

{"id":31586,"date":"2014-11-11T10:43:28","date_gmt":"2014-11-11T12:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/?p=31586"},"modified":"2014-11-11T10:43:28","modified_gmt":"2014-11-11T12:43:28","slug":"dar-carteirada-e-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/dar-carteirada-e-crime\/","title":{"rendered":"Dar carteirada \u00e9 crime"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_31587\" aria-describedby=\"caption-attachment-31587\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\" https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-31587\" alt=\"Jesseir Coelho de Alc\u00e2ntara\" src=\" https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg\" width=\"200\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg 200w, https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1-182x200.jpg 182w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-31587\" class=\"wp-caption-text\">Jesseir Coelho de Alc\u00e2ntara<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dar carteirada \u00e9 crime<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O editorial do Popular do dia 06 de novembro \u00faltimo apontou que a lei \u00e9 para todos quando mostrou decis\u00e3o da Justi\u00e7a do Rio de Janeiro que ganhou enorme repercuss\u00e3o no notici\u00e1rio e nas redes sociais abordando o velho recurso da carteirada. Um magistrado ganhou uma indeniza\u00e7\u00e3o de uma agente de tr\u00e2nsito em danos morais porque ela disse que \u201cjuiz n\u00e3o \u00e9 Deus\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Como n\u00e3o conhe\u00e7o os autos do processo seria temer\u00e1rio da minha parte opinar sobre o m\u00e9rito da a\u00e7\u00e3o c\u00edvel. Faltaria com a \u00e9tica tamb\u00e9m. Quero chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma situa\u00e7\u00e3o comum no dia a dia voltada para o aspecto criminal.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O que \u00e9 \u201ccarteirada\u201d? S\u00e3o pessoas que, valendo-se de suas &#8220;qualidades&#8221;, exigem tratamento diferenciado, almejam obter vantagens \u00e0s quais n\u00e3o t\u00eam direito. A chamada carteirada \u00e9 muito mais comum do que se imagina. Ser conhecido na m\u00eddia, ser filho de pol\u00edtico, ter prest\u00edgio no meio social, ser agente p\u00fablico, policial, promotor, juiz, etc., s\u00e3o tendentes a isso. Claro que em sua minoria. O termo pode e deve ser empregado quando ileg\u00edtimo ou abusivo o seu uso. Esta sim \u00e9 a verdadeira \u201ccarteirada\u201d em sua real acep\u00e7\u00e3o da palavra. O simples fato de mostrar sua carteira profissional como identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui nenhum il\u00edcito. Ali\u00e1s, o documento foi elaborado exatamente para isso.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O analista processual do MPF, Thiago Xavier Bento escreve: \u201cE sob o aspecto penal: essa forma de conduta tamb\u00e9m deve ser punida? Entendemos que sim, pois ela configura o crime de concuss\u00e3o. A chamada carteirada se subsume no tipo penal em quest\u00e3o (&#8220;Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da fun\u00e7\u00e3o ou antes de assumi-la, mas em raz\u00e3o dela, vantagem indevida&#8221;).<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Em que pese a opini\u00e3o de doutrinadores, como Dam\u00e1sio de Jesus, Celso Delmanto e outros, que afirmam que a referida vantagem indevida deve ser patrimonial, trazemos \u00e0 baila o lecionar de Guilherme de Souza Nucci (C\u00f3digo Penal Comentado &#8211; 4\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2003, p\u00e1g. 863): &#8220;&#8230;vantagem indevida: pode ser qualquer lucro, ganho, privil\u00e9gio ou benef\u00edcio il\u00edcito, ou seja, contr\u00e1rio ao direito, ainda que ofensivo apenas aos bons costumes &#8230; h\u00e1 casos concretos em que o funcion\u00e1rio deseja obter somente um elogio, uma vingan\u00e7a ou mesmo um favor sexual, enfim, algo imponder\u00e1vel no campo econ\u00f4mico&#8230; N\u00e3o se tratando de delitos patrimoniais, pode-se acolher essa amplitude&#8221;. A pena \u00e9 de dois a oito anos de reclus\u00e3o e multa.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Outros acreditam tratar-se somente de improbidade administrativa, regulada pela Lei n\u00ba 8.429\/92. A Lei n\u00ba 8.112\/90 pro\u00edbe utilizar o cargo p\u00fablico em proveito pessoal ou de outro. O STJ j\u00e1 sinalizou no sentido de tratar-se de crime de abuso de autoridade.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>At\u00e9 hoje nunca soube que alguma figura p\u00fablica foi presa por dar carteirada. A meu ver, deveria ser.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Afinal de contas \u00e9 crime, il\u00edcito civil, e \u00e9 ato imoral dar \u201ccarteirada\u201d. A figura da autoridade n\u00e3o pode ser vilipendiada com esta atitude de se valer de seu cargo e poder para amedrontar pessoas e, com isso, tirar proveito de uma situa\u00e7\u00e3o tornando-se um mau profissional.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Jesseir Coelho de Alc\u00e2ntara \u00e9 Juiz de Direito e Professor<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesseir Coelho de Alc\u00e2ntara \u00e9 Juiz de Direito <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":31587,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[3544,193,1139,1431],"class_list":["post-31586","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-carteirada","tag-crime","tag-jesseir","tag-juiz"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg",200,220,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg",200,220,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg",200,220,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1-182x200.jpg",182,200,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg",200,220,false],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg",200,220,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-content\/uploads\/sites\/71\/2014\/11\/jesseir-1.jpg",200,220,false]},"rttpg_author":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/author\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/categoria\/artigos\/\" rel=\"category tag\">Artigos<\/a>","rttpg_excerpt":"Jesseir Coelho de Alc\u00e2ntara \u00e9 Juiz de Direito","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31586","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31586"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31586\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}