

{"id":28732,"date":"2015-02-26T13:02:35","date_gmt":"2015-02-26T16:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/inovacao\/plano-diretor-transformacoes-na-sociedade-contemporanea\/"},"modified":"2015-02-26T13:02:35","modified_gmt":"2015-02-26T16:02:35","slug":"plano-diretor-transformacoes-na-sociedade-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/inovacao\/plano-diretor-transformacoes-na-sociedade-contemporanea\/","title":{"rendered":"Plano Diretor \u0096 Transforma\u00e7\u00f5es na Sociedade Contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"https:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\"><br \/>\n<html><body><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mudan&ccedil;as do capitalismo no final do s&eacute;culo XX ocasionaram altera&ccedil;&otilde;es significativas nas configura&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e geopol&iacute;ticas em n&iacute;vel mundial, recrudescendo a crise do Estado-Na&ccedil;&atilde;o pela intensifica&ccedil;&atilde;o de uma l&oacute;gica de acumula&ccedil;&atilde;o transnacional do capital pautado em novos processos de trabalho e h&aacute;bitos de consumo dinamizados por estruturas complexas. As &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX retrataram um processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva no capitalismo, indicando formas mais flex&iacute;veis e globalizadas no regime de acumula&ccedil;&atilde;o do capital. Novas formas de regula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m indicadas, destacando-se o papel das corpora&ccedil;&otilde;es internacionais e dos organismos multilaterais.<\/p>\n<div id=\"texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse cen&aacute;rio capitalista contempor&acirc;neo foram promovidos ajustes estruturais, em especial nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, al&eacute;m de reformas no Estado e na educa&ccedil;&atilde;o, quase sempre em sintonia com os organismos multilaterais e com as pol&iacute;ticas neoliberais, resultando na minimiza&ccedil;&atilde;o do papel do Estado no que se refere &agrave;s pol&iacute;ticas sociais e na redu&ccedil;&atilde;o da esfera p&uacute;blica e, conseq&uuml;ente, amplia&ccedil;&atilde;o da esfera privada. Tal din&acirc;mica ocasionou grande impacto no processo de reconfigura&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, uma vez que esta passou a ser vista como uma das formas de construir vantagens estruturais para a economia, podendo levar o pa&iacute;s a se tornar mais competitivo num mundo cada vez mais globalizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pol&iacute;ticas de ajustes estruturais implementadas na Am&eacute;rica Latina e, tamb&eacute;m, no Brasil enfatizaram, sobretudo: a) a desregulamenta&ccedil;&atilde;o estatal e privatiza&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os; b) a abertura externa; c) a libera&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os; d) a preval&ecirc;ncia da iniciativa privada; e) a redu&ccedil;&atilde;o das despesas e do d&eacute;ficit p&uacute;blicos; f) a flexibiliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es trabalhistas e a desformaliza&ccedil;&atilde;o e informaliza&ccedil;&atilde;o nos mercados de trabalho; g) os cortes dos gastos sociais, eliminando programas e reduzindo benef&iacute;cios; h) a redu&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais; i) os programas de descentraliza&ccedil;&atilde;o com incentivo aos processos de privatiza&ccedil;&atilde;o; j) a cobran&ccedil;a dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e remercantiliza&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios sociais; k) o arrocho salarial\/queda do sal&aacute;rio real; l) a desarticula&ccedil;&atilde;o da estrutura sindical, dentre outras pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas pol&iacute;ticas produziram efeitos substantivos na Am&eacute;rica Latina e no Brasil. O crescimento econ&ocirc;mico, a gera&ccedil;&atilde;o de empregos e a ado&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas sociais para redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais continuam a ser preteridas em nome da disciplina fiscal, do controle da infla&ccedil;&atilde;o e do pagamento de d&iacute;vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva do capitalismo global imp&otilde;e uma nova realidade para o s&eacute;culo XXI, qual seja, um novo padr&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es capital e trabalho em um cen&aacute;rio capitalista de competi&ccedil;&atilde;o globalizada. De um lado, formulam-se as bases de uma economia assentada na acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel e, de outro, a constitui&ccedil;&atilde;o de uma sociedade t&eacute;cnico-cient&iacute;fica-informacional ou sociedade do conhecimento, centrada na produ&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias e na rearticula&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o de processos organizacionais inovadores. Assim, a globaliza&ccedil;&atilde;o ou mundializa&ccedil;&atilde;o redesenham a geopol&iacute;tica mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal processo efetiva-se, em escala global, de maneira desigual e combinada onde os pa&iacute;ses centrais investem em ci&ecirc;ncia e tecnologia e os pa&iacute;ses em desenvolvimento, em sua maioria, desarticulam as bases tecnol&oacute;gicas existentes. De um modo