{"id":33117,"date":"2015-02-04T07:39:23","date_gmt":"2015-02-04T09:39:23","guid":{"rendered":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/?p=33117"},"modified":"2015-02-04T07:46:12","modified_gmt":"2015-02-04T09:46:12","slug":"subjetividade-objetivada-falacias-estatisticas-na-apresentacao-dos-resultados-da-analise-criminal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/subjetividade-objetivada-falacias-estatisticas-na-apresentacao-dos-resultados-da-analise-criminal\/","title":{"rendered":"SUBJETIVIDADE OBJETIVADA: FAL\u00c1CIAS ESTAT\u00cdSTICAS NA APRESENTA\u00c7\u00c3O DOS RESULTADOS DA AN\u00c1LISE CRIMINAL"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_33118\" aria-describedby=\"caption-attachment-33118\" style=\"width: 241px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\" https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-33118\" alt=\"Juliano Barreto\" src=\" https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg\" width=\"241\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg 241w, https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente-164x200.jpg 164w\" sizes=\"(max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-33118\" class=\"wp-caption-text\">Juliano Barreto Rodrigues<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Este artigo, de autoria do Agente de Pol\u00edcia Juliano Barreto Rodrigues, foi apresentado na conclus\u00e3o do curso de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em An\u00e1lise Criminal<\/strong><\/span><\/p>\n<p>SUBJETIVIDADE OBJETIVADA: FAL\u00c1CIAS ESTAT\u00cdSTICAS NA APRESENTA\u00c7\u00c3O DOS RESULTADOS DA AN\u00c1LISE CRIMINAL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>RESULTADOS DA AN\u00c1LISE CRIMINAL<\/p>\n<p>Me. Juliano Barreto Rodrigues<\/p>\n<p>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa explorat\u00f3ria, realizada no \u00e2mbito das disciplinas ministradas na P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em An\u00e1lise Criminal (FASEM\/SENASP-MJ) despertou o interesse em aprofundar no estudo da apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados das an\u00e1lises, especialmente sob o vi\u00e9s da Estat\u00edstica, revelando como a exposi\u00e7\u00e3o final escrita, baseada em produto supostamente cient\u00edfico, pode corroborar afirma\u00e7\u00f5es subjetivas, por vezes at\u00e9 falsas, dando-lhes fei\u00e7\u00f5es de infer\u00eancias logicamente objetivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como afirmou Seife, \u201cnossas cabe\u00e7as rejeitam a ideia de aleatoriedade. Mesmo quando um conjunto de dados ou imagens \u00e9 inteiramente ca\u00f3tico [&#8230;] ainda tentamos construir um sistema, um padr\u00e3o, por meio do qual compreendemos nossas observa\u00e7\u00f5es (SEIFE, 2012, p\u00e1g. 49). A\u00ed se encaixa, dentre outros artefatos cient\u00edficos, a estat\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, realizada em acervo relativamente numeroso sobre o tema, destaca-se, como referencial te\u00f3rico de quase todos os trabalhos do g\u00eanero \u2013 e tamb\u00e9m deste \u2013 o autor Darrell Huff, especialmente seu trabalho \u201cComo Mentir com Estat\u00edsticas\u201d, um cl\u00e1ssico com edi\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito esgotada no Brasil . Al\u00e9m dessa e de outras obras espec\u00edficas sobre realiza\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas referencia-se tamb\u00e9m a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado \u201cA Verdade dos Autos versus a Verdade Real na Justi\u00e7a Criminal\u201d, da lavra de um dos articulistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora v\u00e1 se tratar de estat\u00edstica, esta n\u00e3o ser\u00e1 aplicada a dados para an\u00e1lise. Demonstrar-se-\u00e1, hipoteticamente, como pode ser utilizada para dar ares de verdade a certas afirma\u00e7\u00f5es distorcidas ou at\u00e9 falsas. Assim, a pesquisa apresentada no artigo caracteriza-se como qualitativa, de interpreta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de situa\u00e7\u00f5es traduzidas estatisticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levando em conta dois (entre outros) clientes espec\u00edficos dos Analistas Criminais, o decisor e o jornalista \u2013 tratados no artigo como dois extremos arquet\u00edpicos \u2013 ser\u00e1 discutida, na Conclus\u00e3o, como uma mesma informa\u00e7\u00e3o pode ser apresentada de forma diferente para atender a ambos os interessados, resguardando ainda a institui\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s do Analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Utilizando uma linguagem pretensamente atraente, mas sem descurar dos pressupostos cient\u00edficos de um Artigo, a pesquisa ter\u00e1 por escopo ilustrar, com uma colet\u00e2nea de exemplos, como as mensagens estat\u00edsticas e probabil\u00edsticas dos boletins e relat\u00f3rios de An\u00e1lise Criminal podem ser tendenciosas e eivadas de subjetividade (textos ret\u00f3ricos), ainda que disfar\u00e7ados de objetividade cient\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 despertar o interesse para essa problem\u00e1tica, tornando conscientes dela os analistas criminais e demais \u201cconsumidores\u201d dos relat\u00f3rios e boletins de an\u00e1lise, al\u00e9m de demonstrar que h\u00e1 muito espa\u00e7o para pesquisas mais aprofundadas sobre o tema. Nesse sentido, algumas bibliografias indicadas para aprofundamento constar\u00e3o em nota de rodap\u00e9, sem figuraram nas Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas anotadas ao final. Essa op\u00e7\u00e3o \u00e9 para diferenciar os t\u00edtulos que realmente foram utilizados na composi\u00e7\u00e3o textual do artigo e os que podem vir a ser cotejados em trabalho de mais f\u00f4lego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. REVIS\u00c3O DE LITERATURA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise criminal \u00e9 um processo detalhado e abrangente de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que visa prover com informa\u00e7\u00f5es fundamentadas e oportunas o decisor (ou outro interessado) sobre padr\u00f5es de crime e\/ou tend\u00eancias criminais, para que possa planejar, distribuir recursos e dar respostas mais inteligentes e eficazes na sua preven\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o .