{"id":16020,"date":"2021-07-01T15:58:56","date_gmt":"2021-07-01T18:58:56","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/cultura\/?p=16020"},"modified":"2026-07-02T13:10:30","modified_gmt":"2026-07-02T16:10:30","slug":"a-interiorizacao-da-setima-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/cultura\/a-interiorizacao-da-setima-arte\/","title":{"rendered":"A interioriza\u00e7\u00e3o da s\u00e9tima arte"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16015\" src=\"http:\/\/goias.gov.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2014\/05\/foto-e8c.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\"><br \/>\n<html><body><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tela, o filme exibido era&nbsp;Cine Holi&uacute;dy, um longa brasileiro que, com bom humor e criatividade, relata a luta de um cin&eacute;filo para manter a tradi&ccedil;&atilde;o das salas de cinema, amea&ccedil;adas pela chegada da televis&atilde;o, ent&atilde;o uma novidade no interior do Cear&aacute; nos anos de 1970, &eacute;poca em que se passa a hist&oacute;ria. Na plateia, fam&iacute;lias inteiras do interior goiano, que mesmo com o advento da tecnologia na Era da Comunica&ccedil;&atilde;o, ainda t&ecirc;m poucas oportunidades de frequentar grandes cinemas e se encantar com a exibi&ccedil;&atilde;o de filmes em tela grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi em uma noite de segunda-feira do m&ecirc;s de maio que as atividades dom&eacute;sticas da cartor&aacute;ria Ludimilia Pires Arantes foram totalmente modificadas para que ela e o filho Jo&atilde;o Vitor, de 8 anos, pudessem usufruir de um programa inusitado para a pacata cidade de Acre&uacute;na, a 150 quil&ocirc;metros da capital. Desde que ficou sabendo pelo r&aacute;dio que a caravana de cinema ao ar livre passaria por l&aacute; naquela noite, as obriga&ccedil;&otilde;es com o jantar e a arruma&ccedil;&atilde;o da casa ficaram para segundo plano. Em troca, a dupla preferiu se dirigir para a pra&ccedil;a do Gin&aacute;sio de Esportes e se deliciar com a pipoca e o algod&atilde;o doce distribu&iacute;dos para tornar a exibi&ccedil;&atilde;o do filme uma experi&ecirc;ncia completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O munic&iacute;pio goiano, com pouco mais de 20 mil habitantes, n&atilde;o possui uma sala de cinema dispon&iacute;vel para o lazer da popula&ccedil;&atilde;o, portanto integrou a lista, junto a outras oito cidades do interior goiano, contempladas pelo projeto&nbsp;Cinema Popular, de iniciativa do Instituto de Cultura e Meio Ambiente Icumam, com amparo da Lei Goyazes. Essa foi a quarta vez que a iniciativa cultural, que acumula nove edi&ccedil;&otilde;es, contemplou o munic&iacute;pio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/goias.gov.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2014\/05\/anr_02541-5de-scaled.jpg\" alt=\"\">Sentados na primeira fileira, Ludimilia e o filho aguardavam ansiosos para contemplar pela segunda vez a passagem do projeto cultural pela cidade. &ldquo;A primeira vez que o meu filho viu a um filme na tela de cinema foi justamente nesta pra&ccedil;a. &Eacute; muito bom poder proporcionar essa experi&ecirc;ncia a ele&rdquo;, frisou a m&atilde;e. Fora as duas exibi&ccedil;&otilde;es assistidas ao ar livre, o pequeno Jo&atilde;o Vitor teve apenas outras tr&ecirc;s oportunidades de ir a um cinema convencional, durante passeios da fam&iacute;lia a outras cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/goias.gov.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2014\/05\/anr_0244-200x300-29f.jpg\" alt=\"\">A dona de casa Maria de F&aacute;tima Silva se recorda da primeira passagem do projeto pela cidade, momento em que toda a fam&iacute;lia se mobilizou para assistir juntos ao cinema na pra&ccedil;a. Hoje, acompanhada da m&atilde;e, dona Ana, espera reviver a mesma experi&ecirc;ncia encantadora que teve anos atr&aacute;s. &ldquo;Sempre gostei de cinema, mas desde que me mudei para c&aacute;, h&aacute; mais de 30 anos, n&atilde;o tive oportunidade de frequentar&rdquo;, comenta Maria de F&aacute;tima. A dupla, assim como Ludimilia e o filho, foi uma das primeiras a chegar para garantir um lugar privilegiado para a exibi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sala de cinema mais pr&oacute;xima do munic&iacute;pio fica a 78 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia, em Rio Verde. Um passeio de uma fam&iacute;lia envolvendo pai, m&atilde;e e um filho para assistir a