

{"id":16223,"date":"2020-12-17T16:44:18","date_gmt":"2020-12-17T19:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/cidade-de-goias-representa-memoria-local-na-lista-dos-patrimonios-mundiais-da-unesco\/"},"modified":"2020-12-17T16:44:18","modified_gmt":"2020-12-17T19:44:18","slug":"cidade-de-goias-representa-memoria-local-na-lista-dos-patrimonios-mundiais-da-unesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/cidade-de-goias-representa-memoria-local-na-lista-dos-patrimonios-mundiais-da-unesco\/","title":{"rendered":"Cidade de Goi\u00e1s representa mem\u00f3ria local na lista dos patrim\u00f4nios mundiais"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16222\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/1712_TBC_DA_ABC_16x9-e8f.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/1712_TBC_DA_ABC_16x9-e8f.jpeg 1280w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/1712_TBC_DA_ABC_16x9-e8f-300x169.jpeg 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/1712_TBC_DA_ABC_16x9-e8f-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/12\/1712_TBC_DA_ABC_16x9-e8f-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>Ainda machucada pela transfer&ecirc;ncia, popula&ccedil;&atilde;o viu com desconfian&ccedil;a o in&iacute;cio das pol&iacute;ticas de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio da cidade. Quase 70 anos depois, essa preserva&ccedil;&atilde;o e as letras de Cora Coralina fizeram a UNESCO considerar a Cidade de Goi&aacute;s portadora de cultura para o mundo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O que representa a ideia de ser nomeado &ldquo;patrim&ocirc;nio cultural da humanidade&rdquo;? Esse &eacute; o tipo de distin&ccedil;&atilde;o que elementos significativos de diversas sociedades recebem para indicar seu poder de representar uma mem&oacute;ria e uma identidade. E podemos apontar como &ldquo;patrim&ocirc;nios da humanidade&rdquo; coisas como o centro de Viena, pinturas rupestres na &Aacute;frica, complexos industriais que rememoram a virada tecnol&oacute;gica na Alemanha do S&eacute;culo XIX e muitos outros espa&ccedil;os &uacute;nicos. No Brasil, a UNESCO nomeou alguns espa&ccedil;os como especiais e &ldquo;patrim&ocirc;nio da humanidade&rdquo;. Alguns s&atilde;o ligados a natureza, outros s&atilde;o espa&ccedil;os marcantes, como o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro ou o Plano Piloto de Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o foram as antigas capitais federais que ganharam esse t&iacute;tulo. Cidades importantes de nossa hist&oacute;ria tamb&eacute;m t&ecirc;m esse reconhecimento, que n&atilde;o foi f&aacute;cil de obter e demandaram uma longa jornada. A Cidade de Goi&aacute;s, com uma popula&ccedil;&atilde;o ainda magoada por ter deixado de ser capital estadual, viu com muito receio a chegada de t&eacute;cnicos do DPHAN (Diretoria de Prote&ccedil;&atilde;o do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional &ndash; precursor do IPHAN, Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional) e o in&iacute;cio de estudos para o tombamento de pr&eacute;dios antigos dentro do n&uacute;cleo inicial de Goi&aacute;s. Para alguns, seria a consolida&ccedil;&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o de enfraquecimento e esvaziamento do papel de destaque que havia come&ccedil;ado com a transfer&ecirc;ncia da capital do estado. Para outros, por&eacute;m, foi a possibilidade de criar novas possibilidades para a cidade. O tombamento de pr&eacute;dios como o pal&aacute;cio Conde dos Arcos, a Casa de C&acirc;mara e Cadeia ou mesmo chafariz de cauda da Carioca teve papel importante para o DPHAN, j&aacute; que eles estavam ligados a uma pol&iacute;tica maior, de consolida&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;identidade nacional&rdquo; que acabava por absorver como imagens importantes nessa constru&ccedil;&atilde;o pr&eacute;dios com a est&eacute;tica lusitana do per&iacute;odo colonial.