
{"id":11350,"date":"2013-10-18T08:58:33","date_gmt":"2013-10-18T11:58:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fapeg.go.gov.br\/?p=11350"},"modified":"2018-10-08T11:42:13","modified_gmt":"2018-10-08T14:42:13","slug":"governo-investe-em-criancas-e-adolescentes-na-prevencao-as-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/governo-investe-em-criancas-e-adolescentes-na-prevencao-as-drogas\/","title":{"rendered":"Governo investe em crian\u00e7as e adolescentes na preven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas"},"content":{"rendered":"<p>L\u00edvia Amaral<\/p>\n<p>No bairro em que mora a auxiliar administrativa Rosidene Rodrigues Cardoso, de 39 anos, \u00e9 comum ver crian\u00e7as envolvidas com o tr\u00e1fico de drogas. M\u00e3e de dois filhos, um de 12 e uma de 9 anos, sua preocupa\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 impedir que suas crian\u00e7as sigam esse caminho. Foi a\u00ed que o Programa Educacional Bombeiro Mirim (Proebom) come\u00e7ou a fazer parte de suas vidas. A a\u00e7\u00e3o desenvolvida pelo Corpo de Bombeiros \u00e9 uma das v\u00e1rias iniciativas do Governo de Goi\u00e1s de preven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas.<\/p>\n<p>\u201cNa rua de cima da minha casa tem boca de fumo. L\u00e1 tem crian\u00e7as de 9 anos que j\u00e1 vendem drogas. Ent\u00e3o pra mim \u00e9 muito sofrido, \u00e9 uma batalha. N\u00e3o deixo meus filhos irem para a rua, fico vigiando eles\u2026 deixei at\u00e9 de viver para viver para eles\u201d, comenta Rosidene. Ela conta que foi professora durante 15 anos e atuava nas proximidades da sua casa. \u201cMuitos dos meus ex-alunos j\u00e1 morreram e os que est\u00e3o vindo agora est\u00e3o indo pelo mesmo caminho\u201d, lastima.<\/p>\n<p>Com o Proebom ela percebeu diferen\u00e7as nos filhos. A transforma\u00e7\u00e3o mais significativa foi no menino de 12 anos, que antes era considerado \u2018dif\u00edcil\u2019. A m\u00e3e relata que M. era agressivo e indisciplinado, principalmente na escola. Ele tamb\u00e9m era mais distante, n\u00e3o aceitava o carinho da fam\u00edlia. N\u00e3o aceitava ordens, nem dos pais nem dos professores. Ao se tornar um bombeiro mirim ele mudou de comportamento. Agora aceita a ordens at\u00e9 mesmo de coleguinhas, obedece a normas e regras. \u201cEle se tornou um menino mais carinhoso. N\u00e3o gostava de beijos, abra\u00e7os. Agora j\u00e1 chega, abra\u00e7a\u2026 Aceita ser abra\u00e7ado\u201d, explica a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Para Rodrigo (nome fict\u00edcio), de 11 anos, o programa tem um significado especial. O menino t\u00edmido chegou ao Bombeiro Mirim depois que sua m\u00e3e foi denunciada ao Conselho Tutelar. Ela estaria deixando ele e seu irm\u00e3o de seis anos sozinhos em casa por longas horas. Ele diz que a den\u00fancia era mentirosa, mas lembra que cuidava do irm\u00e3o mais novo no per\u00edodo em que n\u00e3o estava na escola, sem ningu\u00e9m em casa. Na \u00e9poca tinha dificuldades em Matem\u00e1tica e Ci\u00eancias. Tamb\u00e9m n\u00e3o tinha muitos amigos no col\u00e9gio. No Proebom ele ganhou mais do que imaginava: fez amigos. \u201cAqui \u00e9 mais f\u00e1cil de fazer amigos porque aqui os amigos da gente j\u00e1 perguntam o nosso nome, na escola n\u00e3o\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pelo programa ele recebeu informa\u00e7\u00f5es e criou um la\u00e7o de confian\u00e7a com os professores para enfrentar a realidade que o cerca. Timidamente ele revela que j\u00e1 viu pessoas usando drogas. \u201cAlgu\u00e9m pr\u00f3ximo, at\u00e9 meu parente\u201d, lembra. Rodrigo diz que ficava com medo porque essa pessoa mudava de comportamento e ficava grosseira. Nessas ocasi\u00f5es esse usu\u00e1rio chegou a brigar com ele. Com as aulas aprendeu na teoria o lado ruim das drogas e se sentiu seguro para criar uma rede de confian\u00e7a. \u201cConfio nos professores, tenho confian\u00e7a para pedir ajuda quando preciso e sei que eles podem ajudar\u201d, comenta.