{"id":20333,"date":"2020-05-22T10:30:50","date_gmt":"2020-05-22T13:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/recomendacoes-do-conselho-estadual-de-saude-de-goias-sobre-a-pandemia-de-covid-19\/"},"modified":"2020-05-22T10:30:50","modified_gmt":"2020-05-22T13:30:50","slug":"recomendacoes-do-conselho-estadual-de-saude-de-goias-sobre-a-pandemia-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/recomendacoes-do-conselho-estadual-de-saude-de-goias-sobre-a-pandemia-de-covid-19\/","title":{"rendered":"Recomenda\u00e7\u00f5es do Conselho Estadual de Sa\u00fade de Goi\u00e1s sobre a Pandemia de COVID-19"},"content":{"rendered":"<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) declarou, em 30 de janeiro de 2020, que o surto da doen&ccedil;a causada pelo novo Coronav&iacute;rus (COVID-19) constitui uma Emerg&ecirc;ncia de Sa&uacute;de P&uacute;blica de Import&acirc;ncia Internacional &ndash; este, &oacute; o mais alto n&iacute;vel de alerta da Organiza&ccedil;&atilde;o, conforme previsto no Regulamento Sanit&aacute;rio Internacional. Em 11 de mar&ccedil;o de 2020, a COVID-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia.<\/p>\n<p>&Eacute; importante ressaltar:<\/p>\n<p>Foram confirmados no mundo 4.618.821 casos de COVID-19 (93.324 novos em rela&ccedil;&atilde;o ao dia anterior) e 311.847 mortes (4.452 novas em rela&ccedil;&atilde;o ao dia anterior) at&eacute; 18 de maio de 2020.<\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de (OPAS) e a OMS prestam apoio t&eacute;cnico ao Brasil e a outros pa&iacute;ses, na prepara&ccedil;&atilde;o e resposta ao surto de COVID-19.<\/p>\n<p>Medidas de prote&ccedil;&atilde;o: lavar as m&atilde;os frequentemente com &aacute;gua e sab&atilde;o ou &aacute;lcool em gel e cobrir a boca com o antebra&ccedil;o quando tossir ou espirrar (ou utilize um len&ccedil;o descart&aacute;vel e, ap&oacute;s tossir\/espirrar, jogue-o no lixo e lave as m&atilde;os).<\/p>\n<p>Se uma pessoa tiver sintomas menores, como tosse leve ou febre leve, geralmente n&atilde;o h&aacute; necessidade de procurar atendimento m&eacute;dico. O ideal &eacute; ficar em casa, e manter-se isolado (conforme as orienta&ccedil;&otilde;es das autoridades nacionais) e monitorar os sintomas.<\/p>\n<p>Procure atendimento m&eacute;dico imediato se tiver dificuldade de respirar ou dor\/press&atilde;o no peito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre o Uso da Cloroquina no Tratamento da COVID-19<\/strong><\/p>\n<p>O Conselho Estadual de Sa&uacute;de de Goi&aacute;s explicita a sua concord&acirc;ncia com o posicionamento da Sociedade Brasileira de Infectologia sobre uso da Cloroquina contra o Covid-19. Este &eacute; um parecer com base em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas expressas pela principal Sociedade da especialidade m&eacute;dica mais relacionada &agrave; Pandemia em pauta.<\/p>\n<p>A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou nota, nesta segunda-feira (18), na qual declarou que o uso da cloroquina contra a Covid-19, doen&ccedil;a causada pelo novo Coronav&iacute;rus, &ldquo;n&atilde;o apenas carece de evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica&rdquo; como &eacute; perigoso, &ldquo;pois tomou um aspecto pol&iacute;tico inesperado&rdquo;. Segundo a nota, o uso do medicamento para tratar a Covid-19 &quot;vem na contram&atilde;o de toda a experi&ecirc;ncia mundial e cient&iacute;fica com esta pandemia&rdquo;. &quot;A cloroquina &eacute; normalmente utilizada para tratar mal&aacute;ria e doen&ccedil;as autoimunes, como l&uacute;pus&rdquo;.<\/p>\n<p>&quot;A escolha desta terapia, ou mesmo a conota&ccedil;&atilde;o que a COVID-19 &eacute; uma doen&ccedil;a de f&aacute;cil tratamento, vem na contram&atilde;o de toda a experi&ecirc;ncia mundial e cient&iacute;fica com esta pandemia. Este posicionamento n&atilde;o apenas carece de evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica, al&eacute;m de ser perigoso, pois tomou um aspecto pol&iacute;tico inesperado&quot;, diz a nota da SBI. A nota frisa que o medicamento &eacute; contraindicado mesmo em casos leves de Covid-19 (que estudos feitos em outros pa&iacute;ses apontam ser 80% dos casos da doen&ccedil;a).<\/p>\n<p>&ldquo;Uma das principais cr&iacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o aos estudos referidos anteriormente &eacute; que muitos dos pacientes avaliados estavam em estado grave quando receberam esses f&aacute;rmacos&rdquo;, considera a nota. A entidade cita um estudo feito com 150 pacientes, divididos em dois grupos: um recebeu hidroxicloroquina e o outro, n&atilde;o. A pesquisa, diz a SBI, apontou que &ldquo;n&atilde;o houve diferen&ccedil;a quanto &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o dos pacientes que usaram ou n&atilde;o esse f&aacute;rmaco, mas v&aacute;rios efeitos adversos relacionados ao uso de hidroxicloroquina foram relatados nos pacientes em uso desse medicamento&rdquo;.