

{"id":10269,"date":"2017-10-05T09:00:20","date_gmt":"2017-10-05T12:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fapeg.go.gov.br\/?p=10269"},"modified":"2018-10-08T11:37:26","modified_gmt":"2018-10-08T14:37:26","slug":"frutas-pouco-conhecidas-tem-alto-poder-anti-inflamatorio-e-antioxidante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/fapeg\/frutas-pouco-conhecidas-tem-alto-poder-anti-inflamatorio-e-antioxidante\/","title":{"rendered":"Frutas pouco conhecidas t\u00eam alto poder anti-inflamat\u00f3rio e antioxidante"},"content":{"rendered":"<p>As frutas conhecidas como bacupari-mirim, ara\u00e7\u00e1-piranga, cereja-do-rio-grande, grumixama e ubaja\u00ed ainda n\u00e3o ganharam fama, nem espa\u00e7o nos supermercados. Se depender de suas propriedades bioativas, em quest\u00e3o de tempo elas poder\u00e3o estar n\u00e3o s\u00f3 disputando espa\u00e7o nas g\u00f4ndolas como ganhando posi\u00e7\u00e3o no ranking dos alimentos da moda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos valores nutricionais, as cinco frutas nativas da Mata Atl\u00e2ntica t\u00eam elevadas propriedades antioxidantes e anti-inflamat\u00f3rias. Foi o que verificou uma pesquisa desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em parceria com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de La Frontera, no Chile.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o havia muito conhecimento cient\u00edfico sobre as propriedades dessas frutas nativas. Agora, com os resultados do nosso estudo, a ideia \u00e9 fazer com que elas sejam produzidas por agricultura familiar, ganhem escala e cheguem aos supermercados. Quem sabe elas n\u00e3o se tornam um novo a\u00e7a\u00ed?&#8221;, disse Severino Matias Alencar, do Departamento de Agroind\u00fastria, Alimentos e Nutri\u00e7\u00e3o da Esalq, se referindo ao sucesso comercial da fruta amaz\u00f4nica com grande quantidade de antioxidantes e que hoje tem a polpa exportada pelo Brasil para v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>O estudo contou com o trabalho de bolsistas de Produtividade em Pesquisa (PQ) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo a Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP). Seus resultados foram publicados na revista PLOS ONE. Al\u00e9m de Alencar, bolsista PQ 1D do CNPq, tamb\u00e9m assinaram o artigo Pedro Luiz Rosalen, bolsista PQ 1B, al\u00e9m de outros tr\u00eas pesquisadores brasileiros.<\/p>\n<p>No estudo, foram avaliados os compostos fen\u00f3licos &#8211; estruturas qu\u00edmicas que podem ter efeitos preventivos ou curativos &#8211; e os mecanismos anti-inflamat\u00f3rios e antioxidantes do extrato de folhas, sementes e polpa de quatro frutas do g\u00eanero Eugenia e uma do g\u00eanero Garcinia: ara\u00e7\u00e1-piranga (E. leitonii), cereja-do-rio-grande (E. involucrata), grumixama (E. brasiliensis), ubaja\u00ed (E. myrcianthes) e bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis), todas t\u00edpicas da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Como elas s\u00e3o esp\u00e9cies dif\u00edceis de serem encontradas e algumas est\u00e3o em risco de extin\u00e7\u00e3o, as plantas foram fornecidas por dois s\u00edtios localizados no interior de S\u00e3o Paulo. As duas propriedades comercializam as plantas com o objetivo de preserva\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o. Um dos produtores possui a maior cole\u00e7\u00e3o de frutas nativas do Brasil, somando mais de 1,3 mil esp\u00e9cies plantadas.<\/p>\n<p>&#8220;Come\u00e7amos nosso estudo prospectando as propriedades bioativas das frutas, pois sab\u00edamos que elas poderiam ter boa quantidade de antioxidantes, assim como s\u00e3o as chamadas &#8216;berries&#8217; americanas, como o mirtilo, a amora e o pr\u00f3prio morango, muito conhecidas pela ci\u00eancia. Mas nossas frutas nativas se mostraram ainda melhores&#8221;, disse Alencar.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, as esp\u00e9cies do g\u00eanero Eugenia t\u00eam um vasto potencial econ\u00f4mico e farmacol\u00f3gico evidenciado n\u00e3o s\u00f3 pelo n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, mas tamb\u00e9m pela explora\u00e7\u00e3o comercial de suas frutas comest\u00edveis, madeira, \u00f3leos essenciais e uso como plantas ornamentais.