um filme no munic&iacute;pio vizinho n&atilde;o sairia por menos de R$200, incluindo os gastos com combust&iacute;vel, estacionamento, alimenta&ccedil;&atilde;o e ingressos do cinema, calcula a ex-secret&aacute;ria municipal da Cultura, Euterpy Pereira Marquez Gomes. Conforme relata, Acre&uacute;na &eacute; muito carente de equipamentos p&uacute;blicos que proporcionem cultura e lazer aos seus moradores. &ldquo;Portanto iniciativas como essa s&atilde;o muito valorizadas pelas pessoas. Muitas delas nunca foram sequer a um cinema&rdquo;, evidencia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Situa&ccedil;&atilde;o essa vivenciada pela pequena Isabela Alves de Moraes, 7 anos, que nunca havia visto um filme no cinema antes. Acompanhada do bisav&ocirc;, Jo&atilde;o Vieira de Moraes, Isabela era pura expectativa para o in&iacute;cio do filme e para que ele terminasse a tempo do per&iacute;odo disponibilizado pelo seu bisav&ocirc; antes de ingressar ao trabalho de vigia noturno. &ldquo;Entro no servi&ccedil;o &agrave;s 22 horas, portanto, s&oacute; poderemos ficar at&eacute; as 21h30. Espero que d&ecirc; tempo para assistir ao filme todo. Tem mais de 20 anos que n&atilde;o vou ao cinema&rdquo;, recordou Jo&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi nessa aura de saudosismo, ineditismo e encantamento que quase duas mil pessoas se reuniram naquela noite, em torno de uma tela gigante e de um caminh&atilde;o de reprodu&ccedil;&atilde;o audiovisual, para juntos acompanharem a hist&oacute;ria do personagem cearense Franciscleydison, que luta com toda a convic&ccedil;&atilde;o para manter a cultura do cinema viva, em plena &eacute;poca de populariza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o, na saga retratada no filme&nbsp; brasileiro,&nbsp;Cine Holli&uacute;dy.&nbsp;Um misto de semelhan&ccedil;as entre fic&ccedil;&atilde;o e realidade, onde em ambas as situa&ccedil;&otilde;es era marcante o desejo incondicional de se batalhar pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos acessos &agrave; s&eacute;tima arte pelo interior brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do povo para o povo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/goias.gov.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2014\/05\/maria-abdala-29d.jpg\" alt=\"\">H&aacute; nove anos, o Instituto de Cultura e Meio Ambiente &ndash; Icumam dedica-se &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do projeto&nbsp;Cinema Popular, que consiste em levar a cidades do interior goiano que n&atilde;o disponibilizam de salas de cinema a exibi&ccedil;&atilde;o de filmes ao ar livre. Conforme explica a coordenadora do Instituto, Maria Abdalla, o objetivo da iniciativa &eacute; democratizar o acesso ao cinema, tendo como mote a divulga&ccedil;&atilde;o das produ&ccedil;&otilde;es nacionais e, com isso, contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blico para a s&eacute;tima arte, principalmente de filmes feitos no Brasil. &ldquo;Nossa maior motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; levar o cinema para onde ele n&atilde;o existe. E fazer isso de forma prazerosa, como s&atilde;o as exibi&ccedil;&otilde;es ao ar livre junto &agrave; comunidade&rdquo;, evidencia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os filmes escolhidos s&atilde;o de classifica&ccedil;&atilde;o livre e que dialoguem com a realidade nacional de alguma forma, seja pela regionalidade, pelo conte&uacute;do abordado, ou pelo simples fato de retratar alguma caracter&iacute;stica marcante do povo brasileiro. Em anos anteriores j&aacute; foram contemplados os cl&aacute;ssicos de bilheteria&nbsp;Menino da Porteira,&nbsp;O Palha&ccedil;o, entre outros. Para esta nona edi&ccedil;&atilde;o, a produ&ccedil;&atilde;o cearense&nbsp;Cine Holli&uacute;dy&nbsp;foi eleita para divertir o p&uacute;blico com a peculiaridade de tra&ccedil;os da regionalidade nordestina. &ldquo;Esse filme foi um sucesso de p&uacute;blico por onde passou. E para n&oacute;s &eacute; muito gratificante quando a sociedade interage com o filme, rindo, comentando e fazendo refer&ecirc;ncias ao que est&aacute; sendo retratado na tela&rdquo;, alega Maria Abdalla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que foi lan&ccedil;ado, o&nbsp;Cinema Popular&nbsp;j&aacute; percorreu 40 munic&iacute;pios goianos, envolvendo 190 mil expectadores em mais de 116 mil exibi&ccedil;&otilde;es de oito longa metragens diferentes. Com o objetivo de contemplar um n&uacute;mero maior de p&uacute;blico, a cada ano o projeto elege novas cidades e repete outras onde a repercuss&atilde;o foi amplamente aceita. Esse ano, a caravana passou por Itabera&iacute;, Crix&aacute;s, Itapaci, Silv&acirc;nia, Pires do Rio, Ipameri, Piracanjuba e Acre&uacute;na, envolvendo 11.600 expectadores &aacute;vidos pela experi&ecirc;ncia cinematogr&aacute;fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Da capital para o interior<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/goias.gov.