{"id":6168,"date":"2020-05-12T12:06:54","date_gmt":"2020-05-12T15:06:54","guid":{"rendered":"https:\/\/goias.gov.br\/emater\/?p=6168"},"modified":"2025-04-15T02:52:52","modified_gmt":"2025-04-15T05:52:52","slug":"agricultura-publica-analise-sobre-impactos-do-novo-coronavirus-no-setor-agropecuario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/emater\/agricultura-publica-analise-sobre-impactos-do-novo-coronavirus-no-setor-agropecuario\/","title":{"rendered":"Agricultura publica an\u00e1lise sobre impactos do novo coronav\u00edrus no setor agropecu\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Governo de Goi\u00e1s, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Seapa), publicou nesta sexta-feira, 8 de maio, um boletim especial de an\u00e1lise do setor agropecu\u00e1rio no Estado, diante do enfrentamento da pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19). Elaborado pela Ger\u00eancia de Intelig\u00eancia de Mercado da Superintend\u00eancia de Produ\u00e7\u00e3o Rural Sustent\u00e1vel, com o apoio da Comunica\u00e7\u00e3o Setorial da Pasta, o documento busca situar o setor agropecu\u00e1rio diante das a\u00e7\u00f5es pontuadas pelo Governo de Goi\u00e1s, segundo orienta\u00e7\u00f5es do governador Ronaldo Caiado, e pelo governo federal, apontando cen\u00e1rios e perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia, segundo informa o secret\u00e1rio de Estado de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, Ant\u00f4nio Carlos de Souza Lima Neto, \u00e9 munir o setor econ\u00f4mico vinculado ao agroneg\u00f3cio com uma an\u00e1lise aprofundada, baseada nos dados existentes, para entender os pr\u00f3ximos passos e diminuir impactos sobre a economia do Estado e a renda das pessoas ligadas ao campo. &#8220;\u00c9 ineg\u00e1vel que o setor agropecu\u00e1rio continuar\u00e1 produzindo, gerando emprego e renda, para levar comida \u00e0 mesa das pessoas. Mas como um setor diversificado, \u00e9 necess\u00e1rio entendermos como as diferentes culturas lidam com as medidas adotadas at\u00e9 agora, j\u00e1 que h\u00e1 impactos positivos e negativos a depender do tipo de produ\u00e7\u00e3o&#8221;, explica. &#8220;Por isso, essa an\u00e1lise \u00e9 importante, para podermos medir impactos e tomar medidas relacionadas aos diferentes setores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O documento destaca, nesta edi\u00e7\u00e3o, os impactos nos setores de floricultura, hortifruticultura, produ\u00e7\u00e3o de soja, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar. Tamb\u00e9m traz perspectivas sobre a bovinocultura de leite, bovinocultura de corte, su\u00ednos, aves e ovos. Confira um resumo de cada item:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Floricultura:<\/strong>&nbsp;O impacto negativo nesse setor \u00e9 ainda maior devido sua perecibilidade, depend\u00eancia do mercado dom\u00e9stico e sensibilidade \u00e0 queda da renda. As consequ\u00eancias ao desenvolvimento da cadeia s\u00e3o significativas, sobretudo por ser um segmento intensivo em m\u00e3o de obra e pelos efeitos da paralisa\u00e7\u00e3o a jusante da produ\u00e7\u00e3o, no setor de distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o. O cen\u00e1rio de incerteza n\u00e3o permite sinalizar recupera\u00e7\u00e3o dessa atividade no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hortifruticultura:<\/strong>&nbsp;Em Goi\u00e1s, a din\u00e2mica dessas cadeias n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea. Por um lado, somos grandes produtores de hortali\u00e7as, n\u00e3o havendo risco de desabastecimento. Por outro, somos importadores de frutas e, portanto, dependentes da oferta de outros estados. Em Goi\u00e1s, as estat\u00edsticas de consumo de mar\u00e7o apontam pequeno recuo na demanda, explicado pela veda\u00e7\u00e3o de feiras no in\u00edcio das medidas de enfrentamento ao v\u00edrus. Na Ceasa, no m\u00eas de mar\u00e7o, foram