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o exemplos de alimentos funcionais, que, al\u00e9m das vitaminas e valores nutricionais, t\u00eam propriedades bioativas como o combate aos radicais livres &#8211; \u00e1tomos inst\u00e1veis e altamente reativos no organismo que se ligam a outros \u00e1tomos, provocando danos como envelhecimento celular ou doen\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;O organismo tem naturalmente antirradicais livres, que neutralizam e eliminam os radicais livres do corpo, sem causar dano. Por\u00e9m, fatores como idade, estresse e alimenta\u00e7\u00e3o podem promover um desequil\u00edbrio nessa neutraliza\u00e7\u00e3o natural. Nesses casos, \u00e9 preciso contar com elementos ex\u00f3genos, ingerindo alimentos que tenham agentes antioxidantes como os flavonoides, as antocianinas do ara\u00e7\u00e1-piranga e das outras frutas do g\u00eanero Eugenia&#8221;, disse Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que h\u00e1 cerca de 400 esp\u00e9cies pertencentes ao g\u00eanero Eugenia distribu\u00eddas pelo Brasil, incluindo v\u00e1rias esp\u00e9cies end\u00eamicas. &#8220;Temos uma imensid\u00e3o de frutas nativas com compostos bioativos que trariam benef\u00edcios para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso estud\u00e1-las&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Alencar \u00e9 um dos pesquisadores do projeto &#8220;Bioprospec\u00e7\u00e3o de novas mol\u00e9culas anti-inflamat\u00f3rias de produtos naturais nativos brasileiros&#8221;, coordenado pelo professor Rosalen.<\/p>\n<p><strong>Campe\u00e3o contra inflama\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As frutas estudadas no projeto com elevada atividade antioxidante para serem usadas em ind\u00fastrias de alimentos e farmac\u00eauticas tamb\u00e9m tiveram pesquisadas as capacidades anti-inflamat\u00f3rias. A grande estrela foi a ara\u00e7\u00e1-piranga, como demonstraram em artigo publicado no J<em>ournal of Functional Foods.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;A ara\u00e7\u00e1-piranga, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, teve a melhor atividade anti-inflamat\u00f3ria em compara\u00e7\u00e3o com a de outras frutas do g\u00eanero Eugenia&#8221;, disse Rosalen. &#8220;O mecanismo de a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 muito interessante, pois ocorre de forma espont\u00e2nea e logo no come\u00e7o da inflama\u00e7\u00e3o, impedindo uma via espec\u00edfica do processo inflamat\u00f3rio. Ela age tamb\u00e9m no endot\u00e9lio dos vasos sangu\u00edneos, evitando que os leuc\u00f3citos transmigrem para o tecido agredido, reduzindo a exacerba\u00e7\u00e3o do processo inflamat\u00f3rio&#8221;<\/p>\n<p>Rosalen destaca que os antioxidantes n\u00e3o t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o \u00fanica combater o envelhecimento ou a morte celular, mas a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as mediadas por processo inflamat\u00f3rio cr\u00f4nico. &#8220;A a\u00e7\u00e3o oxidante dos radicais livres tamb\u00e9m significa o surgimento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias dependentes, como diabetes, c\u00e2ncer, artrite, obesidade, doen\u00e7a de Alzheimer&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o percebemos muitas dessas les\u00f5es provocadas pelos radicais livres. S\u00e3o as inflama\u00e7\u00f5es silenciosas. Por isso, \u00e9 importante a a\u00e7\u00e3o de sust\u00e2ncias antioxidantes, que podem neutralizar os radicais livres&#8221;, disse Rosalen.<\/p>\n<p>As pesquisas colaborativas, apoiadas pela FAPESP e pela Universidad de La Frontera, tamb\u00e9m permitiram ampliar o conhecimento sobre esp\u00e9cies nativas do Chile. Em um dos estudos, os autores demonstraram a atividade antioxidante e vasodilatadora da murtilla (Ugni molinae), uma fruta nativa do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No estudo publicado na <em>Oxidative Medicine and Cellular Longevity<\/em>, os pesquisadores destacam que o uso de prepara\u00e7\u00f5es alimentares obtidas a partir de frutas e folhas da murtilla pode ter efeitos ben\u00e9ficos na preven\u00e7\u00e3o e, possivelmente, no tratamento de sintomas de doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>Alencar destaca que conhecer melhor as propriedades pode se mostrar uma boa alternativa para estimular a produ\u00e7\u00e3o das frutas nativas.<\/p>\n<p>&#8220;Antes do projeto com a Universidad de La Frontera, eu e o professor Pedro Rosalen j\u00e1 estud\u00e1vamos as frutas nativas, pois acreditamos que elas podem revelar \u00f3timas solu\u00e7\u00f5es alimentares para a sociedade&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O artigo Antioxidant and Anti-Inflammatory Activities of Unexplored Brazilian Native Fruits, de Juliana Infante, Pedro Luiz Rosalen, Josy Goldoni Lazarini, Marcelo Franchin e Severino Matias de Alencar (https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pone.0152974), pode ser lido em http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0152974.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia FAPESP\/<br \/>\n<a href=\"http:\/\/cnpq.br\/web\/guest\/noticiasviews\/-\/journal_content\/56_INSTANCE_a6MO\/10157\/5851642\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Site do CNPq<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta pesquisa \u00e9 desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em parceria com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de La Frontera, no 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