{"id":10392,"date":"2015-08-05T12:08:08","date_gmt":"2015-08-05T15:08:08","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/um-olhar-acima-do-sus\/"},"modified":"2015-08-05T12:08:08","modified_gmt":"2015-08-05T15:08:08","slug":"um-olhar-acima-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/um-olhar-acima-do-sus\/","title":{"rendered":"Um olhar \u0093acima\u0094 do SUS"},"content":{"rendered":"<p><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"https:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\"><br \/>\n<html><body><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"img-rep\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420.jpg\" alt='Um olhar \"acima\" do SUS'><\/div>\n<div class=\"post-content clearfix\">\n<p><span>Nelson Rodrigues dos Santos | Publicado no&nbsp;<a href=\"https:\/\/longevidadeadunicamp.org.br\/?p=1221\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Longevidade Adunicamp<\/a><\/span><a href=\"https:\/\/longevidadeadunicamp.org.br\/?p=1221\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Efetivamente, as pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias nacionais implementadas a partir de 2003 realizam:<\/p>\n<p>a) impactante inclus&atilde;o social corrigindo o sal&aacute;rio m&iacute;nimo acima da infla&ccedil;&atilde;o, desenvolvendo o bolsa-fam&iacute;lia e interrompendo o desmanche, iniciado nos anos 90, dos direitos trabalhistas e previdenci&aacute;rios (conquistas socialdemocratas do s&eacute;culo 20),<\/p>\n<p>b) reativa&ccedil;&atilde;o do mercado interno (ainda que predominando ramos de baixa agrega&ccedil;&atilde;o de valor), que atenuou os efeitos da crise econ&ocirc;mica global, e<\/p>\n<p>c) expressivo impulso diplom&aacute;tico aut&ocirc;nomo na pol&iacute;tica externa (2003 a 2010).<\/p>\n<p>Essas pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias acertadas compuseram os debates e bandeiras do amplo arco social e pol&iacute;tico debatido e articulado no decorrer do ano eleitoral de 2002, em torno de expectativas e esperan&ccedil;as de amplos segmentos exclu&iacute;dos, de trabalhadores, de grande parte das camadas m&eacute;dias e tend&ecirc;ncias sociais no espectro majorit&aacute;rio centrista e do centro-esquerda. Nesse cen&aacute;rio constavam tamb&eacute;m expectativas sobre:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1)no resgate das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas universalistas de qualidade (sa&uacute;de\/SUS, educa&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a p&uacute;blica, transporte coletivo e demais direitos de cidadania),<\/p>\n<p>2)redu&ccedil;&atilde;o e controle da insaci&aacute;vel transfer&ecirc;ncia de recursos p&uacute;blicos em fun&ccedil;&atilde;o dos juros elevad&iacute;ssimos aos credores da d&iacute;vida p&uacute;blica, como tamb&eacute;m do c&acirc;mbio e do desenfreado desvio de recursos empresariais, do reinvestimento para o mercado de capitais: fatores da perniciosa desindustrializa&ccedil;&atilde;o em curso,<\/p>\n<p>3)no efetivo investimento de infraestrutura (energia, estradas, portos, etc.), na industrializa&ccedil;&atilde;o com agrega&ccedil;&atilde;o de valor de qualifica&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es (n&atilde;o depend&ecirc;ncia s&oacute; de produtos prim&aacute;rios), e<\/p>\n<p>4)na efetiva ado&ccedil;&atilde;o de condutas claramente &eacute;ticas e republicanas, de valores e pr&aacute;ticas e sem a rela&ccedil;&atilde;o patrimonialista e venal entre o Executivo, Legislativo e o grande capital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O uso sintetizar a imagem de que o conjunto das referidas pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias, ainda que n&atilde;o debatidas em maior detalhe de projetos espec&iacute;ficos no decorrer de 2002, apontava para clara vontade pol&iacute;tica da maioria da sociedade no rumo da inclus&atilde;o social com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, com base nos direitos de cidadania, e do desenvolvimento, no rumo de ruptura gradual com o capitalismo perif&eacute;rico dependente, ref&eacute;m da especula&ccedil;&atilde;o financeira.<\/p>\n<p>Ou seja, apontava mais para uma concep&ccedil;&atilde;o e projeto de na&ccedil;&atilde;o do que projeto de poder. Mais um &ldquo;salto civilizat&oacute;rio&rdquo; no rumo do Estado de Bem Estar Social de cunho socialdemocrata constru&iacute;do no s&eacute;culo passado pelas sociedades na maioria dos pa&iacute;ses europeus, Canad&aacute; e outros, obviamente calcado em nossas realidades hist&oacute;ricas, sociais e pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>Diria que foram esse projeto, expectativa, esperan&ccedil;a e a pr&oacute;pria sociedade, os grandes vencedores da elei&ccedil;&atilde;o em 2002, sob a lideran&ccedil;a e representa&ccedil;&atilde;o do PT, partidos coligados e o ex-presidente Lula.<\/p>\n<p>Contudo, a partir de 2003, ano a ano, das pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias citadas que integraram os debates e expectativas em 2002, verificou-se a implementa&ccedil;&atilde;o de a), b) e c), e a n&atilde;o implementa&ccedil;&atilde;o de 1), 2), 3) e 4).<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quatro &uacute;ltimas, reproduzindo as graves distor&ccedil;&otilde;es herdadas dos anos 90 e, em alguns aspectos, agravando-as, o que, por si, alimenta o crescente mal estar na sociedade, ap&oacute;s v&aacute;rios anos de positiva sensa&ccedil;&atilde;o de rumo ao bem estar conferida pelo sucesso da implementa&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s primeiras.<\/p>\n<p>O or&ccedil;amento da nossa Previd&ecirc;ncia Social continua superavit&aacute;rio apesar da forte renuncia fiscal para 56 ramos empresariais, mas continua confiscado em 20% pela DRU frente aos compromissos com os credores da d&iacute;vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Este retorno real ao mal estar n&atilde;o pode nem deve ser minimizado pelo fato de estar sendo explorado e &ldquo;ampliado&rdquo; midiaticamente pela milit&acirc;ncia e poder conservador neoliberal: n&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias maiores sofistica&ccedil;&otilde;es de an&aacute;lise s&oacute;cio-pol&iacute;tica-institucional para constatar, em crescentes segmentos sociais, a genu&iacute;na frustra&ccedil;&atilde;o e decep&ccedil;&atilde;o com a n&atilde;o implementa&ccedil;&atilde;o das quatro &uacute;ltimas pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias citadas.