{"id":35247,"date":"2023-02-13T17:33:02","date_gmt":"2023-02-13T20:33:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fapeg.go.gov.br\/?p=35247"},"modified":"2023-02-13T17:36:25","modified_gmt":"2023-02-13T20:36:25","slug":"racismo-contra-povos-indigenas-e-foco-de-tese-premiada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/racismo-contra-povos-indigenas-e-foco-de-tese-premiada\/","title":{"rendered":"Racismo contra povos ind\u00edgenas \u00e9 foco de tese premiada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>A pesquisa de campo contou com apoio da Pr\u00f3-Reitoria de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa (Prope) da PUC Goi\u00e1s. A tese de doutorado sandu\u00edche, subsidiada com bolsa da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Goi\u00e1s (Fapeg), foi defendida pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da UFG, com orienta\u00e7\u00e3o da Profa. Dra. Janine Helfst Leicht Colla\u00e7o<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_35248\" aria-describedby=\"caption-attachment-35248\" style=\"width: 428px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/02\/230207-prof.-marcos-tese-de-doutorado-indigenas-wc-9-1155x770-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-35248\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/02\/230207-prof.-marcos-tese-de-doutorado-indigenas-wc-9-1155x770-1.jpg\" alt=\"\" width=\"428\" height=\"285\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35248\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Wesley Cruz<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na caminhada cient\u00edfica, um objeto de estudo pode motivar outras pesquisas e conectar fronteiras. No caso do professor Marcos Henrique Barbosa Ferreira (IGPA\/PUC Goi\u00e1s), o interesse em investigar a segrega\u00e7\u00e3o espacial combinada ao racismo inspirou uma pesquisa de campo realizada no M\u00e9xico, que lhe rendeu o pr\u00eamio de melhor tese do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da UFG, do ano de 2020.<\/p>\n<p>Essa caminhada ganhou impulso quando o professor estudava a invisibiliza\u00e7\u00e3o das favelas em Goi\u00e2nia. Ao sondar a hist\u00f3ria, o imagin\u00e1rio social e o projeto de constru\u00e7\u00e3o da cidade, Marcos encontrou evid\u00eancias que refor\u00e7am a ideia de que n\u00e3o existem favelas em Goi\u00e2nia, sendo que elas est\u00e3o presentes, mas s\u00e3o invisibilizadas.<\/p>\n<p>\u201cQuando surgiu a oportunidade de ir para o M\u00e9xico, eu continuei dentro do mesmo campo de quest\u00f5es, mas agora pensando a segrega\u00e7\u00e3o espacial de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em contexto urbano, porque a presen\u00e7a dos ind\u00edgenas nas cidades mexicanas \u00e9 muito forte\u201d, conta.<\/p>\n<p>Intitulada Etni(cidades): racismo e vida urbana entre os mayas em M\u00e9rida, a tese discorre sobre os padr\u00f5es e tipos de segrega\u00e7\u00e3o que atingiram essa popula\u00e7\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria dessa cidade, que \u00e9 a capital do estado de Yucat\u00e1n, no sudeste do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Por meio da sua pesquisa, o professor mostra que o racismo impacta cotidianamente na vida das pessoas e na forma como o espa\u00e7o da cidade est\u00e1 organizado: o acesso aos servi\u00e7os (sa\u00fade, transporte, educa\u00e7\u00e3o, etc) definem o grau de precariedade com o qual as popula\u00e7\u00f5es convivem.<\/p>\n<p>Um dado importante compartilhado pelo pesquisador \u00e9 que 50% da popula\u00e7\u00e3o de M\u00e9rida \u00e9 ind\u00edgena. Apesar de representarem metade da popula\u00e7\u00e3o total, os ind\u00edgenas vivem em bairros espec\u00edficos, que s\u00e3o marginalizados e estigmatizados, tratados como regi\u00f5es violentas e perigosas, ideias que, muitas vezes, n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 fruto de um imagin\u00e1rio social racista, que vai atribuindo significados a esses bairros por conta da forte presen\u00e7a ind\u00edgena. H\u00e1 v\u00e1rias regi\u00f5es da cidade onde os ind\u00edgenas praticamente n\u00e3o circulam. Existem barreiras simb\u00f3licas e invis\u00edveis, que v\u00e3o definir espa\u00e7os de ind\u00edgenas e espa\u00e7os de n\u00e3o ind\u00edgenas\u201d, relata.<\/p>\n<p>De acordo com Marcos, essa defini\u00e7\u00e3o r\u00edgida e, de certa forma, violenta, de espa\u00e7os ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas, implica na territorializa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o da cidade, ou seja, na defini\u00e7\u00e3o de fronteiras urbanas, que podem ser f\u00edsicas ou simb\u00f3licas.