comercializadas quase 43 mil toneladas de hortali\u00e7as e 27,3 mil toneladas de frutas, representando crescimento de 16% e diminui\u00e7\u00e3o de 24,9%, respectivamente, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2019. O recuo na comercializa\u00e7\u00e3o de frutas reflete a situa\u00e7\u00e3o de sermos importadores e, como a maioria das frutas aqui comercializadas v\u00eam de outros estados, os problemas de transporte atingiram, em um primeiro momento, o abastecimento. Na primeira quinzena de abril j\u00e1 se observa incremento de 20% nas vendas da Ceasa, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de mar\u00e7o. A retomada das feiras de hortifrutigranjeiros, com certeza, colaborou com a eleva\u00e7\u00e3o dessa demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bovinocultura de leite:<\/strong>&nbsp;De acordo com os dados divulgados pelo Cepea, houve leve alta no pre\u00e7o registrado do leite. Em Goi\u00e1s, o pre\u00e7o m\u00e9dio do litro do leite cru em fevereiro foi de R$ 1,39; j\u00e1 em mar\u00e7o, R$ 1,41, varia\u00e7\u00e3o positiva de 1,43%. O pre\u00e7o m\u00e9dio do litro de leite no Pa\u00eds \u00e9 um pouco maior, registrando R$ 1,44, em mar\u00e7o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda, no primeiro momento das medidas de isolamento, verificou-se um aumento da procura de leite UHT. Segundo o \u00edndice de pre\u00e7os proposto pela C\u00e2mara T\u00e9cnica e de Concilia\u00e7\u00e3o da Cadeia L\u00e1ctea de Goi\u00e1s, para o indicador no m\u00eas de abril, houve uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 7,31%, sendo esse resultado o reflexo de um choque extraordin\u00e1rio, e n\u00e3o permanente, que ocorreu no setor em virtude dos impactos causados pela pandemia da Covid-19. Esse impacto \u00e9 explicado pela corrida aos supermercados a fim de fazer estoques, nas primeiras semanas de isolamento social. Em Goi\u00e1s, h\u00e1 72.353 estabelecimentos produtores de leite, ou seja, quase 50% das propriedades rurais do Estado, o que ratifica a import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica da cadeia l\u00e1ctea em Goi\u00e1s. Apesar de termos em um primeiro momento a expans\u00e3o da procura, o que reflete no pre\u00e7o pago ao produtor, a tend\u00eancia aponta recuo da demanda e de seu pre\u00e7o. Isso porque se verifica contra\u00e7\u00e3o do consumo de alguns produtos l\u00e1cteos de maior valor agregado, como queijos, iogurtes, manteigas, entre outros, que s\u00e3o bastante sens\u00edveis \u00e0 retra\u00e7\u00e3o da renda. Ainda contribuem com a diminui\u00e7\u00e3o da demanda o fechamento ou funcionamento parcial de bares, restaurantes e lanchonetes. Assim, esse setor \u00e9 bastante sens\u00edvel \u00e0s incertezas provocadas pela crise do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bovinocultura de corte:<\/strong>&nbsp;Para as exporta\u00e7\u00f5es, a carne bovina representou 3,7% das vendas brasileiras e 15,1% das vendas goianas, no primeiro trimestre de 2020. Para Goi\u00e1s, o crescimento foi de 4,9%, em valor, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2019, tendo como principais destinos a China (51,7%), a R\u00fassia (11,6%) e Hong Kong (11,4%). Verifica-se ainda a amplia\u00e7\u00e3o de novos destinos para a carne bovina. Goi\u00e1s possui o segundo maior rebanho de bovinos dentre os estados brasileiros e, segundo o Minist\u00e9rio da Economia, h\u00e1 registro na RAIS estabelecimentos de 66 frigor\u00edficos de bovinos. Em 2019, 3 milh\u00f5es de bovinos foram abatidos e o peso de carca\u00e7as foi de 783 milh\u00f5es de quilos. No primeiro trimestre de 2020, segundo os dados preliminares de abate de bovinos para Goi\u00e1s, do Mapa, houve redu\u00e7\u00e3o de 21,5% na quantidade de bovinos abatidos, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2019. Em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o, conforme o indicador