<\/p>\n<p>&Eacute; oportuno lembrar estudo realizado em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tribut&aacute;rio, comparando o Brasil, com alta carga tribut&aacute;ria, e a Inglaterra, Fran&ccedil;a, Dinamarca, Espanha e Portugal com m&eacute;dias de cargas tribut&aacute;rias maiores ainda.<\/p>\n<p>No Brasil a popula&ccedil;&atilde;o trabalhava em m&eacute;dia 117 dias no ano para poder comprar servi&ccedil;os privados de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, previd&ecirc;ncia social, seguran&ccedil;a p&uacute;blica, e ped&aacute;gio, e havia grande rea&ccedil;&atilde;o contra &ldquo;excesso de impostos&rdquo;.<\/p>\n<p>Naqueles cinco pa&iacute;ses, os cinco servi&ccedil;os citados eram p&uacute;blicos e de qualidade, e n&atilde;o havia rea&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o contra impostos. Eram efetivamente mais republicanos e socialdemocratas.<\/p>\n<p>Creio n&atilde;o exagerar ao lembrar que nos debates e mobiliza&ccedil;&otilde;es, em 2002, a gera&ccedil;&atilde;o politizada e mobilizada nos debates constitucionais de 15 anos antes estava bem mais presente e atuante com a gera&ccedil;&atilde;o mais jovem, contribuindo para o resgate da participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica em projeto de na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para melhor refletir sobre a n&atilde;o implementa&ccedil;&atilde;o de 1), 2), 3) e 4), ouso tomar como uma das ra&iacute;zes determinantes, o &ldquo;Presidencialismo de Coaliz&atilde;o&rdquo;: uma das imposi&ccedil;&otilde;es na transi&ccedil;&atilde;o da ditadura para a democracia no in&iacute;cio dos anos 80, que implicou no fortalecimento legislativo do poder Executivo, submetendo o poder Legislativo &aacute; condi&ccedil;&atilde;o predominantemente homologat&oacute;ria.<\/p>\n<p>Nos anos 90, a aprova&ccedil;&atilde;o do 2&ordm; mandato governamental do Executivo, o instituto da Medida Provis&oacute;ria e a maioria das Emendas Constitucionais s&atilde;o alguns exemplos. Em troca da maioria governista no Congresso Nacional, ficou pactuada a prerrogativa do Legislativo, suas lideran&ccedil;as e partidos, para indicar a maioria dos ministros, dire&ccedil;&otilde;es das Estatais, das Agencias Reguladoras e operadores nos v&aacute;rios escal&otilde;es da execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria federal.<\/p>\n<p>O perfil do Legislativo adequou-se ao n&uacute;mero crescente de partidos (hoje, 32) sob a tutela do bloco majorit&aacute;rio (herdeiro da estrutura de apoio &agrave; ditadura) e\/ou de arraigado clientelismo e fisiologismo, chamado &ldquo;centr&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>As coliga&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias passaram a ser fortemente atreladas &agrave; cess&atilde;o (venda) de tempo de r&aacute;dio e TV, acesso ao fundo partid&aacute;rio e participa&ccedil;&atilde;o nos resultados (benesses) da execu&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento p&uacute;blico para a compra de bens e servi&ccedil;os de empresas privadas, com poderosos lobbies atuando no Executivo e Legislativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span>Um retrocesso em aspectos b&aacute;sicos, ao patrimonialismo e clientelismo pr&eacute;-republicanos.<\/span><\/p>\n<p>Esse presidencialismo de coaliz&atilde;o que perdura at&eacute; hoje, como bem lembra Roberto Amaral, &ldquo;vem impedindo a realiza&ccedil;&atilde;o dos programas de campanha e de governo apoiados pelos eleitores e sociedade; levou a cidadania &agrave; orfandade pol&iacute;tico-partid&aacute;ria, esvaziou os partidos de valores e ideias-for&ccedil;as voltadas para um projeto de sociedade, e aviltou o perfil do Legislativo e dos candidatos ao Legislativo. E acabou, enfim, por revelar seu pr&oacute;prio esgotamento: mais que uma grave crise pol&iacute;tica, a sociedade est&aacute; diante de uma crise republicana, que requer transforma&ccedil;&otilde;es na organiza&ccedil;&atilde;o do Estado e do processo eleitoral&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; nesse contexto do &ldquo;Presidencialismo de Coaliz&atilde;o&rdquo; que a implementa&ccedil;&atilde;o de 1), 2), 3) e 4) foi sendo postergada, com perdas para a sociedade e na&ccedil;&atilde;o, a meu ver, inicialmente ofuscadas pelo sucesso da implementa&ccedil;&atilde;o de a), b) e c), com um ufanismo que veio se mostrar inconsequente.<\/p>\n<p>Com a crise internacional em 2008, nosso governo adotou as mesmas medidas antic&iacute;clicas em 2009 e 2011 de reduzir, ainda que discretamente, a taxa Selic e os juros do BNDS e CEF para manter cr&eacute;dito, o que levou a forte rea&ccedil;&atilde;o do mercado rentista especulativo a partir de 2010, que, em alian&ccedil;a com o alto empresariado, aprofundou sua hegemonia e os alt&iacute;ssimos juros e lucros.<\/p>\n<p>De 2013 para 2014, enquanto estancavam a produ&ccedil;&atilde;o, os gastos p&uacute;blicos na &aacute;rea social e o PIB, o lucro das a&ccedil;&otilde;es das grandes empresas na BOVESPA quase dobrou, o lucro dos bancos cresceu perto de 30%, o mesmo acontecendo para os rentistas da d&iacute;vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Apesar do evidente acerto do ato governamental em reduzir a taxa de juros (2009 e 2011), perguntaria: por que s&oacute; em 2009, como medida isolada de outras medidas pol&iacute;ticas de um projeto de na&ccedil;&atilde;o, ilustrados nos referidos 1), 2), 3) e 4)?<\/p>\n<p>Por que uma medida centralizada e vertical, sem debate, mobiliza&ccedil;&atilde;o e suporte de amplos setores da sociedade? Perdeu-se o momento mais oportuno?<\/p>\n<p>Jos&eacute; Luis Fiori h&aacute; poucos dias se referia, com a acuidade e consequ&ecirc;ncia de sempre, ao novo projeto brasileiro no atual s&eacute;culo, que alguns chamaram &ldquo;social-desenvolvimentista&rdquo;, com base em coaliz&atilde;o liderada por for&ccedil;as progressistas, mas que foi se alargando at&eacute; se tornar verdadeiro caleidosc&oacute;pio ideol&oacute;gico e oportunista. E, que na hora da desacelera&ccedil;&atilde;o c&iacute;clica e do ajuste econ&ocirc;mico a favor do sistema financeiro, a maioria dos &ldquo;aliados&rdquo; desembarca da canoa com a mesma rapidez com que desembarcaram do regime militar nos anos 80 e da coaliz&atilde;o neoliberal nos anos 90.