<br \/>\nO que estat\u00edstica tem a ver com An\u00e1lise Criminal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[&#8230;] a an\u00e1lise criminal pode englobar informa\u00e7\u00f5es de diversas naturezas, como as sigilosas provenientes de informantes, as estruturais (como o efetivo policial e a quantidade de viaturas dispon\u00edveis) at\u00e9 dados sociodemogr\u00e1ficos. Contudo, acredita-se que as estat\u00edsticas criminais situam-se como um dos instrumentos centrais nesse processo [&#8230;] (AZEVEDO, 2011, p\u00e1g. 10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na utiliza\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas criminais a pol\u00edcia pode operar em suas diversas fases, se envolvendo n\u00e3o apenas na coleta de dados, computando os crimes ocorridos, mas tamb\u00e9m utilizando esse insumo para coibir a ocorr\u00eancia de crimes. Mas as estat\u00edsticas s\u00e3o aproxima\u00e7\u00f5es, generaliza\u00e7\u00f5es a partir de amostras:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estat\u00edstica \u00e9 uma metodologia que procura interpretar a realidade atrav\u00e9s de dados. No entanto, essa defini\u00e7\u00e3o ficaria incompleta se n\u00e3o acrescentarmos algo fundamental: a estat\u00edstica \u00e9 uma ferramenta matem\u00e1tica que nos informa sobre o quanto de erro nossas observa\u00e7\u00f5es apresentam sobre a realidade pesquisada. A estat\u00edstica constr\u00f3i suas avalia\u00e7\u00f5es, a partir da medi\u00e7\u00e3o do erro, que sempre existe na estimativa de quanto uma amostra representa adequadamente a popula\u00e7\u00e3o da qual foi extra\u00edda. A an\u00e1lise estat\u00edstica \u00e9, portanto, relativa e n\u00e3o absoluta, pois baseia suas conclus\u00f5es sempre levando em considera\u00e7\u00e3o o erro existente entre as suas medi\u00e7\u00f5es e a realidade estudada (SOUZA, 2009, p. 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que a relatividade das estat\u00edsticas \u00e9 normalmente desconsiderada e ela \u00e9 tomada como certeza. Isso ocorre porque \u201cN\u00e3o importa o quanto uma ideia seja idiota ou inacredit\u00e1vel, os n\u00fameros podem lhe conferir credibilidade\u201d (SEIFE, 2012, p\u00e1g. 12). Sabendo desse efeito, muitos de seus operadores os utilizam retoricamente para persuadir \u00e0queles a quem informam daquilo que desejam que seja tomado como verdade. Nesse ponto entram as fal\u00e1cias estat\u00edsticas: discursos e resultados que, embora errados, incompletos, distorcidos ou mentirosos, se apresentam como verdadeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seife esclarece que \u201cas fal\u00e1cias num\u00e9ricas nos afetam porque somos cegos para essa impureza. N\u00fameros, cifras e gr\u00e1ficos t\u00eam sempre uma aura de perfei\u00e7\u00e3o. Parecem verdades absolutas, inquestion\u00e1veis\u201d (idem). Acrescenta que, \u201cAs fal\u00e1cias matem\u00e1ticas nos dominam com tanta facilidade porque nossas mentes est\u00e3o programadas para aceitar falsidades num\u00e9ricas\u201d (ibidem, p\u00e1g. 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Huff elenca em seu livro, que chama de \u201ccartilha\u201d, v\u00e1rios exemplos de m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o da estat\u00edstica. No primeiro cap\u00edtulo, intitulado Amostra com Tentenciosidade Introduzida, inicia por analisar o caso de uma not\u00edcia veiculada no Time em meados da d\u00e9cada de 20 que afirmava que ex-alunos da turma de 1924 ganhavam 25.111 d\u00f3lares por ano, uma pequena fortuna para a \u00e9poca (HUFF, 1968, p\u00e1gs. 11-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor desconstr\u00f3i a conclus\u00e3o avaliando o problema da amostra : demonstra que, para se chegar \u00e0 conclus\u00e3o a que chegaram, os pesquisadores aplicaram question\u00e1rios aos ex-alunos da turma de 1924 e inferiram conclus\u00f5es. Por\u00e9m, checando o m\u00e9todo ficou claro que aqueles que responderam \u00e0 pesquisa eram um grupo especial que, por sua import\u00e2ncia social, (1\u00b0) tinha seus endere\u00e7os localiz\u00e1veis na \u00e9poca e (2\u00b0) era composto de indiv\u00edduos que n\u00e3o tinham vergonha de dizer quanto ganhavam \u2013 isso se estivessem dizendo a verdade. Levando em conta tais ressalvas, deduziu-se que o n\u00famero 25.111 d\u00f3lares por ano n\u00e3o fazia sentido algum. Como teorizou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora ponhamos o dedo na fonte prov\u00e1vel do maior erro, uma fonte que pode apresentar 25 mil d\u00f3lares como \u201crenda m\u00e9dia\u201d de alguns homens cuja m\u00e9dia real pode bem aproximar-se apenas da metade do tal n\u00famero.]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEsta fonte \u00e9 o processo de amostragem, que est\u00e1 no cerne da maior parte das estat\u00edsticas que s\u00e3o encontradas sobre todas as esp\u00e9cies de assuntos. Sua base \u00e9 bem simples, embora seus refinamentos na pr\u00e1tica conduzam a muitos atalhos, alguns pouco respeit\u00e1veis (HUFF, 1968, p\u00e1g. 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratando do defeito das amostras muito pequenas, exemplifica didaticamente com o caso de um saco de feij\u00e3o contendo feij\u00e3o preto e fradinho misturados. A melhor maneira de saber quantos feij\u00f5es h\u00e1 de cada tipo \u00e9 cont\u00e1-los um a um. Por\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia, de forma mais f\u00e1cil, do n\u00famero aproximado de cada tipo: contar s\u00f3 um punhado (amostra) e considerar que a propor\u00e7\u00e3o seja a mesma de todo o saco (popula\u00e7\u00e3o). Se a amostra for adequada e grande o suficiente possibilitar\u00e1 uma representa\u00e7\u00e3o do todo bem aproximada. Caso n\u00e3o seja assim,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[&#8230;] nada ter\u00e1 para recomend\u00e1-la al\u00e9m de um ar esp\u00fario de precis\u00e3o cient\u00edfica. [&#8230;] as conclus\u00f5es de tais amostras, tendenciosas, ou muito pequenas (ou tendo ambos os defeitos), encontram-se atr\u00e1s de muitas das informa\u00e7\u00f5es que lemos, ou que acreditamos que conhecemos\u201d (HUFF, 1968, p\u00e1g. 13. Sem negrito no original).