
{"id":10390,"date":"2015-08-05T12:08:21","date_gmt":"2015-08-05T15:08:21","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/saude\/regulacao-dos-planos-de-saude\/"},"modified":"2015-08-05T12:08:21","modified_gmt":"2015-08-05T15:08:21","slug":"regulacao-dos-planos-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/saude\/regulacao-dos-planos-de-saude\/","title":{"rendered":"Regula\u00e7\u00e3o dos planos de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"https:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\"><br \/>\n<html><body><\/p>\n<p><span>Carlos&nbsp;Ock&eacute;-Reis*<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mercado de planos de sa&uacute;de cobre 27,9% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, sendo que mais de um ter&ccedil;o dos pr&ecirc;mios &eacute; custeado pelos empregadores.<\/p>\n<p>Neste quadro, por meio da regula&ccedil;&atilde;o, o Estado procura proteger as fam&iacute;lias e os empregadores dos riscos associados aos custos de adoecer.<\/p>\n<p>Na atual conjuntura, diante da acelerada concentra&ccedil;&atilde;o, centraliza&ccedil;&atilde;o e internacionaliza&ccedil;&atilde;o do setor, essa prote&ccedil;&atilde;o passa a exigir novas formas de atua&ccedil;&atilde;o do Estado.<\/p>\n<p>Caso se queira melhorar a qualidade da aten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-hospitalar e reduzir os gastos das fam&iacute;lias e dos empregadores com bens e servi&ccedil;os privados, o governo precisa mudar o desenho da pol&iacute;tica regulat&oacute;ria do mercado de planos de sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Nada a ver com a flexibiliza&ccedil;&atilde;o das regras que regem os planos individuais, seja em rela&ccedil;&atilde;o ao teto de reajuste, &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o da rescis&atilde;o unilateral ou &agrave; subsegmenta&ccedil;&atilde;o dos produtos.<\/p>\n<p>A ANS estabelece um &iacute;ndice de reajuste dos planos individuais com base na m&eacute;dia do aumento dos pre&ccedil;os dos planos coletivos. Esse &iacute;ndice expressa t&atilde;o somente um percentual de reajuste dos contratos com mais de um ano. &Eacute; um teto anual de reajuste dos planos individuais e familiares, mas n&atilde;o h&aacute; um controle de pre&ccedil;os stricto sensu.<\/p>\n<p>Em plena recess&atilde;o econ&ocirc;mica, a ANS fixou este ano o reajuste nas alturas (13,55%), &iacute;ndice superior &agrave; taxa de infla&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo (8,13%) e dos reajustes dos rem&eacute;dios (7,7%), que atingiu nove milh&otilde;es de usu&aacute;rios (menos de 20% do mercado).<\/p>\n<p>Detalhe importante: o subs&iacute;dio concedido pelo governo n&atilde;o influencia a calibragem do reajuste praticado pela ANS &ndash; a exemplo da Anvisa &ndash; que controla e monitora o pre&ccedil;o dos medicamentos, a partir da desonera&ccedil;&atilde;o destinada &agrave; ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do mais, o governo n&atilde;o regula os pre&ccedil;os dos planos coletivos, que s&atilde;o a maioria e cuja desregula&ccedil;&atilde;o impacta negativamente o reajuste dos pr&ecirc;mios dos planos individuais. Junto com a rediscuss&atilde;o do modelo de remunera&ccedil;&atilde;o dos prestadores, isto aumentaria o bem-estar dos consumidores, reduziria o custo dos empregadores e desobrigaria o governo de arcar com a inefici&ecirc;ncia das operadoras (vide contencioso do ressarcimento), num quadro de ajuste fiscal e subfinanciamento do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Esse laissez-faire regulat&oacute;rio desconhece que tamb&eacute;m os consumidores dos planos coletivos n&atilde;o t&ecirc;m poder de barganha diante dos reajustes abusivos (de at&eacute; 70% em 2014) e do poder rescis&oacute;rio das operadoras. Eles abrangem t&atilde;o somente uma &ldquo;soma de indiv&iacute;duos&rdquo; n&atilde;o organizados, sem capacidade de influenciar o desenho dos contratos firmados pelo empregador.<\/p>\n<p>Em suma, abrir m&atilde;o de regular os pre&ccedil;os de 80% do mercado significa abdicar de todo esfor&ccedil;o governamental de regular o setor, que depende de uma a&ccedil;&atilde;o consciente e ativa do Estado na contram&atilde;o da captura pelos agentes econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span>* &ndash; Carlos Oct&aacute;vio Ock&eacute;-Reis &eacute; economista do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea) e membro do conselho consultivo do Centro Brasileiro de Estudos de Sa&uacute;de (Cebes).<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span><br \/><\/span><\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/cebes.org.br\/2015\/07\/regulacao-dos-planos-de-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CEBES<\/a><\/p>\n<p><\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos&nbsp;Ock&eacute;-Reis* &nbsp; O mercado de planos de sa&uacute;de cobre 27,9% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, sendo que mais de um ter&ccedil;o dos pr&ecirc;mios &eacute; custeado pelos empregadores. 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