<\/p>\n<p>E termina considerando que &eacute; tamb&eacute;m nessas horas de crise que podem ser tomadas decis&otilde;es que mudem o rumo da hist&oacute;ria: com coragem, persist&ecirc;ncia e vis&atilde;o estrat&eacute;gica.<\/p>\n<p>Provoco: o referido alargamento da coaliz&atilde;o liderada por for&ccedil;as progressistas ter&aacute; produzido no seu interior, al&eacute;m da desacelera&ccedil;&atilde;o do novo projeto brasileiro, tamb&eacute;m a coopta&ccedil;&atilde;o de parte decisiva de lideran&ccedil;as e dirigentes dessas for&ccedil;as?<\/p>\n<p>Se parte das lideran&ccedil;as e dirigentes progressistas foram cooptados, onde est&aacute; a maior parte que n&atilde;o se deixou cooptar?, onde est&atilde;o suas vozes e a&ccedil;&otilde;es contra os cooptados e cooptadores?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span>ALERTAS NAS REA&Ccedil;&Otilde;ES DA SOCIEDADE.<\/span><\/p>\n<p>Interessante &acirc;ngulo para an&aacute;lise e reflex&otilde;es sobre as expectativas e mobiliza&ccedil;&otilde;es na sociedade &eacute; a estratifica&ccedil;&atilde;o e a grande amplitude, em nosso pa&iacute;s, das chamadas classes m&eacute;dias.<\/p>\n<p>Segundo a Pesquisa por Amostra Domiciliar-PNAD\/IBGE, de 2012 para 2013, a alta classe m&eacute;dia caiu de 8,9% para 8,5% da popula&ccedil;&atilde;o, a m&eacute;dia classe m&eacute;dia caiu de 15,6% para 14,3%, a baixa classe m&eacute;dia subiu de 43,0% para 44,2%, a massa trabalhadora caiu de 25,1% para 24,9% e os miser&aacute;veis subiram de 7,4% para 8,1%. Waldir Quadros destaca a mobilidade descendente em cascata que afetou em um ano 5,7 milh&otilde;es de pessoas, que parece indicar in&iacute;cio de revers&atilde;o do auspicioso ciclo de inclus&atilde;o social iniciado em 2004. &Eacute; uma complexa din&acirc;mica que envolve as aspira&ccedil;&otilde;es, o trabalho, resultados e frustra&ccedil;&otilde;es dos assalariados do setor p&uacute;blico e privado, dos micro e m&eacute;dios empres&aacute;rios e profissionais aut&ocirc;nomos (terceirizados ou n&atilde;o), estudantes e at&eacute; pequenos e m&eacute;dios rentistas: a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Alvaro G. Linera alude a ultrapassagem da tradicional extra&ccedil;&atilde;o de mais valia na produ&ccedil;&atilde;o assalariada, com o advento do neoliberalismo, e o surgimento de uma &ldquo;proletariza&ccedil;&atilde;o difusa&rdquo; entre assalariados dos setores p&uacute;blico e privado, profissionais aut&ocirc;nomos liberais, mini e microempres&aacute;rios e empreendedores (terceirizados ou n&atilde;o), cientistas, pesquisadores, analistas, professores, etc.<\/p>\n<p>Outro interessante &acirc;ngulo &eacute; o oportuno coment&aacute;rio de Clovis Rossi: nos lembra que as grandes manifesta&ccedil;&otilde;es de rua em nossa hist&oacute;ria recente tiveram forte predomin&acirc;ncia das classes m&eacute;dias: a marcha com Deus, Fam&iacute;lia e Propriedade em 1963, a marcha dos 100 mil no Rio de Janeiro em 1968, as manifesta&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores no ABC paulista na dobrada dos anos 70\/80, os atos pela anistia e as Diretas J&aacute; em 1983\/1984, manifesta&ccedil;&otilde;es anti-Collor em 1992, posse do Lula em 2003, e as manifesta&ccedil;&otilde;es de 2013, 2014 e 2015.<\/p>\n<p>A grande fragmenta&ccedil;&atilde;o da sociedade e seus movimentos amplos, desde 1990 at&eacute; nossos dias, com a emerg&ecirc;ncia do individualismo e corporativismo na ascens&atilde;o social, e da consci&ecirc;ncia dos direitos do consumidor sobre a dos direitos de cidadania, justificam a assertiva de que os manifestantes de 2013, 2014 e 2015 s&atilde;o &ldquo;filhos do atual capitalismo neoliberal de forte aspira&ccedil;&atilde;o consumista individual&rdquo;. Mas a grande amplitude, a heterogeneidade e o hist&oacute;rico das manifesta&ccedil;&otilde;es das nossas classes m&eacute;dias, aponta que o seu conjunto, responde por omiss&atilde;o, coniv&ecirc;ncia, pr&oacute;-a&ccedil;&atilde;o ou rea&ccedil;&atilde;o, &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de uma parte que se mobiliza. Essa parte que &ndash; em 1963, nas principais capitais brasileiras; e, em 2014, na Avenida Paulista, em S&atilde;o Paulo &ndash; foi tipicamente conservadora, reacion&aacute;ria e golpista; e nos demais exemplos acima ilustrados foi tipicamente republicana e democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>H&aacute; que serem consideradas a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas, a trajet&oacute;ria e hegemonia da elite, as estrat&eacute;gias e rumos delineados na campanha de 2002, os reflexos recentes do nosso presidencialismo de coaliz&atilde;o, as influ&ecirc;ncias conservadoras indutoras de movimentos trabalhistas menos sociais e mais corporativos, assim como o oportunismo de grupos, corpora&ccedil;&otilde;es e lideran&ccedil;as partid&aacute;rias no seio do atual mal estar social.<\/p>\n<p>Em junho de 2013, fortes manifesta&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios segmentos da sociedade surpreenderam pela expressa desconfian&ccedil;a nos pol&iacute;ticos, partidos e governos estabelecidos, da situa&ccedil;&atilde;o e oposi&ccedil;&atilde;o. Na repleta Avenida Paulista, em S&atilde;o Paulo, as principais bandeiras foram o transporte coletivo (passe livre) e os direitos b&aacute;sicos &agrave; sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a p&uacute;blica e outros: com predomin&acirc;ncia dos jovens. Pesquisas de opini&atilde;o apontaram que 78% eram de n&iacute;vel superior e 20% de n&iacute;vel m&eacute;dio, e que 6% da popula&ccedil;&atilde;o participou das manifesta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em 2014, no 2&ordm; turno da acirrada campanha eleitoral, pesquisas de opini&atilde;o revelavam que a grande maioria dos eleitores de cada uma das duas candidaturas finais coincidiam os mesmos pleitos e bandeiras para o governo entrante: sem corrup&ccedil;&atilde;o no Executivo e Legislativo e prioridade para os direitos b&aacute;sicos: emprego, sal&aacute;rio m&iacute;nimo, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a p&uacute;blica e outros.