

{"id":16071,"date":"2020-11-26T07:40:47","date_gmt":"2020-11-26T10:40:47","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/um-banco-de-vida-doacao-de-sangue-mudou-a-saude-no-seculo-xx\/"},"modified":"2020-11-26T07:40:47","modified_gmt":"2020-11-26T10:40:47","slug":"um-banco-de-vida-doacao-de-sangue-mudou-a-saude-no-seculo-xx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/um-banco-de-vida-doacao-de-sangue-mudou-a-saude-no-seculo-xx\/","title":{"rendered":"Um banco de vida: doa\u00e7\u00e3o de sangue mudou a sa\u00fade no s\u00e9culo XX"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16070\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/2611_TBT_16x9-25c.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/2611_TBT_16x9-25c.jpeg 1280w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/2611_TBT_16x9-25c-300x169.jpeg 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/2611_TBT_16x9-25c-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/2611_TBT_16x9-25c-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>No in&iacute;cio se achava que o sangue poderia mudar caracter&iacute;sticas do indiv&iacute;duo, dando a ele for&ccedil;a e tra&ccedil;os animais. Depois era a pr&oacute;pria vida, que fluiria nas veias daqueles que se foram ao receber o &ldquo;liquido vermelho&rdquo;. Doar sangue j&aacute; foi fonte de renda para desvalidos, mas hoje &eacute; s&iacute;mbolo de desprendimento e cuidado com todos, exaltando a m&aacute;xima do &ldquo;fazer o bem sem olhar pra quem&rdquo;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As campanhas no r&aacute;dio e na TV falam sobre como &eacute; nobre e importante doar sangue e seus derivados. Cotidianamente somos lembrados da import&acirc;ncia desse ato. Tamb&eacute;m &eacute; bastante presente &nbsp;a inten&ccedil;&atilde;o de imprimir a percep&ccedil;&atilde;o de que doar sangue traz em si o sentimento de amor ao pr&oacute;ximo. E tais valores s&atilde;o se espraiando pela consci&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos, sendo o sangue um elemento religiosamente sagrado e presente no nosso cotidiano, pontilhando m&aacute;ximas e prov&eacute;rbios que vinculam o sangue a entrega e ao comprometimento. N&atilde;o &eacute; isso que &ldquo;dar o sangue&rdquo; evoca? Pois &agrave; medida em que o sangue &eacute; algo evocativo da vida (e da morte), ele &eacute; observado e estudado como meio para encontrar-se o reestabelecimento de uma sa&uacute;de debilitada e fr&aacute;gil.<\/p>\n<h2>Primeiras experi&ecirc;ncias<\/h2>\n<p>A busca por entender sobre como a sa&uacute;de poderia ser obtida ou recuperada fez com que durante muito tempo homem tentasse compreender o papel do sangue e de outros &ldquo;l&iacute;quidos&rdquo; presentes no corpo. A descoberta de como funcionava a circula&ccedil;&atilde;o do sangue no s&eacute;culo 17 foi uma revolu&ccedil;&atilde;o que apenas foi superada com a descoberta do fator Rh, j&aacute; no s&eacute;culo 20. Com as descobertas nos mais diversos ramos da ci&ecirc;ncia entre esses dois pontos da hist&oacute;ria, o sangue ganhou o status de l&iacute;quido da vida e, por isso mesmo, objeto para muitas experi&ecirc;ncias, buscando-se respostas para quest&otilde;es como: podemos substituir o sangue por outros l&iacute;quidos, como &aacute;gua ou leite? &Eacute; poss&iacute;vel utilizar sangue de outros animais para &ldquo;purificar&rdquo; o sangue de um doente ou fortalecer o convalescente? Experi&ecirc;ncias nesse sentido se fizeram na Europa, em geral resultando na morte do paciente.<\/p>\n<p>J&aacute; no Brasil, em 1879 foi apresentada uma tese na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (e dias depois na de Salvador) que mostrava como era poss&iacute;vel a transfer&ecirc;ncia de sangue diretamente de um doador para um receptor. Essa foi a primeira apresenta&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica no Brasil e desde ent&atilde;o o tema transformou-se em objeto de interesse coletivo, aparecendo em jornais especializados ou n&atilde;o com descri&ccedil;&otilde;es tanto do m&eacute;todo quanto das possibilidades at&eacute; mesmo de &ldquo;dar vida aos mortos&rdquo;, juntamente com aplica&ccedil;&otilde;es de oxig&ecirc;nio e choques de voltagens consider&aacute;veis nos rec&eacute;m falecidos.