<\/p>\n<p>\u201cEssas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o convivendo o tempo inteiro com distintas formas de viol\u00eancia por conta da sua apar\u00eancia f\u00edsica, das especificidades da comunica\u00e7\u00e3o verbal (o espanhol que eles falam tem um sotaque diferente), dos seus h\u00e1bitos culturais e por causa do seu sobrenome ind\u00edgena\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Esses sinais, segundo o pesquisador, s\u00e3o marcadores sociais da diferen\u00e7a, que produzem distintas formas de racismo e viol\u00eancia sobre essas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ponte: Brasil e M\u00e9xico<\/strong><\/p>\n<p>O professor tamb\u00e9m informa que seu interesse \u00e9 aprender com a experi\u00eancia mexicana para compreender a realidade das cidades brasileiras, onde a presen\u00e7a ind\u00edgena tem crescido nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE, pouco mais de 2 mil karaj\u00e1s vivem em Goi\u00e2nia \u2013 um n\u00famero consider\u00e1vel tendo em vista a popula\u00e7\u00e3o total \u2013 dado, que, segundo Marcos, desperta v\u00e1rios questionamentos: \u201csaber onde eles moram, como constroem suas redes de solidariedade, quais as dificuldades de acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas e o n\u00edvel de precariedade com o qual convivem no espa\u00e7o urbano, tudo isso, s\u00e3o aspectos e dimens\u00f5es que a gente chama de segrega\u00e7\u00e3o espacial\u201d, explica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante elucidar alguns contrastes entre o Brasil e o M\u00e9xico, uma vez que a coloniza\u00e7\u00e3o espanhola teve especificidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/p>\n<p>Embora a miscigena\u00e7\u00e3o tenha sido mais forte no Brasil, isso n\u00e3o significa que n\u00e3o existido racismo e viol\u00eancia por aqui. Ao mesmo tempo, ele pontua que a quest\u00e3o da segrega\u00e7\u00e3o e da divis\u00e3o das etnias ocorreu de uma forma mais forte no M\u00e9xico e outras col\u00f4nias espanholas.<\/p>\n<p>\u201cO uso da m\u00e3o de obra escrava ind\u00edgena l\u00e1 foi muito forte, bem diferente do que aconteceu aqui no Brasil, com o tr\u00e1fico de escravos vindos da \u00c1frica. Quando os espanh\u00f3is chegaram, eles aproveitaram a estrutura de organiza\u00e7\u00e3o que eles j\u00e1 possu\u00edam (pir\u00e2mides, sistemas de irriga\u00e7\u00e3o, etc) para implantar seu modelo de explora\u00e7\u00e3o: arrecadar impostos, e explorar m\u00e3o de obra\u201d, compara.<\/p>\n<p>A est\u00e2ncia de pesquisa de doutorado do prof. Marcos foi realizada no Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social (CIESAS\/M\u00e9xico).<\/p>\n<p>A pesquisa de campo contou com apoio da Pr\u00f3-Reitoria de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa (Prope) da PUC Goi\u00e1s. A tese de doutorado sandu\u00edche, subsidiada com bolsa da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Goi\u00e1s (Fapeg), foi defendida pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da UFG, com orienta\u00e7\u00e3o da Profa. Dra. Janine Helfst Leicht Colla\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Curr\u00edculo<\/strong><\/p>\n<p>O prof. Marcos Ferreira \u00e9 doutor em Antropologia pela Universidade Federal de Goi\u00e1s, mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009) e graduado em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Federal de Goi\u00e1s (2006). Atualmente, realiza est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da PUC Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Tem experi\u00eancia em pesquisas nas \u00e1reas de Antropologia Urbana, Antropologia da Arte e Rela\u00e7\u00f5es Inter\u00e9tnicas. Desde 2014, \u00e9 professor da PUC Goi\u00e1s, vinculado ao Instituto Goiano de Pr\u00e9-Hist\u00f3ria e Antropologia (IGPA).<\/p>\n<p><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/puc.vc\/sou-puc\/racismo-contra-povos-indigenas-inspira-tese-premiada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PUC Goi\u00e1s (texto de Belisa Monteiro)<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisa de campo contou com apoio da Pr\u00f3-Reitoria de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa (Prope) da PUC Goi\u00e1s. A tese de doutorado sandu\u00edche, subsidiada com bolsa da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Goi\u00e1s (Fapeg), foi defendida pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da UFG, com orienta\u00e7\u00e3o da Profa. Dra. 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