

{"id":36149,"date":"2023-07-07T09:15:53","date_gmt":"2023-07-07T12:15:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fapeg.go.gov.br\/?p=36149"},"modified":"2023-07-07T09:19:16","modified_gmt":"2023-07-07T12:19:16","slug":"com-apoio-da-fapeg-pesquisadores-publicam-e-book-sobre-biodiversidade-e-sistema-agroflorestal-no-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/com-apoio-da-fapeg-pesquisadores-publicam-e-book-sobre-biodiversidade-e-sistema-agroflorestal-no-cerrado\/","title":{"rendered":"Com apoio da Fapeg, pesquisadores publicam e-book sobre biodiversidade e sistema agroflorestal no Cerrado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/fb538619-90cf-4783-b672-d648975b75c8.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-36150\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/fb538619-90cf-4783-b672-d648975b75c8.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"353\" \/><\/a><\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade n\u00e3o \u00e9 mais um tema para ser apenas discutido. A\u00e7\u00f5es e atitudes s\u00e3o necessidades urgentes frente \u00e0s mudan\u00e7as que v\u00eam ocorrendo ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo e que t\u00eam provocado polui\u00e7\u00e3o do ar e da \u00e1gua, al\u00e9m de fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats naturais, comprometendo a persist\u00eancia de v\u00e1rias esp\u00e9cies no planeta. Somado a tudo isso, lacunas de conhecimento a respeito da diversidade e da distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies t\u00eam preocupado cientistas que n\u00e3o sabem quantas nem quais esp\u00e9cies existem em muitas regi\u00f5es, o que dificulta o planejamento de a\u00e7\u00f5es adequadas de conserva\u00e7\u00e3o e manejo.<\/p>\n<p>Levando em considera\u00e7\u00e3o estas lacunas, a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Goi\u00e1s (Fapeg) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) financiam estudos e pesquisas como os Programas de Pesquisa Ecol\u00f3gica de Longa Dura\u00e7\u00e3o (PELDs) em territ\u00f3rios situados no estado de Goi\u00e1s. Um dos resultados deste apoio a pesquisas nesta \u00e1rea foi o lan\u00e7amento, no \u00faltimo dia 26, do e-book intitulado \u201cBiodiversidade associada a um sistema agroflorestal no Cerrado.\u201d<\/p>\n<p>O material de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi produzido por meio de parceria entre pesquisadores do PELD EBMN &#8211; Biodiversidade em Paisagens Fragmentadas (Universidade Federal de Goi\u00e1s, IF Goiano\/Campus Rio Verde, UniRV), e PELD CEMA \u2013 Cerrado e Mata Atl\u00e2ntica \u00a0(Universidade Federal de Jata\u00ed), com os propriet\u00e1rios da Fazenda Mata Lobo, em Rio Verde\/GO, que se destaca na regi\u00e3o sudoeste de Goi\u00e1s e em todo o Cerrado pela ado\u00e7\u00e3o de um sistema agroflorestal, intercalando esp\u00e9cies arb\u00f3reas (cobertura florestal) e agr\u00edcolas, para a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. No e-book constam quais esp\u00e9cies de anf\u00edbios, mam\u00edferos e plantas lenhosas ocorrem nas \u00e1reas de estudos dos dois PELDS, na regi\u00e3o de Rio Verde.<\/p>\n<p>Segundo o professor doutor Alessandro Ribeiro de Morais, do Laborat\u00f3rio de Ecologia, Evolu\u00e7\u00e3o e Sistem\u00e1tica de Vertebrados (LEESV) do Instituto Federal Goiano campus Rio Verde, um dos coordenadores do PELD EBMN, o e-book foi dividido nos seguintes cap\u00edtulos: Fazenda Mata do Lobo: uma experi\u00eancia de agrofloresta no bioma Cerrado; Os sapos, as r\u00e3s e as pererecas: diversidade, ecologia e conserva\u00e7\u00e3o; Armadilhas fotogr\u00e1ficas ajudam a desvendar a vida secreta dos mam\u00edferos de m\u00e9dio e grande porte; Roedores e marsupiais da Mata do Lobo, sudoeste de Goi\u00e1s: reduzindo lacunas de conhecimento sobre a diversidade de pequenos mam\u00edferos; Esp\u00e9cies arb\u00f3reas: ampliando o conhecimento sobre as forma\u00e7\u00f5es florestais no cerrado; e Uso econ\u00f4mico sustent\u00e1vel em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente e reserva legal.