<\/p>\n<p>Curiosamente &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o surgida quase como uma herdeira do movimento anti-mudancista que acaba por encabe&ccedil;ar uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es que procuraram garantir &agrave; Cidade de Goi&aacute;s o papel de destaque no cen&aacute;rio goiano &ndash; e brasileiro &ndash; da cultura, elevando a antiga capital ao papel de ber&ccedil;o da cultura do estado, com a revaloriza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas e fazeres tidos por tradicionais. A OVAT (Organiza&ccedil;&atilde;o Vilaboense de Artes e Tradi&ccedil;&otilde;es) teve um papel dominante na constru&ccedil;&atilde;o dessa imagem de uma Goi&aacute;s cultural e tradicional. &Eacute; por incentivo dessa organiza&ccedil;&atilde;o que serestas, roteiros tur&iacute;sticos e mesmo festas como a Prociss&atilde;o do Fogar&eacute;u passam a ser trabalhados como atrativos e elementos especiais sobre um modo de ser &ldquo;vilaboense&rdquo;. Foi no momento em que a OVAT come&ccedil;ou a vislumbrar os tombamentos que o SPHAN e o IPHAN fizeram como solu&ccedil;&atilde;o para a condi&ccedil;&atilde;o de perda de prest&iacute;gio que a cidade de Goi&aacute;s passou a ganhar a imagem de &ldquo;cidade hist&oacute;rica e tur&iacute;stica&rdquo;.<\/p>\n<p>No empenho em valorizar a cidade e a cultura produzida nela que a presen&ccedil;a de Cora Coralina como uma poeta de destaque foi se consolidando como &iacute;cone cultural. Mesmo tendo v&aacute;rios nomes celebrados localmente, foi Cora que al&ccedil;ou a imagem de Goi&aacute;s como lugar de cultura. E nesse empenho elaborou-se o &ldquo;Dossi&ecirc; Goi&aacute;s&rdquo;, um documento que buscou reunir argumentos para mostrar como o centro da cidade de Goi&aacute;s, seu n&uacute;cleo hist&oacute;rico, tinha elementos singulares para a hist&oacute;ria regional e nacional. E todo o esfor&ccedil;o empreendido pelo poder p&uacute;blico e por organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil foi recompensado com a declara&ccedil;&atilde;o da Cidade de Goi&aacute;s como &ldquo;patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico mundial&rdquo; na reuni&atilde;o da UNESCO (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura) em 14 de dezembro de 2001.<\/p>\n<p>Como de costume, a UNESCO apresentou v&aacute;rios s&iacute;tios para integrar a lista naquele ano, e junto com a cidade de Goi&aacute;s, tamb&eacute;m receberam o t&iacute;tulo de &ldquo;patrim&ocirc;nio da humanidade&rdquo; outras 30 localidades, entre elas as ilhas atl&acirc;nticas do Brasil e os parques nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas.<\/p>\n<p>A cidade de Goi&aacute;s tornou-se um patrim&ocirc;nio mundial e isso garantiu ainda mais exposi&ccedil;&atilde;o e incentivos para a preserva&ccedil;&atilde;o e o cuidado com a cidade e a cultura. Mas n&atilde;o apenas o centro da cidade &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de um povo e a representa&ccedil;&atilde;o daquilo que &eacute; sua cultura e sim todo a sua extens&atilde;o, mostrando desde a cultura celebrada da elite dominante at&eacute; a cultura popular, muitas vezes invisibilizada nas zonas menos &ldquo;tur&iacute;sticas&rdquo; da cidade. O t&iacute;tulo de patrim&ocirc;nio mundial que a UNESCO outorgou para a cidade de Goi&aacute;s imp&otilde;e muitos desafios para a cidade e todos seus atores p&uacute;blicos e privados, ainda que seja um grande reconhecimento para o que &eacute; a &ldquo;Vila Boa de Goyaz&rdquo; na organiza&ccedil;&atilde;o social e cultural do Brasil Central.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda machucada pela transfer&ecirc;ncia, popula&ccedil;&atilde;o viu com desconfian&ccedil;a o in&iacute;cio das pol&iacute;ticas de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio da cidade. 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