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2014\/05\/gilvane-6c5.jpg\" alt=\"\">Uma das metas da Secretaria Estadual de Cultura nesta atual gest&atilde;o &eacute; promover a descentraliza&ccedil;&atilde;o dos investimentos da cultura, permitindo a interioriza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave;s mais variadas manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. Para isso, explica o secret&aacute;rio Gilvane Felipe, todos os esfor&ccedil;os t&ecirc;m sido utilizados no sentido de criar mecanismos legais, e consolidar os j&aacute; existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Lei Goyazes, que permite o patroc&iacute;nio de a&ccedil;&otilde;es culturais por meio da ren&uacute;ncia fiscal a empresas que se interessem em ser patrocinadoras de projetos, teve o seu valor de incentivo dobrado neste Governo, passando de R$5 milh&otilde;es anuais para R$10 milh&otilde;es. &Eacute; por interm&eacute;dio da Lei Goyazes que projetos como o&nbsp;Cinema Popular&nbsp;ganham f&ocirc;lego e conseguem ser realizados. Em 2014, est&atilde;o sendo apreciados 434 projetos culturais que dependem de aprova&ccedil;&atilde;o para buscar a capacita&ccedil;&atilde;o por meio do incentivo fiscal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro mecanismo fundamental para a perpetua&ccedil;&atilde;o da cultura em Goi&aacute;s foi a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo Estadual de Cultura no final de 2013. Com a sua cria&ccedil;&atilde;o, foi poss&iacute;vel garantir a destina&ccedil;&atilde;o de recursos para a cultura por for&ccedil;a da lei, ou seja, sem que esse benef&iacute;cio seja extinto em futuras administra&ccedil;&otilde;es.&ldquo;Buscamos incluir no edital de sele&ccedil;&atilde;o do fundo de cultura um percentual de incentivo a projetos que sejam provenientes do interior ou que contemplem a interioriza&ccedil;&atilde;o das atividades. A nossa meta &eacute; que todo o Estado vivencie esse momento de crescimento cultural apoiado pelo Governo do Estado&rdquo;, explicou Gilvane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o primeiro edital aberto em 2013, e no qual foram inscritos 1200 projetos, est&atilde;o reservados R$13,5 milh&otilde;es para serem diretamente repassados dos cofres p&uacute;blicos aos selecionados. Mas, conforme adianta o secret&aacute;rio, para o edital de 2014 esse valor passou para R$26 milh&otilde;es. Tanto a sele&ccedil;&atilde;o para a Lei Goyazes quanto para o Fundo de Cultura a responsabilidade da escolha fica a cargo do Conselho Estadual de Cultura. &ldquo;A Secult n&atilde;o interfere nesse processo de sele&ccedil;&atilde;o&rdquo;, evidencia Gilvane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imbu&iacute;da desse objetivo de redemocratizar a cultura pelo interior do Estado, a secretaria se prepara para lan&ccedil;ar ainda neste semestre o projeto&nbsp;Goi&aacute;s Gira&nbsp;Arte, que vai percorrer mais de 60 cidades do interior goiano levando apresenta&ccedil;&otilde;es musicais, teatrais e&nbsp;de dan&ccedil;a, al&eacute;m de mostras audiovisuais, acesso &agrave; literatura e ao artesanato. &ldquo;Um projeto que vai movimentar as cidades do interior com a chegada de um caminh&atilde;o que se transforma em um verdadeiro palco. O in&iacute;cio est&aacute; previsto para junho, em Aragoi&acirc;nia&rdquo;, antecipa o secret&aacute;rio.<\/p>\n<p>Mais informa&ccedil;&otilde;es: (62) 3201-9857<\/p>\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Site Goi&aacute;s Agora<\/p>\n<p><\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tela, o filme exibido era&nbsp;Cine Holi&uacute;dy, um longa brasileiro que, com bom humor e criatividade, relata a luta de um cin&eacute;filo para manter a tradi&ccedil;&atilde;o das salas de cinema, amea&ccedil;adas pela chegada da televis&atilde;o, ent&atilde;o uma novidade no interior do Cear&aacute; nos anos de 1970, &eacute;poca em que se passa a hist&oacute;ria. 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