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independente do tamanho da amostra h\u00e1 outros fatores que podem interferir no resultado estat\u00edstico. Um deles \u00e9 a resposta falsa \u00e0s perguntas e question\u00e1rios. Uma pesquisa, realizada de porta em porta, para saber quantas pessoas liam determinada revista indicou que muitas preferiam a revista Harper\u2019s (revista liter\u00e1ria) \u00e0 revista True Story (novelas melodram\u00e1ticas). Contudo, a tiragem vendida da revista True Story desmentia, na casa dos milh\u00f5es, os n\u00fameros da pesquisa nas resid\u00eancias. Qual o motivo? Simples: as pessoas tendem a responder aquilo que as fa\u00e7a orgulharem-se de si mesmas e passar uma boa imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro exemplo \u00e9 perguntar, em uma popula\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos cercados por propagandas e publica\u00e7\u00f5es que digam que n\u00e3o escovar os dentes pelo menos tr\u00eas vezes ao dia \u00e9 feio e anti-higi\u00eanico, quantas vezes faz a escova\u00e7\u00e3o por dia. Provavelmente muitos daqueles que escovam uma, ou at\u00e9 nenhuma vez, ir\u00e3o informar que escovam tr\u00eas, ou no m\u00ednimo duas. \u00c9 o resultado psicol\u00f3gico da press\u00e3o exercida por uma esp\u00e9cie de pol\u00edcia social que demonstra resist\u00eancia ao que discrepa . Essa press\u00e3o faz com que muitos mintam nas pesquisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio uso da palavra \u201cm\u00e9dia\u201d leva muitas pessoas a engano. Elas pensam que \u201cm\u00e9dio\u201d \u00e9 o mesmo que t\u00edpico (SEIFE, 2012, p\u00e1g. 35). Exemplo: dizer que o sal\u00e1rio m\u00e9dio em uma empresa \u00e9 de R$ 10 mil pode fazer parecer que cada funcion\u00e1rio recebe cerca desse valor, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Como a m\u00e9dia \u00e9 a soma de todos os sal\u00e1rios dividido pelo n\u00famero de funcion\u00e1rios, pode haver quem receba um sal\u00e1rio m\u00ednimo e quem receba R$ 50 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O causu\u00edsmo \u00e9 uma forma de casu\u00edsmo em que a fal\u00e1cia ret\u00f3rica est\u00e1 em indicar um nexo causal entre duas coisas quando, na verdade, uma n\u00e3o causou a outra (SEIFE, 2012, p\u00e1g. 41). \u201c\u00c0s vezes, o bom senso nos diz que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o direta entre A e B, mesmo assim, as p\u00e1ginas dos peri\u00f3dicos especializados est\u00e3o cheias de \u2018descobertas\u2019 de conex\u00f5es que se desfazem quando iluminadas pela luz severa da l\u00f3gica\u201d (ibidem, p\u00e1g. 45). Exemplos de fal\u00e1cias estat\u00edsticas comuns:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empacotamento de frutas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que nos supermercados as frutas s\u00e3o empacotadas de forma a ficarem as mais bonitas por cima, \u201c[&#8230;] os empacotadores de frutas num\u00e9ricos selecionam e organizam os dados de forma que pare\u00e7am impec\u00e1veis, ainda que duvidosos (SEIFE, 2012, p\u00e1g. 26)\u201d. O segredo est\u00e1 em colocar os n\u00fameros corretos em um contexto errado, de maneira capciosa. \u00c9 muito utilizado nas estat\u00edsticas educacionais. Os n\u00fameros isolados n\u00e3o s\u00e3o falsos; a sua embalagem, a forma de sua apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 que produz deturpa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das melhores estrat\u00e9gias desse tipo de manipula\u00e7\u00e3o \u00e1 chamada colheita de cerejas. Consiste em selecionar cuidadosamente os dados, utilizando os que apoiam a tese que se defende e deixando de lado, ou em segundo plano, os que a contrariam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo do empacotamento de frutas usando gr\u00e1ficos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois gr\u00e1ficos foram feitos com os mesmos n\u00fameros ; por\u00e9m, o de baixo come\u00e7a do \u201c0\u201d e o de cima vai apenas de 194 a 210, o que destaca muito a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trazendo novos exemplos, veja a Lista de Fal\u00e1cias Estat\u00edsticas e probabil\u00edsticas (traduzida livremente, ampliada e adaptada em formato Tabela) do Corso di Logica da Universit\u00e0 di Cagliari, na It\u00e1lia (LIVRAGHI, 2009, pags. 2-11):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FAL\u00c1CIA DESCRI\u00c7\u00c3O EXEMPLO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema Estat\u00edstico-sem\u00e2ntico ou erro de significado estat\u00edstico Quando uma afirma\u00e7\u00e3o estat\u00edstica usa um termo de defini\u00e7\u00e3o t\u00e3o imprecisa que esvazia de sentido o uso de uma porcentagem exata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe adotarem o pacote de medidas que propus poder\u00e3o reduzir em 30% a ilegalidade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se quer dizer com \u201cilegalidade\u201d? \u00c9 o n\u00famero de crimes em geral? Que infra\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas no termo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estat\u00edstico-Epist\u00eamica ou incognosc\u00edvel estat\u00edstico Quando o balan\u00e7o estat\u00edstico requer, para sua verifica\u00e7\u00e3o, elementos logicamente ou praticamente imposs\u00edveis de determinar. \u201cCada italiano \u00e9 picado, em m\u00e9dia, por 2854 pernilongos em sua vida.\u201d Como se chegou a tal n\u00famero?<br \/>\nSe uma amostra representante da popula\u00e7\u00e3o italiana for entrevistada, como o n\u00famero obtido pode ser confi\u00e1vel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se cada indiv\u00edduo anotasse, por toda a vida, cada picada recebida, ainda assim como saber se cada uma que recebeu foi de pernilongo ou outro inseto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Secundum Quid ou generaliza\u00e7\u00e3o indevida Quando se faz uma generaliza\u00e7\u00e3o (indutiva ou estat\u00edstica) sobre uma popula\u00e7\u00e3o com base em uma amostra muito pequena \u201cOs brasileiros s\u00e3o todos desonestos, adeptos do \u2018jeitinho\u2019 para resolver tudo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMetade do mundo adora futebol, a outra metade odeia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toma-se como conclusivo o resultado estat\u00edstico produzido a partir de opini\u00f5es ou dados de amostra muito reduzida, o que compromete o c\u00e1lculo e induz ao erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Representatividade Quando se faz uma generaliza\u00e7\u00e3o (indutiva ou estat\u00edstica) sobre uma popula\u00e7\u00e3o com base em uma amostra representativa<br \/>\n\u201cAs meninas s\u00e3o mais maduras do que os meninos, j\u00e1 que minha filha, nesta idade, n\u00e3o anda de patins e o meu filho sim.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da linha de base (Vide as colunas Exemplo e Problema a seguir, que explicam, pela dedu\u00e7\u00e3o, como ocorre tal fal\u00e1cia) \u201cEm rela\u00e7\u00e3o a 1998 o n\u00famero de div\u00f3rcios em nossa cidade aumentou em 20%. Em rela\u00e7\u00e3o a 1998 a frequ\u00eancia de div\u00f3rcios aumentou (20%). Por\u00e9m, se a popula\u00e7\u00e3o da cidade dobrou nesse per\u00edodo, ent\u00e3o a incid\u00eancia de div\u00f3rcios diminuiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Correla\u00e7\u00e3o indevida (Vide Exemplo e Problema nas colunas a seguir)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA quantidade de coca\u00edna apreendida pela Denarc caiu em 30% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado.