

{"id":17165,"date":"2021-07-22T10:10:32","date_gmt":"2021-07-22T13:10:32","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/contestacao-e-aceitacao-varias-facetas-do-rockn-roll\/"},"modified":"2021-07-22T10:10:32","modified_gmt":"2021-07-22T13:10:32","slug":"contestacao-e-aceitacao-varias-facetas-do-rockn-roll","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/contestacao-e-aceitacao-varias-facetas-do-rockn-roll\/","title":{"rendered":"Contesta\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o: v\u00e1rias facetas do rock\u2019n roll"},"content":{"rendered":"<p>Surgido de ritmos perif&eacute;ricos, o rock se espalhou pelos Estados Unidos e pelo mundo, refletindo ideias e inquieta&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;Uma cidade musicalmente fervilhante&rdquo;. Era assim que um grande jornal do Rio de Janeiro se referia &agrave; Goi&acirc;nia, em 2015. E a efervesc&ecirc;ncia ali declarada vinha de um cen&aacute;rio musical que nem sempre &eacute; associado &agrave; regi&atilde;o Centro-Oeste do Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Ao inv&eacute;s de uma sonoridade muitas vezes vinculada &agrave; m&uacute;sica sertaneja, &nbsp;estereotipada numa ruralidade representada por elementos do agroneg&oacute;cio e de rela&ccedil;&otilde;es afetivas tempestuosas, o cen&aacute;rio musical goiano que chamou a aten&ccedil;&atilde;o de jornalistas tinha sua marca em guitarra, baixo e bateria fortes e urbanos, com letras que representavam menos a &ldquo;ro&ccedil;a&rdquo; ou a &ldquo;balada&rdquo;, e mais os conflitos e o mal-estar de jovens buscando expressar insatisfa&ccedil;&atilde;o com o cotidiano.<\/p>\n<p>Era <em>o rock&rsquo;n roll<\/em>, que mostrava um Goi&aacute;s (e um Centro-Oeste) diferente daquele apresentado pelas corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia e duplas famosas por tocar em r&aacute;dios do Pa&iacute;s inteiro, &agrave;s vezes &agrave; custa de &ldquo;incentivos financeiros&rdquo; concedidos pelas gravadoras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Escolha o seu rock&rsquo;n roll<\/strong><\/h2>\n<p>Falar sobre o rock&rsquo;n roll &eacute; sempre tocar no anseio de express&atilde;o que jovens de algum lugar e &eacute;poca tinham em rela&ccedil;&atilde;o ao <em>mainstream<\/em> dominante. Se na origem a mescla de ritmos musicais de negros das regi&otilde;es perif&eacute;ricas dos Estados Unidos&nbsp;fomentou um novo modo de se divertir e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, de se comportar; com a expans&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e a difus&atilde;o do rock pelo mundo, outras formas de olhar para a realidade come&ccedil;aram a interferir na produ&ccedil;&atilde;o musical &ldquo;roqueira&rdquo;.<\/p>\n<p>Foram gerados estilos e atitudes que colocam dentro de um mesmo estilo (pelo menos em tese) Jimmy Hendrix, The Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath e tantas outras bandas e cantores, cuja cita&ccedil;&atilde;o aqui seria extenuante. Cada pa&iacute;s do mundo e cada &eacute;poca podem oferecer ao apreciador um conjunto de m&uacute;sicos que usou, e usa, da sonoridade e da est&eacute;tica do rock (em suas diversas variantes), para difundir suas ideias, suas criticas &agrave; sociedade, seu mal-estar individual ou coletivo, ou simplesmente para divertir a audi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Assim, podemos ouvir desde <em>heavy metal<\/em> crist&atilde;o at&eacute; composi&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas ao sabor do rock dos anos 1950 (chamado de rockabilly), ou reinterpreta&ccedil;&otilde;es de cl&aacute;ssicos do <em>rock&rsquo;n roll<\/em> com instrumenta&ccedil;&otilde;es que fazem refer&ecirc;ncias a instrumentos medievais (o chamado <em>bardocore<\/em>).<\/p>\n<h2><strong>Da imita&ccedil;&atilde;o &agrave; inova&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/h2>\n<p>No Brasil, o rock chega com o aumento da influ&ecirc;ncia norte-americana. ap&oacute;s o fim da Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo em que desembarcam no Brasil pracinhas e aviadores retornados da It&aacute;lia, a presen&ccedil;a de empresas e produtos culturais vindos dos EUA se faziam mais vis&iacute;veis.<\/p>\n<p>A juventude brasileira se encontrava pressionada entre as tradi&ccedil;&otilde;es de uma sociedade rural, provinciana e fortemente hier&aacute;rquica; e os anseios por liberdade, protagonismo, modernidade e transforma&ccedil;&atilde;o que se faziam perceber por meio de filmes, discos, transmiss&otilde;es de r&aacute;dio e programas de TV (estes a partir dos anos 1960). Esses, trazidos para o Pa&iacute;s pela ind&uacute;stria cultural, que acabou transformando os modos de ser e agir dessa juventude, impressionada e tocada tardiamente pelo <em>american way of life<\/em>.