

{"id":23107,"date":"2020-01-21T14:09:36","date_gmt":"2020-01-21T17:09:36","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/historia-do-cesio-137-em-goiania-2\/"},"modified":"2024-12-13T10:49:34","modified_gmt":"2024-12-13T13:49:34","slug":"assistencia-inicial-cesio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/assistencia-inicial-cesio\/","title":{"rendered":"Assist\u00eancia Inicial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento oferecido aos radioacidentados \u00e0 \u00e9poca do acidente, em 1987, baseou-se em normas internacionais de descontamina\u00e7\u00e3o, isolamento e terap\u00eautica. Assim, ap\u00f3s a triagem e o encaminhamento do paciente, iniciava-se o tratamento m\u00e9dico (IAEA, 1988).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As t\u00e9cnicas de descontamina\u00e7\u00e3o utilizadas foram: banhos mornos com sab\u00e3o neutro; uso de \u00e1cido ac\u00e9tico para tornar a subst\u00e2ncia radioativa sol\u00favel e facilitar sua remo\u00e7\u00e3o; aplica\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de tit\u00e2nio associado \u00e0 lanolina, em locais onde havia maior quantidade de material radioativo (palma das m\u00e3os e planta dos p\u00e9s); uso de m\u00e9todos abrasivos para descontamina\u00e7\u00e3o de pele, (pedra-pomes, buchas de nylon, etc.), aplica\u00e7\u00e3o de resinas de trocas i\u00f4nicas que eram colocadas em luvas e botas pl\u00e1sticas para descontamina\u00e7\u00e3o de m\u00e3os e p\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O isolamento dos pacientes contaminados no Hospital Geral de Goi\u00e2nia, obedeceu a crit\u00e9rios recomendados pela prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica e consistia na divis\u00e3o de um andar do Hospital em tr\u00eas diferentes \u00e1reas. Especial aten\u00e7\u00e3o foi dada \u00e0 \u00e1rea considerada \u201cfria\u201d, onde se situava a estrutura da Prote\u00e7\u00e3o Radiol\u00f3gica com o contador de corpo inteiro, as salas de reuni\u00e3o, o local para a troca de roupa dos m\u00e9dicos, param\u00e9dicos, f\u00edsicos da Prote\u00e7\u00e3o Radiol\u00f3gica e de apoio (limpeza, laborat\u00f3rio, secretaria e administra\u00e7\u00e3o). Uma barreira definia o limite da \u00e1rea \u201ccr\u00edtica\u201d (local onde se encontravam os quartos dos pacientes, o posto de enfermagem, os sanit\u00e1rios dos pacientes, a sala de exerc\u00edcios e a sala de lazer). Todos os materiais, inclusive as vestimentas que atravessassem a \u00e1rea eram monitorizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diariamente eram efetuadas medidas de descontamina\u00e7\u00e3o naquela \u00e1rea considerada cr\u00edtica. Um filtro de ar funcionava ininterruptamente para que se soubesse o grau de contamina\u00e7\u00e3o do ar. Se, durante as medi\u00e7\u00f5es, alguma \u00e1rea se apresentasse com alto grau de contamina\u00e7\u00e3o, imediatamente a equipe da Prote\u00e7\u00e3o Radiol\u00f3gica procedia a descontamina\u00e7\u00e3o. A \u00e1rea era liberada s\u00f3 ap\u00f3s tal procedimento. Medidas de seguran\u00e7a tamb\u00e9m eram efetuadas em outras \u00e1reas do Hospital (laborat\u00f3rio, lavanderia e salas de cirurgia) para a detec\u00e7\u00e3o de contamina\u00e7\u00e3o residual. Os dejetos dos pacientes eram coletados em frascos pl\u00e1sticos e analisados rotineiramente em laborat\u00f3rio de Radioqu\u00edmica, no Rio de Janeiro. Este procedimento proporcionava uma id\u00e9ia das medidas terap\u00eauticas necess\u00e1rias a descontamina\u00e7\u00e3o interna. Rejeitos foram estocados em ton\u00e9is de a\u00e7o e considerados lixo radioativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As medidas terap\u00eauticas adotadas tinham por objetivo a elimina\u00e7\u00e3o do material radioativo do organismo do paciente, bem como a promo\u00e7\u00e3o de sua sa\u00fade, ou seja, minimizar os efeitos do material radioativo e evitar consequ\u00eancias piores. Al\u00e9m dos m\u00e9todos de descontamina\u00e7\u00e3o j\u00e1 citados, lan\u00e7ou-se m\u00e3o de outros recursos, tais como exerc\u00edcios f\u00edsicos e banhos de sol. O uso de medicamentos destinados a acelerar a elimina\u00e7\u00e3o do\u00a0<sup>137<\/sup>Cs foi satisfat\u00f3rio, pois houve a diminui\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o verificada no Contador de Corpo Inteiro, bem como para a avalia\u00e7\u00e3o da quantidade de material radioativo eliminado pelas excretas (urina e fezes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" id=\"\" class=\" size-full wp-image-23105\" style=\"width: 100%;\" title=\"\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2020\/01\/assistencia-825.jpg\" alt=\"\" width=\"1196\" height=\"780\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2020\/01\/assistencia-825.jpg 1196w, https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2020\/01\/assistencia-825-300x196.jpg 300w, https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2020\/01\/assistencia-825-1024x668.jpg 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2020\/01\/assistencia-825-768x501.