\u201d Embora a not\u00edcia tenha tido o objetivo de dizer que o tr\u00e1fico de coca\u00edna diminuiu, pode ser que ele tenha se mantido no mesmo n\u00edvel e at\u00e9 aumentado, e que a Denarc \u00e9 que tenha diminu\u00eddo sua efici\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De compara\u00e7\u00e3o ausente (Vide Exemplo e Problema nas colunas a seguir) \u201cAs a\u00e7\u00f5es das empresas X,Y,Z, aumentaram 26%.\u201d As a\u00e7\u00f5es aumentaram em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aumentaram em rela\u00e7\u00e3o a uma grande temporada de queda? Se assim fosse, a mensagem para os que pretendem investir n\u00e3o seria t\u00e3o otimista ou convincente quanto parece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois vezes zero \u00e9 igual a zero. (Vide Exemplo e Problema nas colunas a seguir) \u201cNosso partido triplicou a representatividade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es passadas.\u201d Se o partido tiver passado de 0,2% para 0,6% o desempenho n\u00e3o foi t\u00e3o bom para eleger algu\u00e9m. Talvez isso conte positivamente apenas para uma coliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Monte Carlo , ou fal\u00e1cia do apostador, ou fal\u00e1cia do amadurecimento das chances Ocorre quando se considera que tendo havido uma s\u00e9rie eventos de determinado tipo, a chance de que o pr\u00f3ximo evento seja diferente \u00e9 maior. \u201cNum jogo de cara ou coroa, tendo ca\u00eddo 9 \u2018coroas\u2019, o jogador cr\u00ea que a chance de que a pr\u00f3xima jogada seja \u2018cara\u2019 \u00e9 muito maior.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm raio n\u00e3o cai no mesmo lugar duas vezes.\u201d Na verdade a chance continua sendo meio-a-meio, ou seja, 50% para cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chance de cair outro raio em determinado lugar \u00e9 a mesma de n\u00e3o cair.<br \/>\nDa conjun\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(RODRIGUES, ABREU-RODRIGUES, 2007, p\u00e1gs. 433-442) \u00c9 observada quando a conjun\u00e7\u00e3o de dois eventos \u00e9 avaliada como mais prov\u00e1vel de ocorrer do que um desses eventos sozinho. &#8220;Linda tem 31 anos, \u00e9 solteira, extrovertida e muito inteligente. Ela \u00e9 formada em filosofia. Como estudante, ela era bastante preocupada com quest\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a social e tamb\u00e9m participou de demonstra\u00e7\u00f5es antinucleares&#8221;. Os participantes deveriam julgar a probabilidade das alternativas: &#8220;(A) Linda \u00e9 ativista do movimento feminista; (B) Linda \u00e9 caixa de banco; e (A&amp;B) Linda \u00e9 caixa de banco e ativista do movimento feminista&#8221; (Tversky &amp; Kahneman, 1983, p. 297 ). Foi observado que 85% dos participantes julgaram o evento constituinte A como mais prov\u00e1vel que o composto A&amp;B e este como mais prov\u00e1vel que o evento constituinte B. Esse resultado consiste em um erro de julgamento porque viola um princ\u00edpio fundamental da probabilidade, a regra da inclus\u00e3o: se X inclui Y, ent\u00e3o a probabilidade de Y n\u00e3o pode ser maior do que a probabilidade de X. Ao ser estendida para eventos compostos, essa regra \u00e9 denominada &#8220;regra da conjun\u00e7\u00e3o&#8221;, a qual estabelece que, no exemplo acima, a probabilidade de A&amp;B deve ser menor ou igual \u00e0 probabilidade de B uma vez que A&amp;B \u00e9 um subconjunto de B.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho Estat\u00edstica de Criminalidade: Manual de Interpreta\u00e7\u00e3o, de autoria de T\u00falio Kahn, se tornou refer\u00eancia para as se\u00e7\u00f5es de estat\u00edstica da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo e de outras Secretarias do Brasil. Versa, quase inteiramente, sobre vari\u00e1veis, peculiaridades e situa\u00e7\u00f5es que podem alterar a realiza\u00e7\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de estat\u00edsticas policiais. Faz-se, abaixo, um extrato personalizado da mat\u00e9ria pertinente ao tema deste artigo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desconsidera\u00e7\u00e3o da sazonalidade (KAHN, 2005, p\u00e1g. 5)<br \/>\nDescri\u00e7\u00e3o: Os \u00edndices estat\u00edsticos de um per\u00edodo sobem ou descem drasticamente (aparentemente sem explica\u00e7\u00e3o) em determinado recorte temporal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo: No per\u00edodo de volta \u00e0s aulas sobe muito o n\u00famero de roubos de ve\u00edculos nas proximidades das universidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No per\u00edodo natalino os furtos e roubos a transeuntes cresce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na festa de Trindade contabiliza-se mais ocorr\u00eancias criminais de todos os tipos do que no restante do ano todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: \u00cdndices criminais e os de consumo est\u00e3o sujeitos \u00e0s varia\u00e7\u00f5es c\u00edclicas ocasionadas por f\u00e9rias e feriados, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, per\u00edodos de volta \u00e0s aulas, etc., que alteram substancialmente as estat\u00edsticas, elevando ou baixando \u00edndices. O mesmo deve ser considerado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Popula\u00e7\u00e3o Flutuante ou Pendular: nas cidades tur\u00edsticas as \u00e1reas comerciais e centrais passam a ter um aumento de circula\u00e7\u00e3o de pessoas e ve\u00edculos nos finais de semana e datas (e hor\u00e1rios) espec\u00edficas, o que altera artificialmente suas taxas criminais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema da unidade de an\u00e1lise<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDescri\u00e7\u00e3o: \u201c[&#8230;] comparar taxas de criminalidade de um bairro com as de uma cidade, de uma cidade com a de outro Estado ou de outro Estado com a de um pa\u00eds [&#8230;]\u201d (KAHN, 2005, p\u00e1g. 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.Exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se selecionarmos um bairro com \u00edndice de criminalidade alto da cidade de S\u00e3o Paulo, suas taxas de homic\u00eddios ser\u00e3o muito maiores do que a da m\u00e9dia da cidade; se selecionarmos uma cidade da Regi\u00e3o Metropolitana, provavelmente suas taxas de criminalidade ser\u00e3o maiores do que a m\u00e9dia do Estado (ibidem, p\u00e1g. 