
{"id":10747,"date":"2021-03-02T09:00:00","date_gmt":"2021-03-02T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/imb\/pesquisadores-mapeia-clareiras-na-amazonia\/"},"modified":"2021-03-02T09:00:00","modified_gmt":"2021-03-02T12:00:00","slug":"pesquisadores-mapeia-clareiras-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/pesquisadores-mapeia-clareiras-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Pesquisadores usam tecnologia laser para mapear clareiras na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Os dados, coletados por meio da t\u00e9cnica LiDAR (sigla em ingl\u00eas para Light Detection and Ranging), permitiram analisar lugares long\u00ednquos na Amaz\u00f4nia brasileira<\/p>\n<p><strong>Por MundoGEO<\/strong><\/p>\n<p>17\/02\/21 16h27<\/p>\n<p>Usando um modelo inovador, um grupo de pesquisadores, liderados por brasileiros, conseguiu mapear clareiras na Amaz\u00f4nia e apontar fatores que contribuem para a mortalidade das \u00e1rvores na maior e mais biodiversa floresta tropical do mundo. O estresse h\u00eddrico, a fertilidade do solo e a degrada\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o influenciam na din\u00e2mica dessas clareiras, segundo estudo publicado na&nbsp;<em>Scientific Reports<\/em>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1reas mais f\u00e9rteis, o trabalho detectou que elas concentram esses&nbsp;<em>gaps<\/em>&nbsp;de vegeta\u00e7\u00e3o. Uma das explica\u00e7\u00f5es seria o fato de o abundante material org\u00e2nico contribuir para o r\u00e1pido crescimento das \u00e1rvores, com uma mortalidade em menor tempo.<\/p>\n<p>Os dados, coletados por meio da t\u00e9cnica LiDAR (sigla em ingl\u00eas para&nbsp;<em>Light Detection and Ranging<\/em>), permitiram analisar lugares long\u00ednquos na Amaz\u00f4nia brasileira, onde os trabalhos de campo s\u00e3o muito dif\u00edceis e as imagens de sat\u00e9lite podem ser imprecisas, principalmente por causa da grande quantidade de nuvens.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica consiste em lan\u00e7ar de um avi\u00e3o milhares de feixes de laser, que acertam a superf\u00edcie da terra (seja floresta ou solo) e retornam para o equipamento na velocidade da luz. \u00c9 poss\u00edvel determinar a altura dos objetos por meio da diferen\u00e7a de tempo entre o disparo e o recebimento do feixe.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo chega a fornecer dados com precis\u00e3o de cerca de um metro, permitindo mapear as clareiras com muito detalhamento. Por isso, o LiDAR \u00e9 utilizado, por exemplo, em levantamentos topogr\u00e1ficos e para caracterizar a estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o, sendo capaz de modelar tridimensionalmente a superf\u00edcie do terreno.<\/p>\n<p>\u201cAs regi\u00f5es oeste e sudeste da Amaz\u00f4nia apresentaram maior quantidade de clareiras, que coincidem com a \u00e1rea pr\u00f3xima ao arco do desmatamento, sob influ\u00eancia humana. Nessas regi\u00f5es, a din\u00e2mica da floresta \u00e9 at\u00e9 35% mais r\u00e1pida do que na \u00e1rea central-leste e norte, ou seja, h\u00e1 maior cria\u00e7\u00e3o de clareiras e mortalidade\u201d, analisa&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/683174\/ricardo-dalagnol-da-silva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ricardo Dal\u2019Agnol<\/a><\/strong>. Pesquisador na Divis\u00e3o de Observa\u00e7\u00e3o da Terra e Geoinform\u00e1tica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Dal\u2019Agnol \u00e9 o primeiro autor do artigo&nbsp;<em>Large-scale variations in the dynamics of Amazon forest canopy gaps from airborne lidar data and opportunities for tree mortality estimates<\/em>.<\/p>\n<p>Na pesquisa, realizada com o&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/164342\/avaliacao-do-impacto-de-mudancas-climaticas-sobre-a-dinamica-de-biomassa-e-carbono-na-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoio<\/a><\/strong>&nbsp;da FAPESP, os cientistas usaram um banco de dados com mais de 600 sobrevoos feitos sobre a floresta como parte do projeto Estimativa de Biomassa na Amaz\u00f4nia (EBA), do Inpe, liderado pelo cientista Jean Ometto, tamb\u00e9m um dos integrantes do grupo que assina o artigo.