<\/p>\n<p>O professor alerta sobre a necessidade de se investir em pesquisas aplicadas, mas tamb\u00e9m em pesquisas b\u00e1sicas. Ele explica que, muitas das lacunas de conhecimento a respeito da biodiversidade podem ser preenchidas a partir da pesquisa b\u00e1sica, como por exemplo, amostragem de esp\u00e9cies em \u00e1reas subamostradas e n\u00e3o amostradas previamente. Para ele, o conhecimento b\u00e1sico \u00e9 essencial para a supera\u00e7\u00e3o de desafios como a concilia\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. No Cerrado, explica ele, a realidade vem sendo alterada em grandes propor\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas d\u00e9cadas e n\u00e3o se sabe como a maioria das esp\u00e9cies nativas tem respondido a estas altera\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas. Considerando esta lacuna, os pesquisadores, de diferentes \u00e1reas do conhecimento (agronomia, bot\u00e2nica, ecologia, zoologia e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica) se juntaram neste trabalho para apresentar informa\u00e7\u00f5es a respeito da biodiversidade associada a um sistema agroflorestal do Cerrado privado que adota boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e que contribui de modo significativo para a conserva\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p><strong>A fazenda<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_36172\" aria-describedby=\"caption-attachment-36172\" style=\"width: 312px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/608ff4b2-00b1-4373-b6ce-3c81d2ed7fcc.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-36172\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/608ff4b2-00b1-4373-b6ce-3c81d2ed7fcc.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"208\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36172\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sistema agroflorestal da Fazenda Mata do Lobo. Foto do e-book<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A fazenda Mata do Lobo, em Rio Verde, est\u00e1 completamente inserida no bioma Cerrado. Ela \u00e9 de propriedade de Luiz Henrique Meireles Vasconcelos, que \u00e9 agr\u00f4nomo e agricultor com atua\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o h\u00e1 mais de 30 anos. A principal atividade desenvolvida na fazenda \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os (soja e milho, em uma \u00e1rea de 2,300 mil hectares), mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma granja com 12 mil su\u00ednos em fase de termina\u00e7\u00e3o e uma agro\ufb02oresta, implantada seguindo princ\u00edpios, pr\u00e1ticas e manejos de agricultura sintr\u00f3pica, para \ufb01ns de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Um dos objetivos da fazenda \u00e9 conciliar produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>Atualmente, a agro\ufb02oresta implantada abrange 30 hectares e \u00e9 entendida como uma \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o dentro da propriedade, pois possibilitou a transforma\u00e7\u00e3o do manejo realizado nas \u00e1reas de monocultura ao mudar a percep\u00e7\u00e3o dos ambientes produtivos e suas rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. A agricultura sintr\u00f3pica pode ser resumida como um complexo sistema agr\u00edcola baseado em processos ao inv\u00e9s de insumos. Os processos providenciados pela \ufb02oresta atuam para que seja poss\u00edvel alcan\u00e7ar independ\u00eancia total em rela\u00e7\u00e3o ao uso de fertilizantes e pesticidas.<\/p>\n<p><strong>Sapos, r\u00e3s e pererecas<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_36151\" aria-describedby=\"caption-attachment-36151\" style=\"width: 321px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/Leptodactylus-mystacinus.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-36151\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/Leptodactylus-mystacinus.jpg\" alt=\"\" width=\"321\" height=\"214\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36151\" class=\"wp-caption-text\"><em>Leptodactylus mystacinus<\/em> Foto: Werther P. Ramalho<\/figcaption><\/figure>\n<p>A anurofauna da fazenda Mata do Lobo foi estudada entre os anos de 2019 e 2023. Os trabalhos de campo foram conduzidos durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa do Cerrado (outubro a mar\u00e7o), pois \u00e9 nesse per\u00edodo em que h\u00e1 maior n\u00famero de esp\u00e9cies em atividade. Para a amostragem das esp\u00e9cies foram selecionados cinco corpos d\u2019\u00e1gua entre brejos, lagoas, represas. Alguns dos locais de amostragem s\u00e3o adjacentes ao sistema agro\ufb02orestal da fazenda Mata do Lobo. A anurofauna foi amostrada por meio de metodologias complementares, tais como a busca ativa em s\u00edtios reprodutivos e o monitoramento ac\u00fastico passivo.