Cepea\/B3, a arroba do boi gordo (15 kg) foi vendida a R$ 204,15 em 2 de mar\u00e7o. Desde ent\u00e3o, vem sofrendo oscila\u00e7\u00f5es e fechou em R$ 199,95 no dia 24 de abril. Por conta dessas oscila\u00e7\u00f5es, o pecuarista est\u00e1 aproveitando o retardo do per\u00edodo chuvoso para segurar o gado por mais tempo no pasto e aguardar uma normaliza\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da arroba. Para Goi\u00e1s, o pre\u00e7o da arroba comercializada em mar\u00e7o de 2020, segundo a Conab, foi de R$ 185,10. Embora os dados preliminares de abate sejam de queda na quantidade de bovinos abatidos, para Goi\u00e1s a estimativa do valor bruto de produ\u00e7\u00e3o de bovinos \u00e9 de R$ 9,77 bilh\u00f5es, para 2020, crescimento de 18,5% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. H\u00e1 risco de queda nas vendas e consequentemente nos pre\u00e7os, no longo prazo, uma vez que o pre\u00e7o est\u00e1 dilatado devido \u00e0 alta do d\u00f3lar. Em rela\u00e7\u00e3o ao consumo interno, a perspectiva \u00e9 de queda, por ter sua demanda retra\u00edda em decorr\u00eancia da diminui\u00e7\u00e3o da renda das fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Su\u00ednos:<\/strong>&nbsp;A demanda externa por carne su\u00edna j\u00e1 vem em crescimento desde 2019, decorrente da peste su\u00edna na China. No primeiro trimestre de 2020, a procura continua crescente, resultando em eleva\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras em 32,8%, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2019, tendo Hong Kong como principal destino. Para essa prote\u00edna animal, espera-se queda no consumo de importantes pa\u00edses consumidores, como os Estados Unidos, como consequ\u00eancia do fechamento de restaurantes devido \u00e0 pandemia. Outro fato que tamb\u00e9m se verifica \u00e9 que a China est\u00e1 em processo de recupera\u00e7\u00e3o de seu plantel, o que pode vir a afetar as exporta\u00e7\u00f5es futuras do Brasil. Embora Goi\u00e1s possua o sexto maior plantel de su\u00ednos do Pa\u00eds, com 1,97 milh\u00f5es de cabe\u00e7as criadas em mais de 70 mil estabelecimentos rurais, n\u00e3o temos exporta\u00e7\u00f5es significativas e, considerando os maiores mercados internacionais demandantes, h\u00e1 apenas um frigor\u00edfico habilitado a exportar, situado no munic\u00edpio de Rio Verde, segundo relat\u00f3rio do Mapa. Para 2020, a estimativa do Mapa, para o valor bruto de produ\u00e7\u00e3o de su\u00ednos em Goi\u00e1s \u00e9 de R$ 882,5 milh\u00f5es, representando 4,3% do total nacional, e a estimativa \u00e9 de aumento no valor bruto de produ\u00e7\u00e3o. Segundo o Cepea, em 2 de mar\u00e7o de 2020, o pre\u00e7o do quilo do su\u00edno vivo foi de R$ 5,38 e registrou alta at\u00e9 o dia 20 de mar\u00e7o, cotado a R$ 5,63. Posteriormente, vem sofrendo quedas di\u00e1rias, registrando R$ 3,54 em 24 de abril, variando negativamente em 34,2% entre 2 de mar\u00e7o a 24 de abril. Para Goi\u00e1s, o pre\u00e7o pago ao produtor, segundo a Conab, foi de R$ 4,27 em 1\u00ba de mar\u00e7o e R$ 4,23 em 1\u00ba de abril, ou seja, a oscila\u00e7\u00e3o verificada no pre\u00e7o em outros estados n\u00e3o ocorreu em Goi\u00e1s. A demanda por essa prote\u00edna animal tamb\u00e9m deve sofrer recuo em decorr\u00eancia da queda da renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aves:<\/strong>&nbsp;Goi\u00e1s possui 103.078 estabelecimentos com aves, com de mais de 90 milh\u00f5es de cabe\u00e7as. O valor bruto de produ\u00e7\u00e3o do frango estimado para 2020 \u00e9 de R$ 4,55 bilh\u00f5es. O Estado \u00e9 um importante exportador de carne de frango. A demanda externa est\u00e1 aquecida e Goi\u00e1s exportou, em volume, no primeiro trimestre de 2020, 165,8% a mais que no mesmo per\u00edodo de 2019. