{"id":16261,"date":"2020-12-31T14:26:15","date_gmt":"2020-12-31T17:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/romas-ondas-e-outras-tradicoes-o-que-se-revela-ao-olhar-o-reveillon\/"},"modified":"2020-12-31T14:26:15","modified_gmt":"2020-12-31T17:26:15","slug":"romas-ondas-e-outras-tradicoes-o-que-se-revela-ao-olhar-o-reveillon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/romas-ondas-e-outras-tradicoes-o-que-se-revela-ao-olhar-o-reveillon\/","title":{"rendered":"Rom\u00e3s, ondas e outras tradi\u00e7\u00f5es: o que se revela ao olhar o r\u00e9veillon?"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16260\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/3112_TBC_ANO_NOVO_16x9-0c1.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/3112_TBC_ANO_NOVO_16x9-0c1.png 1280w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/3112_TBC_ANO_NOVO_16x9-0c1-300x169.png 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/3112_TBC_ANO_NOVO_16x9-0c1-1024x576.png 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/3112_TBC_ANO_NOVO_16x9-0c1-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>O ano de 2020 foi duro e as comemora&ccedil;&otilde;es de r&eacute;veillon s&atilde;o uma forma boa de marcar o encerramento do ciclo. Muitas formas de comemorar a passagem de ano t&ecirc;m sentidos mais profundos e &agrave;s vezes dizem mais do que parece no primeiro momento.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h2>Sentido do termo<\/h2>\n<p>R&eacute;veillon &eacute; um termo dif&iacute;cil que usamos com frequ&ecirc;ncia. Vindo do franc&ecirc;s, ele &eacute; definido como &ldquo;refei&ccedil;&atilde;o festiva feita na noite que precede o Natal e o dia de Ano&rdquo;. Tamb&eacute;m est&aacute; ligado &agrave; ideia de alvorada, amanhecer ou acordar. Mas tomar esse momento de festa pela defini&ccedil;&atilde;o de dicion&aacute;rio sobre de seu nome deixa muitos elementos de fora dessa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>A ideia de ciclo est&aacute; presente em todos os calend&aacute;rios que o homem utiliza ou utilizou durante a hist&oacute;ria. Assim celebrar o final de um calend&aacute;rio para o in&iacute;cio de outro faz parte da natureza humana desde quando ele come&ccedil;ou a contar o tempo.<\/p>\n<p>No Brasil, a festa de Ano Novo confunde-se com as festas do ciclo natalino, especialmente em zonas mais interioranas do pa&iacute;s. Tamb&eacute;m existem v&aacute;rios tra&ccedil;os que podemos conect&aacute;-la &agrave;s religi&otilde;es afro-brasileiras, estando presente nas celebra&ccedil;&otilde;es de diversas partes do pa&iacute;s. No per&iacute;odo colonial, os homens e mulheres escravizados aproveitavam que nesse per&iacute;odo tamb&eacute;m dava-se a &ldquo;renova&ccedil;&atilde;o&rdquo; de roupas e outros utens&iacute;lios de trabalho para celebrar sua f&eacute;, especialmente no dia 1&ordm; de janeiro.<\/p>\n<h2>Alimentos e pr&aacute;ticas<\/h2>\n<p>Alguns alimentos, como a lentilha e a rom&atilde;, t&ecirc;m uma conex&atilde;o com a ideia de fartura e fecundidade, desde os tempos pr&eacute;-crist&atilde;os. Assim, consumir rom&atilde;s &eacute; algo que desde os romanos significava fertilidade, especialmente em casamentos. No cristianismo, a rom&atilde; foi lida como uma grande met&aacute;fora para a rela&ccedil;&atilde;o entre os homens e Deus.