<\/p>\n<p>O trabalho possibilitou o registro de 30 esp\u00e9cies de anf\u00edbios anuros, o que representa cerca de 27% das esp\u00e9cies previamente conhecidas para o estado de Goi\u00e1s e cerca de 12% daquelas que s\u00e3o encontradas no Cerrado. O professor Alessandro explica que os anf\u00edbios s\u00e3o os vertebrados mais amea\u00e7ados do planeta e as principais amea\u00e7as a esses animais s\u00e3o a perda e fragmenta\u00e7\u00e3o dos habitats naturais, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, as doen\u00e7as (quitridiomicose), a polui\u00e7\u00e3o e a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras. Apesar desse cen\u00e1rio, nenhuma das esp\u00e9cies registradas encontra-se amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o de acordo com as listas vermelhas do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) e da Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN). Por outro lado, 11 (36,6%) das 30 esp\u00e9cies registradas nesse estudo s\u00e3o end\u00eamicas do Cerrado, ou seja, a destrui\u00e7\u00e3o desse bioma compromete a persist\u00eancia dessas esp\u00e9cies ao longo do tempo.<\/p>\n<p><strong>Armadilhas fotogr\u00e1ficas \u2013 mam\u00edferos de m\u00e9dio e grande porte<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_36173\" aria-describedby=\"caption-attachment-36173\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/ce420c79-dad2-4c8e-9741-caf1965eea42.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-36173\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/ce420c79-dad2-4c8e-9741-caf1965eea42.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"380\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36173\" class=\"wp-caption-text\"><em>Instala\u00e7\u00e3o de armadilhas fotogr\u00e1ficas em um fragmento florestal na fazenda Mata do Lobo.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Tamb\u00e9m chamados de mastofauna, os mam\u00edferos registrados no Cerrado constam de 251 esp\u00e9cies, com 191 delas em Goi\u00e1s, sendo 45 esp\u00e9cies de mam\u00edferos terrestres de m\u00e9dio e grande porte. Para se ter uma melhor dimens\u00e3o do impacto de atividades antr\u00f3picas sobre as popula\u00e7\u00f5es desses animais no estado \u00e9 necess\u00e1rio identificar, principalmente, a \u00e1rea de ocorr\u00eancia e n\u00fameros de indiv\u00edduos. A forma de fazer isso \u00e9 por meio de invent\u00e1rios em \u00e1reas com elevada diversidade e intensa atividade humana, e a Fazenda Mata do Lobo, no munic\u00edpio de Rio Verde, foi escolhida, segundo o professor Alessandro, por vir ao encontro de estudos realizados em diversas parte do mundo que encontraram evid\u00eancias de que os sistemas agroflorestais podem contribuir com a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade e dos processos ecossist\u00eamicos. Os pesquisadores buscaram, ent\u00e3o, identificar e caracterizar a mastofauna de m\u00e9dio e grande porte ocorrendo nos diferentes ambientes da fazenda.<\/p>\n<p>Os registros foram feitos por meio do uso de armadilhas fotogr\u00e1ficas, cujas c\u00e2meras possuem sensores de movimento e calor que s\u00e3o ativados quando algum animal entra na \u00e1rea de alcance do equipamento. As armadilhas foram instaladas em \u00e1rvores e espalhadas por seis s\u00edtios amostrais distribu\u00eddos pela \u00e1rea das propriedades de modo a abrangerem diferentes tipos de vegeta\u00e7\u00e3o ali presentes. Os trabalhos de campo revelaram a ocorr\u00eancia de 20 esp\u00e9cies de mam\u00edferos terrestres de m\u00e9dio e grande porte destacando-se os registros de quatro esp\u00e9cies indicadas como vulner\u00e1veis nas listas vermelhas de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o da IUCN e\/ou do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente: gato-maracaj\u00e1 (<em>Leopardus cf. wiedii<\/em>), tatu-canastra (<em>Priodontes maximus<\/em>), anta (<em>Tapirus terrestres<\/em>) e tamandu\u00e1-bandeira (<em>Myrmecophaga tridactyla<\/em>).