

{"id":10467,"date":"2015-06-02T13:06:17","date_gmt":"2015-06-02T16:06:17","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/tese-do-cebes-para-a-15a-conferencia-nacional-de-saude\/"},"modified":"2015-06-02T13:06:17","modified_gmt":"2015-06-02T16:06:17","slug":"tese-do-cebes-para-a-15a-conferencia-nacional-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/tese-do-cebes-para-a-15a-conferencia-nacional-de-saude\/","title":{"rendered":"Tese do CEBES para a 15a Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"https:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\"><br \/>\n<html><body><\/p>\n<p>O Brasil, na &uacute;ltima d&eacute;cada, apesar das crises enfrentadas pelo capitalismo internacional, conseguiu manter o crescimento com distribui&ccedil;&atilde;o de renda, melhorou o consumo e alcan&ccedil;ou o pleno-emprego. Entretanto, atualmente vive uma crise econ&ocirc;mica &ndash; acrescida de crise pol&iacute;tica decorrente das contradi&ccedil;&otilde;es internas &ndash; ampliada por interesses externos, que se imp&otilde;em com a inten&ccedil;&atilde;o de manter a ordem hegem&ocirc;nica do capitalismo planet&aacute;rio.<\/p>\n<p>No plano internacional a rearticula&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de mercado &ndash; liderada pelos EUA, que buscam manter a sua hegemonia e perpetuar o modelo capitalista predat&oacute;rio e concentrador de riqueza -, tem colocado de joelhos governos de v&aacute;rios pa&iacute;ses e deixado marcas de destrui&ccedil;&atilde;o nessas na&ccedil;&otilde;es. Na Am&eacute;rica Latina, a sua principal estrat&eacute;gia &eacute; desestabilizar os governos progressistas e derrotar as experi&ecirc;ncias que recolocaram em cena projetos de sociedades solid&aacute;rias, justas, fraternas e igualit&aacute;rias, as quais emergiram em oposi&ccedil;&atilde;o ao fracassado experimento neoliberal que acirrou as desigualdades e deixou uma multid&atilde;o de miser&aacute;veis vagando pelo continente.<\/p>\n<p>Este mundo unipolar, por&eacute;m, est&aacute; sendo colocado em xeque com a busca de alternativas internacionais multipolares, como o pacto sul-americano e a cria&ccedil;&atilde;o do BRICS (bloco econ&ocirc;mico composto por Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul) que, em setembro de 2014, criou duas institui&ccedil;&otilde;es que d&atilde;o significado e impulsionam mudan&ccedil;as na ordem mundial: o New Development Bank (NDB) e o Contigent Reserve Agreement (CRA). Estas institui&ccedil;&otilde;es guardam caracter&iacute;sticas similares, mas com volume maior de recursos que o Banco Mundial e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), que foram e continuam sendo institui&ccedil;&otilde;es-chave para a hegemonia norte-americana.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a do Brasil no BRICS abre espa&ccedil;o para novas coopera&ccedil;&otilde;es nos campos econ&ocirc;mico, educativo, cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico que podem repercutir positivamente no campo da sa&uacute;de, especialmente para a independ&ecirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos e insumos para a sa&uacute;de. Deve ainda ser considerada a possibilidade de novos rumos na articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre os pa&iacute;ses que comp&otilde;em o Bloco e as rela&ccedil;&otilde;es norte-sul, particularmente em conson&acirc;ncia com pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o social voltadas para a preserva&ccedil;&atilde;o de direitos.