

{"id":6177,"date":"2012-03-11T09:50:34","date_gmt":"2012-03-11T12:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/?p=6177"},"modified":"2012-03-11T09:55:30","modified_gmt":"2012-03-11T12:55:30","slug":"duplo-estigma-dupla-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/duplo-estigma-dupla-forca\/","title":{"rendered":"Duplo estigma, dupla for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_6178\" aria-describedby=\"caption-attachment-6178\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\" https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/sites\/71\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6178\" title=\"edemundo\" src=\" https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/sites\/71\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo-169x200.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6178\" class=\"wp-caption-text\">Edemundo Dias de Oliveira <\/figcaption><\/figure>\n<p>Edemundo Dias de Oliveira Filho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio do pensamento, nessa sociedade dita moderna, onde est\u00e1 em curso a constitui\u00e7\u00e3o de sociabilidades cada vez mais sistematizadas, \u00e9 o de conseguir enxergar para al\u00e9m das determina\u00e7\u00f5es postas e avan\u00e7ar em consci\u00eancias mais cr\u00edticas a fim de que sejam alcan\u00e7adas as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Nesse contexto, neste m\u00eas de mar\u00e7o, m\u00eas da mulher, a reflex\u00e3o que proponho recai sobre uma realidade extremamente dram\u00e1tica: mulher encarcerada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei que o c\u00e1rcere \u00e9 o resultado das pr\u00f3prias escolhas de cada uma dessas mulheres enclausuradas, mesmo que essa escolha seja a de um companheiro que tem hist\u00f3ria no crime. Em Goi\u00e1s, em meio a uma popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria de 689 mulheres, a maioria cumpre pena por ter se envolvido com a criminalidade em meio \u00e0 rela\u00e7\u00e3o familiar. Algumas n\u00e3o apresentam o chamado potencial criminoso. Mas, \u201cdevem\u201d para a justi\u00e7a e pagam pelas penas imputadas dentro dos pres\u00eddios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a discuss\u00e3o recai sobre a perda incomensur\u00e1vel, n\u00e3o s\u00f3 no meio familiar, mas para a sociedade como um todo. \u00c9 fato que, comumente, quando isso ocorre, a fam\u00edlia se desfaz, se desestrutura. Isso por que na hist\u00f3ria de constru\u00e7\u00e3o de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o as mulheres, t\u00e3o constantemente obliteradas, o verdadeiro esteio social a dar sustentabilidade a valora\u00e7\u00f5es de imprescind\u00edvel exist\u00eancia. E, mesmo em meio \u00e0s t\u00e3o reconhecidas conquistas da mulher nos dias atuais, cada vez mais amplas, o papel de mantenedora do meio familiar n\u00e3o se perder\u00e1. Isso \u00e9 da ess\u00eancia feminina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas estat\u00edsticas do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen), do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, em 2006, eram cerca de 70 mulheres presas em Goi\u00e1s por crime de tr\u00e1fico. Em junho de 2010, quando o \u00f3rg\u00e3o atualizou pela \u00faltima vez seus indicadores, havia 335 mulheres espalhadas nas cadeias e pres\u00eddios do Estado por tr\u00e1fico de entorpecentes. Ou seja, houve um aumento de quase 400% no n\u00famero de pris\u00f5es de mulheres, por rela\u00e7\u00e3o direta ou indireta com o tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa realidade machista, mesmo quando a mulher deixa o c\u00e1rcere, o estigma de ex-presa \u00e9 potencializado pelo fato de ser mulher. E, nesse contexto, a sociedade prova que ainda n\u00e3o est\u00e1 preparada para receber o egresso do sistema prisional contribuindo com a sua necess\u00e1ria reintegra\u00e7\u00e3o social, haja vista as limita\u00e7\u00f5es pautadas quase sempre pelo preconceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pris\u00e3o, a mulher vivencia dor martirizante: os filhos que crescem longe do seu seio materno e a tristeza da fam\u00edlia nos dias de visita. Algumas, com o passar dos anos, t\u00eam seus filhos dentro da unidade penal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, temos visto algo que s\u00f3 a mulher, mesmo encarcerada, possui: da fraqueza tira for\u00e7a para manter acesa a esperan\u00e7a. Como diria o pensador A. Ganivet: \u201cA mulher tem uma \u00fanica via para superar o homem: ser mais mulher a cada dia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><em>Edemundo Dias de Oliveira Filho \u00e9 delegado de pol\u00edcia, \u00a0presidente da Ag\u00eancia Goiana do Sistema de Execu\u00e7\u00e3o Penal (Agsep), escritor e pastor evang\u00e9lico<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Artigo publicado em O Popular, edi\u00e7\u00e3o de 11.03.12<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edemundo Dias de Oliveira Filho \u00e9 Delegado de Pol\u00edcia<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":6178,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[179,527,756,194],"class_list":["post-6177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-criminalidade","tag-desafio","tag-moderna","tag-sociedade"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo.jpeg",240,283,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo.jpeg",240,283,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo.jpeg",240,283,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo-170x200.jpeg",170,200,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo.jpeg",240,283,false],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo.jpeg",240,283,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2012\/03\/edemundo.jpeg",240,283,false]},"rttpg_author":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/author\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/categoria\/artigos\/\" rel=\"category tag\">Artigos<\/a>","rttpg_excerpt":"Edemundo Dias de Oliveira Filho \u00e9 Delegado de Pol\u00edcia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}