

{"id":17095,"date":"2021-06-24T07:55:06","date_gmt":"2021-06-24T10:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/modernidade-e-memoria-o-que-a-ferrovia-foi-para-goiania\/"},"modified":"2021-06-24T07:55:06","modified_gmt":"2021-06-24T10:55:06","slug":"modernidade-e-memoria-o-que-a-ferrovia-foi-para-goiania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/modernidade-e-memoria-o-que-a-ferrovia-foi-para-goiania\/","title":{"rendered":"Modernidade e mem\u00f3ria: o que a ferrovia foi para Goi\u00e2nia?"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-17094\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/06\/2406_TBT_FERROVIA-5ff.png\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/06\/2406_TBT_FERROVIA-5ff.png 1920w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/06\/2406_TBT_FERROVIA-5ff-300x169.png 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/06\/2406_TBT_FERROVIA-5ff-1024x576.png 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/06\/2406_TBT_FERROVIA-5ff-768x432.png 768w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/06\/2406_TBT_FERROVIA-5ff-1536x864.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p>Durante muitos anos, ter o territ&oacute;rio da cidade cortado pela ferrovia e contar com uma esta&ccedil;&atilde;o era a garantia de uma cidade com possibilidade de crescimento e riqueza. J&aacute; hoje, de tudo que veio com a locomotiva, s&oacute; ficou a mem&oacute;ria.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A ferrovia tem uma presen&ccedil;a constante no imagin&aacute;rio coletivo. Em Goi&aacute;s, isso por ser observado seja por meio de express&otilde;es (quem nunca exclamou &ldquo;mas que trem &eacute; esse?&rdquo; diante de algo espantoso) ou por meio de desejos de mobilidade r&aacute;pida e barata (como a conex&atilde;o Bras&iacute;lia\/Entorno do DF\/Goi&acirc;nia por trem, chamada popularmente de Expresso Pequi) ou simplesmente nost&aacute;lgica e de entretenimento (um trem tur&iacute;stico na regi&atilde;o de Caldas Novas ou em Pires do Rio).<\/p>\n<p>Outro ponto importante &eacute; a economia, no qual a ferrovia tamb&eacute;m pode trazer agilidade e lucros. E &eacute; em com essa perspectiva que a ferrovia ressurge em Goi&aacute;s, e mesmo no Brasil, como uma f&ecirc;nix das cinzas, apesar de ainda ter muitas dificuldades nessa reconstru&ccedil;&atilde;o de um modelo de transporte que foi muito importante at&eacute; os anos 1950.<\/p>\n<h2>A febre dos trilhos chega ao Brasil<\/h2>\n<p>A ferrovia brasileira surge, efetivamente, em 1854, com a inaugura&ccedil;&atilde;o da Estrada de Ferro Mau&aacute;, ligando o porto do Rio de Janeiro a uma localidade chamada Raiz da Serra, pr&oacute;ximo a Petr&oacute;polis. Foram 50 anos desde a primeira experi&ecirc;ncia bem-sucedida de um ve&iacute;culo a vapor sobre trilhos.<\/p>\n<p>Desde a chegada da ferrovia no Brasil, a expans&atilde;o desse meio de deslocamento de cargas e pessoas foi not&aacute;vel. Em 1884 havia 6.116 quil&ocirc;metros de ferrovias; j&aacute; em 1922, eram 29 mil quil&ocirc;metros. Desde quando o governo Washington Lu&iacute;s passou a priorizar a rodovia, o ritmo de expans&atilde;o foi diminuindo. Seu lema de campanha era &ldquo;governar &eacute; abrir estradas&rdquo;. Nos anos 1960 t&iacute;nhamos 37 mil quil&ocirc;metros de linhas por todo o pa&iacute;s e a partir dos anos 1970 esse tamanho vai diminuindo, ficando ao redor de 30 mil quil&ocirc;metros desde ent&atilde;o.<\/p>\n<h2>O trem vem a passo de tartaruga<\/h2>\n<p>Goi&aacute;s demora para receber os trilhos. A modernidade t&eacute;cnica e econ&ocirc;mica associada ao uso de trens lutava contra a dist&acirc;ncia e os interesses locais e nacionais, que faziam o estado ficar em um cabo de guerra entre elites estaduais paulistas, paraenses e baianas. Mesmo surgindo planos para a implanta&ccedil;&atilde;o de ferrovias tanto no norte da prov&iacute;ncia de Goi&aacute;s (no que hoje &eacute; o Tocantins) como no sul, apenas em 1912 a ferrovia entra em Goi&aacute;s, e muito lentamente avan&ccedil;a desde Minas Gerais. Um misto de desinteresse por limita&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas regionais e mundiais fazem com que a ferrovia chegasse a Goi&acirc;nia apenas em 1950, depois de 19 anos parada em Leopoldo de Bulh&otilde;es (An&aacute;polis recebeu uma esta&ccedil;&atilde;o em 1935, que foi o ponto final da linha at&eacute; a inaugura&ccedil;&atilde;o do novo ramal para Goi&acirc;nia).