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: \u201c\u00c9 impr\u00f3prio querer comparar a taxa de homic\u00eddio da cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, com as do Estado de Nova York ou com a Fran\u00e7a\u201d (idem). As unidades s\u00e3o desiguais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De escolha do per\u00edodo base de compara\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: Toma-se como base um per\u00edodo onde os valores est\u00e3o muito altos ou muito baixos.. \u201cSe o per\u00edodo base tomado for at\u00edpico, o crime poder\u00e1 estar super ou subestimado nos meses de compara\u00e7\u00e3o\u201d (KAHN, 2005, p\u00e1g. 8)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, tomar um per\u00edodo base muito distante do per\u00edodo de compara\u00e7\u00e3o leva a erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo: \u201cPegue-se por exemplo a s\u00e9rie recente de roubo de ve\u00edculos no Estado de S\u00e3o Paulo: se utilizarmos como per\u00edodo base o segundo trimestre de 2000 &#8211; que registrou o maior n\u00famero de roubo de ve\u00edculos da s\u00e9rie &#8211; podemos provar que a modalidade est\u00e1 caindo 39,3% comparando com o \u00faltimo trimestre de 2004; por outro lado, se tomarmos como base o terceiro trimestre e 1995 \u2013 ponto mais baixo da s\u00e9rie, podemos provar que o roubo de ve\u00edculo cresceu 100%. Ambos os resultados s\u00e3o matematicamente verdadeiros mas a escolha do per\u00edodo base foi capciosa uma vez que ambos s\u00e3o trimestres at\u00edpicos\u201d (ibidem, p\u00e1g. 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: \u201cDependendo do crime que se escolha e do per\u00edodo usado como base para a compara\u00e7\u00e3o, pode-se tanto \u201cprovar\u201d que a criminalidade est\u00e1 caindo como o contr\u00e1rio, dependendo da interpreta\u00e7\u00e3o\u201d (idem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das porcentagens e taxas muito pequenas .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDescri\u00e7\u00e3o: \u201c[&#8230;] manchetes alardeando aumentos elevados no percentual de crimes, que foram baseadas em n\u00fameros absolutos pequenos, transmitindo uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a que nem sempre condiz com a realidade\u201d (KAHN, 2005, p\u00e1g. 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3tese: N\u00famero de sequestros na Grande S\u00e3o Paulo no 4\u00ba trimestre de 2003 = 2. No 4\u00ba trimestre de 2004 = 6. Em n\u00fameros absolutos, houve um aumento de 4. No mesmo per\u00edodo, no interior de S\u00e3o Paulo, os n\u00fameros foram de 7 para 5, uma redu\u00e7\u00e3o de 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: \u201c[&#8230;] se apresentada na forma de porcentagem, um crescimento absoluto de 4 casos de seq\u00fcestro na Grande S\u00e3o Paulo resultaria na cifra impressionista de 200% de crescimento enquanto a queda de 2 casos no interior implicaria numa not\u00e1vel queda de 28,5% nos seq\u00fcestros ! [&#8230;] dois c\u00e1lculos matematicamente verdadeiros, mas que n\u00e3o refletem de maneira condizente a evolu\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno retratado\u201d (idem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomar dados de notifica\u00e7\u00e3o como se representassem todo o universo de casos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: Tomar dados de notifica\u00e7\u00e3o de crimes como se fossem o universo dos crimes (KAHN, 2005, p\u00e1gs. 8-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo: \u201cO fen\u00f4meno da subnotifica\u00e7\u00e3o, ainda que possa variar em grau de pa\u00eds para pa\u00eds, \u00e9 algo que atinge a todos: na m\u00e9dia dos 20 pa\u00edses pesquisados [&#8230;], cerca de 51% dos crimes deixaram de ser comunicados \u00e0 pol\u00edcia, variando o percentual em fun\u00e7\u00e3o do tipo de delito\u201d (ibidem, p\u00e1g. 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: A \u201ccifra negra\u201d representada por casos n\u00e3o notificados d\u00e1 uma falsa ideia do total. Quando as notifica\u00e7\u00f5es aumentam, n\u00e3o quer dizer que a ocorr\u00eancia de crimes aumentou, mas apenas a sua comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De indicadores de \u201coutputs\u201d (produ\u00e7\u00e3o\/resultado)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: N\u00e3o levar em conta o aumento ou redu\u00e7\u00e3o da quantidade de crimes para a contabiliza\u00e7\u00e3o dos indicadores da atividade policial. A informa\u00e7\u00e3o sobre a efici\u00eancia fica falha, dando a impress\u00e3o que os resultados realmente melhoraram quando, na verdade, a situa\u00e7\u00e3o piorou ou simplesmente passou a ser vista.<br \/>\nExemplo: Not\u00edcia de que aumentou o n\u00famero de pris\u00f5es em flagrante. Por\u00e9m, o que n\u00e3o se falou \u00e9 que aumentaram os crimes. Se estes aumentaram, tamb\u00e9m cresceram as oportunidades de dar um flagrante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grande aumento na apreens\u00e3o de armas pode n\u00e3o significar melhora da atividade policial e sim um incremento no despejo de armas ilegais no mercado. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorou, fez foi piorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: h\u00e1 problemas na contabilidade dos \u201coutputs\u201d (indicadores de resultado de um programa ou servi\u00e7o, utilizados para a an\u00e1lise de efici\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es). Kahn (2005, p\u00e1g. 11) indica como alternativa a mensura\u00e7\u00e3o dos indicadores de atividades (\u201cinputs\u201d) que n\u00e3o variam com o aumento da criminalidade. Vide tabela abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, algumas conclus\u00f5es inferidas dos indicadores de \u201cinputs\u201d devem ser avaliadas com cuidado . Exemplo: O grande n\u00famero de autua\u00e7\u00f5es por embriagues ao volante n\u00e3o quer dizer, peremptoriamente, que a dire\u00e7\u00e3o por motoristas b\u00eabados aumentou, e sim que a coibi\u00e7\u00e3o policial se intensificou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escolha de indicadores Descri\u00e7\u00e3o: H\u00e1 indicadores diferentes para demonstrar uma situa\u00e7\u00e3o. A m\u00e1 escolha pode gerar dificuldades que uma escolha mais conveniente poderia evitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo: A apresenta\u00e7\u00e3o estat\u00edstica de crimes para a imprensa pode utilizar como indicador o \u201cTotal de Delitos\u201d (que elenca crimes violentos e n\u00e3o-violentos ou d\u00e1 o n\u00famero absoluto) ou ent\u00e3o o \u00edndice \u201cCrimes Violentos\u201d (homic\u00eddio doloso, latroc\u00ednio, roubos, estupros, extors\u00e3o mediante sequestro) que engloba os crimes que geram mais como\u00e7\u00e3o e alarme sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: A escolha do indicador depende do objetivo que se quer alcan\u00e7ar (dar um \u201cpeso\u201d maior ou menor para determinado argumento). A op\u00e7\u00e3o pelo indicador \u201cerrado\u201d pode ser inconveniente para a Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferen\u00e7as conceituais entre os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pelas