<\/p>\n<p>Eram tamb&eacute;m as bandeiras dos que votaram em branco ou anularam os votos, que na apura&ccedil;&atilde;o somaram 37 milh&otilde;es de eleitores.<\/p>\n<p>Em junho de 2013 e segundo semestre de 2014, penso que importantes segmentos da sociedade e os eleitores estavam emitindo eloquentes sinais e alertas sobre o mal estar social, &ldquo;dando um recado&rdquo; &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e ao governo.<\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o a esse &ldquo;recado&rdquo; foi de insensibilidade e desaten&ccedil;&atilde;o: j&aacute; no debate eleitoral, os marqueteiros de ambas as candidaturas concentram-se s&oacute; na radical desconstru&ccedil;&atilde;o da imagem do (a) candidato (a) advers&aacute;rio (a), na m&iacute;dia e redes sociais.<\/p>\n<p>Os temas centrais para a sociedade e eleitores, de ideias, valores, direitos e desenvolvimento de um projeto de na&ccedil;&atilde;o ficaram em segundo plano ou desprezados. &Eacute; bem poss&iacute;vel que essa insensibilidade aos sinais e alertas da sociedade e eleitorado muito contribuiu para a manipula&ccedil;&atilde;o, pela m&iacute;dia e redes sociais, de uma polariza&ccedil;&atilde;o na sociedade que, na verdade, encontra-se muito mais nos atuais pol&iacute;ticos, partidos e governos, apesar da dispers&atilde;o e despolitiza&ccedil;&atilde;o processadas nos &uacute;ltimos 25 anos.<\/p>\n<p>De um lado pelos setores mais conservadores, reacion&aacute;rios e sua m&iacute;dia, que multiplicam o volume dos desmandos, corrup&ccedil;&atilde;o e irresponsabilidade fiscal nos governos petistas, inclusive insinuando a privatiza&ccedil;&atilde;o da Petrobr&aacute;s; do outro lado, o &ldquo;establishment&rdquo; do PT, governo e quadros centrais de ambos, n&atilde;o reconhecendo: a) a continuidade dos desmandos e corrup&ccedil;&atilde;o e seu tamanho, doa a quem doer, e b) a desaten&ccedil;&atilde;o dos pleitos e bandeiras da maioria da sociedade expressos nos sinais e alertas da sociedade em 2013 e 2014, que remontam as expectativas geradas na campanha de 2002.<\/p>\n<p>Nas manifesta&ccedil;&otilde;es de 13 de mar&ccedil;o de 2015 contra as medidas de mais cortes nos gastos sociais, e de 15 de mar&ccedil;o contra os desmandos e corrup&ccedil;&atilde;o, pesquisa de opini&atilde;o mostrou que a &ldquo;polariza&ccedil;&atilde;o&rdquo; assim expressou-se em cada uma:<\/p>\n<p>&ndash; Democracia &eacute; sempre melhor: 86% e 85%<\/p>\n<p>&ndash; Ditadura tanto faz ou em certos casos: 11% e 13%<\/p>\n<p>&ndash; Congresso Nacional ruim ou p&eacute;ssimo: 61% e 77%<\/p>\n<p>&ndash; Governo Dilma ruim ou p&eacute;ssimo: 26% e 96% (27%, impeachment)<\/p>\n<p>&ndash; N&iacute;vel superior: 68% e 76%<\/p>\n<p>&ndash; Preferiam o PT: 39% e preferiam o PSDB: 37%<\/p>\n<p>&ndash; Eleitores de Dilma: 71% e eleitores de A&eacute;cio: 82%<\/p>\n<p>&ndash; Renda at&eacute; cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos: 62% e renda maior que 5 sal. m&iacute;nimos: 68%<\/p>\n<p>Na manifesta&ccedil;&atilde;o seguinte, em abril na Avenida Paulista, em S&atilde;o Paulo, 19% dos manifestantes tinham renda acima de 20 sal&aacute;rios m&iacute;nimos, quando foram potencializadas as posi&ccedil;&otilde;es da manifesta&ccedil;&atilde;o de 15 de mar&ccedil;o.<\/p>\n<p>Por final, seguem coment&aacute;rios sobre a nossa elite social, acima das classes m&eacute;dias; cujas rea&ccedil;&otilde;es como classe s&atilde;o menos vis&iacute;veis, por&eacute;m mais efetivas no conjunto da sociedade. A express&atilde;o absoluta da elite &eacute; a do 1% mais rico da popula&ccedil;&atilde;o, objeto da impactante pesquisa de Thomaz Piketti, por&eacute;m neste ensaio inclu&iacute;mos parte da alta classe m&eacute;dia.<\/p>\n<p>Em meio &agrave; grave crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica do desvio criminoso, antissocial e antinacional de vultosos recursos p&uacute;blicos em nosso presidencialismo de coaliz&atilde;o, com divulga&ccedil;&atilde;o de mais de R$ 6 bilh&otilde;es desviados e mais de R$ 20 bilh&otilde;es de preju&iacute;zo na Petrobr&aacute;s, n&atilde;o podemos nem devemos atenuar a evid&ecirc;ncia do maior foco da crise nacional econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica. Referimos &agrave; galopante acumula&ccedil;&atilde;o financeiro-especulativa que gera nossa monumental d&iacute;vida p&uacute;blica, cujos juros, por volta de R$ 220 bilh&otilde;es, amortiza&ccedil;&atilde;o e refinanciamento, consomem 46% a 47% do Or&ccedil;amento Geral da Uni&atilde;o, restando porcentagens irris&oacute;rias a or&ccedil;amentos como: 3,8% para a Sa&uacute;de, 2,7% para a Educa&ccedil;&atilde;o e abaixo de 1% para Transporte, Energia e Seguran&ccedil;a P&uacute;blica.<\/p>\n<p>&Eacute; d&iacute;vida ao mesmo tempo assombrosa e blindada contra auditoria interna, externa e independente, ou revis&atilde;o: seus poderosos detentores infundiram na sociedade que os gastos p&uacute;blicos com os rentistas s&atilde;o um dogma virtuoso, enquanto com os gastos com direitos sociais e desenvolvimento s&atilde;o perdul&aacute;rios.<\/p>\n<p>Este foco central da crise est&aacute; intimamente ligado &aacute; concentra&ccedil;&atilde;o da nossa riqueza e renda. Dados do Cons&oacute;rcio Internacional dos Jornalistas Investigativos sobre a Ag&ecirc;ncia do HSBC na Su&iacute;&ccedil;a, ligada a para&iacute;sos fiscais (SuissLeaks), do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Soneg&ocirc;metro), do Relat&oacute;rio de 2014 do Banco Credit Suisse, do Conselho Administrativo da Receita Federal, CARF (Conselho Administrativo da Receita Federal)\/Opera&ccedil;&atilde;o Zelotes, das Revistas Forbes e Exame, apontam:<\/p>\n<p>&ndash; 225 mil brasileiros possuem patrim&ocirc;nio acima de US$ 1 milh&atilde;o (R$ 2,39 milh&otilde;es),<\/p>\n<p>&ndash; 230 mil brasileiros aplicam, cada um, acima de US$ 1 milh&atilde;o no mercado financeiro internacional,<\/p>\n<p>&ndash; Era de brasileiros, em 2010, a quarta maior fortuna nos para&iacute;sos fiscais, estimada em US$ 520 bilh&otilde;es, (R$ 1 trilh&atilde;o),<\/p>\n<p>&ndash; &Eacute; de brasileiros o quarto lugar de compradores de m&oacute;veis em Miami, EUA,<\/p>\n<p>&ndash; As 15 fam&iacute;lias mais ricas no Brasil concentram R$ 270 bilh&otilde;es, correspondentes a 5% do PIB,<\/p>\n<p>&ndash; Havia em 2006\/2007, na filial su&iacute;&ccedil;a do HSBC, ligada a para&iacute;sos fiscais, oito mil contas brasileiras com desvios iniciais em 342 delas, estimados em US$ 7 bilh&otilde;es. N&atilde;o est&atilde;o computados os valores muito maiores de empresas offshore montadas por brasileiros.