

{"id":10399,"date":"2015-06-09T11:06:06","date_gmt":"2015-06-09T14:06:06","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/o-capital-estrangeiro-e-a-privatizacao-do-sistema-de-saude-brasileiro\/"},"modified":"2015-06-09T11:06:06","modified_gmt":"2015-06-09T14:06:06","slug":"o-capital-estrangeiro-e-a-privatizacao-do-sistema-de-saude-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/o-capital-estrangeiro-e-a-privatizacao-do-sistema-de-saude-brasileiro\/","title":{"rendered":"O capital estrangeiro e a privatiza\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"https:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\"><br \/>\n<html><body><\/p>\n<div class=\"img-rep\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/CApital__150p-320x213-958.jpg\" alt=\"O capital estrangeiro e a privatiza&ccedil;&atilde;o do sistema de sa&uacute;de brasileiro\"><\/div>\n<div class=\"post-content clearfix\">\n<p><strong>M&aacute;rio Scheffer* | Publicado originalmente em Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Se&ccedil;&atilde;o Perspectivas, edi&ccedil;&atilde;o de abril de 2015<\/strong><\/p>\n<p>Os fundamentos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) foram abalados no in&iacute;cio de 2015, com a aprova&ccedil;&atilde;o da Emen&not;da Constitucional no 86 (EC 86), que cristaliza o subfinanciamento do SUS, e da Lei n&ordm; 13.097, que permite a participa&ccedil;&atilde;o de empresas e do capital estrangeiro, direta ou indiretamente, nas a&ccedil;&otilde;es e cuidados &agrave; sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Ao impor &agrave; Uni&atilde;o o financiamento de emen&not;das parlamentares individuais e ao vincular a despesa federal da sa&uacute;de &agrave; receita corrente l&iacute;qui&not;da, a EC 86 levar&aacute; &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o de recursos em rela&ccedil;&atilde;o aos valores garantidos pela legisla&ccedil;&atilde;o vi&not;gente, que j&aacute; eram por demais restritivos.<\/p>\n<p>Assim, a norma legal potencializa restri&ccedil;&otilde;es ao financiamento do SUS, que v&ecirc;m desde o des-cumprimento da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que desti&not;nava no m&iacute;nimo 30% do or&ccedil;amento da Segurida&not;de Social para a sa&uacute;de, passando pela retirada do Fundo da Previd&ecirc;ncia Social da base de c&aacute;lculo dos recursos, at&eacute; o desvirtuamento da Contribui&not;&ccedil;&atilde;o Provis&oacute;ria sobre Movimenta&ccedil;&atilde;o Financeira (CPMF), dentre outras subtra&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Como agravante, a EC 86 inviabiliza politi&not;camente, pelo menos em curto prazo, o projeto de iniciativa popular, o Sa&uacute;de+10, subscrito por mais de dois milh&otilde;es de brasileiros, que alcan&not;&ccedil;aria or&ccedil;amento mais razo&aacute;vel com a aplica&ccedil;&atilde;o de no m&iacute;nimo 10% da receita corrente bruta da Uni&atilde;o para a sa&uacute;de.<\/p>\n<p>A atua&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro na sa&uacute;de &ndash; definido como aquele correspondente a em&not;presas multinacionais, no caso dos investimen&not;tos e do com&eacute;rcio, aos grandes bancos, no ca&not;so dos financiamentos, e aos fundos de pens&atilde;o que operam o capital especulativo1 &ndash; foi vedada pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e pela Lei Org&acirc;nica da Sa&uacute;de, com as exce&ccedil;&otilde;es de empr&eacute;stimos de orga&not;nismos internacionais, de coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica ou vinculados &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>Mas desde 1998 a Lei dos Planos de Sa&uacute;de per&not;mitiu o capital estrangeiro nos neg&oacute;cios de assis&not;t&ecirc;ncia suplementar, o que levou &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o de que mesmo as empresas de planos de sa&uacute;de propriet&aacute;rias de hospitais poderiam se beneficiar do investimento exterior.