

{"id":16753,"date":"2021-04-01T13:55:26","date_gmt":"2021-04-01T16:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/a-lua-as-armas-e-o-poder-uma-noite-que-nao-deve-ser-esquecida\/"},"modified":"2021-04-01T13:55:26","modified_gmt":"2021-04-01T16:55:26","slug":"a-lua-as-armas-e-o-poder-uma-noite-que-nao-deve-ser-esquecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/a-lua-as-armas-e-o-poder-uma-noite-que-nao-deve-ser-esquecida\/","title":{"rendered":"A Lua, as armas e o poder: uma noite que n\u00e3o deve ser esquecida"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16752\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490.png 1280w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490-300x169.png 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490-1024x576.png 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>57 anos atr&aacute;s, tropas sa&iacute;ram &agrave;s ruas, pol&iacute;ticos articularam mudan&ccedil;as na ordem por meio da caneta e Pal&aacute;cio das Esmeraldas ficou sob amea&ccedil;a de bombas no anseio de garantir um governo que fortalecesse o olhar conservador e favor&aacute;vel a determinados grupos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O quanto uma mudan&ccedil;a de fase da lua pode modificar a hist&oacute;ria de um pa&iacute;s? No Brasil, podemos dizer que essa mudan&ccedil;a causou efeitos pelo menos durante mais de 25 anos. A noite entre 31 de mar&ccedil;o e 1&ordm; de abril de 1964 trouxe ao p&uacute;blico do pa&iacute;s um cen&aacute;rio que n&atilde;o era exatamente uma novidade, mas foi um endurecimento de uma vis&atilde;o de mundo e a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-social.<\/p>\n<p>Engana-se quem pensa que essa noite foi um &ldquo;instante excepcional&rdquo; na hist&oacute;ria pol&iacute;tica brasileira que levou o movimento das tropas entre Juiz de Fora (MG) e o Rio de Janeiro, consolidando a ruptura entre diversos grupos da sociedade (militares, pol&iacute;ticos de direita, empresariado, setores da Igreja, imprensa e outros grupos conservadores) e o presidente Jo&atilde;o Goulart.<\/p>\n<h2>Anos de insatisfa&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p>Podemos dizer que o golpe civil-militar de 1964 come&ccedil;ou a ser plantado dez anos antes, quando da crise pol&iacute;tica protagonizada por membros do empresariado e da classe pol&iacute;tica conservadora contra o ent&atilde;o presidente Get&uacute;lio Vargas. O antagonismo entre esses grupos ficou marcado pelos discursos inflamados de Carlos Lacerda, jornalista, comunicador e pol&iacute;tico que fez oposi&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica aos governos n&atilde;o ligados &agrave; UDN, seu partido.<\/p>\n<p>Esta oposi&ccedil;&atilde;o atravessou o governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) e J&acirc;nio Quadros (1961), chegando ao per&iacute;odo de Jo&atilde;o Goulart (1961-1964), vice-presidente que foi al&ccedil;ado ao governo depois da ren&uacute;ncia de J&acirc;nio. Ela se fazia presente em a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e de difus&atilde;o ideol&oacute;gica, como os discursos de Lacerda e nos filmes produzidos pelo IBAD e pelo IPES, associa&ccedil;&otilde;es financiadas pelo governo norte-americano, que divulgavam propaganda e apoiavam pol&iacute;ticos anticomunistas pelo pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Empres&aacute;rios tamb&eacute;m faziam parte desta oposi&ccedil;&atilde;o, devido a contrariedade deles com a pol&iacute;tica relativa &agrave; economia e aos sal&aacute;rios empreendida pelos governos desse per&iacute;odo. Latifundi&aacute;rios e religiosos conservadores completavam o universo de personalidades que viam no governo de Jo&atilde;o Goulart um risco iminente de &ldquo;cubaniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; do pa&iacute;s.<\/p>\n<h2>Uma presid&ecirc;ncia conturbada<\/h2>\n<p>Apesar de J&acirc;nio Quadros ser do mesmo partido que Lacerda e se identificar com sua ret&oacute;rica de &ldquo;combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e limpeza do Estado&rdquo; e a sua passagem mete&oacute;rica pela presid&ecirc;ncia (foram apenas sete meses at&eacute; a ren&uacute;ncia), a insatisfa&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o ver um projeto de governo que fosse apoiado pelo seu grupo chegar e manter-se no poder fez com que muitos componentes da oposi&ccedil;&atilde;o passassem a considerar a tomada do poder pela for&ccedil;a.<\/p>\n<p>Fomentavam ainda mais insatisfa&ccedil;&atilde;o a&ccedil;&otilde;es do governo Jo&atilde;o Goulart que, direcionando interven&ccedil;&otilde;es estatais para suas bases de apoio (sindicatos, militares de baixa patente e trabalhadores urbanos e rurais), acabava atingindo interesses de grupos da elite do pa&iacute;s. Uma rebeli&atilde;o de sargentos em 1963, o com&iacute;cio da Central do Brasil &ndash; onde Goulart assinou decretos desapropriando terras as margens de ferrovias e rodovias e encampava refinarias de petr&oacute;leo &ndash; em 13 de mar&ccedil;o de 1964 e a revolta dos marinheiros em 25 do mesmo m&ecirc;s no Rio de Janeiro foram os eventos que mais inflamaram a escalada do movimento golpista.