Lacen-GO realiza encontro nacional para troca de experiências sobre análise de agrotóxicos em água

Monitoramento da qualidade da água e fortalecimento da rede laboratorial estiveram no centro das discussões do evento, promovido pela unidade do Governo de Goiás

Representantes de Lacens de oito Estado e demais instituições de saúde no encontro em Goiás

O Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO) realizou um encontro nacional voltado à capacitação e à troca de experiências entre laboratórios de saúde pública na área de análise de resíduos de agrotóxicos em água para consumo humano.

A atividade reuniu representantes de oito Lacens — Amazonas, Bahia, Ceará, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — além da Fundação Ezequiel Dias (Funed/MG), do Instituto Evandro Chagas (IEC/PA), do Instituto Adolfo Lutz (SP), do Cesteh/Fiocruz-RJ e da Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB), do Ministério da Saúde.

A escolha de Goiás como sede ocorreu em função da expertise e estrutura do laboratório no tema. Atualmente, o Lacen-GO é um dos quatro laboratórios públicos do País que realiza o monitoramento da qualidade da água quanto à presença de agrotóxicos.

Durante a programação, foram realizadas atividades teóricas e práticas, com demonstração de técnicas de análise multirresidual de agrotóxicos em água, além de discussões sobre controle de qualidade, boas práticas, financiamento, legislação e organização da rede. O encontro também promoveu o intercâmbio entre Estados em diferentes estágios de implantação dessas análises.

Consumidor de agrotóxicos
O tema ganha relevância diante do cenário nacional: o Brasil está entre os maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, e mais de 70% da população depende de mananciais para abastecimento público. Entre as substâncias químicas de maior preocupação para a saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estão os agrotóxicos, cuja exposição pode estar associada a doenças como câncer, desregulação endócrina, malformações congênitas e agravos neurológicos.

Nesse contexto, a potabilidade da água para consumo humano é avaliada por meio do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua), do Ministério da Saúde, que utiliza como referência a Portaria GM/MS nº 888/2021. Essa legislação traz limites desafiadores para as análises de resíduos de agrotóxicos, o que torna o processo desafiador e tecnicamente complexo, com uso de tecnologias avançadas e metodologias sensíveis para garantir a qualidade e a segurança da água consumida pela população.

O encontro, que ocorreu de 7 a 10 de abril, também evidenciou diferenças regionais na capacidade de monitoramento. No Centro-Oeste, o forte perfil agropecuário amplia os desafios relacionados ao volume e à diversidade de agrotóxicos utilizados. Já nas Regiões Norte e Nordeste, fatores logísticos e estruturais impactam o transporte e a análise das amostras, enquanto Sudeste e Sul concentram maior número de laboratórios, o que pode gerar sobrecarga.

Nesse cenário, a cooperação entre os Estados e o fortalecimento da rede laboratorial são fundamentais para ampliar a capacidade analítica e garantir maior equidade no monitoramento. A química Carolina Freire Barbosa, coordenadora da Seção de Toxicologia do Lacen-GO — área responsável pelas análises de agrotóxicos em água e pela organização do encontro — avaliou a iniciativa como estratégica.

“A análise de resíduos de agrotóxicos é essencial para revelar a qualidade da água consumida pela população e subsidiar decisões em saúde pública. O Lacen-GO se destaca como um dos poucos laboratórios públicos do País com essa capacidade instalada, com equipe qualificada e rigor técnico que asseguram resultados confiáveis. Encontros como este fortalecem a rede, ampliam a capacidade analítica e contribuem diretamente para a proteção da saúde da população.”

Mariana Martins (texto) e Iron Braz (foto)/SES-GO

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