

{"id":147,"date":"2011-09-13T15:30:26","date_gmt":"2011-09-13T18:30:26","guid":{"rendered":"http:\/\/teste.policiacivil.go.gov.br\/?p=147"},"modified":"2011-11-09T15:51:38","modified_gmt":"2011-11-09T17:51:38","slug":"a-escassez-da-abundancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/a-escassez-da-abundancia\/","title":{"rendered":"A escassez da abund\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Elevado discernimento revela Zygmunt Bauman, um dos mais perspicazes soci\u00f3logos em atividade, ao investigar o t\u00e3o excitante quanto deprimente mundo atual, porquanto gerador de n\u00edveis de inseguran\u00e7a de vida, sempre e sempre maiores, quando diz: &#8220;A era da modernidade l\u00edquida em que vivemos &#8211; um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevis\u00edvel &#8211; \u00e9 fatal para nossa capacidade de amar, seja esse amor direcionado ao pr\u00f3ximo, a nosso parceiro ou a n\u00f3s mesmos&#8221;.<\/p>\n<p>Trago esta reflex\u00e3o imediatamente ap\u00f3s ler a mat\u00e9ria de capa de O Popular (4\/9) e a sempre l\u00facida e brilhante opini\u00e3o de Cileide Alves na sua coluna domingueira. A manchete garrafal estampa uma incontroversa realidade &#8211; Droga piorou a vida em Goi\u00e1s; e o artigo, j\u00e1 pelo t\u00edtulo, incita o leitor a ampliar o seu ju\u00edzo &#8211; Melancolia e drogas; e ambos &#8211; reportagem e artigo &#8211; convidam a todos a enxergar que a quest\u00e3o \u00e9 muito mais complexa do que imagina a v\u00e3 filosofia de muitos, como diria Shakespeare.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria jornal\u00edstica fala pelos dados que a embasam. Mostra que por tr\u00e1s das drogas e do tr\u00e1fico h\u00e1 toda uma rede de crimes, perpetrados por cru\u00e9is, frios e calculistas traficantes que laboram em suas empresas-crime como qualquer neg\u00f3cio mercadol\u00f3gico; as estat\u00edsticas para eles s\u00e3o simples resenhas e gr\u00e1ficos que alimentam a lavagem do dinheiro apurado, n\u00e3o importa quantas vidas sejam ceifadas, quantas fam\u00edlias desajustadas ou quantas almas penadas estejam sendo dilaceradas pela fissura da fuma\u00e7a ou do p\u00f3 infernal.<\/p>\n<p>Acredito at\u00e9 que as estat\u00edsticas trazidas pela reportagem estejam subestimadas. Calculo que os n\u00fameros sejam ainda mais catastr\u00f3ficos: a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) j\u00e1 detectou que temos em cada fam\u00edlia brasileira, pelo menos um dependente qu\u00edmico de drogas l\u00edcitas ou il\u00edcitas. Portanto, n\u00e3o bastam pol\u00edticas dissociadas de uma vis\u00e3o dial\u00e9tica do problema; n\u00e3o basta a repress\u00e3o policial, esta \u00e9 imprescind\u00edvel, mas deve vir acompanhada de programas estatais de preven\u00e7\u00e3o e de tratamento ao dependente, como, ali\u00e1s, pretende o Programa Ser Livre da Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p>Do artigo j\u00e1 suscitado, ao se referir aos dados da OMS de que em 2020 a depress\u00e3o ser\u00e1 a segunda mol\u00e9stia que mais roubar\u00e1 vida da popula\u00e7\u00e3o, perdendo apenas para as doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o, cabe novo questionamento: o que \u00e9 doen\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o ou o c\u00e2ncer, sen\u00e3o graves opress\u00f5es e depress\u00f5es da alma, com reflexos no corpo e no esp\u00edrito e vice-versa?<\/p>\n<p>Contudo, o que mais chama aten\u00e7\u00e3o, qui\u00e7\u00e1 para um despertar da consci\u00eancia social sobre as drogas, s\u00e3o as agu\u00e7adas afirma\u00e7\u00f5es expostas, pela percep\u00e7\u00e3o ampla e global de que o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de Estado, antes, \u00e9 um problema da natureza humana, de uma educa\u00e7\u00e3o ausente, de fam\u00edlias mal-formadas. H\u00e1 abund\u00e2ncia de prazeres que passam e escassez de virtudes que ficam. Os diagn\u00f3sticos ali destacados n\u00e3o nos deixam mentir: &#8220;Na nossa \u00e9poca, as &#8216;futilidades&#8217; s\u00e3o, no m\u00ednimo, t\u00e3o relevantes e t\u00e3o necess\u00e1rias quanto o p\u00e3o em 1789&#8230;roubaram objetos que lhes eram necess\u00e1rios para existir, para ser &#8216;algu\u00e9m&#8217; no mundo&#8221; (Calligaris); &#8220;Estamos num mundo onde tudo \u00e9 vol\u00e1til, nada nos garante, a n\u00e3o ser saber de n\u00f3s mesmos, do nosso desejo o suficiente para enfrentar os riscos das escolhas&#8230;&#8221; (Luciene God\u00f3i). Ou da pr\u00f3pria jornalista Cileide Alves: &#8220;O crack propaga-se no terreno f\u00e9rtil deste tempo de &#8216;futilidades&#8217; e da &#8216;era do gozo'&#8221;.<\/p>\n<p>Finalmente, sem a falsa jact\u00e2ncia de um profeta sem valor na sua terra, ouso afirmar que aludo todas essas agudas reflex\u00f5es no meu \u00faltimo livro Olhai os l\u00edrios do campo: uma perspectiva crist\u00e3 da contemporaneidade. Nele afirmo que a maior crise da humanidade hoje \u00e9 a crise existencial da aparente abund\u00e2ncia, com todos os seus fetiches materiais, mas do vazio da alma, que s\u00f3 o Cristo Eterno de Deus, com a sua proposta de amor infindo e multiforme gra\u00e7a, pode preencher em plena paz e na mais completa alegria.<\/p>\n<p><strong>Edemundo Dias de Oliveira Filho &#8211; Delegado Geral da Pol\u00edcia Civil de Goi\u00e1s e Presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Pol\u00edcia Civil do Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edemundo Dias de Oliveira Filho &#8211; Delegado de Pol\u00edcia<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[207,206],"class_list":["post-147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-abundancia","tag-escassez"],"rttpg_featured_image_url":null,"rttpg_author":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/author\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/categoria\/artigos\/\" rel=\"category tag\">Artigos<\/a>","rttpg_excerpt":"Edemundo Dias de Oliveira Filho - Delegado de Pol\u00edcia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacivil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}