<\/p>\n<p>Essas iniciativas, aliadas ao desencantamento em rela&ccedil;&atilde;o ao neoliberalismo ap&oacute;s as interven&ccedil;&otilde;es em pa&iacute;ses da zona do euro nas crises econ&ocirc;micas de 2008 e 2009, particularmente no que se refere &agrave; ruptura da prote&ccedil;&atilde;o social e &agrave;s perdas dos direitos sociais da classe trabalhadora, indicam possibilidades de mudan&ccedil;as na din&acirc;mica internacional e devem ser analisadas e consideradas no debate interno.<\/p>\n<p>Em nosso Pa&iacute;s, o projeto de desenvolvimento com distribui&ccedil;&atilde;o de renda realizou conquistas que, ainda que insuficientes, n&atilde;o podem ser desconsideradas. A sa&iacute;da de enorme contingente de pessoas da mis&eacute;ria, o aumento real do sal&aacute;rio m&iacute;nimo e a menor taxa de desemprego registrada na s&eacute;rie hist&oacute;rica do IBGE s&atilde;o mudan&ccedil;as que tiveram influ&ecirc;ncia sobre os determinantes sociais da sa&uacute;de, impactaram a qualidade de vida e mudaram indicadores de sa&uacute;de como a queda da mortalidade infantil e o aumento da esperan&ccedil;a de vida. Apesar dessas conquistas, o Brasil precisa avan&ccedil;ar, pois continua sendo um dos pa&iacute;ses mais desiguais do mundo.<\/p>\n<p>Hoje se observa uma insatisfa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com os pol&iacute;ticos e a agudiza&ccedil;&atilde;o da crise pol&iacute;tica institucional e de representa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m est&aacute; claro o esgotamento do projeto de desenvolvimento baseado no crescimento econ&ocirc;mico com distribui&ccedil;&atilde;o de renda, que reduziu a pobreza e permitiu a amplia&ccedil;&atilde;o do consumo com base em amplas desonera&ccedil;&otilde;es sobre produtos, sem que isso significasse efetiva mobilidade social.<\/p>\n<p>Esse projeto, focalizado no enfrentamento das urg&ecirc;ncias das desigualdades sociais n&atilde;o contribuiu para o alargamento da consci&ecirc;ncia de cidadania, est&aacute; esgotado e se revela invi&aacute;vel diante de baixo crescimento econ&ocirc;mico; sem d&uacute;vida precisa ser revisto. Entretanto, discordamos radicalmente quanto a solu&ccedil;&atilde;o por meio de ajustes neoliberais que dilapidam os direitos sociais, penalizam os mais pobres, deixando intacta a acumula&ccedil;&atilde;o capitalista. Estes ajustes e esta economia pol&iacute;tica mercantilista n&atilde;o nos servem!<\/p>\n<p>Est&aacute; posto o desafio para a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova hegemonia na sociedade e no interior do Estado brasileiro, que impulsione um projeto de desenvolvimento capaz de enfrentar o problema estrutural da desigualdade social, comprometido com a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e que compreenda os recursos naturais como bem da humanidade e n&atilde;o como mercadoria; que priorize a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos saud&aacute;veis; que ofere&ccedil;a servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o relevantes para o bem-estar e que construa uma sociedade solid&aacute;ria, justa, fraterna e igualit&aacute;ria onde todos possam viver de forma digna. Nesta perspectiva, o combate ao capitalismo e a defesa do socialismo devem ser pauta pol&iacute;tica e horizonte de todos os movimentos sociais comprometidos com um mundo melhor.<\/p>\n<p>De imediato o Pa&iacute;s precisa promover mudan&ccedil;as profundas, entre as quais destacam-se as mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica e no sistema pol&iacute;tico. A reforma pol&iacute;tica deve propiciar a radicaliza&ccedil;&atilde;o da democracia com a participa&ccedil;&atilde;o efetiva dos cidad&atilde;os e acabar com o financiamento empresarial das campanhas &ndash; mecanismo de captura da pol&iacute;tica pelo poder econ&ocirc;mico &ndash; no qual prevalecem os interesses dos grupos financiadores em detrimento dos interesses coletivos