{"id":276002,"date":"2025-05-19T17:17:06","date_gmt":"2025-05-19T20:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/goias.gov.br\/emater\/?p=276002"},"modified":"2025-05-19T17:17:06","modified_gmt":"2025-05-19T20:17:06","slug":"estudo-coordenado-pela-emater-goias-investiga-causas-da-mortalidade-de-jabuticabeiras-em-hidrolandia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/emater\/estudo-coordenado-pela-emater-goias-investiga-causas-da-mortalidade-de-jabuticabeiras-em-hidrolandia\/","title":{"rendered":"Estudo coordenado pela Emater Goi\u00e1s investiga causas da mortalidade de jabuticabeiras em Hidrol\u00e2ndia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Levantamento aponta que 82% das propriedades do munic\u00edpio j\u00e1 registraram perdas. Pesquisa associa problema a combina\u00e7\u00e3o de fatores como estresse h\u00eddrico, fungos e nemat\u00f3ides<\/em><\/p>\n<p>A mortalidade crescente de jabuticabeiras em Hidrol\u00e2ndia (GO), munic\u00edpio reconhecido pela produ\u00e7\u00e3o da fruta, acendeu um alerta entre produtores locais e motivou o in\u00edcio de uma ampla pesquisa coordenada pela Emater Goi\u00e1s. O chamado \u201cProjeto Jabuticaba\u201d, iniciado em 2021 e atualmente em sua segunda fase, busca compreender as causas do problema e propor solu\u00e7\u00f5es de manejo para evitar perdas nos pomares da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora da Emater, Maur\u00edzia de F\u00e1tima Carneiro, a iniciativa teve origem em uma demanda dos pr\u00f3prios agricultores que, preocupados com o aumento das mortes em suas propriedades, procuraram apoio t\u00e9cnico do escrit\u00f3rio local. \u201cEssa mortalidade j\u00e1 \u00e9 observada h\u00e1 pelo menos 25 anos, mas com o crescimento da \u00e1rea cultivada e o aumento do n\u00famero de pomares, a situa\u00e7\u00e3o se tornou mais evidente e preocupante\u201d, explica.<\/p>\n<p>Diferentemente do que se imaginava inicialmente, a morte das jabuticabeiras n\u00e3o est\u00e1 relacionada exclusivamente \u00e0 a\u00e7\u00e3o de fungos ou nemat\u00f3ides. Ap\u00f3s a coleta e an\u00e1lise de amostras de solo, ra\u00edzes, troncos e folhas, realizadas com apoio de institui\u00e7\u00f5es parceiras como a Universidade Tecnol\u00f3gica do Paran\u00e1, foi constatado que esses organismos, embora presentes, ocorrem em quantidades pouco expressivas para causar a morte das plantas de forma isolada.<\/p>\n<p>\u201cO que verificamos \u00e9 que o fator principal parece ser o estresse h\u00eddrico intenso, caracter\u00edstico do bioma Cerrado, onde temos seis meses de seca. A jabuticabeira \u00e9 origin\u00e1ria da Mata Atl\u00e2ntica, uma regi\u00e3o muito mais \u00famida. Essa discrep\u00e2ncia clim\u00e1tica afeta diretamente a fisiologia da planta\u201d, explica Maur\u00edzia. Um dos fen\u00f4menos observados \u00e9 a cavita\u00e7\u00e3o, processo em que bolhas de ar se formam nos canais internos da planta, bloqueando o transporte de \u00e1gua e comprometendo sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca que essa condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade facilita a a\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos. \u201c\u00c9 a combina\u00e7\u00e3o entre o estresse h\u00eddrico, fungos oportunistas, nemat\u00f3ides e at\u00e9 pragas que levam, ao longo dos anos, ao enfraquecimento e \u00e0 morte da jabuticabeira\u201d, completa.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-276074\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/emater\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-19-at-17.14.00.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1119\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/emater\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-19-at-17.14.00.jpeg 1600w, https:\/\/goias.gov.br\/emater\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-19-at-17.14.00-300x210.jpeg 300w, https:\/\/goias.gov.br\/emater\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-19-at-17.14.00-1024x716.jpeg 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/emater\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-19-at-17.14.00-768x537.jpeg 768w, https:\/\/goias.gov.br\/emater\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-19-at-17.14.00-1536x1074.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/p>\n<p><strong>Sintomas e impactos<\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros sinais de comprometimento costumam surgir no topo da planta, com a seca de folhas, brotos e ramos, podendo ocorrer tanto em \u00e1rvores adultas quanto jovens. Estudo realizado pela Emater identificou que 82% das propriedades em Hidrol\u00e2ndia j\u00e1 registraram casos de morte de jabuticabeiras. A maioria (78%) das perdas ocorre em plantas adultas, com 22% dos casos afetando mudas mais novas. Apesar do \u00edndice ainda n\u00e3o ser considerado alarmante, o impacto \u00e9 expressivo, j\u00e1 que a jabuticabeira leva de 10 a 15 anos para iniciar a produ\u00e7\u00e3o de frutos.