<\/p>\n<p>O objetivo do EBA foi quantificar a biomassa e o carbono na Amaz\u00f4nia, buscando entender a din\u00e2mica da vegeta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Os mapas desenvolvidos no projeto do Inpe podem servir de ferramenta para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, invent\u00e1rios de emiss\u00f5es e estimativas de balan\u00e7o de carbono.<\/p>\n<p><strong>Sequestro de carbono<\/strong><\/p>\n<p>Florestas, especialmente as tropicais, s\u00e3o consideradas um dos maiores reservat\u00f3rios de biomassa terrestre. Isso porque as \u00e1rvores precisam de uma grande quantidade de CO2 para se desenvolver na fase de crescimento.<\/p>\n<p>Portanto, mudan\u00e7as no funcionamento das florestas e na mortalidade da vegeta\u00e7\u00e3o podem alterar significativamente os n\u00edveis de gases de efeito estufa na atmosfera. T\u00eam ainda impacto direto no mercado de compra e venda de cr\u00e9ditos de excedentes de emiss\u00f5es de CO2, o chamado \u201cmercado de carbono\u201d, que est\u00e1 em implanta\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses ap\u00f3s sua regula\u00e7\u00e3o ter sido inclu\u00edda no Acordo de Paris, um marco na pol\u00edtica ambiental mundial.<\/p>\n<p>Em 2019, as emiss\u00f5es de gases-estufa no Brasil subiram 9,6% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, puxadas pelo desmatamento na Amaz\u00f4nia. Naquele ano, o pa\u00eds lan\u00e7ou 2,17 bilh\u00f5es de toneladas brutas de di\u00f3xido de carbono equivalente (tCO2e) na atmosfera contra 1,98 bilh\u00e3o em 2018, revertendo tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o registrada em anos anteriores. Os dados s\u00e3o do&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wpcontent\/uploads\/2020\/11\/OC_RelatorioSEEG2020_final.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio<\/a><\/strong>&nbsp;do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG).<\/p>\n<p>\u201cAs incertezas associadas \u00e0s causas e mecanismos de mortalidade de \u00e1rvores, especialmente em escalas menores, restringem a capacidade de medir com precis\u00e3o o ciclo de carbono da floresta tropical e avaliar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A mortalidade de \u00e1rvores na Amaz\u00f4nia aparentemente aumentou desde a \u00faltima d\u00e9cada, provavelmente devido \u00e0 maior variabilidade clim\u00e1tica e&nbsp;<em>feedbacks<\/em>&nbsp;de crescimento e morte mais r\u00e1pidos. Isso reduziu efetivamente os ciclos de vida da vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, escrevem os pesquisadores na introdu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na&nbsp;<em>Scientific Reports<\/em>.<\/p>\n<p>Outros estudos feitos nos \u00faltimos anos j\u00e1 apontam a influ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, principalmente de temperaturas altas e climas mais secos, na mortalidade de \u00e1rvores em florestas tropicais. Um dos&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/117\/52\/33358\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalhos<\/a><\/strong>&nbsp;mais recentes, tamb\u00e9m liderado por pesquisadores brasileiros, foi publicado na revista&nbsp;<em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em>&nbsp;(PNAS), da Academia Norte-Americana de Ci\u00eancias, em dezembro (<em>leia mais em&nbsp;<\/em><strong><em><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/34838\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">agencia.fapesp.br\/34838\/<\/a><\/em><\/strong>).<\/p>\n<p><strong>Futuro<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>, Dal\u2019Agnol disse que um dos desafios agora ser\u00e1 mapear as \u00e1rvores que morrem em p\u00e9 para obter mais dados sobre a din\u00e2mica da floresta. \u201cAlgumas \u00e1rvores morrem e n\u00e3o caem, ficando apenas com os troncos, como um esqueleto. Uma sequ\u00eancia seria tentar mapear essas \u00e1rvores mortas em p\u00e9 para complementar as informa\u00e7\u00f5es sobre mortalidade\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>No estudo, os cientistas apontaram que os padr\u00f5es espaciais mapeados nas clareiras usando dados gerados pelo LiDAR foram \u201cnotavelmente consistentes com as taxas de mortalidade das \u00e1rvores baseadas em campo\u201d, contudo apresentaram taxas gerais 60% mais baixas, \u201cprovavelmente devido \u00e0 detec\u00e7\u00e3o predominante de \u00e1rvores quebradas, arrancadas e que abrem clareiras\u201d.