geral, verifica-se o crescimento acentuado nos investimentos em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (C&amp;T), realizados pelos pa&iacute;ses membros do G7\/G8 (Grupo das sete na&ccedil;&otilde;es mais ricas e mais a R&uacute;ssia) e pelas empresas multinacionais que estabelecem estrat&eacute;gias de concorr&ecirc;ncia e formulam alian&ccedil;as de coopera&ccedil;&atilde;o objetivando ampliar o controle da produ&ccedil;&atilde;o e da difus&atilde;o do conhecimento no mundo. Isso vem ocorrendo, em larga medida, porque as tecnologias empregadas no processo produtivo permitem intensificar e ampliar a produ&ccedil;&atilde;o numa escala jamais imaginada anteriormente, contribuindo para o inevit&aacute;vel decl&iacute;nio dos empregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa nova realidade gera um processo de inser&ccedil;&atilde;o dependente ou de exclus&atilde;o tecnol&oacute;gica de pa&iacute;ses e regi&otilde;es que n&atilde;o interessam ao sistema produtor de mercadorias do capitalismo mundializado, al&eacute;m do crescimento assustador da valoriza&ccedil;&atilde;o do capital por meio da esfera financeira onde o dinheiro se reproduz sem passar pelo sistema produtivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente a esse cen&aacute;rio e contrariando a agenda internacional, compete aos pa&iacute;ses em desenvolvimento o investimento efetivo na gera&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e da tecnologia, na medida em que, na sociedade contempor&acirc;nea, o conhecimento, o saber e a ci&ecirc;ncia adquirem ideologicamente um papel mais destacado. Torna-se, cada vez mais, evidente que as altera&ccedil;&otilde;es em curso, pelas rela&ccedil;&otilde;es sociais capitalistas, apropriam-se do incremento tecnol&oacute;gico e, conseq&uuml;entemente, marcam a vida social pela t&eacute;cnica, pela informa&ccedil;&atilde;o e, para alguns inclu&iacute;dos, pelo conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, as mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, se entendidas como produto dos processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o capitalista, implicam em novas media&ccedil;&otilde;es no campo da educa&ccedil;&atilde;o. Verifica-se, nesse processo, que o novo paradigma produtivo requer, por um lado, maior flexibilidade funcional e um novo perfil de qualifica&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a humana de trabalho e, por outro, eleva&ccedil;&atilde;o da qualifica&ccedil;&atilde;o geral que garanta consumo mais especializado, ou seja, adequado aos servi&ccedil;os e bens produzidos no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o produtiva. H&aacute;, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, uma crescente demanda por qualifica&ccedil;&atilde;o nova e mais elevada do trabalhador e do consumidor, assim como por educa&ccedil;&atilde;o mais elevada, mais flex&iacute;vel, mais polivalente e formadora de novas habilidades cognitivas e compet&ecirc;ncias sociais e pessoais, al&eacute;m de bom dom&iacute;nio de linguagem oral e escrita, conhecimentos cient&iacute;ficos b&aacute;sicos e inicia&ccedil;&atilde;o nas linguagens da inform&aacute;tica. Isto se d&aacute; ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade, a efici&ecirc;ncia e a qualidade de servi&ccedil;os e produtos com uma crescente diminui&ccedil;&atilde;o dos postos de trabalho e do emprego da for&ccedil;a de trabalho nos processos produtivos. Essas altera&ccedil;&otilde;es no mundo do trabalho e da produ&ccedil;&atilde;o passam a interferir, sobremaneira, nas pol&iacute;ticas educacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; nesse cen&aacute;rio que o governo brasileiro vem reformulando o Estado e implementando suas pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas e educacionais de ajuste, ou seja, diretrizes e medidas pelas quais o pa&iacute;s se moderniza, adquire as condi&ccedil;&otilde;es de inser&ccedil;&atilde;o na globaliza&ccedil;&atilde;o e, assim, ajusta-se &agrave;s exig&ecirc;ncias de globaliza&ccedil;&atilde;o da economia estabelecidas pelas institui&ccedil;&otilde;es financeiras e corpora&ccedil;&otilde;es internacionais. De um modo geral, faz-se presente, em todas essas pol&iacute;ticas, o discurso da moderniza&ccedil;&atilde;o educativa, diversifica&ccedil;&atilde;o, flexibilidade, competitividade, produtividade, efici&ecirc;ncia e qualidade dos sistemas educativos, da escola e do ensino, tendo sempre presentes as demandas e exig&ecirc;ncias do mercado. Debate-se, ainda, como incluir mais rapidamente o pa&iacute;s no processo global de desenvolvimento em C&amp;T, procurando amenizar os fatores negativos presentes nos processos de inser&ccedil;&atilde;o dependente ou de exclus&atilde;o tecnol&oacute;gica que atingem os pa&iacute;ses que ficam &agrave; margem desse desenvolvimento.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan&ccedil;as do capitalismo no final do s&eacute;culo XX ocasionaram altera&ccedil;&otilde;es significativas nas configura&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e geopol&iacute;ticas em n&iacute;vel mundial, recrudescendo a crise do Estado-Na&ccedil;&atilde;o pela intensifica&ccedil;&atilde;o de uma l&oacute;gica de acumula&ccedil;&atilde;o transnacional do capital pautado em novos processos de trabalho e h&aacute;bitos de consumo dinamizados por estruturas complexas. 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