<\/p>\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas e muito mais<\/strong><br \/>\nEmbora tenha disciplinas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas, o Proebom \u00e9 bem mais amplo. O curso pode ser oferecido em regime anual (at\u00e9 720 horas\/aula), semestral (at\u00e9 400 horas\/aulas) ou mensal\/temporadas (100 horas\/aula). Ele ocorre nas depend\u00eancias das unidades operacionais do Corpo de Bombeiros e das unidades de assist\u00eancia social p\u00fablica ou privada, sendo coordenado por parte das unidades de bombeiros militar. Os bombeiros mirins t\u00eam aulas de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, No\u00e7\u00f5es de Salvamentos, No\u00e7\u00f5es de Primeiros Socorros, Estudo e Pr\u00e1tica Bombeiro Militar \u2013 Ordem Unida, No\u00e7\u00f5es de Teoria de Inc\u00eandio, \u00c9tica e Cidadania, Higiene Pessoal, Acompanhamento Pedag\u00f3gico, No\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, No\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o no Tr\u00e2nsito, Preven\u00e7\u00e3o e Combate ao uso de drogas, No\u00e7\u00f5es de inform\u00e1tica e Temas Transversais: Palestras, filmes, recrea\u00e7\u00e3o e atividades culturais.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o (nome fict\u00edcio), de 8 anos, ainda n\u00e3o tem idade suficiente para participar do Proebom. Diariamente ele v\u00ea os alunos do Programa fazendo Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, interagindo e sonha em participar. \u201cEu acho o Bombeiro Mirim t\u00e3o \u2018b\u00e3o\u2019!\u201d, afirma. O motivo, segundo ele, para querer fazer parte de um projeto \u00e9 \u201cporque voc\u00ea pode salvar as pessoas\u201d. Esse imagin\u00e1rio que gira em torno da figura dos bombeiros tamb\u00e9m ajuda nesse processo de aprendizagem.<\/p>\n<p>O presidente da Funda\u00e7\u00e3o Dom Pedro 2\u00ba e bombeiro, coronel Benjamim Martins, afirma que no imagin\u00e1rio popular, principalmente da crian\u00e7a, o bombeiro \u00e9 uma figura de muita credibilidade. Isso facilita a aproxima\u00e7\u00e3o com os alunos. Outro ponto importante, segundo Martins, \u00e9 que um dos grandes problemas sociais \u00e9 a falta de disciplina. Ent\u00e3o quando esse indiv\u00edduo entra em um contexto militar ele percebe que a disciplina n\u00e3o \u00e9 ruim.<\/p>\n<p>O instrutor do programa, Alonso, argumenta que o Proebom foi um marco na Regi\u00e3o Noroeste de Goi\u00e2nia. \u201cPorque ele vem atender realmente as necessidades do jovem e adolescente dessa regi\u00e3o\u201d, pontua. Em uma das \u00e1reas mais cr\u00edticas do munic\u00edpio e com altos \u00edndices de criminalidade, as crian\u00e7as \u2013 a maioria em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade \u2013 encontram oportunidades e esperan\u00e7a. Funcionando no Centro de Refer\u00eancia em Assist\u00eancia Social (Cras), o programa atende crian\u00e7as at\u00e9 que estejam quase com 16 anos e os encaminha para os programas de capacita\u00e7\u00e3o do Governo.<\/p>\n<p>Um dos objetivos do Proebom \u00e9 que os alunos se tornem multiplicadores. A fam\u00edlia de Gustavo, de 13 anos, sabe bem o que \u00e9 isso. Desde que entrou no programa ele n\u00e3o se cansa de mostrar o que aprendeu nas aulas. A tia do aluno foi uma das principais influenciadas pelo menino. Desde que aprendeu os preju\u00edzos causados pelas drogas l\u00edcitas e il\u00edcitas ele iniciou uma \u2018campanha\u2019 contra o tabaco. Durante algumas semanas insistindo com a tia para que parasse de fumar, ele finalmente teve sucesso. \u201cAt\u00e9 mostrei a palestra no computador para ela\u201d, recorda.