. O paciente tem dificuldade de acesso. Por exemplo, uma crian\u00e7a precisa de uma avalia\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica. Qual \u00e9 a garantia que eu tenho que com 48 horas ela vai conseguir passar por um pediatra, se n\u00e3o quiser pagar por uma consulta? Zero, nenhuma garantia. \u00c0s vezes, n\u00e3o consegue agendar. Voc\u00ea j\u00e1 entrou no site para poder agendar? Como \u00e9 que se chama, netconsultas. J\u00e1 fiz isso. \u00c0s vezes tem vaga, escolhe o m\u00e9dico, escolhe o hor\u00e1rio, coloca o n\u00famero do cart\u00e3o SUS, mas o cart\u00e3o n\u00e3o \u00e9 identificado. Liga para o 0800, porque \u00e0s vezes o paciente n\u00e3o \u00e9 de Goi\u00e2nia, \u00e9 l\u00e1 do interior, que n\u00e3o tem o pediatra. A\u00ed ele n\u00e3o consegue, nem aqui, nem l\u00e1, porque n\u00e3o consegue entrar na regula\u00e7\u00e3o. E vem muita gente do interior sem regular \u2013 mas tamb\u00e9m chega regulado \u2013, chega de outro estado, chega por ambul\u00e2ncia, por uber. Chega de todo jeito. A gente procura acolher, mas nem sempre consegue, porque alguns perfis s\u00e3o de baixa complexidade e sem regula\u00e7\u00e3o. Por exemplo, uma criancinha do interior do estado, que precisa de uma avalia\u00e7\u00e3o com um cirurgi\u00e3o pedi\u00e1trico. Ele tem uma h\u00e9rnia de umbigo. N\u00e3o \u00e9 urg\u00eancia, mas a crian\u00e7a est\u00e1 com uma dorzinha e tomou um rem\u00e9dio. \u00c9 um problema que tem que ser avaliado no ambulat\u00f3rio. O m\u00e9dico d\u00e1 o encaminhamento, e l\u00e1 vai o paciente de volta para sua cidade de origem. Chega o paciente l\u00e1 na secretaria do munic\u00edpio e o servidor questiona: \u201cN\u00e3o conseguiu? Mas voc\u00ea n\u00e3o estava no materno, porque n\u00e3o operou? \u00c9 um absurdo, uma desumanidade\u201d. Quantas vezes se v\u00ea isso&#8230; A\u00ed o munic\u00edpio tenta, atrav\u00e9s do complexo Regulador do Estado, por qu\u00ea? Porque a regula\u00e7\u00e3o de Goi\u00e2nia aqui \u00e9 estadual e feita pela via regula\u00e7\u00e3o municipal. Ele vai conseguir? N\u00e3o. Por qu\u00ea? Por que o cart\u00e3o SUS \u00e9 do interior? Ele tenta dois caminhos: pede para o vereador, que liga para gente e n\u00e3o consegue fazer nada, porque tem que passar pela regula\u00e7\u00e3o. Segundo caminho: faz o cart\u00e3o SUS aqui, arranja uma tia que mora em Goi\u00e2nia e faz o cart\u00e3o SUS \u2013 Goi\u00e2nia tem mais cart\u00e3o SUS de morador de Goi\u00e2nia. Por que \u00e9 como ele consegue marcar consulta. O terceiro caminho, que \u00e9 o correto, mas muito demorado: ficar esperando ficar em sua cidade, at\u00e9 que a secretaria de l\u00e1 consiga, via complexo regulador, fazer com que Goi\u00e2nia coloque o paciente no sistema. Acabou, n\u00e3o? Eu consigo marcar com o cirurgi\u00e3o, mas n\u00e3o consigo marcar um hemograma, um exame de urina, um raio-X de t\u00f3rax, eu n\u00e3o consigo autorizar a AIH (autoriza\u00e7\u00e3o de interna\u00e7\u00e3o hospitalar) dele. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem jeito. \u00c9 regula\u00e7\u00e3o. O acesso \u00e9 o que precisa melhorar, porque m\u00e9dico bom tem, hospitais bem equipados tem. Vejam o Hugol, o Crer, o HGG. N\u00f3s temos hospitais privados que n\u00e3o tem aquelas estruturas. Faz inveja esse tipo de cart\u00e3o-postal. Mas n\u00e3o adianta eu ter um cart\u00e3o-postal se eu n\u00e3o consegui colocar o meu paciente l\u00e1 dentro entende. Eu preciso de melhorar o acesso do paciente.<\/span><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p><p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><em><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\">Jos\u00e9 Carlos Ara\u00fajo (texto) e Sebasti\u00e3o Nogueira (foto), da Comunica\u00e7\u00e3o Setorial <\/span><\/em><\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quatro anos, a estudante Daniele Gouveia Anselmo, de 20 anos, precisa deixar Rio Verde, onde mora, para trazer o filho Nicolas, de 4 anos, para uma consulta semestral no Hospital Materno-Infantil Dr. Jurandir do Nascimento (HMI), em Goi\u00e2nia. Ela sai \u00e0s 5 da manh\u00e3 e passa quase o dia inteiro na unidade. 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