<\/p>\n<p>A sa&uacute;de j&aacute; estava, portanto, parcialmente aberta a investidores internacionais que torna&not;ram-se acionistas de empresas de planos de sa&uacute;&not;de e de grupos hospitalares ligados a elas. Recur&not;sos de origem estrangeira tamb&eacute;m haviam sido aportados em laborat&oacute;rios de exames diagn&oacute;s&not;ticos, neste caso de modo n&atilde;o autorizado, mas consentido pelos &oacute;rg&atilde;os governamentais.<\/p>\n<p>A inconstitucionalidade da lei foi defendida pela Advocacia-Geral da Uni&atilde;o (AGU), que re&not;comendou, sem ser ouvida, o veto &agrave; permiss&atilde;o generalizada de capital estrangeiro em hospitais e cl&iacute;nicas, gerais e especializados, inclusive de natureza filantr&oacute;pica.<br \/> A&ccedil;&otilde;es diretas de inconstitucionalidade j&aacute; levadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por entidades da sociedade civil enfatizam o disposi&not;tivo constitucional que prev&ecirc; a veda&ccedil;&atilde;o expressa &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro na sa&uacute;de, e levantam uma situa&ccedil;&atilde;o esdr&uacute;xula: conserva-se o texto original da lei do SUS mas acrescenta-se, ap&oacute;s uma v&iacute;rgula, conte&uacute;do contr&aacute;rio. Na pr&aacute;tica designa-se, por exce&ccedil;&atilde;o, a possibilidade do capital estrangeiro entrar em toda e qualquer a&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o de sa&uacute;de. Agora, a legisla&ccedil;&atilde;o bra&not;sileira sobre sa&uacute;de traz duas pol&iacute;ticas opostas na mesma norma.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m da controv&eacute;rsia judicial, a constitu&not;cionaliza&ccedil;&atilde;o do subfinanciamento p&uacute;blico com&not;binada com a abertura irrestrita &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro na sa&uacute;de dever&aacute; impulsio&not;nar a privatiza&ccedil;&atilde;o, na medida em que lideran&ccedil;as do setor privado afirmam seus objetivos imedia&not;tos de expandir a capacidade instalada de leitos e servi&ccedil;os para clientes de planos de sa&uacute;de.<\/p>\n<p>A privatiza&ccedil;&atilde;o consiste na transfer&ecirc;ncia das fun&ccedil;&otilde;es e responsabilidades do setor p&uacute;blico, completamente ou em parte, para o setor priva&not;do2 . Aqui interessa tamb&eacute;m a privatiza&ccedil;&atilde;o ati&not;va3 , ou seja, o processo no qual o governo toma decis&otilde;es pol&iacute;ticas que encorajam ativamente o crescimento da participa&ccedil;&atilde;o privada na sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Em meio a uma s&eacute;rie de orienta&ccedil;&otilde;es e ina&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m por resultado o desmonte do SUS, a am&not;pla abertura do sistema de sa&uacute;de ao capital es&not;trangeiro foi uma medida tomada sem que suas reais motiva&ccedil;&otilde;es tenham sido anunciadas, e sem que suas consequ&ecirc;ncias tenham sido discutidas abertamente pelo Congresso Nacional ou avalia&not;das pelos f&oacute;runs de participa&ccedil;&atilde;o social.<br \/> Trata-se de vit&oacute;ria da coaliz&atilde;o de interesses de hospitais privados, empresas farmac&ecirc;uticas e operadoras de planos de sa&uacute;de que, al&eacute;m da defesa do capital estrangeiro, pretendem am&not;pliar a participa&ccedil;&atilde;o do setor privado na formu&not;la&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas nacionais de sa&uacute;de4, expan&not;dir o mercado privado e obter desonera&ccedil;&otilde;es e redu&ccedil;&otilde;es tribut&aacute;rias.<\/p>\n<p>O aceno aos fundos que v&ecirc;m de fora se presta tamb&eacute;m como &aacute;libi para justificar a redu&ccedil;&atilde;o de gastos p&uacute;blicos com sa&uacute;de, em tempos de ajus&not;te fiscal e de perenidade do subfinanciamento do SUS.<\/p>\n<p>O Governo Federal ser&aacute; o grande avalista do capital estrangeiro na sa&uacute;de, seja por meio de desregula&ccedil;&atilde;o e incentivos ao crescimento do mercado de planos de sa&uacute;de, que se beneficia&not;r&aacute; diretamente da rede privada hospitalar e de diagn&oacute;stico expandida com recursos externos, seja comprando estes mesmos servi&ccedil;os para atenuar a insufici&ecirc;ncia da oferta da aten&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dia complexidade no SUS. Talvez resida a&iacute; o motor do programa Mais Especialidades, defini&not;do na campanha eleitoral de 2014 como &ldquo;uma rede de cl&iacute;nicas com especialistas e exames de apoio diagn&oacute;stico&rdquo;.