{"id":10478,"date":"2015-06-02T13:06:06","date_gmt":"2015-06-02T16:06:06","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/a-conjuntura-atual-do-sus-para-onde-vamos\/"},"modified":"2015-06-02T13:06:06","modified_gmt":"2015-06-02T16:06:06","slug":"a-conjuntura-atual-do-sus-para-onde-vamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/a-conjuntura-atual-do-sus-para-onde-vamos\/","title":{"rendered":"A conjuntura atual do SUS: para onde vamos?"},"content":{"rendered":"<p><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"https:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\"><br \/>\n<html><body><\/p>\n<p><a href=\"images\/imagens_migradas\/\"><em><strong><br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/mesa_abertura_ciclo_capa-97f.jpg\" alt=\"\"><\/strong><\/em><\/a>De 4 a 8 de maio, a Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, por meio do curso de Resid&ecirc;ncia Multiprofissional em Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, promoveu a d&eacute;cima edi&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em>Ciclo de Debates &#8211; Conversando sobre a Estrat&eacute;gia de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia<\/em>. Ao longo de uma semana o evento contou com diversos palestrantes que discutiram a abertura do capital estrangeiro para a sa&uacute;de, o papel das resid&ecirc;ncias na forma&ccedil;&atilde;o para o SUS, o lugar da educa&ccedil;&atilde;o nas periferias e favelas, o papel dos movimentos sociais na forma&ccedil;&atilde;o para cidadania; al&eacute;m dos avan&ccedil;os e desafios da Pol&iacute;tica de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. No primeiro dia de atividades, o diretor da ENSP, Hermano Castro, e a vice-diretora de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, Tatiana Wargas, participaram da cerim&ocirc;nia de abertura e destacaram a import&acirc;ncia do papel formador da Resid&ecirc;ncia. Segundo eles, s&atilde;o muitos os desafios do SUS e novas discuss&otilde;es no campo s&atilde;o necess&aacute;rias para que os desafios sejam efetivamente enfrentados. Na ocasi&atilde;o, o diretor ressaltou ainda que o debate pol&iacute;tico &eacute; fundamental para discutir os rumos da sa&uacute;de no Brasil.<\/p>\n<p>O debate do primeiro dia do Ciclo (4\/5) teve como tema&nbsp;<em>A conjuntura atual do SUS e da Pol&iacute;tica Nacional de Sa&uacute;de: abertura de capital estrangeiro para a sa&uacute;de<\/em>&nbsp;e contou a participa&ccedil;&atilde;o da professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Maria In&ecirc;s Bravo e do membro do Centro Brasileiro de Estudos de Sa&uacute;de (Cebes) Nelson Rodrigues. A mesa foi coordenada pelo pesquisador da Universidade Federal da Bahia Paulo Henrique Almeida. Maria In&ecirc;s Bravo abordou a Sa&uacute;de na conjuntura atual. Para ela, o pa&iacute;s passa por uma dif&iacute;cil conjuntura atualmente, e por isso, devemos defender o SUS em sua forma mais plena. Sobre a Pol&iacute;tica de Sa&uacute;de no Brasil, a professora citou os projetos em disputa no pa&iacute;s. Segundo ela, nos anos de 1980 foi criado o projeto da Reforma Sanit&aacute;ria, logo ap&oacute;s, em 1990, veio o projeto privatista e em seguida, nos anos 2000, a Reforma Sanit&aacute;ria Flexibilizada, para justificar medidas privatistas e subfinanciadas.<br \/>&nbsp;<\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/ciclo_primeiro_dia_mesa_dentro_ok-ea3.jpg\" alt=\"\"><\/center><\/p>\n<p><span>Em termos de impasses do SUS desde sua aprova&ccedil;&atilde;o no final dos anos 80, a professora citou algumas quest&otilde;es sobre o processo de implanta&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o do sistema, como a l&oacute;gica macroecon&ocirc;mica de valoriza&ccedil;&atilde;o do capital financeiro e subordina&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica social &agrave; mesma, encolhendo os direitos sociais e ampliando o espa&ccedil;o do mercado; a falta de viabiliza&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de seguridade social; o subfinanciamento e &nbsp;as distor&ccedil;&otilde;es nos gastos p&uacute;blicos influenciado pela l&oacute;gica do mercado; a aus&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios &eacute;tico-pol&iacute;ticos do projeto de Reforma Sanit&aacute;ria; a n&atilde;o valoriza&ccedil;&atilde;o do controle social e da participa&ccedil;&atilde;o social; a terceiriza&ccedil;&atilde;o e precariza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores da sa&uacute;de; o modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de centrado na doen&ccedil;a; o modelo de gest&atilde;o vertical, com &ecirc;nfase na privatiza&ccedil;&atilde;o; os problema na forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de; a n&atilde;o valoriza&ccedil;&atilde;o da centralidade da categoria trabalho como determinante fundamental; o n&atilde;o reconhecimento da sa&uacute;de como resultado da determina&ccedil;&atilde;o social do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a; os subs&iacute;dios aos planos privados de sa&uacute;de; e a mercantiliza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.