
{"id":123137,"date":"2026-06-10T14:10:22","date_gmt":"2026-06-10T17:10:22","guid":{"rendered":"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/?p=123137"},"modified":"2026-06-10T14:20:14","modified_gmt":"2026-06-10T17:20:14","slug":"pesquisa-liderada-por-goias-vai-testar-em-escala-nacional-os-efeitos-das-mudancas-climaticas-sobre-ecossistemas-aquaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/pesquisa-liderada-por-goias-vai-testar-em-escala-nacional-os-efeitos-das-mudancas-climaticas-sobre-ecossistemas-aquaticos\/","title":{"rendered":"Pesquisa liderada por Goi\u00e1s vai testar, em escala nacional, os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre ecossistemas aqu\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A iniciativa prop\u00f5e a constru\u00e7\u00e3o de uma rede de experimentos composta por seis estados brasileiros capaz de investigar e propor solu\u00e7\u00f5es para alguns dos maiores desafios ambientais do s\u00e9culo XXI e fortalecer a seguran\u00e7a h\u00eddrica no Brasil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Goi\u00e1s est\u00e1 liderando uma das iniciativas mais desafiadoras e ambiciosas da ecologia aqu\u00e1tica experimental no Brasil: a constru\u00e7\u00e3o da Rede Brasileira de Mesocosmos Aqu\u00e1ticos sob a coordena\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Ecologia, Evolu\u00e7\u00e3o e Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (INCT EECBio).<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta prev\u00ea a realiza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de experimentos padronizados em universidades de Goi\u00e1s (UEG, UFG e PUC Goi\u00e1s), Rio Grande do Sul (UFRGS), Paran\u00e1 (UEM), Pernambuco (UFPE), Rio Grande do Norte (UFRN) e Par\u00e1 (UFPA). A rede permitir\u00e1 avaliar como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, eutrofiza\u00e7\u00e3o e outros estressores ambientais afetam ecossistemas aqu\u00e1ticos em diferentes biomas brasileiros, incluindo Cerrado, Amaz\u00f4nia, Caatinga, Mata Atl\u00e2ntica e Pampa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/mesocosmos-6.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"593\" height=\"964\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/mesocosmos-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-123015\" style=\"width:326px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/mesocosmos-6.jpg 593w, https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/mesocosmos-6-185x300.jpg 185w\" sizes=\"(max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Jo\u00e3o Carlos Nabouti: Estudos j\u00e1 revelam resultados importantes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o \u00e9 coordenada pelo professor Jo\u00e3o Carlos Nabout, da Universidade Estadual de Goi\u00e1s (UEG). Atualmente os trabalhos est\u00e3o concentrados na implanta\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es experimentais nos Estados, coordenados pelo INCT EECBio. A expectativa \u00e9 iniciar os primeiros experimentos integrados ainda neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados poder\u00e3o gerar um conjunto \u00fanico de informa\u00e7\u00f5es no mundo, em escala in\u00e9dita, sobre como os ecossistemas aqu\u00e1ticos brasileiros respondem \u00e0s mudan\u00e7as ambientais. Os trabalhos v\u00e3o contribuir para compreender, prever e mitigar os impactos dessas mudan\u00e7as sobre a biodiversidade e a seguran\u00e7a h\u00eddrica no Brasil, fortalecendo tanto o avan\u00e7o do conhecimento cient\u00edfico quanto o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es para conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa conta com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Goi\u00e1s (Fapeg). Embora a pesquisa tenha sido criada no contexto do INCT EECBio, ela passou a integrar diferentes iniciativas apoiadas pela Funda\u00e7\u00e3o. O PELD Araguaia, por exemplo, gera informa\u00e7\u00f5es de monitoramento de longa dura\u00e7\u00e3o sobre biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos na plan\u00edcie de inunda\u00e7\u00e3o do rio Araguaia, enquanto o Programa Araguaia Vivo e o PPBio Araguaia ampliam a\u00e7\u00f5es de pesquisa, monitoramento e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na bacia. J\u00e1 o Centro de Excel\u00eancia em Seguran\u00e7a H\u00eddrica do Cerrado (CEHIDRA Cerrado) re\u00fane diferentes \u00e1reas do conhecimento para desenvolver solu\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a h\u00eddrica, incluindo monitoramento ambiental, restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e avalia\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua; assim como a Rede de Pesquisa em Seguran\u00e7a H\u00eddrica e Sociobiodiversidade para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Cerrado (Rede HidroCerrado).