

{"id":16249,"date":"2020-12-23T16:41:41","date_gmt":"2020-12-23T19:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/nascimentos-protecao-e-presentes-simbolos-natalinos-sao-mais-do-que-simples-enfeites\/"},"modified":"2020-12-23T16:41:41","modified_gmt":"2020-12-23T19:41:41","slug":"nascimentos-protecao-e-presentes-simbolos-natalinos-sao-mais-do-que-simples-enfeites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/nascimentos-protecao-e-presentes-simbolos-natalinos-sao-mais-do-que-simples-enfeites\/","title":{"rendered":"Nascimentos, prote\u00e7\u00e3o e presentes: s\u00edmbolos natalinos s\u00e3o mais do que simples enfeites"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16248\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071.png 1280w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071-300x169.png 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071-1024x576.png 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>O que colocamos nas festas desse per&iacute;odo do ano t&ecirc;m origens e significam mem&oacute;rias por vezes muito mais amplas do que apenas um senso est&eacute;tico para celebrar essa que &eacute; uma das principais datas do cristianismo e das sociedades por ele influenciadas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As festas de fim de ano criam nos indiv&iacute;duos sensa&ccedil;&otilde;es de esperan&ccedil;a e anseio pelo fim da jornada anual, do ciclo que se iniciou no janeiro anterior. E nesse ano de 2020, essa sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais intensa com a crise da pandemia da Covid-19 que modificou profundamente o nosso modo de relacionar-se com as pessoas e refor&ccedil;ou o desejo de &ldquo;recome&ccedil;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Esse per&iacute;odo do calend&aacute;rio sempre foi prop&iacute;cio para festejos. Cabe lembrar que celebra&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio solst&iacute;cio de inverno (21 de dezembro no hemisf&eacute;rio norte) eram comuns mesmo antes da cristianiza&ccedil;&atilde;o da Europa e acabaram sendo absorvidas pela Igreja, adaptadas aos dogmas trazidos pelos colonizadores. No Brasil colonial, as comemora&ccedil;&otilde;es do per&iacute;odo natalino (compreendido aproximadamente entre o dia 15 de dezembro e o 6 de janeiro, dia de Reis) inspiraram-se majoritariamente no modo europeu de celebrar. Enquanto se rezavam ter&ccedil;os, novenas e missas em louvor ao Cristo nascido na manjedoura, em rituais elaborados e vistosos ao gosto dos dignat&aacute;rios da &eacute;poca, os festejos populares n&atilde;o eram menos vistosos, mas muito animados e concorridos. Comuns ainda hoje, reizados, Folia de Reis, bumba-meu-boi, al&eacute;m de prociss&otilde;es e bailes eram ainda mais presentes e moldavam as comemora&ccedil;&otilde;es desse per&iacute;odo.<\/p>\n<p>Essas comemora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o vivas e din&acirc;micas como as comunidades que as celebram, construindo suas pr&oacute;prias formas de celebrar e significar essas &quot;passagens&quot;. E tendo um papel importante na marca&ccedil;&atilde;o do tempo nas comunidades, elas mudaram significativamente no decorrer dos anos. Se prociss&otilde;es e cantorias diminu&iacute;ram, surgiram novos s&iacute;mbolos para homenagear o &ldquo;aniversariante do dia&rdquo;.<\/p>\n<p>A chegada de cada um desses s&iacute;mbolos trouxe tamb&eacute;m um sentido para a comemora&ccedil;&atilde;o. O Papai Noel, diferente do que se divulga por a&iacute;, n&atilde;o &eacute; responsabilidade exclusiva de uma &uacute;nica empresa &ndash; apesar de boa parte do seu visual atual no ocidente seja ligado &agrave; companhia de refrigerantes. Sua imagem primordial, que j&aacute; estava presente no Brasil Imperial, &eacute; vinculada a um padre que foi considerado santo, S&atilde;o Nicolau, que sa&iacute;a para dar presentes inc&oacute;gnito para as crian&ccedil;as mais pobres de sua cidade. Essa atitude ajudou a espalhar a imagem de algu&eacute;m que presenteia crian&ccedil;as &ldquo;boazinhas&rdquo; por toda Europa Oriental e Central, de onde come&ccedil;ou a ser adaptada e transformada no Papai Noel que conhecemos no s&eacute;culo 18. No Brasil ele desembarca junto com outros produtos que passaram a ser importados desde meados do S&eacute;culo XIX, com trajes pesados t&iacute;picos de invernos n&oacute;rdicos.