<\/p>\n<p>As drogas s\u00e3o amea\u00e7as cotidianas na vida do garoto. No bairro onde mora, no caminho da escola para casa, \u00e9 comum ver pessoas usando entorpecentes. \u201cUma vez me ofereceram quando eu estava saindo da escola. Eu desconversei e fui embora\u201d, exp\u00f5e. Ele conta que nas aulas aprendeu que n\u00e3o pode ficar junto com os meninos que usam. Para se manter no programa Gustavo tem que ser exemplar. N\u00e3o pode abaixar as notas. O resultado dessa condi\u00e7\u00e3o s\u00e3o notas melhores.<\/p>\n<p>Rafael, de 14 anos, tamb\u00e9m \u00e9 Bombeiro Mirim. Ele avalia que poderia estar fazendo \u2018coisas erradas\u2019 caso n\u00e3o estivesse no programa. Antes ele tinha muito tempo ocioso. O garoto lembra de um amigo que sempre estudou com ele na escola. Agora o colega usa drogas, n\u00e3o vai mais \u00e0s aulas e mudou de comportamento. \u201cJ\u00e1 me ofereceram drogas, mas inventei uma desculpa e sa\u00ed de l\u00e1. Sempre que vejo algu\u00e9m usando eu saio de perto\u201d, destaca.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que voc\u00ea orienta, voc\u00ea j\u00e1 chega antecipadamente com um alerta. Em dizer que realmente \u00e9 um dano muito grande \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, um dano \u00e0 vida. E que a vida das pessoas, principalmente do jovem, \u00e9 muito mais importante que as drogas. E viver com qualidade \u00e9 viver sem droga\u201d, afirma Alonso.<\/p>\n<p><strong>Bombeiro Mirim<\/strong><br \/>\nO Programa Educacional Bombeiro Mirim foi criado em 2004. Hoje s\u00e3o atendidos 1.261 alunos de sete a 16 anos em todo o Estado. A demanda \u00e9 t\u00e3o grande no Corpo de Bombeiros que apenas 20% dos inscritos conseguem uma vaga. O restante fica em uma fila de espera. O processo de sele\u00e7\u00e3o \u00e9 por sorteio. O objetivo principal \u00e9 contribuir para a forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e adolescentes utilizando como refer\u00eancia valores de cidadania e civismo, como: \u00e9tica, respeito \u00e0 pluralidade cultural, valoriza\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, compromisso com as a\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de sa\u00fade, oriental sexual e inser\u00e7\u00e3o do aluno no mundo globalizado de forma consciente e cr\u00edtico-transformador.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas, o Bombeiro Mirim tem colhido bons frutos. Ele \u00e9 um programa social voltado para o fortalecimento da cidadania e civismo das crian\u00e7as e adolescentes, dando-lhes a oportunidade de vis\u00e3o cr\u00edtica e consciente da sociedade, al\u00e9m de voz ativa em seu meio, bem como a integra\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o com a comunidade em geral. Desta forma os alunos, tornam-se multiplicadores da ideia de seguran\u00e7a e conviv\u00eancia social, afastando-se dos meios violentos da sociedade e do conv\u00edvio com as drogas.<\/p>\n<p>Mais preven\u00e7\u00e3o<br \/>\nAs a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas em Goi\u00e1s n\u00e3o se restringem ao Corpo de Bombeiros. Para isso foi criado o Grupo Executivo de Enfrentamento \u00e0s Drogas (Geed), composto por nove \u00f3rg\u00e3os do governo: as secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica, Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Cultura, Cidadania e Segplan, a Agel, Fapeg e Casa Civil. Cada institui\u00e7\u00e3o age de sua maneira, mas integrada com as demais, para combater as drogas e seus efeitos em territ\u00f3rio goiano. A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o investe na preven\u00e7\u00e3o capacitando seus educadores e incluindo a drogadi\u00e7\u00e3o no conte\u00fado program\u00e1tico (<a href=\"http:\/\/www.goiasagora.go.