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 din\u00e2mica de pre\u00e7os, segundo o Cepea, a carne de frango vem sofrendo leves quedas diariamente. Em 02 de mar\u00e7o registrou pre\u00e7o de R$ 4,95 para o quilo e R$ 4,05 em 24 de abril, ou seja, varia\u00e7\u00e3o negativa de 18,2%. A corrida ao supermercado no in\u00edcio da pandemia aumentou as vendas e a m\u00e9dia de pre\u00e7o de mar\u00e7o se manteve em alta. Passados isso, outras medidas de controle decorrentes da pandemia, como a suspens\u00e3o das aulas e a consequente redu\u00e7\u00e3o das compras de carne de frango para a merenda escolar, al\u00e9m do fechamento ou funcionamento parcial de bares e restaurantes, afetaram a demanda interna por essa prote\u00edna animal, impactando os pre\u00e7os. Em rela\u00e7\u00e3o ao consumo, a perspectiva \u00e9 que as demandas interna e externa pela carne de frango sigam firmes, sobretudo, por ser uma prote\u00edna animal de menor pre\u00e7o e substituta das demais carnes. Ademais, a maior parte dos agentes do setor acredita que o ritmo de neg\u00f3cio no atacado e no varejo deva seguir com relativa normalidade, sendo as baixas de pre\u00e7os um movimento de ajuste do pr\u00f3prio mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ovos:<\/strong>&nbsp;Embora no ranking estadual de produ\u00e7\u00e3o Goi\u00e1s ocupe o 8\u00ba lugar, aqui h\u00e1 81.851 estabelecimentos com produ\u00e7\u00e3o de ovos. S\u00e3o 38,5 milh\u00f5es de galinhas poedeiras e produ\u00e7\u00e3o de 218,8 milh\u00f5es de d\u00fazias de ovos em 2019. A estimativa do valor de produ\u00e7\u00e3o de ovos para Goi\u00e1s em 2020 \u00e9 de R$ 848,2 milh\u00f5es, aumento de 19,4%, em rela\u00e7\u00e3o a 2019. A queda da renda do brasileiro, como consequ\u00eancia do encolhimento da economia, provoca um aumento da demanda por ovos, que \u00e9 um produto substituto das demais prote\u00ednas animais, e isso refletiu, no m\u00eas de mar\u00e7o, em varia\u00e7\u00f5es positivas no pre\u00e7o de ovos. Nesse cen\u00e1rio, a tend\u00eancia \u00e9 que o consumo de ovos siga crescendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Soja:<\/strong>&nbsp;A soja \u00e9 o gr\u00e3o que tem maior peso na agricultura goiana: representa 28,1% do valor bruto da agropecu\u00e1ria de Goi\u00e1s, estimada para 2020 em R$ 16,1 bilh\u00f5es, crescimento de 22,9% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Goi\u00e1s \u00e9 o quarto maior produtor de soja do Pa\u00eds. Na Safra 2019\/20, a Conab estima crescimento de 9,0%, na compara\u00e7\u00e3o com a safra 2018\/2019, com produ\u00e7\u00e3o superior a 12 milh\u00f5es de toneladas. Essa super safra, somada \u00e0 crescente valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no momento da colheita, tem favorecido o produtor. Em 2020, no primeiro trimestre, as exporta\u00e7\u00f5es do complexo soja j\u00e1 atingiram o montante de U$ 609,2 milh\u00f5es, tendo como principal destino a China. Os efeitos da pandemia na China fizeram recuar a demanda no m\u00eas de fevereiro, mas em mar\u00e7o a recupera\u00e7\u00e3o veio forte. Segundo o Cepea, o pre\u00e7o da soja vem registrando aumentos sucessivos. A saca de 60 kg no porto de Paranagu\u00e1 (PR), que era de R$ 90,30 em 2 de mar\u00e7o, registrou R$ 106,16 no dia 24 de abril, aumento de 17,6%. Ainda de acordo com o centro de pesquisa, o elevado valor do gr\u00e3o ocorre por fazer parte da suplementa\u00e7\u00e3o dos animais que, por sua vez, est\u00e1 demorando mais tempo para serem abatidos, pois os produtores est\u00e3o aguardando melhores pre\u00e7os da carne, principalmente de bovinos e su\u00ednos. No cen\u00e1rio internacional, nesse momento de maior competitividade do gr\u00e3o brasileiro, a China tem elevado a compra dessa commodity a fim de repor seu estoque, aumentando, assim, a atratividade para a exporta\u00e7\u00e3o de soja. Ademais, o pre\u00e7o do gr\u00e3o no mercado interno \u00e9 pressionado pelo elevado valor do d\u00f3lar. Nesse cen\u00e1rio de desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira, a