da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O Movimento da Reforma Sanit&aacute;ria Brasileira sustentou no seu ide&aacute;rio um projeto civilizat&oacute;rio com amplas mudan&ccedil;as nos valores societ&aacute;rios em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vida e ao planeta. Esse projeto, ainda a ser constru&iacute;do, est&aacute; fundado nas bases de uma sociedade solid&aacute;ria e democr&aacute;tica, com a defesa do direito universal &agrave; sa&uacute;de como direito de cidadania. O direito &agrave; sa&uacute;de &eacute; um direito social que deve ser garantido pelo Estado, por meio de politicas econ&ocirc;micas, sociais e culturais, tal como conquistado na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, sendo incompat&iacute;vel com propostas nas quais a sa&uacute;de &eacute; tratada como neg&oacute;cio ou mercadoria.<\/p>\n<p>O Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) nasceu referendado por uma in&eacute;dita mobiliza&ccedil;&atilde;o social, impulsionada pelo Movimento da Reforma Sanit&aacute;ria, que buscava tecer as bases de um projeto de Pa&iacute;s, pautado na justi&ccedil;a, na igualdade e nos direitos sociais. O SUS teve e tem por objetivo melhorar a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o, cuidar de todos de forma integral com a qualidade e a complexidade que os problemas requerem e a popula&ccedil;&atilde;o merece; adotou a participa&ccedil;&atilde;o social promovendo a democracia participativa como fundamento para a sua gest&atilde;o.<\/p>\n<p>Nestes 27 anos o SUS avan&ccedil;ou e acumulou conquistas, especialmente se considerarmos a situa&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de no per&iacute;odo de sua cria&ccedil;&atilde;o. Entretanto, estamos muito distantes da situa&ccedil;&atilde;o ideal, os avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados n&atilde;o podem mascarar os problemas intr&iacute;nsecos do SUS e nem aqueles extr&iacute;nsecos, oriundos de setores da sociedade que boicotam a sua consolida&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para o Cebes, o SUS n&atilde;o &eacute; um sistema de sa&uacute;de que possa sobreviver e se consolidar com pol&iacute;ticas orientadas pelo projeto liberal, que n&atilde;o mede esfor&ccedil;os em desconstru&iacute;-lo, que alimenta os interesses da ind&uacute;stria m&eacute;dica globalizada e transforma a sa&uacute;de em puro mercado. O momento &eacute; cr&iacute;tico e a sobreviv&ecirc;ncia do SUS exige mudan&ccedil;as profundas na ordem econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e social brasileira; exige, tamb&eacute;m, o compromisso efetivo do Estado, dos governos e da sociedade na sua defesa. Para que a sa&uacute;de seja um direito de todos, assumida como um bem da sociedade, &eacute; necess&aacute;rio um novo acordo em nome do interesse p&uacute;blico, que recomponha os princ&iacute;pios e as orienta&ccedil;&otilde;es constitucionais, os quais devem ser assegurados pelos poderes Legislativo, Executivo e Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p>A luta por direitos sociais e em particular o direito &agrave; sa&uacute;de deve ter como pressuposto a luta por um Estado democr&aacute;tico participativo, com justi&ccedil;a social e equidade. Os interesses de mercado avan&ccedil;am pelo mundo por meio de estrat&eacute;gias potentes. No continente latino-americano s&atilde;o travados embates importantes entre o mercado e os Estados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, e a resist&ecirc;ncia do SUS brasileiro &eacute; representativa para o ide&aacute;rio dos movimentos por sa&uacute;de nestes pa&iacute;ses. O Brasil deve assumir compromissos e responsabilidades com os demais pa&iacute;ses latino-americanos, pois os avan&ccedil;os que conquistamos no campo da sa&uacute;de inspiram as lutas pelo direito &agrave; sa&uacute;de em pa&iacute;ses deste continente.