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisa que apoia decis\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><br>Os estudos ultrapassam os limites da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e estabelecem uma conex\u00e3o direta entre pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Os resultados obtidos nos experimentos t\u00eam potencial para subsidiar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental. Os dados gerados podem contribuir para a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, recupera\u00e7\u00e3o de matas ciliares, monitoramento da qualidade da \u00e1gua e defini\u00e7\u00e3o de \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o de ambientes degradados. As informa\u00e7\u00f5es produzidas tamb\u00e9m s\u00e3o relevantes para comit\u00eas de bacias hidrogr\u00e1ficas, \u00f3rg\u00e3os ambientais e iniciativas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Os resultados contribuem para o desenvolvimento de tecnologias, protocolos de monitoramento e solu\u00e7\u00f5es que podem ser adotadas por gestores p\u00fablicos, empresas e \u00f3rg\u00e3os ambientais, fortalecendo a seguran\u00e7a h\u00eddrica e a sustentabilidade dos ecossistemas aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto faz parte das a\u00e7\u00f5es do segundo ciclo de atividades do INCT EECBio, institui\u00e7\u00e3o criada a partir de uma chamada p\u00fablica entre MCTI\/CNPq\/Capes\/FAPs, com financiamento do CNPq e Fapeg. Jo\u00e3o Nabout explica que o grande diferencial da rede \u00e9 que os mesmos experimentos ser\u00e3o realizados simultaneamente em todas as regi\u00f5es. Isso permitir\u00e1 responder a uma pergunta fundamental: os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da eutrofiza\u00e7\u00e3o e de outros estressores ambientais s\u00e3o semelhantes em todo o Brasil ou dependem das caracter\u00edsticas locais de cada regi\u00e3o? \u201cTrata-se de um grande desafio cient\u00edfico e log\u00edstico. \u00c9 necess\u00e1rio sincronizar equipes distribu\u00eddas por todo o pa\u00eds, padronizar protocolos experimentais, garantir a comparabilidade dos dados e integrar um enorme volume de informa\u00e7\u00f5es geradas em diferentes condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ambientais\u201d, detalha Nabout.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como tudo come\u00e7ou<\/strong><br>A \u00e1rea experimental de mesocosmos aqu\u00e1ticos surgiu durante o primeiro ciclo do INCT EECBio, institui\u00e7\u00e3o coordenada pelo prof. Jos\u00e9 Alexandre Felizola Diniz-Filho. O objetivo era criar uma infraestrutura que permitisse investigar, de forma experimental e controlada, como diferentes impactos ambientais afetam a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas aqu\u00e1ticos. O projeto funciona como uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto. Nela, \u00e9 poss\u00edvel testar, em condi\u00e7\u00f5es controladas, diferentes solu\u00e7\u00f5es antes de sua aplica\u00e7\u00e3o em larga escala. Isso inclui, por exemplo, estrat\u00e9gias de recupera\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua, controle da eutrofiza\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, avalia\u00e7\u00e3o de contaminantes emergentes, monitoramento de riscos ambientais e at\u00e9 a\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que s\u00e3o mesocosmos<\/strong><br>Os mesocosmos s\u00e3o estruturas experimentais que simulam ecossistemas naturais em condi\u00e7\u00f5es controladas. Foram implantados na Universidade Estadual de Goi\u00e1s (UEG), em An\u00e1polis, e s\u00e3o compostos por caixas d&#8217;\u00e1gua de 500 litros parcialmente enterradas, contendo \u00e1gua, sedimentos e organismos como bact\u00e9rias, algas, zoopl\u00e2ncton e plantas aqu\u00e1ticas. Nessa \u00e1rea experimental \u00e9 poss\u00edvel reproduzir cen\u00e1rios associados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, cen\u00e1rios ambientais futuros, eutrofiza\u00e7\u00e3o, eventos extremos e altera\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas, permitindo testar hip\u00f3teses ecol\u00f3gicas que seriam dif\u00edceis de avaliar apenas em ambientes naturais. \u201cNos mesocosmos \u00e9 poss\u00edvel simular o aumento da temperatura da \u00e1gua, a entrada excessiva de nutrientes, per\u00edodos de seca e altera\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas, identificando rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito que muitas vezes n\u00e3o podem ser observadas diretamente na natureza\u201d, explica Nabout.