<\/p>\n<p>A sociedade, ent&atilde;o, &quot;conclui que ainda &eacute; precoce a recomenda&ccedil;&atilde;o de uso deste medicamento na COVID-19, visto que diferentes estudos mostram n&atilde;o haver benef&iacute;cios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina. Al&eacute;m disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em considera&ccedil;&atilde;o&quot;, alerta.<\/p>\n<p>A entidade destaca, ainda, que os investimentos nas pesquisas de outras alternativas de tratamento tamb&eacute;m devem ser priorizados, &ldquo;para que tenhamos um maior n&uacute;mero de terapias com potencial efetivo no tratamento da COVID-19&rdquo;. Por enquanto, diz a SBI, o isolamento social &ldquo;&eacute; a &uacute;nica medida efetiva para desacelerar as curvas de crescimento dessa infec&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre a Import&acirc;ncia do Isolamento Social<\/strong><\/p>\n<p>Ganha proemin&ecirc;ncia no debate atual sobre a pandemia do COVID-19 a cr&iacute;tica &agrave; estrat&eacute;gia do isolamento social. Esta se fundamenta, em ess&ecirc;ncia, na ideia de que os impactos econ&ocirc;micos do isolamento s&atilde;o maiores do que os seus benef&iacute;cios em termos de sa&uacute;de p&uacute;blica. Argumenta-se que a eventual restri&ccedil;&atilde;o de contato social deveria ser direcionada aos grupos de risco desta pandemia, qual seja pessoas com mais de 60 anos de idade ou que sejam portadoras de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas. Por decorr&ecirc;ncia, o resto da sociedade deveria retomar a normalidade o quanto antes a fim de reduzir os impactos econ&ocirc;micos desta nova forma de &ldquo;parada s&uacute;bita&rdquo;.<\/p>\n<p>Os defensores do &ldquo;retorno &agrave; normalidade&rdquo; argumentam que os &oacute;bitos causados pelo COVID-19 como propor&ccedil;&atilde;o do total da popula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o inferiores &agrave;quelas mortes derivadas de outras enfermidades ou processos sociais, como assassinatos e acidentes de tr&acirc;nsito. E, por imposi&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica, se a economia n&atilde;o costuma parar em fun&ccedil;&atilde;o de tais problemas, n&atilde;o haveria de ser impedida por efeito de um v&iacute;rus ainda menos letal.<\/p>\n<p>A despeito da aparente l&oacute;gica dos n&uacute;meros, o racioc&iacute;nio que fundamenta a proposta de &ldquo;vida normal&rdquo; est&aacute; equivocado por diversas raz&otilde;es.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os indicadores correntes de contamina&ccedil;&atilde;o e de &oacute;bito est&atilde;o se mantendo em patamares relativamente baixos diante dos contingentes populacionais totais exatamente porque se tem aplicado como medida universal o isolamento social. Caso n&atilde;o houvesse o isolamento social, a popula&ccedil;&atilde;o infectada poderia chegar a algo entre 60% e 80% do total mundial, conforme estimativas do Dr. Gabriel Leung, especialista que integra a equipe da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de e que lida com a pandemia do CODIV-19.<\/p>\n<p>Um outro aspecto importante, as estat&iacute;sticas de morbidade e mortalidade s&atilde;o amplamente subestimadas em raz&atilde;o da falta de testagem dos pacientes v&iacute;timas da COVID-19. Neste per&iacute;odo, por falta de testagem, houve um importante crescimento da mortalidade por S&iacute;ndrome de Ang&uacute;stia Respirat&oacute;ria do Adulto (SARA) e S&iacute;ndrome do Desconforto Respirat&oacute;rio Agudo (SDRA). Estas s&atilde;o s&iacute;ndromes respirat&oacute;rias importantes que acometem as pessoas com alta mortalidade. No entanto, o seu diagn&oacute;stico &eacute; sindr&ocirc;mico e o m&eacute;dico que vai emitir a declara&ccedil;&atilde;o de &oacute;bito, na falta da testagem para COVID, utiliza estes diagn&oacute;sticos baseados somente na cl&iacute;nica. O m&eacute;dico n&atilde;o pode fazer o diagn&oacute;stico etiol&oacute;gico dizendo que &eacute; a COVID-19 doen&ccedil;a provocada pelo v&iacute;rus SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O CES\/GO reafirma as Recomenda&ccedil;&otilde;es do Pleno do Conselho Nacional de Sa&uacute;de<\/strong><\/p>\n<p>Ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, &agrave;s Secretarias Estaduais e Municipais de Sa&uacute;de