<\/p>\n<p>&ndash; Vultosos desvios de d&iacute;vidas fiscais de grandes empresas brasileiras, operados no CARF, vem sendo estimada em at&eacute; R$ 19 bilh&otilde;es: Santander, Bradesco, Ford, Gerdau, Boston Neg&oacute;cios, SAFRA, FIAT, e outras. (A Gerdau j&aacute; tem recurso contra a reposi&ccedil;&atilde;o de R$ 5 bilh&otilde;es ao Tesouro Nacional).<\/p>\n<p>&ndash; Dados da Secretaria da Receita Federal\/MF revelados no Soneg&ocirc;metro indicam d&iacute;vida fiscal de R$ 415 bilh&otilde;es em 2013, estimados para 2015 em R$ 500 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Importante pesquisa do Instituto Federal Su&iacute;&ccedil;o, em 2011, apontou crescimento geom&eacute;trico da concentra&ccedil;&atilde;o do capital: 147 superconglomerados, com predomin&acirc;ncia do capital especulativo, controlavam 1.318 conglomerados detendo 40% da sua riqueza, que por sua vez, controlavam as 43 mil maiores corpora&ccedil;&otilde;es empresariais do mundo.<\/p>\n<p>Esses dados, certamente sujeitos a reparos para mais ou menos, formam um conjunto que reflete o modo de participa&ccedil;&atilde;o de 296 mil brasileiros nos 1% mais ricos do mundo e de cinco milh&otilde;es de pessoas nos 10% mais ricos do mundo.<\/p>\n<p>Reflete a manuten&ccedil;&atilde;o de 17% da renda nacional nas m&atilde;os do 1% mais rico do pa&iacute;s, assim como 75% da riqueza contabilizada com os 10% mais ricos.<\/p>\n<p>Reflete tamb&eacute;m, mais que a imunidade contra os efeitos da crise econ&ocirc;mico-financeira, a sua pr&oacute;pria g&ecirc;nese: basta observar quais os estratos sociais e or&ccedil;amentos p&uacute;blicos setoriais que est&atilde;o sendo tratados como perdul&aacute;rios e &ldquo;enxugados&rdquo; pelo ajuste fiscal ora em andamento: entre R$ 60 a R$ 80 bilh&otilde;es para bancar o super&aacute;vit prim&aacute;rio intoc&aacute;vel da intoc&aacute;vel d&iacute;vida p&uacute;blica &ldquo;n&atilde;o perdul&aacute;ria&rdquo;. Reflete ainda o recente encontro realizado h&aacute; poucos dias no Waldorf Ast&oacute;ria, em Nova Yorque, do qual participaram Bill Clinton, Fernando H. Cardoso, banqueiros, altos empres&aacute;rios e pol&iacute;ticos, sobre o qual Jos&eacute; Luis Fiori refere plaus&iacute;vel atualiza&ccedil;&atilde;o do Consenso de Washington dos anos 90. Reflete por final a grande dificuldade de taxa&ccedil;&atilde;o das grandes fortunas e heran&ccedil;as, incluindo os valores mais tang&iacute;veis como im&oacute;veis e a&ccedil;&otilde;es e aplica&ccedil;&otilde;es financeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span>O LEITE QUE DERRAMOU E A BUSCA DE LUZES<\/span><\/p>\n<p>Investiga&ccedil;&otilde;es oficias comprovam que o destino criminoso, antissocial e antinacional de vultosos recursos p&uacute;blicos arrecadados, al&eacute;m dos sonegados, v&ecirc;m sendo impulsionados sob o &ldquo;Presidencialismo de Coaliz&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Revelam tamb&eacute;m que os correspondentes desmandos governamentais e corrup&ccedil;&atilde;o continuam at&eacute; nossos dias, ainda que sua divulga&ccedil;&atilde;o venha sendo multiplicada em rela&ccedil;&atilde;o aos governos do PT e coligados, pelos setores mais reacion&aacute;rios da sociedade e sua m&iacute;dia.<\/p>\n<p>Essa continuidade &eacute; inadmiss&iacute;vel e sua avalia&ccedil;&atilde;o, reconhecimento e enfrentamento s&atilde;o inabdic&aacute;veis e inadi&aacute;veis, com o risco da dispers&atilde;o e esvaziamento da maior milit&acirc;ncia partid&aacute;ria da nossa hist&oacute;ria (PT), al&eacute;m da massa de eleitores sem partido que aderiu ao debate de um projeto de na&ccedil;&atilde;o na campanha de 2002.<\/p>\n<p>A meu ver, vai ficando claro que a exacerba&ccedil;&atilde;o das rea&ccedil;&otilde;es pelos setores mais conservadores e reacion&aacute;rios da sociedade, pol&iacute;ticos e m&iacute;dia, pode significar a revanche desses setores, ante a aparente defensiva e enfraquecimento perante uma &ldquo;onda petista&rdquo; que se supunha mais consistente e consequente no governo nacional.<\/p>\n<p>&Eacute; sabido que essa &ldquo;onda&rdquo; crescia na oposi&ccedil;&atilde;o nos anos 80 e 90, e assumia radicalidade na den&uacute;ncia e mobiliza&ccedil;&atilde;o contra os desmandos &eacute;ticos, econ&ocirc;micos e financeiros dos governos e partidos da situa&ccedil;&atilde;o. Repudiava inclusive a articula&ccedil;&atilde;o de amplia&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas progressistas em dire&ccedil;&atilde;o a setores integrantes do &ldquo;centr&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>O apogeu da &ldquo;onda petista&rdquo; iniciou-se na campanha eleitoral de 2002: o &ldquo;sonho petista&rdquo; ampliou-se para o &ldquo;sonho das maiorias&rdquo; na sociedade, por outro projeto de na&ccedil;&atilde;o com mais desenvolvimento e distributivismo.<\/p>\n<p>No t&oacute;pico anterior resumimos as expectativas e compromissos do ide&aacute;rio de 2002 nos itens a), b) e c), cujo cumprimento repercute positivamente at&eacute; hoje, e tamb&eacute;m nos itens 1), 2), 3) e 4), cujo descumprimento vem gerando mal estar social por si mesmo.<\/p>\n<p>Alguns analistas estendem sua preocupa&ccedil;&atilde;o ao prov&aacute;vel peso negativo desse descumprimento que, em m&eacute;dio prazo, certamente fragiliza o suporte pol&iacute;tico ao cumprimento dos itens a), b) e c), reduzindo-os, perante uma crise fiscal maior, a uma &ldquo;bolha de consumo&rdquo; ou mera explora&ccedil;&atilde;o de brechas nos espa&ccedil;os neoliberais do capitalismo dependente.<\/p>\n<p>Outros analistas lembram que, al&eacute;m do &ldquo;presidencialismo de coaliz&atilde;o&rdquo;, outro engendramento constou como imposi&ccedil;&atilde;o p&eacute;trea na transi&ccedil;&atilde;o da ditadura para a democracia: a canaliza&ccedil;&atilde;o do movimento trabalhista e estrutura sindical, para uma alternativa exclusivamente &ldquo;trabalhista&rdquo; imune a eventuais resqu&iacute;cios do &ldquo;pr&eacute;-1964&rdquo;, o socialista e o brizolista. Penso que esse engendramento, desenvolvendo-se nos anos 90 e at&eacute; nossos dias, exagerou a dose ajudando a descumprir os itens 1), 2), 3) e 4), abortando o projeto de na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mais recentemente surge outra origem do mal estar social, que foi a continuidade do destino criminoso e antissocial de vultosos recursos p&uacute;blicos arrecadados, al&eacute;m dos sonegados, comprometendo lideran&ccedil;as e dirigentes centrais de um partido de massas que sugeria imunidade ao fisiologismo, patrimonialismo, corrup&ccedil;&atilde;o e projeto de poder pelo poder.