

{"id":2433,"date":"2014-05-30T08:52:19","date_gmt":"2014-05-30T11:52:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.policiacientifica.go.gov.br\/?p=2433"},"modified":"2014-05-30T08:52:19","modified_gmt":"2014-05-30T11:52:19","slug":"historico-do-dr-saulo-nucleo-de-ipora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/policiacientifica\/historico-do-dr-saulo-nucleo-de-ipora\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rico do Dr. Saulo &#8211; N\u00facleo de Ipor\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6786 alignleft\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacientifica\/wp-content\/uploads\/sites\/63\/2014\/05\/historico-do-dr.-saulo-nucleo-de-ipora-e1629135322831.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"226\" \/>Comecei aos 13 anos. Levado por meu pai, Perito Criminal\u00edstico (carteira de pol\u00edcia n\u00ba 005) prestei um concurso e comecei meu primeiro trabalho da vida no DPT da SSP-GO (Para quem n\u00e3o sabe, DPT \u00e9 \u2013 ou era na \u00e9poca \u2013 Departamento de Pol\u00edcia T\u00e9cnica). Ali conheci pessoas espetaculares, mergulhei em um mundo fascinante \u2013 o mundo de meu pai \u2013 de per\u00edcias e provas. Datilografei laudos, acompanhei t\u00e9cnicas de bal\u00edstica, conheci o desenho e a fotografia policiais, aprendi os termos t\u00e9cnicos, mergulhei no m\u00e9todo de Vucetich \u2013 classifica\u00e7\u00e3o decadactilar \u2013 e na papiloscopia. Enfim, passei a fazer parte de algo que comecei a amar e admirar. De quebra corria nas folgas at\u00e9 os fundos da SSP, onde ficava a Medicina Legal, e acompanhava (quando deixavam) alguns procedimentos. Vi um grande mestre, Dr. Aristoclides Teixeira, trabalhar algumas vezes. Vivi assim por 5 anos. Ent\u00e3o, aos 18 anos, j\u00e1 cursando Medicina pensamos que seria melhor estar na Secretaria da Saude, e para l\u00e1 fui. Mas o v\u00edrus da Per\u00edcia j\u00e1 tinha me contaminado (Na realidade tinha sido transmitido de ber\u00e7o por meu pai e eu apenas n\u00e3o sabia), e nunca deixei de querer voltar. Em 1991 aconteceu um concurso para M\u00e9dico Legista e, mesmo contra a vontade de minha amada esposa, participei. Com os concorrentes que tinha nunca imaginei passar.<\/p>\n<p>Entretanto acabei ficando com a melhor nota do estado, e ingressei novamente, desta feita como M\u00e9dico Legista, no servi\u00e7o pericial. Comecei a trabalhar em Ipor\u00e1, em um projeto pioneiro de descentraliza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia T\u00e9cnica. Embora fossemos dois os m\u00e9dicos aprovados no concurso, j\u00e1 no primeiro m\u00eas minha colega foi transferida e fiquei sozinho como M\u00e9dico Legista, respondendo por toda a regi\u00e3o. De repente caiu em minhas costas a chefia da ent\u00e3o Circunscri\u00e7\u00e3o de Pol\u00edcia T\u00e9cnico Cient\u00edfica (S\u00f3 a chefia&#8230; gratifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o existia.) Sozinho, salvo pequenos per\u00edodos, tenho continuado desde ent\u00e3o. Sempre trabalhamos no Interior com o que t\u00ednhamos e com a quantidade de profissionais que disp\u00fanhamos, dividindo o m\u00eas pelo numero de peritos e de legistas. Assim, se haviam dois, cada um fazia 15 dias. Se tr\u00eas, cada um fazia 10 dias. Se apenas um, como fiquei por v\u00e1rios e v\u00e1rios anos, fazia os 31 dias do m\u00eas. J\u00e1 vivi situa\u00e7\u00f5es as mais estranhas nesse servi\u00e7o. Carreguei cad\u00e1veres diversas vezes em meus carros (n\u00e3o t\u00ednhamos Rabec\u00e3o), fiz necropsias em enfermarias, posto de sa\u00fade, sala de caldeiras, lavanderias e outros lugares. Pulei em covas, descobri troca de cad\u00e1veres, sofri com podr\u00f5es, comprei material para trabalho e usei na mesma noite naquele que me vendeu (um dia conto&#8230;). Na realidade, aqui em Ipor\u00e1, somente eu como Legista, trabalhava com um bisturi, um porta-agulhas, uma pin\u00e7a dente-de-rato e duas pin\u00e7as anat\u00f4micas que compunham meu kit de t\u00e9cnica operat\u00f3ria na faculdade de medicina.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2434\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/policiacientifica\/wp-content\/uploads\/sites\/63\/2014\/05\/nucleo-_0119.