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2013\/10\/A%C3%A7%C3%B5es-Seduc.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acesse aqui as a\u00e7\u00f5es<\/a>).<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar, al\u00e9m de suas a\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o, tem investido no <a href=\"http:\/\/www.goiasagora.go.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2013\/10\/Proerd.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa Educacional de Resist\u00eancia \u00e0s Drogas<\/a> (Proerd). Por meio do Batalh\u00e3o Escolar a pol\u00edcia vai \u00e0s escolas ministrar aulas sobre preven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas. Hoje h\u00e1 15 instrutores com a miss\u00e3o de conscientizar crian\u00e7as e adolescentes sobre os riscos do uso de entorpecentes. Essas aulas ocorrem na pr\u00f3pria escola, seja ela particular, p\u00fablica ou conveniada.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2013, o Programa atendeu somente no Batalh\u00e3o Escolar 10.289 alunos. Nesse segundo semestre o Proerd est\u00e1 alcan\u00e7ando 7.872 alunos. Ao longo de sua hist\u00f3ria, em todo o Estado, mais de 167 munic\u00edpios goianos receberam o Programa, chegando \u00e0 marca de 580 mil atendimentos. O objetivo \u00e9 atingir todas as cidades goianas.<\/p>\n<p>Uma das instrutoras do programa, sargento Daniele Silva Feitosa, conta que no in\u00edcio os alunos ficam receosos. Porque, segundo ela, parte das pessoas ainda tem medo da pol\u00edcia. Com o tempo eles ganham confian\u00e7a. O resultado dessa conviv\u00eancia s\u00e3o adolescentes e crian\u00e7as mais informados e conscientizados, e policiais com mais experi\u00eancia de vida a partir dos relatos dos alunos.<\/p>\n<p>O soldado Fabiano, que \u00e9 instrutor h\u00e1 dois anos, afirma que grande parte desses estudantes vive em situa\u00e7\u00e3o de risco. Dentro da pr\u00f3pria casa tem pais usu\u00e1rios de drogas ou residem em locais pr\u00f3ximos de pontos de venda de drogas. \u201cAlguns alunos com 12 anos dizem que tem pessoas que usam e a gente dialoga sobre isso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os resultados do projeto s\u00e3o percept\u00edveis. \u201cCerta vez depois da aula um aluno me procurou. A gente estava falando sobre como agir de forma confiante em uma situa\u00e7\u00e3o real, de oferta de drogas. Porque o adolescente come\u00e7a a experimentar droga por curiosidade ou influ\u00eancia de grupos de amigos. Ent\u00e3o esse aluno meu me procurou, me agradecendo pela aula porque tinha sido muito importante para a vida dele. Eu perguntei porque e ele disse: na semana passada, depois que voc\u00ea deu aquela aula de como agir de forma confiante, eu passei por uma situa\u00e7\u00e3o semelhante. Eu sa\u00ed da minha casa, minha m\u00e3e havia pedido para eu ir a um mercado pr\u00f3ximo, e um grupo de amigos estava fazendo uso de drogas. Na hora que eles me ofereceram eu lembrei e pude exercer essa habilidade desenvolvida nas aulas. Isso foi muito importante para ele e muito emocionante para mim, como professor do Proerd\u201d, relata.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edvia Amaral No bairro em que mora a auxiliar administrativa Rosidene Rodrigues Cardoso, de 39 anos, \u00e9 comum ver crian\u00e7as envolvidas com o tr\u00e1fico de drogas. 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