

{"id":16792,"date":"2021-04-15T11:11:36","date_gmt":"2021-04-15T14:11:36","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/gabinete-literario-goyano-livros-jornais-e-conceitos-como-status-e-conhecimento\/"},"modified":"2021-04-15T11:11:36","modified_gmt":"2021-04-15T14:11:36","slug":"gabinete-literario-goyano-livros-jornais-e-conceitos-como-status-e-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/gabinete-literario-goyano-livros-jornais-e-conceitos-como-status-e-conhecimento\/","title":{"rendered":"Gabinete Liter\u00e1rio Goyano: livros, jornais e conceitos como status e conhecimento"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16791\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/1504_TBT-45b.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/1504_TBT-45b.png 1280w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/1504_TBT-45b-300x169.png 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/1504_TBT-45b-1024x576.png 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/1504_TBT-45b-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>Um Netflix de livros no S&eacute;culo XIX, longe das principais cidades do imp&eacute;rio. A primeira biblioteca goiana come&ccedil;ou com acervo ecl&eacute;tico que chegava em lombo de burro depois de meses de marcha e funciona ainda hoje, oferecendo mais do que apenas acesso &agrave; um s&iacute;mbolo de status.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Uma constru&ccedil;&atilde;o em Goi&aacute;s teve import&acirc;ncia semelhante no cotidiano das pessoas de seu tempo ao da populariza&ccedil;&atilde;o da Netflix e outros servi&ccedil;os de streaming nos dias atuais. Bens culturais como arte, cinema, teatro e literatura, m&uacute;sica, programas de debate e de opini&atilde;o, revistas, jornais e livros est&atilde;o a alguns cliques e talvez por algumas moedas a menos no bolso. Mas em 10 de abril de 1864 a cidade de Goi&aacute;s conheceu um meio de difus&atilde;o cultural muito singular: o Gabinete Liter&aacute;rio Goyano.<\/p>\n<h2>Modelo antigo<\/h2>\n<p>Apesar dos diversos aplicativos de streaming de v&iacute;deos, de disponibiliza&ccedil;&atilde;o de livros ou de visualiza&ccedil;&atilde;o de jornais inovadores quando nos deparamos com eles, a verdade &eacute; que n&atilde;o deixam de ser releituras das locadoras de v&iacute;deo, saudosas para alguns e de mem&oacute;ria quase angustiante para outros. Elas pr&oacute;prias, com suas caracter&iacute;sticas e particularidades, tinham algo de bibliotecas, onde se podia acessar volumes e levar para casa alguns deles mediante uma assinatura, cadastro ou outro tipo de controle.<\/p>\n<p>Associar-se a um &ldquo;clube&rdquo; para poder ter acesso aos materiais de difus&atilde;o do conhecimento, de entretenimento e de arte &eacute; um modelo muito mais antigo do que podemos pensar. Bibliotecas j&aacute; existiam no mundo desde a chamada Idade Antiga. Mas, inserido dentro do mundo eurocentrista desde o S&eacute;culo XV, o Brasil s&oacute; tem permitida a circula&ccedil;&atilde;o de livros, assim como a produ&ccedil;&atilde;o de jornais e folhetos impressos, depois da chegada da fam&iacute;lia real portuguesa, em fuga das invas&otilde;es napole&ocirc;nicas, em 1808.<\/p>\n<h2>S&iacute;mbolo de distin&ccedil;&atilde;o social<\/h2>\n<p>Demoraram alguns anos para que a impress&atilde;o chegasse em Goi&aacute;s, com a Matutina Meiapontense, primeiro jornal da regi&atilde;o, mas o desejo e a percep&ccedil;&atilde;o do papel promovido pelo livro na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade diferente j&aacute; estava presente no cotidiano de alguns n&uacute;cleos urbanos, como Piren&oacute;polis e Goi&aacute;s. A pr&oacute;pria Matutina Meiapontense noticiou a instala&ccedil;&atilde;o de uma biblioteca p&uacute;blica em Meia Ponte (Piren&oacute;polis) em 1832, mas o sil&ecirc;ncio dos anos seguintes no jornal indica que o empreendimento n&atilde;o foi pra frente.