aquisi\u00e7\u00e3o de insumos importados elevam os custos de produ\u00e7\u00e3o, de forma que a tend\u00eancia seja afetar a rela\u00e7\u00e3o de troca futura para o produtor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Milho:<\/strong>&nbsp;O Brasil \u00e9 o terceiro maior produtor de milho do mundo, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos e da China. Em 2019, o Brasil ganhou espa\u00e7o no cen\u00e1rio internacional e foi o maior exportador dessa commodity. O Estado de Goi\u00e1s foi respons\u00e1vel por 11,8% dessa quantidade de milho comercializada no mercado externo. Para a safra 2019\/2020 brasileira, a estimativa de produ\u00e7\u00e3o deste gr\u00e3o \u00e9 superior a 100 milh\u00f5es de toneladas, sendo a participa\u00e7\u00e3o goiana de 11,4% da produ\u00e7\u00e3o nacional. A estimativa total de milho goiano \u00e9 superior a 11 milh\u00f5es de toneladas e um valor bruto de produ\u00e7\u00e3o estimado para 2020 de R$ 8,1 bilh\u00f5es. Em 2019, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de milho bateram recordes, mas em 2020 esse crescimento n\u00e3o se sustentou devido \u00e0s crises que t\u00eam atingido fortemente a demanda por essa commodity no mundo. A expectativa para 2020 \u00e9 de queda, em resposta \u00e0s incertezas da demanda diante da crise do petr\u00f3leo e da pandemia. O recuo nas exporta\u00e7\u00f5es desta commodity j\u00e1 \u00e9 observado em Goi\u00e1s no primeiro trimestre de 2020, em que a queda superou os 15%.&nbsp; Nesse per\u00edodo houve exporta\u00e7\u00e3o de 302 mil toneladas deste gr\u00e3o para 14 pa\u00edses, sendo o principal destino Taiwan. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 din\u00e2mica do pre\u00e7o, segundo o Cepea, em 2 de mar\u00e7o o registro foi de R$ 53,55 a saca de 60 kg, pre\u00e7o \u00e0 vista. Houve leves aumentos di\u00e1rios at\u00e9 seu pico em 31 de mar\u00e7o com R$ 60,14 e, posteriormente, quedas di\u00e1rias, chegando a R$ 47,60 no dia 24 de abril. Em Goi\u00e1s, segundo Relat\u00f3rio Agroecon\u00f4mico do Centro-Oeste, a m\u00e9dia do pre\u00e7o do milho, no primeiro trimestre de 2020, foi de R$ 44,63 a saca. &nbsp;As oscila\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o desta commodity refletem as incertezas do mercado, causadas pela crise do petr\u00f3leo e pela queda no consumo em decorr\u00eancia das medidas de combate ao coronav\u00edrus. A conjuntura internacional refor\u00e7a a perspectiva de queda no pre\u00e7o e, na Bolsa de Chicago, os contratos futuros t\u00eam sido pressionados. Nos EUA, a produ\u00e7\u00e3o de etanol consome grande parte da produ\u00e7\u00e3o de milho e as medidas de isolamento social causaram recuo na demanda, reduzindo a procura energ\u00e9tica que, somado ao decl\u00ednio do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, refletiram negativamente na competitividade do etanol. Esse cen\u00e1rio impacta o milho brasileiro, deixando-o tamb\u00e9m menos competitivo, salvo pelo d\u00f3lar que est\u00e1 segurando os pre\u00e7os elevados, o que tem garantido bom resultado no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cana-de-a\u00e7\u00facar:&nbsp;<\/strong>Goi\u00e1s \u00e9 o segundo maior produtor de cana-de-a\u00e7\u00facar do Pa\u00eds, com produ\u00e7\u00e3o de 75,3 milh\u00f5es de toneladas, o que representa 11,7% da produ\u00e7\u00e3o nacional. Dessa produ\u00e7\u00e3o, segundo dados do fechamento da Safra 2019\/2020, divulgados pela Conab, 82,7% foi destinada ao etanol e 17,3% ao a\u00e7\u00facar. Com a queda da demanda pelo etanol, como consequ\u00eancia das medidas de isolamento social, e tamb\u00e9m com a crise do petr\u00f3leo, o cen\u00e1rio \u00e9 de forte queda nos pre\u00e7os. Diante desse choque econ\u00f4mico, o armazenamento \u00e9 o indicado. Contudo, a capacidade de armazenagem desse produto em Goi\u00e1s \u00e9 limitada. Nessa conjuntura, a tend\u00eancia \u00e9 que os pre\u00e7os se mantenham baixos. Em Goi\u00e1s, no m\u00eas de mar\u00e7o, os pre\u00e7os do etanol hidratado e anidro ca\u00edram 14,55% e 16,06%, respectivamente, em compara\u00e7\u00e3o com fevereiro.