<\/p>\n<p>A voracidade do capital n&atilde;o tem limites, mercantilizou todos os aspectos da vida. Na sa&uacute;de, transformou o cuidado em um neg&oacute;cio lucrativo; medicaliza a vida e a sociedade, induzindo o consumo de medicamentos e procedimentos m&eacute;dicos; explora os trabalhadores da sa&uacute;de &agrave; exaust&atilde;o e pratica estelionato vendendo planos privados de sa&uacute;de que n&atilde;o atendem &agrave;s necessidades das pessoas quando elas mais precisam, ou seja, nas situa&ccedil;&otilde;es de doen&ccedil;as graves e na velhice.<\/p>\n<p>Para garantir os seus lucros, o mercado usa recursos p&uacute;blicos que s&atilde;o canalizados especialmente por meio de subs&iacute;dios fiscais como a dedu&ccedil;&atilde;o de 100% no Imposto de Renda (IR) devido dos gastos com servi&ccedil;os privados realizados pelo contribuinte. Desse modo, os brasileiros que t&ecirc;m renda para gastar no mercado da sa&uacute;de s&atilde;o incentivados &agrave; este consumo, com consequ&ecirc;ncias negativas para a sa&uacute;de p&uacute;blica, pois essa dedu&ccedil;&atilde;o diminui o montante de recursos arrecadados e, consequentemente, reduz a parcela que iria para o SUS. Ao fim e ao cabo, a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o tem recursos para gastar com sa&uacute;de privada e que paga impostos financia indiretamente os gastos privados com sa&uacute;de de uma parcela minorit&aacute;ria da sociedade.<\/p>\n<p>Do IR, as pessoas f&iacute;sicas podem deduzir os gastos com planos de sa&uacute;de, m&eacute;dicos, dentistas, psic&oacute;logos, fisioterapeutas, fonoaudi&oacute;logos, terapeutas ocupacionais e hospitais, exames laboratoriais, servi&ccedil;os radiol&oacute;gicos, aparelhos ortop&eacute;dicos e pr&oacute;teses ortop&eacute;dicas e dent&aacute;rias, entre outros. N&atilde;o h&aacute; teto para o abatimento de gastos com sa&uacute;de (ren&uacute;ncia fiscal), diferentemente do que acontece com a educa&ccedil;&atilde;o, cujo limite de dedu&ccedil;&atilde;o &eacute; de R$ 3.375,83. A ren&uacute;ncia fiscal se aplica tamb&eacute;m aos empregadores que fornecem assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de a seus funcion&aacute;rios, considerando este gasto como &ldquo;despesa operacional&rdquo; e abatendo do lucro tribut&aacute;vel. Ainda h&aacute; as desonera&ccedil;&otilde;es fiscais para a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, hospitais filantr&oacute;picos, subs&iacute;dios diretos por meio de incentivos fiscais e desonera&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de subs&iacute;dios a funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, cujos planos de sa&uacute;de s&atilde;o pagos com recursos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Em 2011, a ren&uacute;ncia fiscal na sa&uacute;de foi de R$ 15,8 bilh&otilde;es, sendo R$ 7,7 bilh&otilde;es apenas de planos de sa&uacute;de. Neste mesmo ano, o lucro l&iacute;quido das operadoras de planos privados de sa&uacute;de foi de R$ 4,9 bilh&otilde;es, ou seja, mais da metade dos lucros dessas empresas foram decorrentes de ren&uacute;ncia fiscal. No nosso entendimento, quem quer plano de sa&uacute;de deve pagar &ndash; integralmente &ndash; por ele, evitando iniquidades. A desonera&ccedil;&atilde;o fiscal na &aacute;rea da sa&uacute;de deve ser eliminada e os recursos devem ser aplicados no SUS para melhorar a qualidade e garantir universalidade e integralidade de acesso.<\/p>\n<p>Dinheiro do povo n&atilde;o pode ser privatizado, deve ser usado em servi&ccedil;os para todo o povo, promovendo justi&ccedil;a e igualdade social.