<\/p>\n<p>A linha, recebida com festa e marcando uma grande obra de conex&atilde;o com as capitais do Sudeste e a ent&atilde;o capital federal do pa&iacute;s a &eacute;poca, ainda foi prolongada at&eacute; Campinas em 1959, sem nunca ter alcan&ccedil;ado seu objetivo de avan&ccedil;ar at&eacute; o Rio Araguaia, depois de passar pela cidade de Goi&aacute;s. Mesmo pouco citada, a Estrada de Ferro Goi&aacute;s teve import&acirc;ncia marcante para a constru&ccedil;&atilde;o de Bras&iacute;lia, tendo sido estabelecida uma linha ramal que levou material at&eacute; canteiros de obras da nova capital federal e, com ela j&aacute; implantada, esta&ccedil;&otilde;es que permitiam levar cargas e passageiros at&eacute; o N&uacute;cleo Bandeirantes e os arredores da cidade, na esta&ccedil;&atilde;o Rodoferrovi&aacute;ria.<\/p>\n<h2>Um dia passou um trem por aqui<\/h2>\n<p>Se os trilhos demoraram quase 40 anos para chegar em Goi&acirc;nia, levaram outros 40 para serem retirados do centro da cidade. Na d&eacute;cada de 1960 a ferrovia mobilizou muitos aspectos da vida cotidiana em Goi&acirc;nia. Com a amplia&ccedil;&atilde;o da linha at&eacute; Campinas e a transfer&ecirc;ncia da administra&ccedil;&atilde;o de Araguari para a capital goiana, muitas mudan&ccedil;as ocorreram. At&eacute; mesmo um time de futebol, o Ferrovi&aacute;rio, apareceu e chamou aten&ccedil;&atilde;o, chegando &agrave;s finais do campeonato estadual em 1968.<\/p>\n<p>Contudo, nos anos 1970 a administra&ccedil;&atilde;o ferrovi&aacute;ria nacional passou a suprimir &ldquo;trechos antiecon&ocirc;micos&rdquo; e, com essa premissa, os trens para passageiros v&atilde;o sendo descontinuados. Em algumas regi&otilde;es os trilhos s&atilde;o retirados do espa&ccedil;o urbano, dando lugar a constru&ccedil;&otilde;es e &agrave; malha rodovi&aacute;ria, como ocorreu em An&aacute;polis em 1973. Em Goi&acirc;nia, esse movimento ocorreu a partir de 1970, com a desativa&ccedil;&atilde;o do trecho at&eacute; Campinas e gradual redu&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fego de passageiros, at&eacute; a partida final o &uacute;ltimo trem de passageiros em 25 de junho de 1983.<\/p>\n<p>Apenas a esta&ccedil;&atilde;o (transformada em museu), o pr&eacute;dio da esta&ccedil;&atilde;o de Campinas (que virou guarni&ccedil;&atilde;o militar) e o leito dos trilhos (hoje transformados na avenida Leste-Oeste) sobreviveram na cidade. Outros espa&ccedil;os ferrovi&aacute;rios foram transformados, virando a rodovi&aacute;ria, um centro de compras e a pr&oacute;pria C&acirc;mara Municipal.<\/p>\n<h2>E l&aacute; vem o trem<\/h2>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos o transporte ferrovi&aacute;rio tem voltado &agrave; moda no Brasil. E, como no passado, seu papel principal &eacute; o transporte de bens para exporta&ccedil;&atilde;o. Entretanto, ainda se v&ecirc; na ferrovia uma alternativa para diversas quest&otilde;es de mobilidade e agilidade n&atilde;o s&oacute; nas cidades, com o transporte metrovi&aacute;rio, mas tamb&eacute;m nos espa&ccedil;os intermunicipais e interestaduais. A constru&ccedil;&atilde;o de novas ferrovias e a reabilita&ccedil;&atilde;o de trechos desativados refor&ccedil;a essa perspectiva, mas ainda estamos distantes de ter no cotidiano de Goi&acirc;nia sons e imagens como aqueles presentes em outras partes do pa&iacute;s e do mundo.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muitos anos, ter o territ&oacute;rio da cidade cortado pela ferrovia e contar com uma esta&ccedil;&atilde;o era a garantia de uma cidade com possibilidade de crescimento e riqueza. 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