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo mesocosmos foi popularizado pelo ec\u00f3logo Eugene Odum, um dos pioneiros da Ecologia moderna, para definir sistemas intermedi\u00e1rios entre os experimentos simplificados de laborat\u00f3rio e a complexidade dos ambientes naturais. \u201cA grande vantagem dos mesocosmos \u00e9 justamente equilibrar controle experimental e realismo ecol\u00f3gico. Em laborat\u00f3rio, \u00e9 poss\u00edvel controlar vari\u00e1veis, mas os sistemas geralmente s\u00e3o muito simplificados. J\u00e1 na natureza, os ecossistemas s\u00e3o mais realistas, por\u00e9m diversos fatores atuam ao mesmo tempo, dificultando identificar rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito. Os mesocosmos funcionam, ent\u00e3o, como uma ponte entre esses dois extremos. Eles permitem reproduzir cen\u00e1rios ambientais futuros mantendo uma complexidade ecol\u00f3gica muito maior do que experimentos laboratoriais em microescala\u201d, analisa o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo controlar essas condi\u00e7\u00f5es de forma experimental, conseguimos avaliar como diferentes fatores atuam isoladamente e em conjunto sobre os ecossistemas aqu\u00e1ticos. Isso permite identificar quais organismos s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as ambientais, quais grupos tendem a se tornar dominantes em cen\u00e1rios futuros e como essas altera\u00e7\u00f5es podem afetar a biodiversidade, a qualidade da \u00e1gua e o funcionamento dos ecossistemas\u201d, destaca o pesquisador. Al\u00e9m disso, os mesocosmos possibilitam testar rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito que seriam dif\u00edceis de demonstrar apenas com observa\u00e7\u00f5es em ambientes naturais, onde muitos fatores atuam simultaneamente. \u201cDessa forma, eles funcionam como uma ferramenta para antecipar poss\u00edveis mudan\u00e7as ecol\u00f3gicas e fornecer informa\u00e7\u00f5es que auxiliem no planejamento de a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resultados importantes<\/strong><br>Jo\u00e3o Carlos Nabouti revela que os estudos desenvolvidos nos \u00faltimos anos j\u00e1 revelaram resultados importantes. As pesquisas mostram que a eutrofiza\u00e7\u00e3o (processo provocado pelo excesso de nutrientes provenientes de atividades humanas, como agricultura, pecu\u00e1ria e lan\u00e7amento de efluentes) promove altera\u00e7\u00f5es profundas na composi\u00e7\u00e3o das comunidades aqu\u00e1ticas. Algumas esp\u00e9cies tornam-se dominantes, enquanto outras, t\u00edpicas de ambientes mais conservados, diminuem ou desaparecem localmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m verificaram que os microrganismos aqu\u00e1ticos respondem rapidamente \u00e0s mudan\u00e7as ambientais. Altera\u00e7\u00f5es significativas na microbiota foram observadas poucos dias ap\u00f3s a adi\u00e7\u00e3o de nutrientes nos experimentos, refor\u00e7ando o potencial desses organismos como indicadores da qualidade da \u00e1gua e da sa\u00fade dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros resultados apontam mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o do fitopl\u00e2ncton, aumento da biomassa de algas e altera\u00e7\u00f5es em caracter\u00edsticas como transpar\u00eancia da \u00e1gua, oxig\u00eanio dissolvido e concentra\u00e7\u00e3o de clorofila. Em alguns experimentos, o aumento da temperatura potencializou os efeitos da eutrofiza\u00e7\u00e3o, evidenciando que diferentes impactos ambientais podem atuar simultaneamente sobre os ecossistemas. A abordagem permite compreender como diferentes n\u00edveis da cadeia alimentar respondem \u00e0s mudan\u00e7as ambientais e interagem entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos mostram, ainda, que a conectividade entre ambientes aqu\u00e1ticos desempenha um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Ambientes mais conectados favorecem a dispers\u00e3o e a recoloniza\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, contribuindo para reduzir perdas locais de diversidade e aumentar a resili\u00eancia dos ecossistemas frente \u00e0s mudan\u00e7as ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da sua import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, muitos desses organismos funcionam como bioindicadores da qualidade ambiental. \u201cComo respondem rapidamente a altera\u00e7\u00f5es na temperatura, disponibilidade de nutrientes, polui\u00e7\u00e3o e outras perturba\u00e7\u00f5es, eles