

{"id":16529,"date":"2021-02-18T07:55:11","date_gmt":"2021-02-18T10:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/entrudo-ze-pereira-e-trio-eletrico-pular-carnaval-ou-nao-tambem-e-ver-a-historia\/"},"modified":"2021-02-18T07:55:11","modified_gmt":"2021-02-18T10:55:11","slug":"entrudo-ze-pereira-e-trio-eletrico-pular-carnaval-ou-nao-tambem-e-ver-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/entrudo-ze-pereira-e-trio-eletrico-pular-carnaval-ou-nao-tambem-e-ver-a-historia\/","title":{"rendered":"Entrudo, Z\u00e9 Pereira e Trio El\u00e9trico: pular Carnaval (ou n\u00e3o) tamb\u00e9m \u00e9 ver a Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Celebrar com m&uacute;sica, fantasias e alegria n&atilde;o &eacute; exclusividade brasileira, mas a festa da carne na &ldquo;terra brasilis&rdquo; modificou-se muito desde suas origens at&eacute; a atualidade, com influ&ecirc;ncias diversas e misturas de modos e gostos de festejar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O calend&aacute;rio no come&ccedil;o do ano sempre &eacute; consultado com a quest&atilde;o: quando cai o Carnaval nesse ano? Mas esse ano foi um pouco diferente j&aacute; que, com a pandemia, os festejos foram oficialmente adiados, o que n&atilde;o &eacute; a primeira vez que acontece.<\/p>\n<p>No Brasil, convencionou-se afirmar tr&ecirc;s coisas: que temos o maior Carnaval do mundo, que o Carnaval &eacute; uma caracter&iacute;stica particularmente brasileira, e que o ano s&oacute; come&ccedil;a depois do Carnaval. Pelo menos duas dessas afirma&ccedil;&otilde;es s&atilde;o exageradas, j&aacute; que o Carnaval tem origem em festejos europeus, at&eacute; mesmo pr&eacute;-crist&atilde;os, e foram adaptados em cada regi&atilde;o que foi sendo ocupada por eles durante a expans&atilde;o colonial a partir do S&eacute;culo XIV.<\/p>\n<h2>E afinal, cai quando?<\/h2>\n<p>O Carnaval &eacute; uma festa que n&atilde;o tem data fixa. Na verdade, ela depende de um c&aacute;lculo introduzido pelo Papa Greg&oacute;rio na inten&ccedil;&atilde;o de reorganizar o calend&aacute;rio da cristandade e dar-lhe uma certa &quot;previsibilidade&quot; e significado &quot;refinado&quot; para a data maior do cristianismo, a P&aacute;scoa, pois assim separou a comemora&ccedil;&atilde;o da Pessach judaica.<\/p>\n<p>Este c&aacute;lculo leva em conta o equin&oacute;cio da primavera (data que o dia e a noite t&ecirc;m dura&ccedil;&otilde;es iguais, de 12 horas) e a primeira lua cheia depois desta data. O domingo seguinte a esta lua &eacute; dia de P&aacute;scoa. A partir da&iacute;, 47 dias antes temos ent&atilde;o o Carnaval. F&aacute;cil, n&atilde;o?<\/p>\n<h2>Adeus, carne!<\/h2>\n<p>Mas n&atilde;o podemos ignorar que o Carnaval, geralmente visto como uma &ldquo;compensa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via&rdquo; da pretensa &ldquo;absten&ccedil;&atilde;o da carne&rdquo; exigida dos fi&eacute;is no per&iacute;odo da quaresma cat&oacute;lica, tamb&eacute;m tem seus equivalentes em outras religi&otilde;es. Podemos lembrar que entre os judeus encontramos o feriado do Purim (comemorado em 14 de adar no calend&aacute;rio judaico, coincidindo em 2021 com o dia 27 de mar&ccedil;o no calend&aacute;rio gregoriano que usamos tradicionalmente).<\/p>\n<p>Mas o Carnaval &eacute; uma celebra&ccedil;&atilde;o notadamente de espa&ccedil;os crist&atilde;os. Vemos celebra&ccedil;&otilde;es bem animadas desse tipo nos EUA, Col&ocirc;mbia, Uruguai (que conta com uma cidade onde o Carnaval &eacute; uma celebra&ccedil;&atilde;o de mais de 40 dias!), Caribe, Portugal, Alemanha, Su&iacute;&ccedil;a, Benin, Cabo Verde e at&eacute; mesmo na &Iacute;ndia, no estado de Goa, al&eacute;m das lembran&ccedil;as &oacute;bvias do Brasil e da It&aacute;lia, com o tradicional Carnaval de Veneza.