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1196px) 100vw, 1196px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a terap\u00eautica, utilizou-se ainda, o ferrocianeto f\u00e9rrico, tamb\u00e9m conhecido como \u201cAzul da Pr\u00fassia\u201d em doses que variavam de 1,5 a 20 g, sendo que efeitos colaterais foram observados em v\u00e1rios pacientes (constipa\u00e7\u00e3o, epigastralgia e dores musculares). Como, no organismo, o comportamento do\u00a0<sup>137<\/sup>Cs \u00e9 similar ao do pot\u00e1ssio (K), outra tentativa de remov\u00ea-lo foi feita utilizando-se diur\u00e9ticos. Esse procedimento n\u00e3o foi determinado somente pela capacidade que o diur\u00e9tico tem de eliminar metais alcalinos (K, Cs), mas tamb\u00e9m pelo controle que tal droga poderia dar \u00e0 hipertens\u00e3o verificada em v\u00e1rios pacientes. Assim sendo, utilizou-se Furosemida (40 mg \/ dia) e Hidroclorotiazida (50 a 100 mg \/ dia). Concomitantemente ao uso de tais drogas, logrou-se tentar a remo\u00e7\u00e3o do\u00a0<sup>137<\/sup>Cs mediante a hidrata\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Cada paciente ingeria, aproximadamente, 3.000 ml de l\u00edquido\/dia, entre \u00e1gua e sucos de frutas ricas em pot\u00e1ssio. O uso de antibi\u00f3ticos de amplo espectro, bem como de fungicidas obedeceu \u00e0 indica\u00e7\u00e3o recomendada para cada caso. A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos cir\u00fargicos para remo\u00e7\u00e3o de \u00e1reas desvitalizadas esteve sujeita \u00e0 estrita prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, obedecendo-se crit\u00e9rios de risco \/ benef\u00edcio para o paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Superada a fase cr\u00edtica do acidente com o\u00a0<sup>137<\/sup>Cs, tornou-se necess\u00e1rio que o trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios profissionais continuasse e oferecesse respostas \u00e0s quest\u00f5es geradas pela incerteza quanto \u00e0 extens\u00e3o das consequ\u00eancias do acidente a longo prazo. Criou-se, ent\u00e3o, a Funda\u00e7\u00e3o Leide das Neves Ferreira (FUNLEIDE), em fevereiro de 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em decorr\u00eancia da dose de radia\u00e7\u00e3o a que foram expostos, os radioacidentados foram divididos em grupos de acompanhamento e, para cada grupo, foram estabelecidos protocolos de atendimento especifico seguindo orienta\u00e7\u00f5es da AIEA \u2013 Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica.<\/p>\n<h2 data-fontsize=\"46\" data-lineheight=\"57\">Divis\u00e3o dos Grupos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para melhor entendimento, ressalta-se que as v\u00edtimas s\u00e3o classificadas em grupos, sendo sua defini\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o conforme descrito abaixo:<\/p>\n<p>1.1 Grupo I \u2013 pacientes com radiodermites e\/ou, dosimetria de corpo inteiro maior ou igual a 20 rads e\/ou atividade corporal equivalente a \u00bd LIA (= 50 \u03bcci1);<\/p>\n<p>1.2 Grupo II &#8211; familiares ou contactantes das v\u00edtimas diretas cujo \u00edndice de irradia\u00e7\u00e3o n\u00e3o atingiram os \u00edndices do Grupo I (&lt; 20 rads; \u00bd LIA; 50 &gt;\u03bcci) sem radiodermites;<\/p>\n<p>Ressalta-se que os cadastrados nos referidos grupos supramencionados de acompanhamento e monitoramento do CARA, possuem n\u00famero fixo de pessoas que foram inclu\u00eddas logo depois do acidente, sendo seus descendentes monitorados no CARA mediante apresenta\u00e7\u00e3o dos documentos ao setor de servi\u00e7o social.<\/p>\n<p>1.3 Grupo III &#8211; os que trabalharam no acidente (policiais militares, bombeiros militares, m\u00e9dicos, motoristas, funcion\u00e1rios da vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, vizinhos de focos, parentes das v\u00edtimas que conviviam com as v\u00edtimas \u00e0 \u00e9poca do acidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/files\/cesio-137\/documentacao\/Consolidado%20de%20Grupos%20Geral_2024.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Consolidado\u00a0de Pacientes<\/a><\/p>\n<h2 data-fontsize=\"46\" data-lineheight=\"57\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">AIEA.\u00a0The radiological accident in Goi\u00e2nia. Viena, [s.n.]1988.<br \/>\nCRUZ, A. D. da; GLICKMAN, B. W. Monitoring the genetic health of humans accidentally exposed to ionizing radiation of Cesium137\u00a0in Goiania (Brazil). In: International Conference\/ Goiania 10 years later: the radiological accident with Cs137. Goi\u00e2nia \u2013 Brasil, Brasil.\u00a0Anais\u2026Rio de Janeiro, RJ: CNEN, p. 131-137,1997.<br \/>\nCNEN. Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear.\u00a0Relat\u00f3rio do Acidente Radiol\u00f3gico em Goi\u00e2nia. 1988.<br \/>\nFUNLEIDE. Funda\u00e7\u00e3o Leide das Neves Ferreira.\u00a0Hist\u00f3ria do Acidente Radioativo com o C\u00e9sio-137 \u2013 Relatos.1989.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tratamento oferecido aos radioacidentados \u00e0 \u00e9poca do acidente, em 1987, baseou-se em normas internacionais de descontamina\u00e7\u00e3o, isolamento e terap\u00eautica. Assim, ap\u00f3s a triagem e o encaminhamento do paciente, iniciava-se o tratamento m\u00e9dico (IAEA, 1988). 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