<\/p>\n<p>O livro s&oacute; vai ter destaque com o fortalecimento do pensamento liberal (que &eacute; um tanto diferente do liberalismo que algumas pessoas advogam na atualidade) e ele demandava um acesso mais livre ao que se escrevia e pensava, mesmo que questionasse (ou especialmente por isso) os ditames do governo estabelecido.<\/p>\n<p>O S&eacute;culo XIX &eacute; um momento de grande expans&atilde;o do letramento, n&atilde;o s&oacute; para o desempenho de fun&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m para o desenvolvimento de uma erudi&ccedil;&atilde;o, de um &ldquo;bom gosto&rdquo; cultural e da aprecia&ccedil;&atilde;o do pensamento mais &ldquo;elevado&rdquo; e erudito. Ter livros passou ent&atilde;o a ser distinto, e n&atilde;o sinal de apostasia ou de rebeldia em rela&ccedil;&atilde;o ao poder. Por&eacute;m, ainda assim era caro ter livros, ainda mais em quantidade e variedade.<\/p>\n<h2>A solu&ccedil;&atilde;o dos problemas, ou quase<\/h2>\n<p>Ter livros era caro, n&atilde;o s&oacute; pelo custo deles mesmos, mas tamb&eacute;m pelo &ldquo;frete&rdquo;, feito por meio das tropas que as vezes demoravam meses para chegar do Rio de Janeiro ou de S&atilde;o Paulo, trazendo as novidades. O Gabinete Liter&aacute;rio Goyano tentou ser uma op&ccedil;&atilde;o de biblioteca que n&atilde;o dependesse dos aportes (e consequentemente se submetesse a censura) do governo para a aquisi&ccedil;&atilde;o dos livros.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o governo provincial (e depois estadual) por vezes era demandado a contribuir com a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos volumes para a biblioteca, mesmo que os s&oacute;cios precisassem pagar uma inscri&ccedil;&atilde;o e uma mensalidade equivalente, aproximadamente, a R$125,00 e R$25,00 respectivamente.<\/p>\n<p>As dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o e de locomo&ccedil;&atilde;o, que durante muito tempo serviram como explica&ccedil;&atilde;o da manuten&ccedil;&atilde;o do isolamento e de um certo &ldquo;atraso&rdquo; do territ&oacute;rio goiano, eram suplantadas por contatos e dinheiro. Exemplo disso &eacute; o alcance e o impacto da leitura na comunidade, onde se vislumbravam jornais portugueses e lia-se livros escritos em franc&ecirc;s.<\/p>\n<p>O gabinete de leitura n&atilde;o foi uma exclusividade goiana. Eles surgiram em diversas partes do imp&eacute;rio e reuniam pessoas interessadas em ter acesso a livros, jornais e discuss&otilde;es diversas sobre novas ideias e descobertas, al&eacute;m de promover, a seu modo, a cultura e as primeiras letras. Em muitos lugares os gabinetes liter&aacute;rios tinham escolas de primeiras letras anexadas a elas. Em Goi&aacute;s, ele surgiu dentro de uma.<\/p>\n<p>O mais conhecido &eacute; o &ldquo;Real Gabinete de Leitura Portugu&ecirc;s&rdquo;, no Rio de Janeiro. Ele funciona at&eacute; hoje, assim como o seu cong&ecirc;nere goiano, mesmo diante de um universo de dificuldades, de op&ccedil;&otilde;es de acesso a livros por meio das telas que permitem t&ecirc;-los sempre &agrave; m&atilde;o, mas n&atilde;o com a mesma presen&ccedil;a que &eacute; percebida nos espa&ccedil;os f&iacute;sicos destinados &agrave;s cole&ccedil;&otilde;es de livros.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Netflix de livros no S&eacute;culo XIX, longe das principais cidades do imp&eacute;rio. 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