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"169\" \/>Al\u00e9m disso, apenas luvas grossas de servi\u00e7os gerais, um avental de pl\u00e1stico (feito de sacos de leite, algu\u00e9m se lembra??), muita disposi\u00e7\u00e3o, olhar arguto, cora\u00e7\u00e3o na profiss\u00e3o e cabe\u00e7a preparada com horas e horas de Genival, Hermes e outros menos votados. Toda a minha vida fiz Medicina Legal com bisturi, olhos, cabe\u00e7a e cora\u00e7\u00e3o. Nossa Circunscri\u00e7\u00e3o era um balc\u00e3o na Delegacia onde eram feitos os atendimentos para Carteira de Identidade. Com muito sacrif\u00edcio consegui que fosse conclu\u00edda uma constru\u00e7\u00e3o no fundo da cadeia, onde seria nossa sede. Quando conclu\u00edda, como \u00e9ramos subordinados ao Delegado, descobrimos ao tentarmos mudar que al\u00ed funcionaria a Delegacia Regional, e sobrou-nos duas salinhas. N\u00e3o disp\u00fanhamos de viatura. In\u00fameras vezes desloquei-me para as cidades da regi\u00e3o (n\u00e3o t\u00ednhamos IML, o legista ia com o Perito e o motorista al\u00e9m do Auxiliar de Necr\u00f3psia \u2013quando tinha \u2013 at\u00e9 onde o cad\u00e1ver estava e realizava a necropsia onde fosse poss\u00edvel) em meu carro particular (primeiro uma Brasilinha, depois uma Pampinha) e incont\u00e1veis vezes transportei nelas os cad\u00e1veres. Para encerrar a era da Brasilinha e da Pampinha tive uma ideia genial. Em um dia em que fomos a uma cidadezinha perto de Ipor\u00e1 v\u00ed um Chevette sobre cavaletes. Guardei, classifiquei, memorizei. Em outra ocorr\u00eancia, em outra cidade (essa eu lembro: Doverl\u00e4ndia) v\u00ed uma viatura Chevette igualzinha \u00e0 primeira, sobre as rodas, toda torta e meio virada sob uma mangueira.<\/p>\n<p>Dois mais dois igual a tr\u00eas e pouquinho&#8230; com esfor\u00e7o e coragem chegaremos a quatro.<\/p>\n<p>Fui at\u00e9 a SSP, procurei o Secret\u00e1rio que me mandou para o respons\u00e1vel pela coisa e&#8230; eis-nos pois orgulhosos deposit\u00e1rios de duas lindas sucatas de viatura.<br \/>\nCome\u00e7a o trabalho. Um mec\u00e2nico amigo, excelente mec\u00e2nico ajudou-nos. De duas viaturas conseguiu fazer quase uma. No quase entro eu e o nosso motorista e maior entusiasta (afinal ele teria algo para dirigir, n\u00e3o \u00e9?). Caras de pau devidamente lubrificadas com \u00f3leo de peroba, com uma lista de pe\u00e7as nas m\u00e3os passamos a visitar as prefeituras e os comerciantes. Pecinha aqui, pneu ali, tintinha acol\u00e1&#8230; de repente temos a primeira viatura da Pol\u00edcia T\u00e9cnica de Ipor\u00e1.<\/p>\n<p>Muito bem. O bravo Chevetinho prestou-nos grandes servi\u00e7os e suportou estoicamente at\u00e9 mesmo quando fomos de Ipor\u00e1 a Diorama (cidade a aproximadamente 30 Km) de quarta acelerada, berrando o motor, at\u00e9 que, na volta, quase chegando em Ipor\u00e1, nosso motorista descobre que a viatura tinha quinta marcha. Mas tudo bem, tudo \u00f3timo.<br \/>\nNossos colegas peritos, her\u00f3is, sempre desenvolveram um trabalho de alto n\u00edvel, exemplar, de destaque, mesmo sem condi\u00e7\u00f5es de trabalho adequadas.<br \/>\nCom muita dificuldade tamb\u00e9m, e com apoio da Superintendente da \u00e9poca, conseguimos adequar uma sala de vel\u00f3rio como IML e uma casa (anteriormente ocupada pelas escriv\u00e3s, que gra\u00e7as a Deus casaram&#8230; ) como a sede de nosso NRPTC.<\/p>\n<p>Recebemos viaturas, APIS, computadores, pessoal&#8230;<\/p>\n<p>Hoje vivemos uma realidade muito diferente daquela. Hoje temos uma estrutura m\u00ednima de trabalho.<br \/>\nAp\u00f3s a emancipa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia T\u00e9cnico Cient\u00edfica muita coisa melhorou.<\/p>\n<p>Hoje sou M\u00e9dico Legista de Classe Especial. Nunca pensei chegar a tanto. Sou s\u00f3 um legistinha meia boca do interiorz\u00e3o de Goi\u00e1s. Mas fico emocionado. Fico feliz. Cheguei onde meu Pai estava. Tenho certeza que \u2013 dentro das minhas imensas limita\u00e7\u00f5es \u2013 honrei o nome desse Perito at\u00e9 hoje querido e lembrado, o Sr. Abner Menezes, meu saudoso pai. Sinto-me realmente muito feliz. N\u00e3o sei se algum dia servirei de exemplo a algu\u00e9m, como meu pai foi para mim, mas sinto hoje que todo o trabalho valeu a pena, t\u00e3o somente para poder homenage\u00e1-lo mantendo o seu nome vivo e em um n\u00edvel m\u00ednimo respeitado no servi\u00e7o pericial de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Sou m\u00e9dico legista de Classe Especial, filho e herdeiro de um Perito Criminal\u00edstico muito Especial, com e al\u00e9m da Classe. Com muita honra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comecei aos 13 anos. 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