<\/span><\/p>\n<p><span>&ldquo;J&aacute; nos anos 2000 chega a privatiza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de com a consolida&ccedil;&atilde;o do grande capital na &aacute;rea de servi&ccedil;os de sa&uacute;de e sua vincula&ccedil;&atilde;o a empresas de seguros. Em 2008 a concentra&ccedil;&atilde;o das empresas de planos de sa&uacute;de no Brasil j&aacute; &eacute; absurda, 38 empresas det&ecirc;m 50% do mercado em n&uacute;mero de benefici&aacute;rios, estimuladas pela redu&ccedil;&atilde;o de impostos e subs&iacute;dios p&uacute;blicos. O capital estrangeiro entra na sa&uacute;de definitivamente e o n&uacute;mero de usu&aacute;rios de planos de sa&uacute;de cresce significativamente no pa&iacute;s: de 34,5 milh&otilde;es de usu&aacute;rio em 2000, para 47,8 milh&otilde;es em 2011. O Estado d&aacute; apoio a amplia&ccedil;&atilde;o do livre mercado na sa&uacute;de, com isen&ccedil;&atilde;o de impostos a grandes hospitais e grupos farmac&ecirc;uticos, fortalecendo o setor filantr&oacute;pico da sa&uacute;de (PROSUS), al&eacute;m da destina&ccedil;&atilde;o dos recursos entre a rede contratada e a rede p&uacute;blica, sendo em 2012, por exemplo, 57% para rede contratada e 43% para a p&uacute;blica. O Brasil se torna o segundo mercado mundial de seguros privados perdendo apenas para os Estados Unido&rdquo;, descreveu.<\/span><\/p>\n<p><strong>A sa&uacute;de e novos modelos de gest&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/maria_ines_bravo_boneco_dentro-b8f.jpg\" alt=\"\"><span>Os novos modelos de gest&atilde;o na sa&uacute;de &#8211; como OSs, OSCIPs, Funda&ccedil;&otilde;es, EBSERH &#8211; tamb&eacute;m foram citados pela professora. Eles consistem na transfer&ecirc;ncia da gest&atilde;o das atividades das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas mediante repasse de recursos, de instala&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e de pessoal, denominada como privatiza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, ou seja, apropria&ccedil;&atilde;o por um grupo privado (n&atilde;o estatal) do que &eacute; p&uacute;blico. Para a Maria In&ecirc;s essa pr&aacute;tica traz grandes preju&iacute;zos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, aos trabalhadores e ao er&aacute;rio (finan&ccedil;as do Estado) por parte das Organiza&ccedil;&otilde;es Sociais. &ldquo;O sucateamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos &eacute; acelerado nos estados e munic&iacute;pios que implantaram as OSs, onde j&aacute; se constata problemas com rela&ccedil;&atilde;o ao acesso e a qualidade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Al&eacute;m disso, a elimina&ccedil;&atilde;o do concurso p&uacute;blico para a contrata&ccedil;&atilde;o de pessoal tem permitido o clientelismo para a contrata&ccedil;&atilde;o, bem como a precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho frente &agrave; flexibiliza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos&rdquo;, alertou In&ecirc;s.<\/span><\/p>\n<p><span>Outro ponto abordado por Maria In&ecirc;s Bravo foram as propostas apresentadas para a sa&uacute;de face as manifesta&ccedil;&otilde;es de 2013, que, segundo ela, n&atilde;o enfrentam a determina&ccedil;&atilde;o social do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, rebaixam a pauta da sa&uacute;de &agrave; l&oacute;gica incrementalista e assistencial, e reiteram o modelo m&eacute;dico-centrado e a privatiza&ccedil;&atilde;o. Sobre a entrada de capital estrangeiro na sa&uacute;de (lei n&ordm; 13.019\/2015) que possibilita empresas e capitais estrangeiros se instalar, operar ou explorar hospitais e cl&iacute;nicas, tamb&eacute;m podendo entrar em a&ccedil;&otilde;es e pesquisas de planejamento familiar e servi&ccedil;os de sa&uacute;de exclusivos para atendimento de funcion&aacute;rios de empresas, In&ecirc;s explicou que atualmente, a presen&ccedil;a do capital externo j&aacute; existe em outras &aacute;reas da sa&uacute;de, a exemplo dos planos e seguros de sa&uacute;de e de farm&aacute;cias. A emenda altera a Lei Org&acirc;nica da Sa&uacute;de (8.080\/90), que originalmente pro&iacute;be os investimentos estrangeiros no setor, e fere tamb&eacute;m a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, em seu artigo n&ordm;. 199.