<\/p>\n<p>Os direitos sociais, para serem garantidos pelas pol&iacute;ticas sociais, custam caro. A 15a Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de (CNS) deve deixar claro quem deve pagar os custos das pol&iacute;ticas sociais que garantem direitos. Para isso, esse debate deve come&ccedil;ar nas confer&ecirc;ncias municipais, estaduais, plen&aacute;rias e em todos os espa&ccedil;os de debate sobre a sa&uacute;de. O financiamento das pol&iacute;ticas sociais n&atilde;o pode penalizar ainda mais as classes trabalhadoras que, proporcionalmente, j&aacute; pagam mais impostos.<\/p>\n<p>A conjuntura exige uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica firme e articulada de todos os que defendem o SUS e o direito &agrave; sa&uacute;de, sob o risco de termos o primeiro momento de retrocesso nos direitos positivos garantidos constitucionalmente desde a redemocratiza&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s. Diante dessa conjuntura defendemos as seguintes propostas:<\/p>\n<p>1) Avan&ccedil;ar no desenvolvimento social, com progressivo aumento do gasto federal com pol&iacute;ticas sociais de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia social;<br \/>2) Realizar auditoria da d&iacute;vida p&uacute;blica e aumentar o investimento como alavanca para o crescimento econ&ocirc;mico, reduzindo juros e n&atilde;o cedendo &agrave;s press&otilde;es cambiais e de balan&ccedil;o de pagamentos;<br \/>3) Realizar reforma pol&iacute;tica que aprofunde e aperfei&ccedil;oe a democracia participativa, com o estabelecimento de novas regras institucionais que garantam a amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais e da interfer&ecirc;ncia do poder econ&ocirc;mico na pol&iacute;tica;<br \/>4) Realizar reforma tribut&aacute;ria que coloque o Brasil na dire&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses que alcan&ccedil;aram sistemas tribut&aacute;rios mais justos ao reduzir a tributa&ccedil;&atilde;o sobre o consumo e concentr&aacute;-la no patrim&ocirc;nio e na renda. Para isso &eacute; necess&aacute;rio: melhorar a distribui&ccedil;&atilde;o das al&iacute;quotas do IR para pessoa f&iacute;sica com faixas mais altas e aumento da faixa de isen&ccedil;&atilde;o; reduzir a tributa&ccedil;&atilde;o indireta sobre o consumo; aumentar a tributa&ccedil;&atilde;o sobre a acumula&ccedil;&atilde;o; aumentar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) dos grandes latif&uacute;ndios; reduzir as taxas que incidem diretamente sobre o setor produtivo (Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadorias e Servi&ccedil;os (ICMS)); acabar com a isen&ccedil;&atilde;o dos lucros e dividendos e com a dedu&ccedil;&atilde;o dos juros sobre o capital pr&oacute;prio e aliviar a carga tribut&aacute;ria dos trabalhadores com imposto progressivo;<br \/>5) Democratizar a m&iacute;dia para garantir o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e reduzir o poder de filtro que preserva interesses de grupos espec&iacute;ficos de propriet&aacute;rios, al&eacute;m de expandir alternativas aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o;<br \/>6) Enfrentar as desigualdades e iniquidades na sa&uacute;de e consolidar o SUS constitucional. Para isso &eacute; necess&aacute;rio:<\/p>\n<p>&bull; Acabar com os subs&iacute;dios dos planos privados de sa&uacute;de por meio de estrat&eacute;gia progressiva, inicialmente instituindo um limite de valor de gastos com sa&uacute;de, que podem ser dedut&iacute;veis do IR como no caso da educa&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o financiar planos privados para servidores p&uacute;blicos com recursos p&uacute;blicos; proibir anula&ccedil;&atilde;o ou perd&atilde;o das d&iacute;vidas dos planos com o Estado; proibir subs&iacute;dios diretos aos planos e n&atilde;o promover incentivos aos planos privados individuais.