<\/p>\n<p>Celso Barros, em an&aacute;lise do recente congresso do PT, afirma que a recusa do afastamento dos dirigentes acusados de corrup&ccedil;&atilde;o e consequente presta&ccedil;&atilde;o de contas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o limitou drasticamente a possibilidade do partido reconquistar o centro do espectro pol&iacute;tico, para ent&atilde;o rever e ampliar alian&ccedil;as, inovar estrat&eacute;gias perante as novas demandas da popula&ccedil;&atilde;o emergente (dezenas de milh&otilde;es) que as reformas p&oacute;s-2003 fizeram aparecer na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Afirma tamb&eacute;m que al&eacute;m da intocabilidade na regressividade dos impostos, dos esquemas pol&iacute;ticos tradicionais e outras &ldquo;tradi&ccedil;&otilde;es&rdquo; governamentais, os acordos de 2002\/2003 tamb&eacute;m mantiveram intoc&aacute;vel o esquerdismo dentro do PT na sua caracter&iacute;stica oposicionista dos anos 90.<\/p>\n<p>Refere ainda que a recente Carta de Salvador daquele congresso, em seu ponto 44, abre espa&ccedil;o de di&aacute;logo pol&iacute;tico entre as novas &ldquo;classes emergentes&rdquo; com propostas do centro do espectro pol&iacute;tico como: fundo p&uacute;blico com forte progressividade na tributa&ccedil;&atilde;o e nos gastos, que ofere&ccedil;a acesso ao cr&eacute;dito, forma&ccedil;&atilde;o, tecnologia, etc. para o mar de micros e pequenos neg&oacute;cios, assim como a volta &agrave; milit&acirc;ncia de base, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de frente com os aliados da esquerda, etc. Ao que julgamos fundamental acrescentar: o resgate das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas universalistas para os direitos sociais b&aacute;sicos expressos na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988.<\/p>\n<p>Para o campo de conhecimento de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas e Sociais, penso caberem as quest&otilde;es:<\/p>\n<p>&ndash; at&eacute; onde o hist&oacute;rico topo ou &aacute;pice da pir&acirc;mide de poder patrimonialista e colonizado dominante do Estado brasileiro combina-se em promiscuidade com os topos ou &aacute;pices das pir&acirc;mides do Governo e Partidos no Executivo e Legislativo?<\/p>\n<p>&ndash; at&eacute; onde essa combina&ccedil;&atilde;o permeia a reprodu&ccedil;&atilde;o da hegemonia do capital financeiro desde os anos 90 at&eacute; hoje?<\/p>\n<p>&ndash; H&aacute; perspectivas de retomada do consenso constru&iacute;do em 2002, e preferentemente mais ampliado e explicitado?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span>Objetivando:<\/span><\/p>\n<p>1 &ndash; A efetiva formula&ccedil;&atilde;o de alternativas ao nosso capitalismo dependente perif&eacute;rico e ao jugo ilimitado e insaci&aacute;vel da acumula&ccedil;&atilde;o especulativa do capital t&ecirc;m cabimento e espa&ccedil;o pol&iacute;tico potencial em nossos dias?<\/p>\n<p>2 &ndash; Na atual conjuntura social e pol&iacute;tica h&aacute; espa&ccedil;o pol&iacute;tico potencial para a formula&ccedil;&atilde;o de uma imagem-objetivo efetivamente socialdemocrata e de Estado de Bem Estar Social desenvolvimentista?<\/p>\n<p>3 &ndash; Na constru&ccedil;&atilde;o conjunta e pluralista desse espa&ccedil;o pol&iacute;tico, com a imprescind&iacute;vel transpar&ecirc;ncia e amplia&ccedil;&atilde;o nos debates, quais as tend&ecirc;ncias partid&aacute;rias, pol&iacute;ticas, entidades e movimentos sociais, pensadores e intelectuais org&acirc;nicos efetivamente comprometidos com a democratiza&ccedil;&atilde;o do Estado reuniriam condi&ccedil;&otilde;es e estariam dispostos &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>4 &ndash; Estando essa implementa&ccedil;&atilde;o voltada para a formula&ccedil;&atilde;o e pactua&ccedil;&atilde;o de um projeto de sociedade e na&ccedil;&atilde;o, e inevitavelmente de poder, o pluralismo j&aacute; apontado teria condi&ccedil;&otilde;es de assumir efetivamente os poderes conquistados, somente como meio de realiza&ccedil;&atilde;o do projeto de sociedade e na&ccedil;&atilde;o? E, precipuamente, de manter a continuidade do debate do projeto entre si e com a sociedade, com as imprescind&iacute;veis verifica&ccedil;&otilde;es dos objetivos, meios e corre&ccedil;&otilde;es de percurso, ampliando e enriquecendo as pactua&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>5 &ndash; Na implementa&ccedil;&atilde;o da imagem-objetivo apontada na segunda indaga&ccedil;&atilde;o, por &oacute;bvio, todas as tend&ecirc;ncias alinhadas manteriam a prerrogativa democr&aacute;tica da disputa de poder na Estrutura do Estado? E o pr&oacute;prio desenvolvimento do projeto de sociedade e na&ccedil;&atilde;o, com participa&ccedil;&atilde;o direta da sociedade, balizar&aacute; a din&acirc;mica do papel e espa&ccedil;os de cada componente e tend&ecirc;ncia?<\/p>\n<p>6 &ndash; Sob um espectro de valores e expectativas na sociedade, assim como ideias-for&ccedil;a desde o centro at&eacute; a esquerda, passando pelos v&aacute;rios matizes (mais plurais ou sect&aacute;rios): corporativos, classistas, consumistas, religiosos e esquerdistas, as maiorias est&atilde;o interessadas no disposto na segunda e terceira indaga&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>7 &ndash; O debate amplo e a implementa&ccedil;&atilde;o por etapas pactuadas do disposto nas duas primeiras indaga&ccedil;&otilde;es &eacute; alternativa para reverter a hegemonia conservadora da direita, ilegitimamente implementada na m&iacute;dia, Estado e sociedade? &ndash; Apesar do dom&iacute;nio de nossa m&iacute;dia por valores do individualismo, consumismo e especula&ccedil;&atilde;o financeira, que emba&ccedil;am e cerceiam o conhecimento do futuro real da sociedade e na&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel disputar e furar esse bloqueio visando disponibilizar para as massas sociais as informa&ccedil;&otilde;es e conhecimentos do que lhes diz respeito nos seus direitos, seu futuro e alternativas reais de desenvolvimento social?