<\/p>\n<p>\u201cQuando uma planta morre, o produtor precisa substitu\u00ed-la, e essa reposi\u00e7\u00e3o pode levar mais de uma d\u00e9cada para voltar a produzir. \u00c9 uma perda de longo prazo\u201d, observa Maur\u00edzia. O levantamento aponta que apenas 29% dos produtores fazem reposi\u00e7\u00e3o das plantas perdidas, geralmente em \u00e1reas diferentes daquelas afetadas, como medida preventiva.<\/p>\n<p>Em uma das propriedades monitoradas, a ch\u00e1cara do produtor Jos\u00e9 Vieira, a situa\u00e7\u00e3o se agravou nos \u00faltimos dois anos, com perdas bem acima do habitual. A renova\u00e7\u00e3o anual de cerca de 30 p\u00e9s por quest\u00f5es naturais de envelhecimento deu lugar a cortes emergenciais, em n\u00famero crescente.<\/p>\n<p>\u201cA gente sempre faz a renova\u00e7\u00e3o do pomar, tirando uns 30 p\u00e9s por ano. Mas agora aumentou demais. S\u00f3 este ano j\u00e1 cortamos mais de 50, e ainda tem planta para tirar. Come\u00e7a a secar l\u00e1 de cima, nos ramos da copa, e a \u00e1rvore vai enfraquecendo at\u00e9 morrer. Tem jabuticabeira aqui com mais de 40 anos. \u00c9 muito triste ver isso acontecendo t\u00e3o r\u00e1pido, em menos de um ano\u201d, relatou o produtor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do monitoramento e levantamento de dados em campo, a Emater realiza um mapeamento das propriedades afetadas e orienta os produtores sobre os cuidados sanit\u00e1rios necess\u00e1rios durante a retirada das \u00e1rvores, para evitar a poss\u00edvel dissemina\u00e7\u00e3o da praga.<\/p>\n<p><strong>Mapeamento e recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA Emater Goi\u00e1s, em parceria com a Secretaria de Turismo e Agricultura de Hidrol\u00e2ndia, realiza o monitoramento cont\u00ednuo da situa\u00e7\u00e3o nos pomares e mant\u00e9m canais abertos com os produtores para receber informa\u00e7\u00f5es sobre novas ocorr\u00eancias. T\u00e9cnicos visitam periodicamente as propriedades para avaliar os casos e orientar os agricultores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o novo ciclo do Projeto Jabuticaba, iniciado em 2024, contempla 12 frentes de trabalho voltadas \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o da mortalidade e \u00e0 melhoria do manejo das jabuticabeiras. Entre as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o: levantamento de pragas, estudos sobre estresse h\u00eddrico, an\u00e1lise microbiol\u00f3gica dos solos, caracteriza\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica das esp\u00e9cies cultivadas, produ\u00e7\u00e3o de mudas em laborat\u00f3rio e viveiro, e desenvolvimento de um modelo clim\u00e1tico que ajude a prever as melhores condi\u00e7\u00f5es para o cultivo da fruta na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa conta com a participa\u00e7\u00e3o de diversas institui\u00e7\u00f5es parceiras, como o Instituto Federal Goiano (campus Hidrol\u00e2ndia e Morrinhos), a Unidade Universit\u00e1ria de Palmeiras de Goi\u00e1s (UEG &#8211; Campus Oeste), a Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), o Instituto de Meteorologia (IMET) e a Prefeitura de Hidrol\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Como medida preventiva, a Emater Goi\u00e1s e os parceiros orientam os produtores a realizarem, antes de novos plantios, an\u00e1lises qu\u00edmicas, f\u00edsicas e microbiol\u00f3gicas do solo para garantir condi\u00e7\u00f5es adequadas de cultivo. \u201cTamb\u00e9m recomendamos evitar o replantio imediato no mesmo local onde houve morte da planta, a menos que os exames confirmem n\u00edveis seguros de fungos e nemat\u00f3ides\u201d, afirma Maur\u00edzia.<\/p>\n<p>O trabalho da Emater Goi\u00e1s em Hidrol\u00e2ndia \u00e9 um exemplo de como a escuta ativa das demandas do campo, aliada \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 articula\u00e7\u00e3o institucional, pode gerar conhecimento t\u00e9cnico aplicado e contribuir com a sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola regional.<\/p>\n<p>Comunica\u00e7\u00e3o Setorial da Emater \u2013 Governo de Goi\u00e1s<\/p>\n<p>comunicacao.ematergo@gmail.com | +55 (62) 98152-2322<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento aponta que 82% das propriedades do munic\u00edpio j\u00e1 registraram perdas. 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