<\/p>\n<figure id=\"attachment_36175\" aria-describedby=\"caption-attachment-36175\" style=\"width: 452px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/filhote-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-36175\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/filhote-1.png\" alt=\"\" width=\"452\" height=\"256\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36175\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto capturada das c\u00e2meras instaladas na fazenda<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>As demais esp\u00e9cies encontradas n\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Os pesquisadores explicam que, para que essas esp\u00e9cies ocorram em um determinado local, \u00e9 necess\u00e1rio que os remanescentes cumpram alguns requisitos e ainda apresentem um n\u00edvel razo\u00e1vel de preserva\u00e7\u00e3o. Isso sugere que os fragmentos na regi\u00e3o da Mata do Lobo re\u00fanem essas condi\u00e7\u00f5es, suportando popula\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis desses animais. Essa conclus\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelos registros de adultos acompanhados de \ufb01lhotes em diferentes est\u00e1gios de desenvolvimento, indicando que os animais conseguem permanecer no local e reproduzir.<\/p>\n<p><strong>Pequenos mam\u00edferos<\/strong><\/p>\n<p>Os pequenos mam\u00edferos fornecem importantes servi\u00e7os ecossist\u00eamicos como o controle de popula\u00e7\u00f5es de gram\u00edneas, plantas daninhas, insetos, escorpi\u00f5es, entre outros invertebrados, e atuam como polinizadores e\/ou dispersores de sementes. Os pesquisadores entendem que esses animais podem ser considerados bons modelos para avaliar os impactos das modi\ufb01ca\u00e7\u00f5es dos ambientes, uma vez que apresentam ciclo de vida curto, consider\u00e1vel variedade de h\u00e1bitos alimentares e de estrat\u00e9gias reprodutivas, al\u00e9m de n\u00edveis diferenciados de sensibilidade \u00e0s modi\ufb01ca\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas no meio ambiente.<\/p>\n<p>A amostragem dos pequenos mam\u00edferos n\u00e3o voadores (roedores e marsupiais) foi realizada com o aux\u00edlio de pequenas gaiolas que capturam o animal vivo. Das sete esp\u00e9cies de pequenos mam\u00edferos e os respectivos n\u00fameros de cromossomos observados durante as an\u00e1lises citogen\u00e9ticas realizadas nos exemplares coletados, quatro s\u00e3o roedores (<em>Rodentia<\/em>) e as outras tr\u00eas esp\u00e9cies s\u00e3o marsupiais (<em>Didelphi-morphia<\/em>). Todas as esp\u00e9cies registradas costumam ser abundantes e amplamente distribu\u00eddas no Cerrado e nos demais biomas brasileiros, sendo classi\ufb01cadas como \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o menor \u201d nas listas de esp\u00e9cies amea\u00e7adas da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Essas esp\u00e9cies podem ser importantes fontes de alimento para predadores como o gato do mato, jaguatirica, lobo guar\u00e1, dentre outros, viabilizando a presen\u00e7a e a manuten\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis na Mata do Lobo e regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Esp\u00e9cies arb\u00f3reas<\/strong><\/p>\n<p>Dentre todas as savanas mundiais, o Cerrado det\u00e9m a de maior biodiversidade, n\u00e3o s\u00f3 devido \u00e0 sua extens\u00e3o geogr\u00e1\ufb01ca, mas principalmente pelas vastas faixas de transi\u00e7\u00e3o com os outros biomas brasileiros, exceto o Pampa, no sul do pa\u00eds. Segundo informa\u00e7\u00f5es do e-book, \u201dapesar de sua grande import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, em termos de biodiversidade e endemismos, e na presta\u00e7\u00e3o de outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, infelizmente, o Cerrado vem passando por s\u00e9rias amea\u00e7as, como queimadas constantes, desmatamento, ca\u00e7a, entre outros. No sudoeste goiano essa realidade \u00e9 not\u00f3ria e h\u00e1 d\u00e9cadas o Cerrado vem perdendo espa\u00e7o para \u00e1reas urbanas e principalmente lavouras. As unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o inexpressivas na regi\u00e3o e as \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente e de reserva legal nas propriedades particulares, em geral passam por algum tipo de interven\u00e7\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36176\" aria-describedby=\"caption-attachment-36176\" style=\"width: 356px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/Prancha-Botanica.