e aos Conselhos de Sa&uacute;de dos Estados, Munic&iacute;pios e do Distrito Federal que orientem os profissionais dos servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, incluindo gestores, prestadores e todas as profiss&otilde;es da sa&uacute;de, entre outras, com as seguintes estrat&eacute;gias:<\/p>\n<ol>\n<li>A atua&ccedil;&atilde;o deve ser realizada de maneira antirracista em todo o manejo com os pacientes em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade, como popula&ccedil;&atilde;o negra, popula&ccedil;&otilde;es tradicionais (quilombos e terreiros), popula&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de rua, popula&ccedil;&atilde;o ribeirinha, popula&ccedil;&atilde;o cigana, do campo, das &aacute;guas e das florestas, dentro do trato da pandemia por Covid-19 e outras patologias;<\/li>\n<li>Os procedimentos de acolhida das pessoas nas portas dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, bem como todo o atendimento devem ser realizados com a promo&ccedil;&atilde;o da equidade em sa&uacute;de, sem nenhum tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a, cor, etnia, sexual, de g&ecirc;nero, idade, religi&atilde;o entre outros;<\/li>\n<li>O acesso das popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, deve ser garantido e realizado em tempo adequado ao atendimento das necessidades de sa&uacute;de, conforme a Pol&iacute;tica Nacional de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (PNAB), e com especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s emerg&ecirc;ncias provocadas pela nova doen&ccedil;a por Coronav&iacute;rus, a Covid-19;<\/li>\n<li>As a&ccedil;&otilde;es de enfrentamento das altas taxas de mortalidade das popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis devem ser priorizadas, tendo em vista o acolhimento das popula&ccedil;&otilde;es do grupo de risco e as a&ccedil;&otilde;es de enfrentamento ao racismo institucional;<\/li>\n<li>Devem ser envidados todos os esfor&ccedil;os para a inser&ccedil;&atilde;o da tem&aacute;tica &eacute;tnico-racial nos processos de trabalho e educa&ccedil;&atilde;o permanente das equipes de aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e dos trabalhadores\/profissionais de sa&uacute;de do SUS, com especial aten&ccedil;&atilde;o ao quadro de emerg&ecirc;ncias provocado pela nova doen&ccedil;a por Coronav&iacute;rus, a Covid-19;<\/li>\n<li>A atua&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra nos espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o, controle social e da gest&atilde;o participativa da sa&uacute;de devem ser mais uma vez estimuladas e a&ccedil;&otilde;es como o trabalho de desinfec&ccedil;&atilde;o e limpeza urbana organizada por pessoas das pr&oacute;prias comunidades e favelas devem ser apoiadas, inclusive, financeiramente;<\/li>\n<li>A coleta, a an&aacute;lise e a publica&ccedil;&atilde;o dos dados desagregados por ra&ccedil;a\/cor devem ser realizadas com vistas a produzir a representa&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima da realidade e &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o das melhores solu&ccedil;&otilde;es no enfrentamento &agrave; nova doen&ccedil;a por Coronav&iacute;rus, Covid-19, de acordo com a realidade social e populacional brasileira;<\/li>\n<li>Produzir instrumentos e indicadores para enfrentamento, acompanhamento e monitoramento dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de com vistas a coibir pr&aacute;ticas de racismo institucional, bem como elaborar instrumentos com orienta&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas que se fizerem necess&aacute;rias &agrave; observ&acirc;ncia da Pol&iacute;tica Nacional de Sa&uacute;de Integral da Popula&ccedil;&atilde;o Negra (PN SIPN) e ao combate &agrave; nova doen&ccedil;a por Coronav&iacute;rus, Covid-19, respeitando-se as realidades, demandas e necessidades locais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\">Goi&acirc;nia, 20 de maio de 2020<\/p>\n<p align=\"center\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Venerando Lemes de Jesus<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Presidente<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) declarou, em 30 de janeiro de 2020, que o surto da doen&ccedil;a causada pelo novo Coronav&iacute;rus (COVID-19) constitui uma Emerg&ecirc;ncia de Sa&uacute;de P&uacute;blica de Import&acirc;ncia Internacional &ndash; este, &oacute; o mais alto n&iacute;vel de alerta da Organiza&ccedil;&atilde;o, conforme previsto no Regulamento Sanit&aacute;rio Internacional. 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