<\/p>\n<h2>O in&iacute;cio de uma longa noite<\/h2>\n<p>A insatisfa&ccedil;&atilde;o dos grupos de oposi&ccedil;&atilde;o era vis&iacute;vel na m&iacute;dia, com diversas reportagens e editoriais contra o governo Goulart, em a&ccedil;&otilde;es de propaganda e em manifesta&ccedil;&otilde;es como a &ldquo;Marcha da Fam&iacute;lia com Deus e pela Liberdade&rdquo;, onde esses setores ocuparam ruas de diversas cidades para marcar posi&ccedil;&atilde;o contra o governo. Esse cen&aacute;rio serviu como apoio para militares e pol&iacute;ticos, particularmente os governadores de S&atilde;o Paulo, Minas Gerais e do ent&atilde;o estado da Guanabara (a cidade do Rio de Janeiro) colocarem em marcha o movimento de destitui&ccedil;&atilde;o do presidente Goulart.<\/p>\n<p>O movimento de tropas se daria a partir do dia 8 de abril, visto que &ldquo;nada iniciado na lua minguante d&aacute; certo&rdquo;, como dizia um dos generais da Infantaria, mas por decis&atilde;o intempestiva de um dos comandantes das tropas, os movimentos para tomar a cidade do Rio de Janeiro come&ccedil;aram na madrugada do dia primeiro de abril.<\/p>\n<p>Goulart viu-se sob o risco de iniciar uma guerra civil no pa&iacute;s, posto que ainda tinha apoio entre alguns segmentos militares (Aeron&aacute;utica e guarni&ccedil;&otilde;es do III Ex&eacute;rcito, no sul do pa&iacute;s), de grupos populares e pol&iacute;ticos. Um movimento de resist&ecirc;ncia era poss&iacute;vel, mas poderia cindir o pa&iacute;s e Goulart, ciente disso, viajou para estado do Rio Grande do Sul, buscando definir a estrat&eacute;gia a ser tomada.<\/p>\n<p>Entretanto, foi determinante para a consolida&ccedil;&atilde;o do golpe (e o esvaziamento de qualquer resist&ecirc;ncia) a a&ccedil;&atilde;o do presidente do Senado, Auro Soares, que na noite do dia 2 de abril declarou a presid&ecirc;ncia vaga &ndash; mesmo com Goulart em territ&oacute;rio nacional &ndash; e possibilitou a elei&ccedil;&atilde;o indireta do general Castelo Branco (1964-1967) como presidente do pa&iacute;s, o primeiro do ciclo militar encerrado 21 anos depois.<\/p>\n<h2>A pol&iacute;tica de Goi&aacute;s na mira da repress&atilde;o<\/h2>\n<p>Apesar de a Capital Federal estar situada em seu territ&oacute;rio, Goi&aacute;s n&atilde;o foi cen&aacute;rio preponderante nas movimenta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-militares que resultaram na queda do governo de Jo&atilde;o Goulart e na ascens&atilde;o de novos grupos ao poder. Mesmo assim, Goi&aacute;s esteve envolvido de algum modo a esses eventos.<\/p>\n<p>O governador da &eacute;poca, Mauro Borges Teixeira, era militar (promovido a coronel quando foi para reserva), tinha se alinhado a Leonel Brizola em 1961, quando da primeira tentativa de golpe contra Jo&atilde;o Goulart. Ele utilizou os meios de comunica&ccedil;&atilde;o do estado &ndash; notadamente a R&aacute;dio Brasil Central &ndash; para apoiar a manuten&ccedil;&atilde;o da legalidade e garantir a posse de Goulart ap&oacute;s a ren&uacute;ncia de J&acirc;nio Quadros.<\/p>\n<p>Mas o apoio durou pouco e em 1964 o governador n&atilde;o se movimentou objetivamente contra o golpe. Entretanto, com a consolida&ccedil;&atilde;o dos militares no poder, tiveram in&iacute;cio diversos atos de persegui&ccedil;&atilde;o a opositores do novo regime (que ficou representada, entre outras formas, pelos Atos Institucionais que reuniam listas de indiv&iacute;duos que tinham seus direitos pol&iacute;ticos cassados pelos mais diversos motivos).<\/p>\n<p>Mauro Borges, acusado de comunismo e corrup&ccedil;&atilde;o, foi destitu&iacute;do do poder em novembro de 1964 e se prop&otilde;e a resistir, n&atilde;o entregando o cargo ao interventor federal. Mas sob a amea&ccedil;a de bombardeiro de Goi&acirc;nia pela For&ccedil;a A&eacute;rea e os voos rasantes dos ca&ccedil;as da base de An&aacute;polis, entrega o cargo de governador ao interventor, suspendendo na &uacute;ltima hora a a&ccedil;&atilde;o contra o Pal&aacute;cio das Esmeraldas.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>57 anos atr&aacute;s, tropas sa&iacute;ram &agrave;s ruas, pol&iacute;ticos articularam mudan&ccedil;as na ordem por meio da caneta e Pal&aacute;cio das Esmeraldas ficou sob amea&ccedil;a de bombas no anseio de garantir um governo que fortalecesse o olhar conservador e favor&aacute;vel a determinados grupos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos<\/p>\n","protected":false},"author":249,"featured_media":16752,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-16753","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490.png",1280,720,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490.png",1280,720,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490.png",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490-300x169.png",300,169,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490-1024x576.png",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490.png",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/04\/0104_TBT_DITADURA_16x9-490.png",1280,720,false]},"rttpg_author":{"display_name":"alessandrobernardes","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/author\/alessandrobernardes\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/categoria\/institucional\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"57 anos atr&aacute;s, tropas sa&iacute;ram &agrave;s ruas, pol&iacute;ticos articularam mudan&ccedil;as na ordem por meio da caneta e Pal&aacute;cio das Esmeraldas ficou sob amea&ccedil;a de bombas no anseio de garantir um governo que fortalecesse o olhar conservador e favor&aacute;vel a determinados grupos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/249"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16753"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16753\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16752"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}