<\/p>\n<p>Agora, tamb\u00e9m com o&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/en\/bolsas\/192474\/quantifying-tree-mortality-with-lasers-using-a-state-of-the-art-model-data-fusion-approach-to-estim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoio<\/a><\/strong>&nbsp;da FAPESP, Dal\u2019Agnol est\u00e1 trabalhando em seu p\u00f3s-doutorado usando a t\u00e9cnica LiDAR para quantificar a mortalidade das \u00e1rvores e estimar a perda de biomassa em florestas tropicais. O projeto tem a coordena\u00e7\u00e3o do pesquisador&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/669035\/luiz-eduardo-oliveira-e-cruz-de-aragao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Arag\u00e3o<\/a><\/strong>, coautor do artigo.<\/p>\n<p><em>Large-scale variations in the dynamics of Amazon forest canopy gaps from airborne lidar data and opportunities for tree mortality estimates<\/em>&nbsp;est\u00e1 dispon\u00edvel em:&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-020-80809-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.nature.com\/articles\/s41598-020-80809-w<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a><\/strong>&nbsp;de acordo com a&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a><\/strong>. Leia o&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/laser-mapeia-clareiras-na-amazonia-e-auxilia-estudos-sobre-mortalidade-das-arvores\/35190\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">original aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n<h1>Fonte da mat\u00e9ria: https:\/\/mundogeo.com\/2021\/02\/17\/pesquisadores-usam-tecnologia-laser-para-mapeaPesquisadores da Embrapa geram mapas de \u00e1reas suscet\u00edveis e vulner\u00e1veis \u00e0 eros\u00e3o.<\/h1>\n<p><span><span><span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dados, coletados por meio da t\u00e9cnica LiDAR (sigla em ingl\u00eas para Light Detection and Ranging), permitiram analisar lugares long\u00ednquos na Amaz\u00f4nia brasileira Por MundoGEO 17\/02\/21 16h27 Usando um modelo inovador, um grupo de pesquisadores, liderados por brasileiros, conseguiu mapear clareiras na Amaz\u00f4nia e apontar fatores que contribuem para a mortalidade das \u00e1rvores na maior [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":473,"featured_media":10746,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[752],"tags":[],"class_list":["post-10747","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sieg-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c.jpg",220,113,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c.jpg",220,113,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c.jpg",220,113,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c-150x113.jpg",150,113,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c.jpg",220,113,false],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c.jpg",220,113,false],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c.jpg",220,113,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/03\/mapeamento-das-clareiras-da-amazonia-com-laser1-61c.jpg",220,113,false]},"rttpg_author":{"display_name":"williansilva","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/author\/williansilva\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/categoria\/sieg\/sieg-noticias\/\" rel=\"category tag\">SIEG - Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"Os dados, coletados por meio da t\u00e9cnica LiDAR (sigla em ingl\u00eas para Light Detection and Ranging), permitiram analisar lugares long\u00ednquos na Amaz\u00f4nia brasileira Por MundoGEO 17\/02\/21 16h27 Usando um modelo inovador, um grupo de pesquisadores, liderados por brasileiros, conseguiu mapear clareiras na Amaz\u00f4nia e apontar fatores que contribuem para a mortalidade das \u00e1rvores na maior&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/473"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10747"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10747\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/imb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}