estat\u00edsticas<br \/>\nDescri\u00e7\u00e3o: h\u00e1 mais de um \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela coleta de dados, sua organiza\u00e7\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o, e eles tratam os dados de maneira diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) [&#8230;] algumas institui\u00e7\u00f5es utilizam como fonte prim\u00e1ria de seus dados de homic\u00eddio a declara\u00e7\u00e3o de \u00f3bito, enquanto na SSP, a fonte \u00e9 o Boletim de Ocorr\u00eancia, o Inqu\u00e9rito Policial e os Autos de Pris\u00e3o e Apreens\u00e3o em Flagrante;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Na esfera da Sa\u00fade a preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em identificar a natureza da morte [&#8230;] Assim, na declara\u00e7\u00e3o de \u00f3bito poder\u00e1 constar como causa b\u00e1sica da morte \u201cperfura\u00e7\u00e3o do abdome por objeto contundente\u201d, sendo classifi cado como homic\u00eddio. J\u00e1 pelo BO, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser classifi cado como: homic\u00eddio doloso, homic\u00eddio culposo, latroc\u00ednio, morte a esclarecer, suic\u00eddio, les\u00e3o corporal seguida de morte ou les\u00e3o corporal grave (pois no momento da confec\u00e7\u00e3o do boletim, pode-se ainda n\u00e3o ter o resultado morte);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) A declara\u00e7\u00e3o de \u00f3bito utiliza o endere\u00e7o de resid\u00eancia da v\u00edtima enquanto o BO o endere\u00e7o da ocorr\u00eancia. Assim, se a v\u00edtima mora em um lugar mas morre em outro, num local se contabilizar\u00e1 um homic\u00eddio a menos e em outro um a mais, dependendo da fonte;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) \u00c9 normal a diferen\u00e7a entre dados de fontes diferentes. Por exemplo, se confrontarmos dados de desemprego ou infla\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o SEADE com o IBGE, apresentar\u00e3o diferen\u00e7as. [&#8230;].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">f) Os dados de homic\u00eddio oriundos da Sa\u00fade n\u00e3o est\u00e3o isentos de problemas, merecendo destaque entre eles a notifica\u00e7\u00e3o incompleta das mortes, as mortes n\u00e3o classificadas e as mortes provocadas por causas externas de inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o determinada. [&#8230;] (KAHN, 2005, p\u00e1gs.15 e 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: disparidade de informa\u00e7\u00f5es, dificultando a possibilidade de conclus\u00f5es mais pr\u00f3ximas da realidade f\u00e1tica. \u201cA melhor forma de se avaliar a qualidade das bases de dados, tanto dos registros policiais quanto do sistema de sa\u00fade, \u00e9 compar\u00e1-los entre si\u201d (ibidem, p\u00e1g. 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferen\u00e7as entre dados do CIAE e do SISP<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: O SISP (Sistema Integrado de Seguran\u00e7a P\u00fablica) registra informa\u00e7\u00f5es de todos os Distritos Policiais do Estado de Goi\u00e1s. O CIAE (Centro Integrado de Atendimento de Emerg\u00eancia) compreende os dados do atendimento emergencial da Pol\u00edcia Militar na capital e em alguns munic\u00edpios. As estat\u00edsticas oficiais da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica sobre a criminalidade se baseiam no SISP, enquanto a produtividade se baseia em ambos os sistemas. Assim, os n\u00fameros acerca da criminalidade n\u00e3o coincidem.<br \/>\nExemplos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) altera\u00e7\u00e3o da natureza durante o inqu\u00e9rito: muitas ocorr\u00eancias que se iniciam com um tipo de delito podem, em decorr\u00eancia de acontecimentos posteriores ao registro, sofrer altera\u00e7\u00f5es. Por exemplo, um roubo seguido de les\u00e3o corporal grave pode, durante a elabora\u00e7\u00e3o do Inqu\u00e9rito Policial, transformar-se em latroc\u00ednio com a morte da v\u00edtima;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) altera\u00e7\u00e3o da natureza no BO complementar: a natureza inicial de uma ocorr\u00eancia pode ser alterada por um BO complementar. Exemplificando, uma ocorr\u00eancia que se iniciou como homic\u00eddio pode sofrer uma complementa\u00e7\u00e3o e a natureza, no BO complementar, ser alterada para latroc\u00ednio; outra incorre\u00e7\u00e3o que pode ser cometida \u00e9 fazer a contagem de um BO complementar como mais uma nova ocorr\u00eancia, quando na verdade \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia inicial;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) \u00e1rea de registro diferente da \u00e1rea de apura\u00e7\u00e3o: uma ocorr\u00eancia pode acontecer na \u00e1rea de um Distrito Policial e ser registrada em outro. A Unidade Policial que registrou a ocorr\u00eancia, envia \u00e0quele DP que responde pela \u00e1rea territorial do fato para apura\u00e7\u00e3o. Assim, fazendo-se a contagem dos crimes pelos Boletins de Ocorr\u00eancia, n\u00e3o ir\u00e1 aparecer no DP de destino a ocorr\u00eancia, porque o Inqu\u00e9rito Policial foi instaurado com base no BO de outra Unidade Policial (KAHN, 2005, p\u00e1gs.15 e 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: fica muito dif\u00edcil chegar a dados precisos sobre a ocorr\u00eancia de determinado tipo de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualiza\u00e7\u00e3o de dados<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: \u201cO curso das investiga\u00e7\u00f5es pode levar \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese, ou \u00e0 reclassifica\u00e7\u00e3o do fato criminal na instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito, do mesmo modo que exames complementares (laboratoriais, radiogr\u00e1ficos, etc.) confirmam ou n\u00e3o a hip\u00f3tese do m\u00e9dico.