<\/p>\n<h2>A alegria no Velho Mundo<\/h2>\n<p>Em algumas regi&otilde;es da Europa, os dias que antecediam a Quaresma eram intensos: as mulheres tomavam o poder em algumas cidades, reis eram eleitos pela popula&ccedil;&atilde;o. Mesmo os signos mais vis&iacute;veis de distin&ccedil;&atilde;o eram invertidos: os jovens das aldeias ou vestiam-se de mulher ou com roupas ao avesso ou ainda com tecido de saco, tingiam-se de cinzas das fogueiras de prepara&ccedil;&atilde;o dos embutidos de porco para o per&iacute;odo da semana gorda e entram nas casas, assustando as pessoas, comendo e bebendo.<\/p>\n<p>Na Quarta-feira de Cinzas, eles entram na cidade em cortejo ao manequim do &quot;Carnaval&quot;, levavam-no para igreja principal e queimavam, junto com as m&aacute;scaras do lado de fora dela, dando in&iacute;cio aos lamentos da Quaresma.<\/p>\n<h2>Uma festa brasileira, com certeza<\/h2>\n<p>O Carnaval no Brasil pode ser visto como um campo de disputas sociais, n&atilde;o s&oacute; por ele derivar de antigas &ldquo;festas dos loucos&rdquo; que durante a Idade M&eacute;dia a ordem era subvertida, mas mesmo essa festa foi ganhando novos contornos com o passar dos anos.<\/p>\n<p>At&eacute; o idos do S&eacute;culo XIX, os festejos eram conhecidos como entrudo (um velho costume portugu&ecirc;s que subsiste ainda em algumas localidades tanto no Brasil como em Portugal), onde as pessoas jogavam &aacute;gua cheirosa (ou n&atilde;o) nos passantes, numa mistura de guerra de &ldquo;lim&otilde;es de cera&rdquo; e passeata. Juntavam-se tamb&eacute;m escravizados que nesses dias, para desgosto de alguns membros da elite e do clero, podia fazer batuques e fazer suas pr&oacute;prias comemora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Mas as fei&ccedil;&otilde;es do Carnaval brasileiro v&atilde;o se modificando a partir de 1840, quando come&ccedil;am os &ldquo;desfiles&rdquo; das sociedades Carnavalescas. Inspirados no Carnaval franc&ecirc;s (que por sua vez era inspirado no italiano), os grupos da elite da corte desejavam mostrar sua ades&atilde;o aos costumes &ldquo;modernos&rdquo;, com desfiles de carruagens enfeitadas e fantasias vindas diretamente de Paris, fazendo tamb&eacute;m bailes de m&aacute;scaras nos teatros e mesmo famosas e concorridas guerras de serpentina.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a popula&ccedil;&atilde;o passou a criar suas pr&oacute;prias formas de divers&atilde;o nos dias de Momo: o Z&eacute; Pereira. Uma manifesta&ccedil;&atilde;o em que mascarados com bumbos e instrumentos diversos que sa&iacute;am pelas ruas da cidade celebrando os dias antes da quaresma.<\/p>\n<h2>Tempos modernos<\/h2>\n<p>O S&eacute;culo XX viu muitas mudan&ccedil;as no modo de festejar o Carnaval. As escolas de samba surgiram nos anos 1930-1940 e come&ccedil;aram a mesclar aspectos do Z&eacute; Pereira e dos desfiles das &ldquo;sociedades Carnavalescas&rdquo;. Nesse cen&aacute;rio, m&uacute;sica e desfile se mesclaram com tecnologia e transformaram a folia em um concurso e em um evento muito concorrido.<\/p>\n<p>O Carnaval durante muito tempo foi uma manifesta&ccedil;&atilde;o predominantemente popular, tendo pouca ou nenhuma interfer&ecirc;ncia do poder p&uacute;blico. Em geral, os registros brasileiros de interven&ccedil;&atilde;o estatal sobre a festa ou se mostraram focados no controle, para &ldquo;civilizar&rdquo; e mesmo inibir a festa, ou na associa&ccedil;&atilde;o com ela &agrave; medida em que o Carnaval tornou-se um evento tur&iacute;stico e econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Tanto podemos observar que 2021 se notabilizou pelo &ldquo;cancelamento&rdquo; dos desfiles e dos feriados carnavalescos, mas isso n&atilde;o foi in&eacute;dito: tanto 1892 quanto em 1912 o governo tentou transferir o Carnaval, ou para um momento mais saud&aacute;vel &ndash; julho &ndash; ou por conta da morte de um ilustre personagem como Bar&atilde;o de Rio Branco. Para alegria de diabos, domin&oacute;s, doutores Burros, arlequins e diversos outros foli&otilde;es, em ambos os casos, o intento n&atilde;o foi alcan&ccedil;ado e o Carnaval foi celebrado duas vezes.