<\/p>\n<p>&bull; Aplicar os recursos decorrentes dos subs&iacute;dios em especial na aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria (Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, promo&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de) e na m&eacute;dia complexidade (aten&ccedil;&atilde;o especializada com profissionais e recursos tecnol&oacute;gicos de apoio diagn&oacute;stico e terap&ecirc;utico adequados).<\/p>\n<p>&bull; Taxar as grandes fortunas para aplicar os recursos na sa&uacute;de. As 15 maiores fortunas brasileiras s&atilde;o de grandes empresas que exercem monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o, como a Rede Globo e Grupo Abril, do agroneg&oacute;cio e de bancos como o Safra, o Ita&uacute; e o Bradesco. Essa arrecada&ccedil;&atilde;o corresponde &agrave; quase totalidade do volume de recursos que o governo vai arrecadar com as &uacute;ltimas mudan&ccedil;as na tributa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&bull; Impedir retrocessos no direito &agrave; sa&uacute;de. Barrar projetos em curso no Congresso Nacional que atuam contra o SUS, a exemplo do Projeto de Emenda Constitucional no 451, de autoria de Eduardo Cunha, que pretende alterar a Constitui&ccedil;&atilde;o e tornar planos privados obrigat&oacute;rios aos trabalhadores empregados.<\/p>\n<p>&bull; Garantir maior financiamento p&uacute;blico com o fim da Desonera&ccedil;&atilde;o das Receitas da Uni&atilde;o (DRU) para o setor da sa&uacute;de; flexibilizar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para a contrata&ccedil;&atilde;o de trabalhadores da sa&uacute;de (investindo no quadro de servidores pr&oacute;prios da sa&uacute;de e diminuindo a contrata&ccedil;&atilde;o de Organiza&ccedil;&otilde;es Sociais) e investir 10% da Receita Corrente Bruta da Uni&atilde;o na sa&uacute;de p&uacute;blica.<\/p>\n<p>&bull; Consolidar o SUS como um sistema &uacute;nico e universal, com financiamento estatal est&aacute;vel e gest&atilde;o p&uacute;blica que garanta a oferta de servi&ccedil;os e cuidados integrais e de qualidade.<\/p>\n<p>&bull; Denunciar e repudiar a falsa proposta de Cobertura Universal de Sa&uacute;de, que n&atilde;o produz cobertura a todos, mas pacotes limitados de servi&ccedil;os que n&atilde;o atendem &agrave;s necessidades de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O Cebes finaliza esta Tese para a 15a CNS, reafirmando que n&atilde;o haver&aacute; &ldquo;Sa&uacute;de P&uacute;blica de qualidade para cuidar bem das pessoas&rdquo; sem a consolida&ccedil;&atilde;o do SUS e com um sistema de sa&uacute;de pautado pelo mercado e orientado pela oferta privada de servi&ccedil;os, como t&ecirc;m preconizado e insinuado setores da sociedade e do pr&oacute;prio Estado que defendem um projeto de desenvolvimento liberal.<\/p>\n<p>Com a inten&ccedil;&atilde;o de contribuir para esse debate, em momento de extremo risco de retrocessos em rela&ccedil;&atilde;o ao direito &agrave; sa&uacute;de e ao SUS, o CEBES apresenta esta tese e conclama os movimentos sociais, usu&aacute;rios, trabalhadores, gestores e os grupos mobilizados para o processo da 15a CNS a se unirem em defesa do SUS e debaterem politicamente o projeto de sa&uacute;de que est&aacute; em curso e aquele que queremos para o Brasil.<\/p>\n<p><\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil, na &uacute;ltima d&eacute;cada, apesar das crises enfrentadas pelo capitalismo internacional, conseguiu manter o crescimento com distribui&ccedil;&atilde;o de renda, melhorou o consumo e alcan&ccedil;ou o pleno-emprego. 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