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o &eacute; elucidativa. A atra&ccedil;&atilde;o dos fundos internacionais para investir em fus&otilde;es e aquisi&ccedil;&otilde;es no mercado de ensino su&not;perior no Brasil est&aacute; ligada aos cr&eacute;ditos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Su&not;perior (FIES) e do Programa Universidade para Todos (PROUNI), o que levou &agrave; profus&atilde;o de cur&not;sos de gradua&ccedil;&atilde;o privados sem contrapartidas m&iacute;nimas de qualidade.<\/p>\n<p>Com volatilidade e voca&ccedil;&atilde;o especulativa, in&not;vestimentos estrangeiros escolher&atilde;o leitos, exa&not;mes e procedimentos que geram altos retornos financeiros, principalmente servi&ccedil;os baseados em valores e prefer&ecirc;ncias particulares, e que pra&not;ticam a sele&ccedil;&atilde;o adversa, afastando-se do atendi&not;mento a popula&ccedil;&otilde;es que vivem em &aacute;reas distan&not;tes de recursos assistenciais, do atendimento a idosos, cr&ocirc;nicos graves, portadores de transtor&not;nos mentais e outros pacientes que demandam aten&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua.<\/p>\n<p>A expans&atilde;o de rede privada com essas carac&not;ter&iacute;sticas far&aacute; aumentar a individualiza&ccedil;&atilde;o das demandas, os pagamentos diretos em cl&iacute;nicas populares e o consumo de planos de sa&uacute;de ba&not;ratos no pre&ccedil;o mas com armadilhas contratuais e s&eacute;rias restri&ccedil;&otilde;es de coberturas. Mais uma vez o SUS, o fundo p&uacute;blico, ser&aacute; utilizado como fiador e resseguro das opera&ccedil;&otilde;es privadas.<br \/> &Agrave; propor&ccedil;&atilde;o que gastos privados substituem as despesas p&uacute;blicas, aumentam os obst&aacute;culos para a justi&ccedil;a e a equidade. Sempre que presta&not;dores privados t&ecirc;m garantida a venda de seus servi&ccedil;os por produ&ccedil;&atilde;o, sem compromisso com os resultados de sa&uacute;de, os riscos de desperd&iacute;cio de recursos e explos&atilde;o dos custos do sistema de sa&uacute;de s&atilde;o enormes.<\/p>\n<p>Capitais que buscam caminhos de valoriza&ccedil;&atilde;o dificilmente ter&atilde;o compromissos com necessi&not;dades de sa&uacute;de, o que requer pol&iacute;ticas voltadas &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de adoecimentos e mortes, com atua&ccedil;&atilde;o sobre os determinantes sociais da sa&uacute;de.<\/p>\n<p>O sistema universal, o sistema &uacute;nico para po&not;bres e ricos, baseado na sa&uacute;de como direito, na redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, financiado por toda a sociedade por meio de impostos e contribui&ccedil;&otilde;es sociais, cede, assim, espa&ccedil;o ao sistema segmen&not;tado, incapaz de assegurar o acesso a todos os n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o, em todas as regi&otilde;es, inclusive nos vazios sanit&aacute;rios e para popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;&not;veis e negligenciadas, onde e para quem o setor privado n&atilde;o tem interesse em ofertar servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>O setor privado de sa&uacute;de em mercados emer&not;gentes oferece retornos atrativos para os inves-tidores5 . Em contrapartida, investimentos es&not;trangeiros em estruturas privadas de sa&uacute;de de pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia e baixa melhoraram pon&not;tualmente a qualidade de servi&ccedil;os hospitalares altamente especializados acess&iacute;veis &agrave; clientela restrita, mas tamb&eacute;m foram respons&aacute;veis pela disputa predat&oacute;ria por recursos humanos, agra&not;vando a falta de m&eacute;dicos e de outros profissio&not;nais de sa&uacute;de nos estabelecimentos p&uacute;blicos e nas &aacute;reas remotas6 . No Brasil, os padr&otilde;es atuais j&aacute; sugerem que o uso excessivo do setor privado promove concorr&ecirc;ncia desleal com o setor p&uacute;&not;blico, drenando servi&ccedil;os, recursos humanos e financeiros do SUS7 .