<\/p>\n<p>8 &ndash; Que mudan&ccedil;as podem e devem ser implementadas desde j&aacute;; na reforma pol&iacute;tica, no quadro partid&aacute;rio, na democracia interna dos partidos e nos congressos de cada partido? Incluindo a refunda&ccedil;&atilde;o de partidos e coliga&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>9 &ndash; Nessa alian&ccedil;a ou coliga&ccedil;&atilde;o heterog&ecirc;nea, cada componente ou tend&ecirc;ncia em sua leg&iacute;tima milit&acirc;ncia no seu espa&ccedil;o pr&oacute;prio, at&eacute; onde manter&aacute; as pactua&ccedil;&otilde;es e repactua&ccedil;&otilde;es para o projeto comum de sociedade e na&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;arem?<\/p>\n<p>Multiplicam-se &ldquo;sinais&rdquo; globais de esgotamento da atual hegemonia liberal especulativa, por exemplo:<\/p>\n<p>James Galbraith, Universidade do Texas, acaba de lan&ccedil;ar o livro &ldquo;The End of Normal the Great Crisis and the Future of Growth&rdquo;, no qual denuncia o &ldquo;uso excessivo de express&otilde;es matem&aacute;ticas nos argumentos dos neoliberais sobre a perfei&ccedil;&atilde;o dos mercados: usam a matem&aacute;tica para intimidar e n&atilde;o para esclarecer&rdquo;, e aponta alternativas para nova forma do capitalismo manter sua sustentabilidade: substancial encolhimento do sistema financeiro, uso intensivo de m&atilde;o de obra, robusto sistema de prote&ccedil;&atilde;o trabalhista e social, custos fixos menores, baixas taxas de retorno e descentraliza&ccedil;&atilde;o,<\/p>\n<p>Martin Wolf, chefe do Editorial do Financial Times, Londres, apologista nos anos 80 e 90 de Tachter e Reagan, exp&otilde;e que: a austeridade fiscal falhou, a estabilidade financeira desapareceu, o atual modelo &eacute; ideal somente para os banqueiros e deve-se voltar &agrave; vis&atilde;o de Keynes.<\/p>\n<p>Rosa Maria Marques, titular de Economia na PUC-SP, aponta que no Brasil fatias crescentes do lucro empresarial deixam de ser reinvestidas, passando a ser desviadas para a rentabilidade extraordin&aacute;ria do mercado financeiro (t&iacute;tulos, a&ccedil;&otilde;es e derivativos), e o investimento p&uacute;blico que sempre foi importante &eacute; crescentemente desviado para os credores da d&iacute;vida p&uacute;blica. Em escala mundial, o mercado financeiro j&aacute; perfaz v&aacute;rios PIBs mundiais.<\/p>\n<p>A conhecida pesquisa e proje&ccedil;&otilde;es de Thomaz Piketti em escala mundial apontaram que a partir do pr&oacute;ximo ano, 2016, os ganhos do 1% mais ricos no mundo superar&atilde;o os dos restantes 99%, o que acaba de ser confirmado pela respeitada ONG OXFAM.<\/p>\n<p>Penso ser imposs&iacute;vel visualizar a real diferencia&ccedil;&atilde;o dos segmentos da nossa sociedade, desde os miser&aacute;veis &agrave; alta classe m&eacute;dia, quanto &agrave;s tens&otilde;es das desigualdades, das frustra&ccedil;&otilde;es, revis&otilde;es ou afirma&ccedil;&otilde;es na conquista das aspira&ccedil;&otilde;es, &agrave;s confian&ccedil;as nas representa&ccedil;&otilde;es eleitas, e at&eacute; mesmo nas diferen&ccedil;as entre os movimentos de rua, desde 2013, e os mais de 90% que ficaram em casa ou no trabalho etc.<\/p>\n<p>Mas somo aos alertas e recados da sociedade: nas ruas em 2013, pelos eleitores (pesquisas de opini&atilde;o) em 2014 que elegeram e os que votaram em branco ou anularam, e grande parte dos movimentos de 2015: emergem com for&ccedil;a os n&atilde;o alinhados &agrave; situa&ccedil;&atilde;o e &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o nos governos, nem &agrave;s lideran&ccedil;as e partidos pol&iacute;ticos, ou os mais c&eacute;ticos ou os mais esperan&ccedil;osos, os indignados em n&uacute;mero crescente, e mesmo entre os alinhados, aqueles com crescentes reservas.<\/p>\n<p>Diria que se esgotaram os cen&aacute;rios e esperan&ccedil;as de disputa e exerc&iacute;cio de poderes com base em promessas de que usaria o poder para o bem comum: crescem paralelamente as buscas de luzes e formula&ccedil;&otilde;es de como o exerc&iacute;cio do poder pode e deve ser reestruturado, democratizado e compelido a ser efetivamente controlado pela sociedade e, nesse espa&ccedil;o, a&iacute; sim, se dar a disputa do poder.<\/p>\n<p>Na Espanha o movimento apartid&aacute;rio &ldquo;Indignados&rdquo; cresce desde 2011, agora refor&ccedil;ado com o movimento &ldquo;Podemos&rdquo; que j&aacute; registrou para disputar elei&ccedil;&otilde;es, aponta entre v&aacute;rias bandeiras a Toler&acirc;ncia &ldquo;0&rdquo; para corrup&ccedil;&atilde;o e para os cortes or&ccedil;ament&aacute;rios p&uacute;blicos orientados pelos objetivos da gan&acirc;ncia e especula&ccedil;&atilde;o financeira.<\/p>\n<p>Nas recentes elei&ccedil;&otilde;es municipais, ganharam a prefeitura de Barcelona (segunda cidade do pa&iacute;s) e perderam Madri por um voto. Cabe citar Juca Kfouri, referindo-se a um Odebrecht: &ldquo;Preferia que fosse diferente, mas o jogo &eacute; o jogo, n&atilde;o posso mudar o mundo&rdquo;, e Juca: &ldquo;Todos podemos&rdquo;.<\/p>\n<p>Na Gr&eacute;cia, o Syriza iniciou como movimento contra endividamento especulativo do pa&iacute;s, registrou-se como partido e venceu elei&ccedil;&otilde;es em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; coliga&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria que cumpria a risca a submiss&atilde;o a uma d&iacute;vida p&uacute;blica crescente, juros altos, desestruturando a na&ccedil;&atilde;o e regredindo a sociedade.<\/p>\n<p>Hoje &eacute; travada verdadeira guerra financeira do FMI (Fundo Monet&aacute;rio Internacional) e BCE (Banco Comum Europeu) &ndash; gigante Gulliver contra o governo e popula&ccedil;&atilde;o grega, o Pequeno Polegar.<\/p>\n<p>Em junho de 2015 venceram 1,6 bilh&otilde;es de euros de d&iacute;vida que s&oacute; poderiam ser pagas com os sal&aacute;rios e aposentadorias dos servidores. A d&iacute;vida n&atilde;o foi paga, e da&iacute; a decis&atilde;o pelo plebiscito que decidiu, esmagadoramente, pela n&atilde;o submiss&atilde;o ao Gulliver das finan&ccedil;as europeias.