<\/p>\n<p>Nas regi&otilde;es litor&acirc;neas, o costume que &eacute; muito presente s&atilde;o os pulos sobre sete ondas para poder garantir um ano tranquilo e pr&oacute;spero. O costume, esse ligado especialmente com as religi&otilde;es afro-brasileiras (mas n&atilde;o s&oacute; elas), tem v&aacute;rios sentidos ligados &agrave; &aacute;gua, associada a Iemanj&aacute;, mas tamb&eacute;m ao ressurgimento da consci&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo. A &aacute;gua tem um valor muito grande nas diversas religi&otilde;es e mitologias como esse ve&iacute;culo entre mundos, o natural e o sobrenatural. Al&eacute;m disso, a quantidade de ondas que se deve pular, sete, tamb&eacute;m &eacute; significante. Esse n&uacute;mero aparece vinculado com a divindade em diversas cren&ccedil;as, sendo uma esp&eacute;cie de n&uacute;mero m&aacute;gico que representaria a jun&ccedil;&atilde;o total entre o divino e humano.<\/p>\n<p>Um outro elemento, esse muito singular, &eacute; a associa&ccedil;&atilde;o entre cores e expectativas para o ano novo. Utilizar alguma pe&ccedil;a com determinadas cores (vermelho para amor, amarelo para dinheiro&hellip;) para simbolizar o que se deseja para o ano que se inicia &eacute; um costume encontrado n&atilde;o s&oacute; no Brasil. Peru e Equador s&atilde;o lugares onde essa tradi&ccedil;&atilde;o vigora tamb&eacute;m. Por&eacute;m existem apontamentos que o costume de passar r&eacute;veillon vestido inteiramente com pe&ccedil;as de branco, no Brasil, tem origem nos anos 1960, quando grupos de candombl&eacute; e de umbanda frequentados pela classe m&eacute;dia carioca reuniam-se na praia de Copacabana para celebrar a passagem do ano. Sendo um lugar bastante &ldquo;central&rdquo; no imagin&aacute;rio das pessoas, os frequentadores da praia de Copacabana acabaram &ldquo;lan&ccedil;ando moda&rdquo; para o pa&iacute;s inteiro.<\/p>\n<h2>Em outros lugares<\/h2>\n<p>As comemora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fen&ocirc;menos vivos e se modificam com o tempo e com as influ&ecirc;ncias que v&atilde;o se fazendo presentes de forma cada vez mais intensa, visto a circula&ccedil;&atilde;o de pessoas e ideias ter aumentado e dinamizado nos &uacute;ltimos 50 anos. Exemplo disso pode ser visto na R&uacute;ssia. Com a revolu&ccedil;&atilde;o de 1917, houve uma intensa campanha para ressignificar elementos como a &aacute;rvore de Natal e o Papai Noel. Eles passaram a vincular-se ao r&eacute;veillon, virando &ldquo;a &aacute;rvore do ano novo&rdquo; e o &ldquo;Vov&ocirc; Gelo&rdquo; (que &eacute; auxiliado por sua neta Donzela do Gelo). Hoje, na R&uacute;ssia e nas antigas rep&uacute;blicas sovi&eacute;ticas pode-se encontrar &ldquo;&aacute;rvores de ano novo&rdquo; ao lado de mesquitas, sinagogas e templos budistas.<\/p>\n<p>Nos EUA, se organizam festas nas casas que duram a noite toda, j&aacute; no Jap&atilde;o existem v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es seguidas pelas pessoas. Chama a aten&ccedil;&atilde;o a festa de fim de ano com um forte apelo da cultura do trabalho, se comemorando com os colegas da firma em festas (muitas vezes no plural) com fartas doses de cerveja e sake. Em fam&iacute;lia, os japoneses (e outros povos orientais) fazem uma grande limpeza na casa &ndash; para retirar as energias negativas do ano que finaliza &ndash; e se faz um caf&eacute; da manh&atilde; especial com fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Seja em fam&iacute;lia ou com amigos, numa casa no meio do mato ou na cidade, o importante para esse fim de ciclo de 2020 &eacute; se cuidar para que rom&atilde;s, ondas, lentilhas, caf&eacute; da manh&atilde; em fam&iacute;lia ou o &ldquo;Vov&ocirc; Gelo&rdquo;, nos encontrem em 2021. Kanpai!<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2020 foi duro e as comemora&ccedil;&otilde;es de r&eacute;veillon s&atilde;o uma forma boa de marcar o encerramento do ciclo. 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