Exposição “Manarairema – Arte Contemporânea em Goiás” é aberta em reinauguração do Muza
Coletiva reúne 24 artistas e inaugura nova fase do Museu Goiano Zoroastro Artiaga, na Praça Cívica. Investimento do Governo de Goiás e de R$ 6,6 milhões via Secult
O Museu Goiano Zoroastro Artiaga (Muza) retorna à cena cultural com a exposição temporária “Manarairema – Arte Contemporânea em Goiás” aberta oficialmente na manhã desta quarta-feira (11/3), junto à reinauguração do espaço. O prédio histórico e seu acervo original recebeu amplo processo de restauro iniciado em novembro de 2024 pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), com investimento de R$ 6,6 milhões do Tesouro Estadual.
A coletiva fica em cartaz até 17 de maio. Com coordenação de Melissa Alves e curadoria conjunta de Débora Duarte, Benedito Ferreira e Divino Sobral, Manarairema apresenta obras de 24 artistas representativos da produção recente no Estado: Abraão Veloso, André Felipe Cardoso, Cassia Nunes, Emilliano Freitas, Estêvão Parreiras, Evelyn Cruvinel, Fernanda Adamski, Gabriela Chaves, Genor Sales, Hariel Ravignet, Joardo Filho, Lina Cruvinel, Lucélia Maciel, Manuela Costa Silva, Mestre Guaraná, Rafael de Almeida, Raquel Rocha, Rebeca Miguel, Rei Souza, Talles Lopes, Thays Thyr, Valdson Ramos, Verônica Santana, Walter Pimentel, William Maia e Xica.
Inspirada no romance A Hora dos Ruminantes de José J. Veiga, a exposição propõe uma releitura crítica do passado e presente ao transformar o museu em espaço de experimentação e imaginação sensível.
Melissa Alves ressalta que a exposição, neste momento de reinauguração do Muza, é um marco. “Faz com que o museu cumpra a sua função social, principalmente, pensando que esse salão onde nós estamos hoje, vai ter uma exposição permanente e, futuramente, o salão do andar superior será palco de várias outras exposições”, avalia.
Divino Sobral explica que a conexão da coletiva, da obra de José J. Veiga e o Muza se dá em relação a todo o contexto histórico que perpassa o território goiano. “Não são tensões que se restringe somente a Goiás, somos um Estado que vem de uma ocupação desde o século XVIII, um lugar que recebe muitos fluxos de diversos lugares, desde sua origem, e Manarairema pensa o território goiano como um lugar de invenção. A gente tem aqui trabalho de artistas que cataloga mais de 40 municípios do Estado, temos a figura do boi, transitando e a natureza de forma muito poética”, contextualiza.
Curadora e também professora de literatura, Débora Duarte explica a vinculação da mostra de arte visual com a obra de José J. Vega como uma “necessidade, especificamente nessa exposição, que reúne, absolutamente, artistas contemporâneos e tornar o José J. Vega contemporâneo uma outra vez”.
Já o também curador adjunto de Manarairema, Benedito Ferreira, comentou sobre a multiplicidade da seleção dos artistas. “Temos aqui artistas de vários locais. A gente foi mapeando essa situação da cena artística contemporânea em Goiás. São artistas que desenvolvem várias obras em linguagens diferentes”, detalhou.
Idealizada pela Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes e pela Galeria Cerrado, orientando-se por princípios de equidade — 50% das obras são de artistas negros e brancos, igualmente divididas entre mulheres e homens — além de valorizar a contribuição de artistas negros e fortalecer conexões com o interior goiano.