<\/span><\/p>\n<p><span>&ldquo;A entrada de capital estrangeiro na sa&uacute;de aumenta a forte tend&ecirc;ncia de mercantiliza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de que temos vivenciado, e retrocede de maneira significativa a luta hist&oacute;rica da Reforma Sanit&aacute;ria pela sa&uacute;de como direito. Al&eacute;m disso, &eacute; falso o argumento favor&aacute;vel &agrave; mudan&ccedil;a constitucional de que o recurso externo pode auxiliar na sa&uacute;de brasileira, fortalecendo o privado e aumentando a livre concorr&ecirc;ncia, aperfei&ccedil;oando assim a qualidade do servi&ccedil;o privado e desafogando o setor p&uacute;blico, melhorando o atendimento ao consumidor. &nbsp;Desde a d&eacute;cada de 1990, assistimos ao processo de universaliza&ccedil;&atilde;o excludente em que o mercado privado da sa&uacute;de tem se expandido&rdquo;, analisou. Por fim, a professora citou alguns movimentos contra hegem&ocirc;nicos. Segundo ela, atualmente foram criados mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o para fortalecer a luta por sa&uacute;de, considerada como melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida e de trabalho. Entre eles est&atilde;o os F&oacute;runs de Sa&uacute;de e a Frente Nacional contra &agrave; Privatiza&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de, criada em 2010, na qual Maria In&ecirc;s Bravo &eacute; militante. A professora terminou sua fala apresentando uma agenda para &agrave; sa&uacute;de em defesa do SUS e convidando a todos para participar dessa luta.<\/span><\/p>\n<p><strong>Os golpes no SUS: a entrada do capital estrangeiro como lucratividade<\/strong><\/p>\n<p><span>No sentido de debater as ideias apresentadas pela professora Mario In&ecirc;s Bravo, o membro do Centro Brasileiro de Estudo de Sa&uacute;de e do Instituto Brasileiro de Direito Sanit&aacute;rio Aplicado, Nelson Rodrigues fez uma breve an&aacute;lise sobre os golpes que vem sendo dados ao SUS e destacou que a consci&ecirc;ncia coletiva e a mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade s&atilde;o as &uacute;nicas atitudes que podem conquistar e p&ocirc;r em pr&aacute;tica os direitos dos cidad&atilde;os. &ldquo;O grande desafio hoje &eacute; que o SUS est&aacute; sendo implementado pelo contr&aacute;rio, ele est&aacute; fora do rumo&rdquo;, lamentou.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/nelson_boneco_dentro-208.jpg\" alt=\"\"><span>Nelson citou tamb&eacute;m a medida provis&oacute;ria que abre a entrada de capital estrangeiro no Brasil, oferecendo para o capital internacional um mercado de 25% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira que consome planos de sa&uacute;de privados. &ldquo;Eles n&atilde;o ficam apenas com esses 25% da popula&ccedil;&atilde;o, pois eles entram tamb&eacute;m como setor privado complementar do Sistema &Uacute;nico. O SUS hoje possui pouco mais de 200 bilh&otilde;es de reais ao ano e com a entrada do capital, mais de 60% desse valor seria para o capital estrangeiro, que vem abocanhar a complementariedade dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos dentro do SUS, al&eacute;m do mercado dos planos privados de sa&uacute;de&rdquo;, advertiu Nelson.<\/span><\/p>\n<p><span>Para o professor, cada golpe que o SUS toma &eacute; aparentemente mortal, mas nada consegue mat&aacute;-lo. Esses golpes todos que foram dados no SUS me deixam com uma vis&atilde;o muito clara de que n&atilde;o d&aacute; pra saber qual golpe foi pior, foi um esquartejamento de 25 anos. Se pegarmos os &uacute;ltimos, temos a impress&atilde;o de que os golpes est&atilde;o cada vez piores. A Reforma Sanit&aacute;ria brasileira se inspirou em um espectro de correntes ideol&oacute;gicas. O SUS por sua vez, totalmente esquartejado, n&atilde;o morre. Para mim, isso se deve a quest&atilde;o dos valores humanos&rdquo;, concluiu Nelson.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Ao final do primeiro dia do&nbsp;<\/span><em>X Ciclo de Debates<\/em><span>&nbsp;os convidados foram presenteados com a apresenta&ccedil;&atilde;o da orquestra&nbsp;<\/span><em>Brasil de Tuhu<\/em><span>, que realiza a&ccedil;&otilde;es que promovem a educa&ccedil;&atilde;o musical no pa&iacute;s. Para homenagear um dos maiores entusiastas dessa quest&atilde;o, o maestro Villa Lobos, foi escolhido seu apelido de inf&acirc;ncia &ndash; Tuhu, uma refer&ecirc;ncia ao barulho das locomotivas que ele tanto amava, para dar nome ao programa.<\/span><\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/orquestra_ciclo_debates_dentro-b16.jpg\" alt=\"\"><\/center><center><\/center><center><\/center><center><\/center><center>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.ensp.fiocruz.br\/portal-ensp\/informe\/site\/materia\/detalhe\/37677\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ENSP<\/a><\/center><\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 4 a 8 de maio, a Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, por meio do curso de Resid&ecirc;ncia Multiprofissional em Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, promoveu a d&eacute;cima edi&ccedil;&atilde;o do&nbsp;Ciclo de Debates &#8211; Conversando sobre a Estrat&eacute;gia de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia. 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