<\/p>\n<h2>Com&eacute;rcio de sangue<\/h2>\n<p>A partir do s&eacute;culo 20, a doa&ccedil;&atilde;o de sangue passa a ser algo mais efetivo como forma de cuidado de sa&uacute;de. Estudos e pesquisas foram trazendo conhecimentos que, especialmente com a descoberta do fator Rh, possibilitou um maior zelo no uso do sangue, diminuindo o risco de rejei&ccedil;&atilde;o do sangue (o que invariavelmente causa a morte de quem recebe o sangue &ldquo;incompat&iacute;vel&rdquo;). Foi a Segunda Grande Guerra que for&ccedil;ou a ado&ccedil;&atilde;o da transfus&atilde;o de sangue como meio de cuidado com a sa&uacute;de de forma mais ampliada, com melhorias no modo de armazenamento do mesmo por meio da descoberta de anticoagulantes e com a substitui&ccedil;&atilde;o das garrafas de vidro por bolsas pl&aacute;sticas para armazenamento e transporte do sangue a partir dos anos 1950. Contudo, n&atilde;o havia uma organiza&ccedil;&atilde;o centralizada e unificadora para a doa&ccedil;&atilde;o e uso do sangue. Assim, organiza&ccedil;&otilde;es particulares criaram seus pr&oacute;prios &ldquo;bancos de sangue&rdquo; onde, para obterem estoques, incentivavam as pessoas a venderem seu sangue. Nesse cen&aacute;rio, por vezes, o &ldquo;cliente&rdquo; oferecia seu sangue em v&aacute;rias dessas empresas, o que acarretava muitos problemas tanto para quem oferecia o sangue como tamb&eacute;m para quem recebia, pois muitas vezes esse sangue n&atilde;o era testado, sendo fonte de doen&ccedil;as, ou o doador n&atilde;o estava em bom estado de sa&uacute;de, colocando em risco sua pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<h2>Mudan&ccedil;a no Brasil<\/h2>\n<p>Apenas a partir dos anos 1960 que o modelo de obten&ccedil;&atilde;o do sangue sob remunera&ccedil;&atilde;o financeira come&ccedil;ou a ser posto em quest&atilde;o, &agrave; medida em que associa&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas nacionais e internacionais questionavam como garantir a qualidade do sangue. A a&ccedil;&atilde;o do governo &eacute; face importante dessa a&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;ando com a atribui&ccedil;&atilde;o de um dia (25 de novembro) para celebrar a doa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria de sangue e a implementa&ccedil;&atilde;o de leis para garantir a transfus&atilde;o uma forma mais segura, com a testagem obrigat&oacute;ria do sangue. Na d&eacute;cada de 1980, os movimentos de sa&uacute;de refor&ccedil;am a import&acirc;ncia do cuidado com o sangue e gera a cria&ccedil;&atilde;o inicialmente do programa chamado Pr&oacute;-Sangue, embri&atilde;o da pol&iacute;tica dos Hemocentros, que surgem na segunda metade daquela d&eacute;cada em diante. Foi apenas com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 que ficou completamente proibida a &ldquo;remunera&ccedil;&atilde;o pela doa&ccedil;&atilde;o de sangue, &oacute;rg&atilde;os e tecidos&rdquo;.<\/p>\n<p>Hoje n&atilde;o se vende mais sangue para bancos particulares de sangue, mas os efeitos dessa pr&aacute;tica ainda se faz sentir, com a grande parte do sangue doado sendo apenas de reposi&ccedil;&atilde;o. A doa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria &eacute; a possibilidade aumentar o &ldquo;cr&eacute;dito dessa conta&rdquo;. Mas nesse banco, quanto mais vermelha ficar a conta, melhor &eacute; para todos.<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in&iacute;cio se achava que o sangue poderia mudar caracter&iacute;sticas do indiv&iacute;duo, dando a ele for&ccedil;a e tra&ccedil;os animais. 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