<br \/> Apologistas do capital estrangeiro s&atilde;o os mesmos que financiam campanhas eleitorais e que disp&otilde;em de redes midi&aacute;ticas para erigir o mito do setor privado apresentado como mais eficaz, e para promover a tese de que o sistema universal &eacute; insustent&aacute;vel. Empregam a palavra privatiza&ccedil;&atilde;o o m&iacute;nimo poss&iacute;vel, atenuada por termos como parcerias p&uacute;blico-privado, con&not;corr&ecirc;ncia, qualidade, efici&ecirc;ncia. Contam com a oposi&ccedil;&atilde;o tranquila do movimento sanit&aacute;rio, o encurralamento dos conselhos e confer&ecirc;ncias de sa&uacute;de, o sil&ecirc;ncio dos sindicatos e trabalhadores organizados, e a omiss&atilde;o dos partidos pol&iacute;ticos que, em ano eleitoral, eliminaram dos progra&not;mas dos candidatos qualquer men&ccedil;&atilde;o ao capital estrangeiro na sa&uacute;de.<\/p>\n<p>As modalidades de financiamento da sa&uacute;de exprimem os valores de uma sociedade8 . O prin&not;c&iacute;pio de igualdade das pessoas face &agrave; doen&ccedil;a e &agrave; morte, sejam quais forem suas condi&ccedil;&otilde;es sociais e suas origens, &eacute; compartilhado pelos ideais re&not;publicano, &eacute;tico e humanit&aacute;rio.<\/p>\n<p>Com o desfinanciamento do SUS e a supres&not;s&atilde;o de barreiras para atua&ccedil;&atilde;o do capital estran&not;geiro, o Brasil segue o caminho inverso, das ini&not;quidades geradas pela comoditiza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e pela sua convers&atilde;o em mercadoria. Cidad&atilde;os de&not;tentores de direitos transformam-se em clientes; servi&ccedil;os de sa&uacute;de que poderiam comprometer-se com o sistema universal transformam-se em empresas concorrentes.<\/p>\n<p>O capital estrangeiro na aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de &eacute; um tema pouco explorado pela literatura inter&not;nacional, na medida em que a presen&ccedil;a de em&not;presas e fundos americanos, tanto no setor de seguro sa&uacute;de quanto na assist&ecirc;ncia hospitalar, de diagnose e terapia, ficou limitada &agrave;s fronteiras nacionais at&eacute; os anos 2000. O tema tamb&eacute;m pas&not;sa &agrave; margem das produ&ccedil;&otilde;es sobre sa&uacute;de global. Mas h&aacute; refer&ecirc;ncias sobre investimentos estran-geiros relacionadas ao turismo m&eacute;dico em pa&iacute;ses em desenvolvimento9.<\/p>\n<p>O Brasil emerge como pa&iacute;s que vem mobili&not;zando recursos privados de bancos comerciais e fundos internacionais para expandir a assis&not;t&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de para os que possuem capacidade direta ou indireta de pagamento dos cuidados.<\/p>\n<p>Urge uma agenda nacional de pesquisas que ofere&ccedil;a terreno para acompanhar o impacto do capital estrangeiro no processo de privatiza&ccedil;&atilde;o nos v&aacute;rios componentes do sistema de sa&uacute;de: no financiamento, na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, na ges&not;t&atilde;o e nos investimentos em sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Sem a produ&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos &agrave; altura da complexidade da conjuntura atual da sa&uacute;de no Brasil, e sem o engajamento democr&aacute;ti&not;co, ainda a ser despertado e constru&iacute;do, na ampla defesa do sistema universal inscrito na Consti&not;tui&ccedil;&atilde;o Federal h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas, pode-se assistir passivamente a inflex&atilde;o que imp&otilde;e ao SUS condi&ccedil;&otilde;es cada vez mais desfavor&aacute;veis &agrave; sua legitimidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>* &ndash;&nbsp;Professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina, da USP. mscheffer@usp.br<\/strong><\/em><br \/><strong>Refer&ecirc;ncias<\/strong><br \/> 1. Guimar&atilde;es SP. Capital nacional e capital estrangei&not;ro. Estud Av 2000; 14:143-60.