ajudam os pesquisadores a detectar precocemente mudan\u00e7as na sa\u00fade dos ecossistemas aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DNA ambiental amplia monitoramento da biodiversidade<\/strong><br>Outro avan\u00e7o importante est\u00e1 na utiliza\u00e7\u00e3o do DNA ambiental (eDNA), uma ferramenta inovadora para o monitoramento da biodiversidade. A tecnologia permite identificar os organismos presentes nos ecossistemas por meio de vest\u00edgios gen\u00e9ticos encontrados na \u00e1gua, sem a necessidade de capturar ou observar diretamente as esp\u00e9cies. \u201cTodos os organismos deixam vest\u00edgios gen\u00e9ticos no ambiente, como c\u00e9lulas ou fragmentos de tecido, ou at\u00e9 mesmo o pr\u00f3prio organismo \u00e9 capturado (no caso das bact\u00e9rias e algas). A partir desse material, \u00e9 poss\u00edvel identificar quais organismos est\u00e3o presentes em um determinado ecossistema\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jo\u00e3o Carlos Nabout, \u201cessa abordagem torna o monitoramento mais r\u00e1pido, menos invasivo e com maior capacidade de detec\u00e7\u00e3o, especialmente para organismos microsc\u00f3picos ou grupos de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o por m\u00e9todos tradicionais. Em muitos casos, uma \u00fanica amostra de \u00e1gua pode fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre centenas de organismos pertencentes a diferentes grupos biol\u00f3gicos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na gest\u00e3o ambiental, o eDNA representa um importante avan\u00e7o. Nabout explica que, \u201cem programas de biomonitoramento, o tempo entre a coleta dos dados e a tomada de decis\u00e3o \u00e9 um fator fundamental. O eDNA permite gerar diagn\u00f3sticos mais r\u00e1pidos e detalhados da biodiversidade e da qualidade ambiental, al\u00e9m de abrir perspectivas para a redu\u00e7\u00e3o de custos \u00e0 medida que as metodologias se tornam mais eficientes e acess\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Goi\u00e1s, pesquisas desenvolvidas pelo Laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica e Biodiversidade (LGBio\/UFG), com atua\u00e7\u00e3o das professoras Mariana Telles e Thannya Nascimento Soares, juntamente com o CEGGen-PUC Goi\u00e1s, tem desempenhado um papel central na implementa\u00e7\u00e3o dessas abordagens moleculares. A integra\u00e7\u00e3o dessas equipes com os projetos do INCT EECBio, do PELD Araguaia, do Programa Araguaia Vivo, PPBio Araguaia e do CEHIDRA Cerrado tem permitido combinar experimentos controlados em mesocosmos com monitoramentos em ambientes naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nabout, essa integra\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente importante porque os experimentos realizados na \u00e1rea experimental da UEG permitem validar indicadores moleculares em condi\u00e7\u00f5es controladas antes de sua aplica\u00e7\u00e3o em rios, lagos e reservat\u00f3rios. Dessa forma, os pesquisadores conseguem compreender melhor como as comunidades biol\u00f3gicas respondem a fatores como aquecimento, eutrofiza\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas, aumentando a confiabilidade do uso do eDNA como ferramenta de monitoramento ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa expectativa \u00e9 que, nos pr\u00f3ximos anos, essa metodologia eDNA se torne cada vez mais presentes em programas de monitoramento da biodiversidade e da qualidade da \u00e1gua, contribuindo para uma gest\u00e3o mais eficiente dos recursos h\u00eddricos e para a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas aqu\u00e1ticos\u201d, considera ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o envolvidos diretamente no projeto de cria\u00e7\u00e3o da rede os professores Jos\u00e9 Alexandre F. Diniz-Filho (UFG), coordenador do INCT; \u2060Samantha Caramori (UEG) (coordenadora do Cehidra Cerrado; \u2060Mariana Pires de Campos Telles &#8211; UFG e PUCGO (coordenadora do Araguaia Vivo e PPBIO Araguaia; e Jo\u00e3o Carlos Nabout, doutor em Ci\u00eancias Ambientais pela UFG, professor da Universidade Estadual de Goi\u00e1s nos cursos de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (gradua\u00e7\u00e3o), Recursos Naturais do Cerrado (Mestrado e Doutorado) e Engenharia Agr\u00edcola (Mestrado) que atua na coordena\u00e7\u00e3o geral da a\u00e7\u00e3o da rede de Mesocosmos dentro do INCT EECbio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/mesocosmos-5-2.jpeg\"><img decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" data-id=\"123217\" 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