<\/p>\n<h2>Farra goiana<\/h2>\n<p>Goi&aacute;s &eacute; um s&iacute;mbolo das mudan&ccedil;as no Carnaval. Em 1940, podia-se ler sobre as faustosas festas promovidas por jornais da velha capital, notas sobre a alegria vinda da passagem dos Z&eacute;s Pereiras e das guerras de confete, al&eacute;m das proclama&ccedil;&otilde;es da &ldquo;Sua Seren&iacute;ssima Majestade Rei Momo I e &Uacute;nico&rdquo; sobre &ldquo;a era Carnavalesca&rdquo; que se abria.<\/p>\n<p>Atualmente, as festas deixaram os espa&ccedil;os p&uacute;blicos e s&atilde;o m&uacute;ltiplos os lugares onde se realizam, tornando-se uma febre em alguma medida os &ldquo;palcos m&oacute;veis&rdquo;, que possibilitaram n&atilde;o s&oacute; a movimenta&ccedil;&atilde;o da festa pela cidade como tamb&eacute;m pelo calend&aacute;rio, com as diversas &ldquo;micaretas&rdquo; e carnavais fora de &eacute;poca que surgiram com for&ccedil;a a partir dos anos 1990.<\/p>\n<p>O Z&eacute; Pereira, por sua vez, ainda tem espa&ccedil;o, mas agora restrito a algumas cidades do interior, como Itabera&iacute;, onde &eacute; um marco importante do per&iacute;odo Carnavalesco.<\/p>\n<p>Esse ano, o decreto mais lembrado, mesmo que n&atilde;o seja respeitado, n&atilde;o &eacute; momesmo, mas da sa&uacute;de, que clama por afastamento mesmo nesse per&iacute;odo de festa. O samba pode n&atilde;o morrer, mas provavelmente 2021 vai ser uma marca bem grande na mem&oacute;ria dos foli&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio, Historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebrar com m&uacute;sica, fantasias e alegria n&atilde;o &eacute; exclusividade brasileira, mas a festa da carne na &ldquo;terra brasilis&rdquo; modificou-se muito desde suas origens at&eacute; a atualidade, com influ&ecirc;ncias diversas e misturas de modos e gostos de festejar.<\/p>\n","protected":false},"author":249,"featured_media":16528,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-16529","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1.png",1280,720,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1.png",1280,720,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1.png",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1-300x169.png",300,169,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1-1024x576.png",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1.png",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/02\/1802_TBT_CARNAVAL_16x9-5a1.png",1280,720,false]},"rttpg_author":{"display_name":"alessandrobernardes","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/author\/alessandrobernardes\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/categoria\/institucional\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"Celebrar com m&uacute;sica, fantasias e alegria n&atilde;o &eacute; exclusividade brasileira, mas a festa da carne na &ldquo;terra brasilis&rdquo; modificou-se muito desde suas origens at&eacute; a atualidade, com influ&ecirc;ncias diversas e misturas de modos e gostos de festejar.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/249"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16529\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}