\u201d (KAHN, 2005, p\u00e1gs.15 e 16). Esporadicamente a SSP altera alguma estat\u00edstica na p\u00e1gina da Internet ou no Di\u00e1rio Oficial. Pode acontecer do Analista n\u00e3o se atualizar dos dados novos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo: O N\u00facleo de An\u00e1lise Criminal tra\u00e7a um gr\u00e1fico estat\u00edstico sobre o n\u00famero de homic\u00eddios baseados em n\u00fameros desatualizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: Resultados diferentes da an\u00e1lise feita concomitantemente por outro N\u00facleo de An\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresenta\u00e7\u00e3o de n\u00fameros absolutos ou taxas por mil, dez mil, cem mil habitantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: \u201c[&#8230;] os crimes aumentam concomitantemente ao aumento da popula\u00e7\u00e3o, de modo que se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 comparar dois per\u00edodos de tempo muito distantes \u2013 ao ponto das altera\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o serem significativas \u2013 ou duas \u00e1reas com popula\u00e7\u00f5es diferentes, o ideal \u00e9 que se utilize uma taxa por habitante, ao inv\u00e9s dos n\u00fameros absolutos\u201d (KAHN, 2005, p\u00e1g.19). Estes podem dar impress\u00e3o alarmante ao leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo: Veja o quadro abaixo: o Estado da Bahia \u00e9 o mais populoso do grupo, portanto o n\u00famero absoluto de homic\u00eddios \u00e9 naturalmente o maior. Por outro lado, usando a taxa por 100 mil habitantes, a Bahia tem relativamente menos homic\u00eddios doque o Esp\u00edrito Santo o Acre e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: Os n\u00fameros absolutos passam uma impress\u00e3o, quando a taxa por habitantes contextualizaria melhor os dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ranqueamento (ou hierarquiza\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: Divulga\u00e7\u00e3o de rankings baseados em estat\u00edsticas sem considerar todas as vari\u00e1veis que afetam o fen\u00f4meno estudado em determinado local.<br \/>\nExemplo: Khan reproduz um alerta do FBI que descreve a situa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada ano quando o anu\u00e1rio \u00e9 publicado, muitas entidades \u2013 jornais, ag\u00eancias de turismo, e outros grupos com interesse em crimes \u2013 utilizam as estat\u00edsticas dos crimes relatados para compilar rankings de cidades e Estados. Estes rankings, todavia, s\u00e3o meramente uma escolha ligeira feita pelos usu\u00e1rios e n\u00e3o permitem nenhuma percep\u00e7\u00e3o sobre as muitas vari\u00e1veis que moldam o crime numa cidade ou regi\u00e3o em particular. Conseq\u00fcentemente, estas hierarquiza\u00e7\u00f5es levam a interpreta\u00e7\u00f5es simplistas ou incompletas, que freq\u00fcentemente criam percep\u00e7\u00f5es enganosas que afetam negativamente algumas cidades e seus residentes (FBI apud KAHN, 2005, p\u00e1g. 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: Compara\u00e7\u00f5es apressadas que n\u00e3o refletem a realidade fielmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percentual calculado utilizando per\u00edodos base sem rela\u00e7\u00e3o natural<br \/>\nDescri\u00e7\u00e3o: percentual calculado em rela\u00e7\u00e3o a per\u00edodo diferente (sem rela\u00e7\u00e3o) do equivalente anterior (ano, ou semestre, ou trimenstre, ou outra sequ\u00eancia l\u00f3gica anterior).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nExemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n([&#8230;] evolu\u00e7\u00e3o do 3\u00ba trimestre de 1995 ao 3\u00ba trimestre de 2004). Muitas vezes, por\u00e9m, o interesse est\u00e1 em saber a evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a per\u00edodos anteriores, mesmo que n\u00e3o coincidentes (ex: evolu\u00e7\u00e3o do primeiro trimestre de 2001 ao terceiro trimestre de 2004). Como as porcentagens, recomenda-se que as taxas sejam calculadas apenas quando o n\u00famero absoluto de casos \u00e9 superior a 100, com o intuito de evitar que uma pequena altera\u00e7\u00e3o em termos absolutos reflita-se, tamb\u00e9m enganosamente, em grandes altera\u00e7\u00f5es em termos relativos (KAHN, 2005, p\u00e1g. 21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema:a taxa de varia\u00e7\u00e3o Porcentual deve, preferencialmente, ser calculada com rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, para evitar interpreta\u00e7\u00f5es erradas causadas pelo fen\u00f4meno da sazonalidade. Valem os mesmos cuidados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolha do per\u00edodo base adequado, no que concerne \u00e0 tipicidade e \u00e0 dist\u00e2ncia com rela\u00e7\u00e3o per\u00edodo de compara\u00e7\u00e3o (idem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estat\u00edsticas do Sistema de Justi\u00e7a Criminal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descri\u00e7\u00e3o: as estat\u00edsticas brasileiras s\u00e3o, em regra, feitas seguindo crit\u00e9rios jur\u00eddicos de classifica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o crit\u00e9rios policiais. Isso torna algumas informa\u00e7\u00f5es irrelevantes para o enfrentamento ao crime e dados importantes s\u00e3o, simplesmente, deixados de coletar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[\u2026] nossas estat\u00edsticas nos dizem se um homic\u00eddio \u00e9 \u201cdoloso\u201d ou \u201cculposo\u201d &#8211; uma diferen\u00e7a jur\u00eddica importante para estabelecer o grau de culpabilidade do autor e a puni\u00e7\u00e3o correspondente \u2013 mas n\u00e3o se foi um homic\u00eddio cometido por algu\u00e9m conhecido ou desconhecido da v\u00edtima, informa\u00e7\u00e3o que seria relevante para tra\u00e7ar uma pol\u00edtica de preven\u00e7\u00e3o ao delito (KAHN, 2005, p\u00e1g. 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Problema: as bases de dados estat\u00edstico-policiais geralmente n\u00e3o trazem informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre modus operandi, vitimologia, tipos de autores, caracter\u00edsticas de locais de crimes etc., que dificultam a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento especificamente policial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ficou demonstrado, a estat\u00edstica \u00e9 instrumento muito comumente utilizado de forma errada \u2013 intencionalmente ou n\u00e3o \u2013 ou pelo menos tem seus resultados apresentados de forma indevida com grande frequ\u00eancia.<br \/>\nA colet\u00e2nea de coment\u00e1rios e exemplos que foram relacionados neste artigo \u00e9 um rol ilustrativo que est\u00e1 longe de ter exaurido as possibilidades de falhas nos m\u00e9todos estat\u00edsticos e os meios de \u201cfantasiar\u201d sua apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A An\u00e1lise Criminal n\u00e3o prescinde da estat\u00edstica e, portanto, a consci\u00eancia das distor\u00e7\u00f5es que a esta podem ser aplicadas \u00e9 essencial ao trabalho do bom analista. Eximindo-se da hipocrisia, n\u00e3o resta d\u00favida de que o relat\u00f3rio ou boletim apresentado para o decisor \u00e9 diferente daquele passado ao jornalista, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o haja um c\u00f3digo deontol\u00f3gico que determine a conduta \u00e9tica do analista criminal, analogicamente \u00e9 poss\u00edvel afirmar que, como em profiss\u00f5es como a advocacia, o jornalismo, a hist\u00f3ria, a literatura n\u00e3o-ficcional, etc., h\u00e1 um certo grau de discricionariedade na forma de se apresentar os resultados das pesquisas, justific\u00e1vel pela necessidade ret\u00f3rica de converter o destinat\u00e1rio \u00e0s