

{"id":15090,"date":"2012-05-28T12:05:56","date_gmt":"2012-05-28T15:05:56","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/leishmaniose-tegumentar-americana\/"},"modified":"2024-01-23T14:15:43","modified_gmt":"2024-01-23T17:15:43","slug":"leishmanioses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/leishmanioses\/","title":{"rendered":"Leishmanioses"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Leishmaniose Tegumentar Americana<\/strong><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A leishmaniose tegumentar americana \u2013 LTA ou \u201cferida brava ou \u00falcera de bauru\u201d \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa, n\u00e3o-contagiosa, causada por protozo\u00e1rio do g\u00eanero Leishmania, de transmiss\u00e3o vetorial, que acomete pele e mucosas, tendo como reservat\u00f3rios marsupiais e roedores, como a pregui\u00e7a, o tamandu\u00e1. O c\u00e3o dom\u00e9stico n\u00e3o \u00e9 reservat\u00f3rio da LTA, sendo acidentalmente infectado e podendo ter cura espont\u00e2nea da doen\u00e7a, n\u00e3o sendo necess\u00e1rias medidas de controle (inqu\u00e9rito ou eutan\u00e1sia). Ser\u00e1 apenas um sentinela da ocorr\u00eancia da transmiss\u00e3o da doen\u00e7a na localidade. A transmiss\u00e3o se da por pela picada v\u00e1rias esp\u00e9cies de flebotom\u00edneos (mosquito palha, cangalhinha, etc.), principalmente do g\u00eanero Lutzomyia. O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o no homem, em m\u00e9dia de 2 meses, podendo apresentar per\u00edodos mais curtos (duas semanas) e mais longos (dois anos). A susceptibilidade \u00e9 universal. A infec\u00e7\u00e3o e a doen\u00e7a n\u00e3o conferem imunidade ao paciente. As les\u00f5es podem ser cut\u00e2neas (na maioria das vezes) apresenta-se como uma les\u00e3o ulcerada \u00fanica e se caracteriza por bordas elevadasem moldura. Ofundo \u00e9 granuloso, com ou sem exsuda\u00e7\u00e3o, geralmente indolores. A forma cut\u00e2nea disseminada caracteriza-se por les\u00f5es ulceradas pequenas, \u00e0s vezes acneiformes, distribu\u00eddas por todo o corpo (dissemina\u00e7\u00e3o hematog\u00eanica); e les\u00f5es mucosas geralmente secund\u00e1rias \u00e0s les\u00f5es cut\u00e2neas, surgindo normalmente meses ou anos ap\u00f3s a resolu\u00e7\u00e3o das les\u00f5es de pele. \u00c0s vezes, por\u00e9m, n\u00e3o se identifica a porta de entrada, supondo-se que as les\u00f5es sejam originadas de infec\u00e7\u00e3o subcl\u00ednica. S\u00e3o mais acometidas as cavidades nasais, faringe, laringe e cavidade oral. As queixas mais comuns no acometimento nasal s\u00e3o obstru\u00e7\u00e3o, epistaxes, rinorr\u00e9ia e crostas; da faringe, odinofagia; da laringe, rouquid\u00e3o e tosse; da cavidade oral, ferida na boca.<\/p>\n<p><strong>Exames<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisa direta &#8211; primeira escolha. Procedimentos: escarifica\u00e7\u00e3o, bi\u00f3psia com impress\u00e3o por aposi\u00e7\u00e3o e pun\u00e7\u00e3o aspirativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Intradermorea\u00e7\u00e3o de Montenegro (IDRM) &#8211; Em \u00e1reas end\u00eamicas \u00e9 um m\u00e9todo pouco confi\u00e1vel, a IDRM positiva pode ser LTA anterior ou aplica\u00e7\u00e3o anterior de ant\u00edgeno de IDRM, infec\u00e7\u00e3o sem doen\u00e7a, alergia ao diluente ou rea\u00e7\u00e3o cruzada com outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a cura cl\u00ednica, a IDRM pode permanecer positiva por v\u00e1rios anos sendo de limitado valor para o diagn\u00f3stico de reativa\u00e7\u00e3o. Pacientes com leishmaniose mucosa apresentam geralmente IDRM exacerbada, com vesicula\u00e7\u00e3o, podendo ulcerar e necrosar. Na forma cut\u00e2nea difusa a IDRM costuma ser negativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Histopatologia \u2013 A bi\u00f3psia pode ser feita com \u201cpunch\u201d ou em cunha com o bisturi. Nas les\u00f5es ulceradas deve-se preferir a borda \u00edntegra da les\u00e3o. Limpar o local a ser biopsiado com soro fisiol\u00f3gico. Colocar o fragmento em formol a 10%.