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-36176\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/Prancha-Botanica.png\" alt=\"\" width=\"356\" height=\"237\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36176\" class=\"wp-caption-text\"><em>Equipes em campanhas de campo executando marca\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores e herboriza\u00e7\u00e3o de plantas. Foto do e-book<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo os pesquisadores, os estudos sobre a \ufb02ora nativa s\u00e3o importantes para ampliar o conhecimento ecol\u00f3gico e distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nos ecossistemas naturais. Tamb\u00e9m podem gerar informa\u00e7\u00f5es sobre o estado de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e dos fragmentos \ufb02orestais, frente \u00e0 expans\u00e3o da agricultura no Cerrado brasileiro e, especialmente, no sudoeste goiano. \u201cEssas quest\u00f5es nos instigaram a apresentar ao p\u00fablico um pouco das caracter\u00edsticas da vegeta\u00e7\u00e3o nativa dos ambientes de reserva legal (\ufb02orestas estacionais semideciduais) e de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente (\ufb02orestas de galeria) de uma propriedade rural em Rio Verde, estado de Goi\u00e1s&#8221;.<\/p>\n<p>Embora as principais plantas relatadas no estudo n\u00e3o se encontrem amea\u00e7adas, a pesquisa exalta a import\u00e2ncia dos fragmentos de \ufb02orestas semideciduais e \ufb02orestas de galeria, os quais se encontram isolados em matriz agropecu\u00e1ria e s\u00e3o importantes corredores ecol\u00f3gicos conectando ecossistemas diversos no Cerrado. O estudo registrou uma elevada diversidade de esp\u00e9cies arb\u00f3reas, o que segundo os pesquisadores, re\ufb02ete na funcionalidade ecossist\u00eamica, mostrando a complexidade de intera\u00e7\u00f5es que estas esp\u00e9cies da \ufb02ora apresentam com a fauna silvestre. O estudo, segundo os pesquisadores, fornece, ainda, subs\u00eddios para indicar esp\u00e9cies de plantas apropriadas para recuperar ambientes degradados na regi\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo a inser\u00e7\u00e3o delas em sistemas agro\ufb02orestais, existentes na pr\u00f3pria fazenda Mata do Lobo.<\/p>\n<p>No e-book, os pesquisadores concluem que, \u201cQuanto mais a\u00e7\u00f5es cient\u00ed\ufb01cas divulgando que \u00e9 poss\u00edvel conciliar produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, maiores ser\u00e3o as chances de mudar o paradigma criado pelo modelo do uso convencional do solo nas \u00e1reas protegidas e\/ou destinadas a auxiliar a conserva\u00e7\u00e3o nos im\u00f3veis rurais. \u00c9 not\u00f3ria a exist\u00eancia do paradigma do uso agrossilvipastorial nas \u00e1reas consolidadas, at\u00e9 mesmo porque a legisla\u00e7\u00e3o ambiental veio regularizar este modelo. Portanto, \u00e9 importante levar ao conhecimento do propriet\u00e1rio ou possuidor do im\u00f3vel rural que, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira ampara o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais nas \u00e1reas de reserva legal e nas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente consolidadas. Para esta \u00faltima, a parcela de \u00e1rea cujo uso agrossilvipastoril \u00e9 mantido deixa de promover importantes fun\u00e7\u00f5es ambientais que bene\ufb01ciariam o pr\u00f3prio im\u00f3vel rural e as adjac\u00eancias. No entanto, ao pensar em um modelo de produ\u00e7\u00e3o para estas \u00e1reas, que concilie esp\u00e9cies produtivas ex\u00f3ticas com esp\u00e9cies nativas, o produtor ter\u00e1 retorno econ\u00f4mico concomitante \u00e0 melhoria da conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais de sua propriedade rural\u201d.<\/p>\n<p>Download do e-book ( <a href=\"https:\/\/www.projetoebmn.com\/publicacoes\">https:\/\/www.projetoebmn.com\/publicacoes<\/a>)<\/p>\n<p>Helenice Ferreira, da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Setorial<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade n\u00e3o \u00e9 mais um tema para ser apenas discutido. 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