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da Espanha e Gr&eacute;cia, correm em nossos dias buscas intensivas de alternativas ao dom&iacute;nio insaci&aacute;vel do capital financeiro especulativo, objetivando a constru&ccedil;&atilde;o de projeto de na&ccedil;&atilde;o, ex: Noruega, Isl&acirc;ndia, Irlanda e Bol&iacute;via. It&aacute;lia e Fran&ccedil;a est&atilde;o no limite. &Eacute; um conjunto diversificado de pa&iacute;ses na sua hist&oacute;ria, cultura e estrutura socioecon&ocirc;mica, por&eacute;m em comum for&ccedil;ando rela&ccedil;&atilde;o mais participativa e reestruturante da sociedade em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado, na busca de um projeto de sociedade e na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o submisso &agrave; ditadura neoliberal financeira especulativa. Variam as composi&ccedil;&otilde;es no espectro centro-esquerda. Se h&aacute; potencial de rev&eacute;s e\/ou distor&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m haver&aacute; de ades&atilde;o de mais sociedades e pa&iacute;ses a essas buscas.<\/p>\n<p>A retomada do rumo inicial constitucional do SUS (Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de) encontra-se sabidamente vinculada &agrave; revers&atilde;o da atual pol&iacute;tica de Estado e tamb&eacute;m ao contexto macroecon&ocirc;mico nacional e global. Nessa revers&atilde;o, a milit&acirc;ncia somente no setor sa&uacute;de j&aacute; se tornou quixotesca, mesmo assim, imprescind&iacute;vel. Contudo, esse v&iacute;nculo, de solidez aparentemente incontorn&aacute;vel pode, historicamente, diluir-se e revelar insustentabilidade. Referimos a poss&iacute;vel vinculo com a pr&aacute;xis pol&iacute;tica da sociedade h&aacute; quase 30 anos, informada, consciente e mobilizada para a possibilidade real de satisfa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e sociais, que foram contemplados na Constitui&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; de 1988.<\/p>\n<p>Essa possibilidade real encontra-se hoje espelhada na implanta&ccedil;&atilde;o da diretriz da Regionaliza&ccedil;&atilde;o vinculada &aacute; eleva&ccedil;&atilde;o do financiamento federal e &aacute;s formula&ccedil;&otilde;es e pactua&ccedil;&otilde;es dos gestores descentralizados, dos conselhos de sa&uacute;de, das entidades ligadas ao movimento da reforma sanit&aacute;ria e da popula&ccedil;&atilde;o consciente e mobilizada, conforme j&aacute; assinalada no segundo t&oacute;pico deste ensaio.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; demais lembrar que a conscientiza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o passa pela compreens&atilde;o e postura de que os recursos p&uacute;blicos, ap&oacute;s sua arrecada&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o permanecem pertencendo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Cabe ao Estado administr&aacute;-los, investindo e custeando em beneficio da popula&ccedil;&atilde;o e na&ccedil;&atilde;o. Esta obviedade vem h&aacute; d&eacute;cadas sendo na pr&aacute;tica obscurecida a favor de que s&oacute; o qu&ecirc; &eacute; comprado no mercado pertence ao consumidor.<\/p>\n<p>Ora, a consci&ecirc;ncia de que o SUS pertence a cada cidad&atilde;o e de que, sem consult&aacute;-lo, o Estado avilta o financiamento do SUS e subsidia fortemente os planos privados com os recursos p&uacute;blicos do cidad&atilde;o, compelindo-o a satisfazer seus direitos consumindo no mercado.<\/p>\n<p>A&iacute; est&aacute; um debate para cada segmento da sociedade: o do pertencimento. Da&iacute;, a bandeira &ldquo;Democratiza&ccedil;&atilde;o do Estado&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span>* Nelson Rodrigues dos Santos &eacute; m&eacute;dico, professor aposentado da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), membro do conselho consultivo do Centro Brasileiro de Estudos da Sa&uacute;de (CEBES) e presidente do Instituto de Direito Sanit&aacute;rio Aplicado (IDISA).<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span><br \/><\/span><\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/cebes.org.br\/2015\/08\/um-olhar-acima-do-sus\/\">CEBES<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p><\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nelson Rodrigues dos Santos | Publicado no&nbsp;Longevidade Adunicamp&nbsp; &nbsp; Efetivamente, as pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias nacionais implementadas a partir de 2003 realizam: a) impactante inclus&atilde;o social corrigindo o sal&aacute;rio m&iacute;nimo acima da infla&ccedil;&atilde;o, desenvolvendo o bolsa-fam&iacute;lia e interrompendo o desmanche, iniciado nos anos 90, dos direitos trabalhistas e previdenci&aacute;rios (conquistas socialdemocratas do s&eacute;culo 20), b) [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":10391,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-10392","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-conselho"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420.jpg",320,229,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420.jpg",320,229,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420.jpg",320,229,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420-300x215.jpg",300,215,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420.jpg",320,229,false],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420.jpg",320,229,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-content\/uploads\/sites\/34\/2015\/08\/nelsonrodrigues-320x229-420.jpg",320,229,false]},"rttpg_author":{"display_name":"cleybetsls","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/author\/cleybetsls\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/categoria\/conselho-estadual-de-saude\/noticias-conselho\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias Conselho<\/a>","rttpg_excerpt":"&nbsp; Nelson Rodrigues dos Santos | Publicado no&nbsp;Longevidade Adunicamp&nbsp; &nbsp; Efetivamente, as pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias nacionais implementadas a partir de 2003 realizam: a) impactante inclus&atilde;o social corrigindo o sal&aacute;rio m&iacute;nimo acima da infla&ccedil;&atilde;o, desenvolvendo o bolsa-fam&iacute;lia e interrompendo o desmanche, iniciado nos anos 90, dos direitos trabalhistas e previdenci&aacute;rios (conquistas socialdemocratas do s&eacute;culo 20), b)&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10392\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}