<br \/> 2. European Observatory on Health Systems and Policies. The observatory health system glossary. https:\/\/www.euro.who.int\/en\/about-us\/partners\/ observatory (acessado em 04\/Mar\/2015).<br \/> 3. Muschell J. Privatization in health. Health eco&not;nomics technical briefing note. Geneva: World Health Organization; 1995.<br \/> 4. Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Hospitais Privados. Livro Branco. Brasil Sa&uacute;de 2015: a sustentabilidade do sistema de sa&uacute;de brasileiro. Cadernos de propos&not;tas. https:\/\/www.antares-consulting.com\/images\/ LVBpropostas.pdf (acessado em 04\/Mar\/2015).<br \/> 5. International Finance Corporation; World Bank Group. Guide for investors in private health care in emerging markets. https:\/\/www.banyanglobal. com\/pdf\/Guide_for_Investors_in_Private_Health_ Care_in_Emerging_Markets.pdf (acessado em 04\/Mar\/2015).<br \/> 6. Organisation for Economic Co-operation and Development. DAC guidelines on poverty and health. https:\/\/www.oecd.org\/development\/ povertyreduction\/33965811.pdf (acessado em 04\/Mar\/2015).<br \/> 7. Marten R, McIntyre D, Travassos C, Shishkin S, Longde W, Reddy S, et al. An assessment of prog&not;ress towards universal health coverage in Brazil, Russia, India, China, and South Africa (BRICS). Lancet 2014; 384:2164-71.<br \/> 8. Grimaldi A. Les diff&eacute;rentes facettes de la privati&not;sation rampante du syst&egrave;me de sant&eacute;. https:\/\/ france.attac.org\/nos-publications\/les-possibles\/ numero-1-automne-2013\/dossier-protection-so ciale\/article\/les-differentes-facettes-de-la (aces&not;sado em 04\/Mar\/2015).<br \/> 9. Bell D, Holliday R, Ormond M, Mainil T. Transna&not;tional healthcare, cross-border perspectives. Soc Sci Med 2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/cebes.org.br\/2015\/04\/o-capital-estrangeiro-e-a-privatizacao-do-sistema-de-saude-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cebes<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p><\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&aacute;rio Scheffer* | Publicado originalmente em Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Se&ccedil;&atilde;o Perspectivas, edi&ccedil;&atilde;o de abril de 2015 Os fundamentos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) foram abalados no in&iacute;cio de 2015, com a aprova&ccedil;&atilde;o da Emen&not;da Constitucional no 86 (EC 86), que cristaliza o subfinanciamento do SUS, e da Lei n&ordm; 13.097, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":10397,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-10399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-conselho"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54.jpg",320,213,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54.jpg",320,213,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54.jpg",320,213,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54-300x200.jpg",300,200,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54.jpg",320,213,false],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54.jpg",320,213,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/06\/capital__150p-320x213-d54.jpg",320,213,false]},"rttpg_author":{"display_name":"cleybetsls","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/author\/cleybetsls\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/categoria\/conselho-estadual-de-saude\/noticias-conselho\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias Conselho<\/a>","rttpg_excerpt":"M&aacute;rio Scheffer* | Publicado originalmente em Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Se&ccedil;&atilde;o Perspectivas, edi&ccedil;&atilde;o de abril de 2015 Os fundamentos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) foram abalados no in&iacute;cio de 2015, com a aprova&ccedil;&atilde;o da Emen&not;da Constitucional no 86 (EC 86), que cristaliza o subfinanciamento do SUS, e da Lei n&ordm; 13.097,&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10399\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}