<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">uema apenas uma vez, por 30 dias. Em caso de n\u00e3o resposta, encaminhar o paciente para o servi\u00e7o de refer\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Leishmaniose Visceral Humana<\/strong><\/p>\n<p>A leishmaniose visceral (LV) \u00e9 uma zoonose importante no Brasil, tendo em vista sua magnitude, letalidade e expans\u00e3o geogr\u00e1fica. Envolve principalmente tr\u00eas componentes: vetor (\u201cmosquito palha ou birigui\u201d), reservat\u00f3rio (animais silvestres e o c\u00e3o) e o homem suscept\u00edvel, com not\u00e1vel urbaniza\u00e7\u00e3o em cidades de m\u00e9dio e grande porte, determinando um novo perfil epidemiol\u00f3gico da doen\u00e7a. Os sintomas s\u00e3o febre e aumento do volume do f\u00edgado e do ba\u00e7o, emagrecimento, complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas e circulat\u00f3rias, des\u00e2nimo, prostra\u00e7\u00e3o, apatia e palidez. Pode haver tosse, diarr\u00e9ia, respira\u00e7\u00e3o acelerada, hemorragias e sinais de infec\u00e7\u00f5es associadas. Quando n\u00e3o tratada, a doen\u00e7a evolui podendo levar \u00e0 morte at\u00e9 90% dos doentes. T\u00e9cnicas diagn\u00f3sticas principais s\u00e3o a RIFI &#8211; imunofluoresc\u00eancia indireta (= ou &gt; 1: 80) e o exame direto de formas amastigotas &#8211; aspirado de medula \u00f3ssea, bi\u00f3psia hep\u00e1tica e a aspira\u00e7\u00e3o de linfonodos.<\/p>\n<p>Tratamento<\/p>\n<p>Antes de iniciar o tratamento: avalia\u00e7\u00e3o e estabiliza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, tratamento das infec\u00e7\u00f5es concomitantes. Devem ser tratados em unidades de refer\u00eancia, pacientes que apresentem co-morbidades ou sinais de agravamento (anemia, hemorragia, menores de um ano ou maiores de 50, dentre outros). \u00c9 indicada a realiza\u00e7\u00e3o do eletrocardiograma (ECG) em todos os casos de LV e obrigat\u00f3rio nos pacientes acima de 50 anos, no in\u00edcio, durante e ap\u00f3s o tratamento.<\/p>\n<p>De 2007 a 2011 foram notificados 290 casos suspeitos de leishmaniose visceral e foram confirmados 224 casos: 25 em 2007, 31 em 2008, 25 em 2009, 33 em 2010 e 29 em 2011. Os munic\u00edpios de Piren\u00f3polis, Campos Belos, Urua\u00e7u e Crix\u00e1s s\u00e3o os maiores notificadores. Em Goi\u00e1s existe a confirma\u00e7\u00e3o de casos caninos e\/ou humanos em aproximadamente 20% dos munic\u00edpios, podendo-se destacar munic\u00edpios como Piren\u00f3polis, Caldas Novas, dentre outros da regi\u00e3o da Serra da Mesa, Norte e Sudoeste goiano. Est\u00e3o dispon\u00edveis nas Regionais de Sa\u00fade, NACES e Centros de Controle de Zoonoses, Notas T\u00e9cnicas de Diagn\u00f3stico da Leishmaniose Visceral Canina, Leishmaniose Visceral Humana e Leishmaniose Tegumentar.<\/p>\n<p>O LACEN \u00e9 o laborat\u00f3rio de refer\u00eancia estadual em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico animal e humano, bem como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa vetorial; o HDT \u00e9 a refer\u00eancia estadual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica aos pacientes graves.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leishmaniose Tegumentar Americana A leishmaniose tegumentar americana \u2013 LTA ou \u201cferida brava ou \u00falcera de bauru\u201d \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa, n\u00e3o-contagiosa, causada por protozo\u00e1rio do g\u00eanero Leishmania, de transmiss\u00e3o vetorial, que acomete pele e mucosas, tendo como reservat\u00f3rios marsupiais e roedores, como a pregui\u00e7a, o tamandu\u00e1. 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