<\/p>\n<p>A &aacute;rvore de natal, por outro lado, tem origem um pouco mais complexa. Alguns pesquisadores apontam a &aacute;rvore como um resqu&iacute;cio de velhas tradi&ccedil;&otilde;es anteriores a cristianiza&ccedil;&atilde;o da Europa, onde certas &aacute;rvores seriam &ldquo;moradas de Deus&rdquo; e faziam-se celebra&ccedil;&otilde;es em louvor a divindade ao redor dessas &aacute;rvores. J&aacute; outros pesquisadores nomeiam diretamente Martinho Lutero, monge que revolucionou a f&eacute; crist&atilde;, o que resultou no movimento protestante, como respons&aacute;vel pela ado&ccedil;&atilde;o mais sistem&aacute;tica do pinheiro como um s&iacute;mbolo de &ldquo;mist&eacute;rio de Natal&rdquo;, sendo que pinheiro mant&eacute;m-se vivo no mais pesado inverno e lhe foi atribu&iacute;da toda uma associa&ccedil;&atilde;o com a trindade crist&atilde;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, cabe bom lembrar as luzes que fazem a alegria de muitos que observam as &aacute;rvores de natal nos lembram n&atilde;o s&oacute; a narrativa de uma estrela guiando os reis magos mas tamb&eacute;m que esse &eacute; um per&iacute;odo, na Europa, onde que per&iacute;odo do inverno exigia o uso de velas por mais tempo em muitos lugares das resid&ecirc;ncias por causa da pouca incid&ecirc;ncia de luz solar e os pinheiros acabavam tamb&eacute;m recebendo velas, o que causava um belo espet&aacute;culo, mas por vezes inc&ecirc;ndio terr&iacute;veis.<\/p>\n<p>O costume de montar &aacute;rvores para comemorar o natal no Brasil &eacute; bastante recente, sendo registrado a partir dos primeiros anos do S&eacute;culo XX. J&aacute; o costume da ceia farta pode ser apontado como uma articula&ccedil;&atilde;o de tradi&ccedil;&otilde;es judaicas, assim como europeias pr&eacute;-crist&atilde;s. A a&ccedil;&atilde;o de comer junto &eacute; um momento importante nessas sociedades, especialmente sendo um momento de encontro e supera&ccedil;&atilde;o do isolamento que o frio traz a essas regi&otilde;es. As festas coloniais brasileiras j&aacute; traziam a fartura de alimento e grandes refei&ccedil;&otilde;es desses dias especiais (e o Natal era um desses momentos) como forma de festejar a capacidade de ter alimentos. Doar alimentos tamb&eacute;m sempre foi importante nas festas, como nas Folias de Reis.<\/p>\n<p>Apesar da celebra&ccedil;&atilde;o natalina ser central no cristianismo, os s&iacute;mbolos que associamos e ela s&atilde;o reapropriados por v&aacute;rias comunidades n&atilde;o-crist&atilde;s e ganham novos sentidos, fazendo que o ciclo natalino seja comemorado tamb&eacute;m fora da cristandade. Exemplo disso, segundo o autor Jo&atilde;o do Rio (1881-1921) &eacute; o camdombl&eacute; que nesse momento do ano celebra o casamento de Oxum e Xang&ocirc;, uni&atilde;o que ofereceu ao mundo a chuva ben&eacute;fica.<\/p>\n<p>E assim, no ciclo natalino com reizados do tempo colonial, um Papai Noel que remonta ao contato comercial entre Brasil e Europa ou um evento que est&aacute; para al&eacute;m da narrativa cl&aacute;ssica crist&atilde;, aproveitando assim o momento, que a celebra&ccedil;&atilde;o desse momento especial do ciclo anual faz a cabe&ccedil;a de crian&ccedil;as e adultos em toda parte.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que colocamos nas festas desse per&iacute;odo do ano t&ecirc;m origens e significam mem&oacute;rias por vezes muito mais amplas do que apenas um senso est&eacute;tico para celebrar essa que &eacute; uma das principais datas do cristianismo e das sociedades por ele influenciadas.<\/p>\n","protected":false},"author":249,"featured_media":16248,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-16249","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071.png",1280,720,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071.png",1280,720,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071.png",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071-300x169.png",300,169,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071-1024x576.png",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071.png",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/2412_TBT_NATAL_16x9-071.png",1280,720,false]},"rttpg_author":{"display_name":"alessandrobernardes","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/author\/alessandrobernardes\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/categoria\/institucional\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"O que colocamos nas festas desse per&iacute;odo do ano t&ecirc;m origens e significam mem&oacute;rias por vezes muito mais amplas do que apenas um senso est&eacute;tico para celebrar essa que &eacute; uma das principais datas do cristianismo e das sociedades por ele influenciadas.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/249"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16249\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}