&nbsp; O Indicador Cepea\/ESALQ do etanol anidro registrou queda no mercado spot, de 8,5%, em mar\u00e7o. A m\u00e9dia do pre\u00e7o do etanol hidratado comercializado nos postos de combust\u00edveis goianos registrou queda de 6,0% em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro. Essa redu\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 reflexo das medidas adotadas, que frearam o consumo a partir de meados de mar\u00e7o, com a paralisa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores da economia, somadas \u00e0 queda no pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que em 30 de mar\u00e7o, o tipo Brent atingiu queda de 6,3%. Com a redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o da gasolina, gera-se uma press\u00e3o negativa na demanda do etanol, ao se tornar menos competitivo para escolha do consumidor. Sobre a din\u00e2mica do pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar, segundo o Cepea, no mercado spot paulista, no dia 2 de mar\u00e7o, a saca de 50 kg foi vendida \u00e0 R$ 80,67, oscilando negativamente e chegando ao valor de R$ 75,13, no dia 30 de mar\u00e7o de 2020. Os valores foram elevados at\u00e9 o final da primeira quinzena de abril e, em seguida, voltaram a cair, registrando R$ 76,58 no dia 24 de abril. Verificou-se que os valores dom\u00e9sticos n\u00e3o reagiram nem mesmo \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. Ainda assim, segundo c\u00e1lculos do Cepea, as vendas internas do a\u00e7\u00facar remuneraram, em m\u00e9dia, 3,41% a mais que as externas em mar\u00e7o. As rea\u00e7\u00f5es no mercado foram limitadas pelas incertezas na economia mundial devido \u00e0 pandemia. No mercado dom\u00e9stico, as vendas de a\u00e7\u00facar aumentaram em decorr\u00eancia da corrida aos supermercados, o que impactou o Indicador de Cristal Empacotado, que registrou alta de 8,2% no acumulado do m\u00eas. A tend\u00eancia, no mercado interno, \u00e9 que os pre\u00e7os caiam, sobretudo, por n\u00e3o termos sofrido com problemas no abastecimento nos supermercados e por termos sinaliza\u00e7\u00f5es positivas do lado da oferta. No cen\u00e1rio global, as previs\u00f5es sustentam que a produ\u00e7\u00e3o mundial de a\u00e7\u00facar continuar\u00e1 abaixo do consumo e, segundo estimativa da Rabobank, o d\u00e9ficit atual \u00e9 de 6,7 milh\u00f5es de toneladas e que, mesmo com a pandemia, em geral, a demanda mundial por a\u00e7\u00facar deve permanecer est\u00e1vel, com exce\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, em que a proje\u00e7\u00e3o aponta redu\u00e7\u00e3o no consumo. Dessa forma, para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar o cen\u00e1rio \u00e9 favor\u00e1vel, mas a recomenda\u00e7\u00e3o aos produtores \u00e9 cautela na tomada de decis\u00f5es, com avalia\u00e7\u00e3o de sua capacidade de resposta a esse movimento do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Confira a publica\u00e7\u00e3o na \u00edntegra\u00a0<a href=\"http:\/\/www.agricultura.go.gov.br\/informativos\/conjuntura-agro\">AQUI<\/a>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Informa\u00e7\u00f5es da Comunica\u00e7\u00e3o Setorial da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Seapa)<\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.agricultura.go.gov.br\/informativos\/conjuntura-agro\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Governo de Goi\u00e1s, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Seapa), publicou nesta sexta-feira, 8 de maio, um boletim especial de an\u00e1lise do setor agropecu\u00e1rio no Estado, diante do enfrentamento da pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19). 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