conclus\u00f5es que se pretende e\/ou de preservar interesses que est\u00e3o por tr\u00e1s do que precisa ser dito. No entanto, isso n\u00e3o se confunde com a mera inven\u00e7\u00e3o de fontes e dados ou com sua deturpa\u00e7\u00e3o intencional. Talvez esse seja o limite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em toda manifesta\u00e7\u00e3o oral e escrita h\u00e1 conte\u00fado persuas\u00f3rio , sempre se quer convencer o receptor da verdade do que se afirma. H\u00e1 maneiras mais ou menos \u201ccontundentes\u201d de se expor argumentos, dependendo do efeito que se quer alcan\u00e7ar. A habilidade de saber trabalhar o discurso para atender \u00e0quele que encomendou o trabalho de an\u00e1lise e tamb\u00e9m aos interessados menos priorit\u00e1rios, resguardando ainda a institui\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a a que pertence e \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica de forma geral, \u00e9 compet\u00eancia crucial do bom analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m da an\u00e1lise propriamente dita, a forma de sua apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante, afinal, \u00e9 o que fica. Traduzir os resultados de maneira a destacar o que se pretende ou minimizar o impacto daquilo que se considera seja necess\u00e1rio diminuir \u00e9 tarefa que exige conhecimento lingu\u00edstico, estat\u00edstico e institucional. O bom-senso deve estar vinculado ao bem-comum e aos interesses da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 inten\u00e7\u00e3o que este artigo equipe melhor o Analista Criminal, aumentando sua vis\u00e3o cr\u00edtica dos dados e estat\u00edsticas que lhe caem nas m\u00e3os, al\u00e9m imunizarem-no contra erros que possa cometer sem inten\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m armarem-no com arsenal discursivo que possa utilizar para tornar seu trabalho mais conveniente (essa a palavra-chave). H\u00e1 muita bibliografia sobre o tema para aprofundamento . Uma primeira sugest\u00e3o \u00e9 a lista de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas a seguir, al\u00e9m daquelas apresentadas em notas de rodap\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AZEVEDO, Ana Lu\u00edsa Vieira de; RICCIO, Vicente and RUEDIGER, Marco Aur\u00e9lio. A utiliza\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas criminais no planejamento da a\u00e7\u00e3o policial: cultura e contexto organizacional como elementos centrais \u00e0 sua compreens\u00e3o. Ci. Inf. [online]. 2011, vol.40, n.1, pp. 9-21. ISSN 0100-1965.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BORGES, G.; BAYMA, F. e ZOUAIN, D. Intelig\u00eancia estrat\u00e9gica x investiga\u00e7\u00e3o policial no combate \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es criminosas. IN: OLIVEIRA, F. B.; ZOUAIN, D. M.; RUEDIGER, M. A.; e RICCIO, V. (Org.). Desafios da Gest\u00e3o P\u00fablica de Seguran\u00e7a. Rio de Janeiro: FGV, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HUFF, Darrell. Como Mentir com Estat\u00edsticas. Edi\u00e7\u00f5es Financeiras S.A. RJ : 1968.<br \/>\nKAHN, T\u00falio. Estat\u00edstica de Criminalidade: Manual de Interpreta\u00e7\u00e3o. Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo \u2013 Coordenadoria de An\u00e1lise e Planejamento. S\u00e3o Paulo, 2005. Acessado em 09 dec. 2014. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.ssp.sp.gov.br\/media\/documents\/manual_interpretacao.pdf&gt;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIVRAGHI, Giancarlo. Corso di Logica. Universit\u00e0 di Cagliari. Outubro de 2009. Dispon\u00edvel em: Acessado em 08 dez. 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RODRIGUES, Juliano Barreto. A Verdade dos Autos versus a Verdade Real na Justi\u00e7a Criminal, 2013. 184f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Direito, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Desenvolvimento) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s, Goi\u00e1s, 2013. Dispon\u00edvel em PDF: &lt;http:\/\/tede.biblioteca.ucg.br\/tde_arquivos\/24\/TDE-2014-02-28T160356Z-1545\/Publico\/JULIANO%20BARRETO%20RODRIGUES.pdf&gt;. Acesso em 06 dez. 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RODRIGUES, L\u00edlian Cavalheiro e ABREU-RODRIGUES, Josele. &#8220;Fal\u00e1cia da conjun\u00e7\u00e3o&#8221;: defini\u00e7\u00e3o e vari\u00e1veis de controle. Psic.: Teor. e Pesq. [online]. 2007, vol.23, n.4, pp. 433-442. ISSN 0102-3772. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/ptp\/v23n4\/09.pdf&gt; Acessado em 08 dec. 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SEIFE, Charles. Os N\u00fameros (n\u00e3o) Mentem: como a matem\u00e1tica pode ser usada para enganar voc\u00ea. \u2013 Rio de Janeiro : Zahar, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Josel\u00ed Maria da. A Subjetividade ling\u00fcisticamente marcada em Pareceres T\u00e9cnicos e Jur\u00eddicos \/ Josel\u00ed Maria da Silva. \u2013 Jo\u00e3o Pessoa: UFPB, 2007<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong><br \/>\n<\/strong> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juliano Barreto Rodrigues  \u00e9 Agente de Pol\u00edcia, Mestre em Direito, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Desenvolvimento, com quatro P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00f5es , sendo a mais recente em An\u00e1lise Criminal, objeto deste trabalho<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":33118,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[3622,3623,2551,647],"class_list":["post-33117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-analise","tag-criminal","tag-falacia","tag-juliano"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg",241,294,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg",241,294,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg",241,294,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente-164x200.jpg",164,200,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg",241,294,false],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg",241,294,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2015\/02\/agente.jpg",241,294,false]},"rttpg_author":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/author\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/categoria\/artigos\/\" rel=\"category tag\">Artigos<\/a>","rttpg_excerpt":"Juliano Barreto Rodrigues \u00e9 Agente de Pol\u00edcia, Mestre em Direito, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Desenvolvimento, com quatro P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00f5es , sendo a mais recente em An\u00e1lise Criminal, objeto deste trabalho","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33117\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}