<\/p>\n<p>Durante as d&eacute;cadas de 1950 e 1960, muito da produ&ccedil;&atilde;o de rock no Brasil era uma adapta&ccedil;&atilde;o direta ou indireta de materiais americanos ou brit&acirc;nicos. S&atilde;o poucas as produ&ccedil;&otilde;es com cores mais nacionais, ou mesmo que fugissem do &ldquo;modelo vencedor&rdquo; do I&ecirc;-i&ecirc;-i&ecirc;.<\/p>\n<p>Com o surgimento de algumas novidades depois de 1968, &eacute; apenas em meados dos anos 1970 que o rock brasileiro se estabelece de fato, com tem&aacute;ticas mais locais nas letras e misturas inusitadas na melodia. Os trabalhos musicais se distanciavam da c&oacute;pia, mas se aproximavam das experimenta&ccedil;&otilde;es que tomavam conta do cen&aacute;rio roqueiro pelo mundo, como o Movimento Tropicalista, e bandas, como Secos e Molhados e Alm&ocirc;ndegas, al&eacute;m de cantores como Raul Seixas.<\/p>\n<h2><strong>As pedras rolam longe da voz do sucesso do passado<\/strong><\/h2>\n<p>A revolu&ccedil;&atilde;o cultural dos anos 1960 chegou tardiamente no Brasil, devido ao fechamento cultural do Pa&iacute;s em um cen&aacute;rio de regime de exce&ccedil;&atilde;o. Mas os anos 1970 e 1980 foram de grande expans&atilde;o do rock no Brasil, onde ele ganhou a simpatia da m&iacute;dia e do p&uacute;blico. Surgiram muitas bandas que transpareciam a insatisfa&ccedil;&atilde;o, especialmente da juventude, com o momento nacional.<\/p>\n<p>Uma ditadura na UTI viu o surgimento de grupos questionando a ordem, fossem de modo debochado, l&iacute;rico ou simplesmente vocalizando a repress&atilde;o vivida nos anos anteriores. Mas junto com a expans&atilde;o das vozes por meios das bandas de garagem, as grandes gravadoras e o &ldquo;cen&aacute;rio cultural estabelecido&rdquo; absorveram muitos desses roqueiros.<\/p>\n<p>Esses m&uacute;sicos, passados seus dias de empolgado estrelato, fazem como os personagens da letra do grupo pr&eacute;-punk rock paulista &ldquo;Joelho de Porco&rdquo;, que j&aacute; em 1983 dizia em alto e bom tom, que &ldquo;Quando tiver passado bastante tempo, n&oacute;s vamos nos encontrar. E n&oacute;s vamos nos divertir &agrave; be&ccedil;a, rindo de tudo isso (&hellip;) n&oacute;s vamos ficar sorrindo, recordando o nosso passado E dizendo de vez em quando: No nosso tempo &eacute; que era bom&rdquo;.<\/p>\n<p>Se essas vozes foram absorvidas e convertidas pelo <em>mainstream<\/em> em representantes de algo que parece o inverso do que defendiam em suas letras, a revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica que tem lugar nos anos 1990 em diante possibilitou o fomento e o surgimento de bandas fora dos eixos tradicionais do rock.<\/p>\n<p>Isso fez com que movimentos como o &ldquo;Mangue Beat&rdquo;, de Pernambuco, e a cena independente goiana ganhassem visibilidade no Pa&iacute;s todo e mesmo fora, mantendo a efervesc&ecirc;ncia vislumbrada pelo jornalista carioca, mesmo sem os grandes holofotes da &ldquo;ind&uacute;stria cultural do Sudeste&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Surgido de ritmos perif&eacute;ricos, o rock se espalhou pelos Estados Unidos e pelo mundo, refletindo ideias e inquieta&ccedil;&otilde;es<\/p>\n","protected":false},"author":247,"featured_media":17164,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-17165","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef.png",1920,1080,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef.png",1920,1080,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef.png",1920,1080,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef-300x169.png",300,169,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef-1024x576.png",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef-1536x864.png",1536,864,true],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/07\/Banner_-_TBT_Site_ABC_1-cef.png",1920,1080,false]},"rttpg_author":{"display_name":"lucelialima","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/author\/lucelialima\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/categoria\/institucional\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"Surgido de ritmos perif&eacute;ricos, o rock se espalhou pelos Estados Unidos e pelo mundo, refletindo ideias e inquieta&ccedil;&otilde;es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/247"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17165\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}