

{"id":16009,"date":"2020-11-18T16:03:02","date_gmt":"2020-11-18T19:03:02","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/agente-da-propria-emancipacao-o-20-de-novembro-como-marco-para-a-populacao-negra-brasileira\/"},"modified":"2020-11-18T16:03:02","modified_gmt":"2020-11-18T19:03:02","slug":"agente-da-propria-emancipacao-o-20-de-novembro-como-marco-para-a-populacao-negra-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/agente-da-propria-emancipacao-o-20-de-novembro-como-marco-para-a-populacao-negra-brasileira\/","title":{"rendered":"Agente da pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o: o 20 de novembro como marco para a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-16008\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c.jpeg 1280w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c-300x169.jpeg 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>Entre uma liberdade &ldquo;dada&rdquo; pela monarquia em decl&iacute;nio e a situa&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o ganha cotidianamente, a popula&ccedil;&atilde;o negra busca construir um caminho diferente, com cultura, reflex&atilde;o, mem&oacute;ria e a&ccedil;&otilde;es que beneficiam o conjunto da sociedade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quando se aproxima o dia 20 de novembro, a narrativa de que somos um pa&iacute;s onde todos os grupos &eacute;tnicos se re&uacute;nem para formar uma na&ccedil;&atilde;o exemplar de igualdade racial e onde conflitos dessa natureza n&atilde;o ocorrem &eacute; apresentada por quem se op&otilde;e &agrave;&nbsp;institucionaliza&ccedil;&atilde;o da data. J&aacute; os movimentos que valorizam a data apontam que tal narrativa foi constru&iacute;da justamente para esconder os conflitos e as a&ccedil;&otilde;es objetivamente empreendidas para deixar negros e outros grupos fora do &ldquo;espet&aacute;culo&rdquo; que seria a sociedade brasileira.<\/p>\n<p>A data presumida da morte de Zumbi dos Palmares (20 de novembro de 1695) passou a rivalizar e superar o dia da assinatura da Lei &Aacute;urea pela Princesa Isabel, ent&atilde;o regente do Brasil em nome de Dom Pedro II (13 de maio de 1888), em import&acirc;ncia para os movimentos negros por conta da constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem do negro, enquanto agente da sua emancipa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o mais algu&eacute;m que precisou da bondade de uma integrante da elite que, de forma ben&eacute;vola, teria &ldquo;dado&rdquo; a liberdade para os escravizados.<\/p>\n<p>Essa constru&ccedil;&atilde;o deu-se &agrave; medida que intelectuais, artistas e pensadores negros propuseram a&ccedil;&otilde;es e reflex&otilde;es sobre a condi&ccedil;&atilde;o dos negros que, depois da 1888, foram relegados &agrave; condi&ccedil;&otilde;es t&atilde;o prec&aacute;rias quanto antes da dita lei. Vsto que a &ldquo;liberdade&rdquo; oferecida pelo Estado Brasileiro n&atilde;o acompanhou condi&ccedil;&otilde;es de inclus&atilde;o desses &ldquo;libertos&rdquo; na economia e na sociedade nacional. Desse modo, aos negros foram impostas condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias de sobreviv&ecirc;ncia, que se reproduziram com o passar dos anos p&oacute;s-lei &aacute;urea, mantendo grandes contingentes de negros &agrave; margem das transforma&ccedil;&otilde;es de ocorriam no Brasil.<\/p>\n<h2>Exclus&atilde;o<\/h2>\n<p>Essa situa&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o n&atilde;o &eacute; presente apenas nos Brasil, j&aacute; que &eacute; poss&iacute;vel constatar tal condi&ccedil;&atilde;o em todos os pa&iacute;ses do continente americano onde vigorou o tr&aacute;fico de seres humanos. Movimentos para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida dos negros s&atilde;o mais vis&iacute;veis e atuantes no Brasil, EUA, Venezuela, Col&ocirc;mbia e Uruguai. E se hoje no Brasil essa situa&ccedil;&atilde;o, suas consequ&ecirc;ncias e seus causadores, s&atilde;o discutidos e geram um grande impacto nas m&iacute;dias e no cotidiano das pessoas, isso se deve em parte &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de grupos como o Frente Negra Brasileira, fundada nos anos 1930 em S&atilde;o Paulo, e o Movimento Negro Unificado, que nos anos 1970 e 1980 tinha na den&uacute;ncia de a&ccedil;&otilde;es discriminat&oacute;rias de institui&ccedil;&otilde;es um de seus modos de opera&ccedil;&atilde;o. Havia tamb&eacute;m outras iniciativas que buscavam trazer &agrave; luz artistas invisibilizados e mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es das comunidades pobres, onde se encontrava (e ainda se encontram) um grande contingente de negros e negras. Assim, autores como Solano Trindade e Abadias do Nascimento passam a ser estudados e interpretados fora dos espa&ccedil;os tradicionais da cultura e da arte dominante.<\/p>\n<p>Os anos 1980 foram de grande efervesc&ecirc;ncia, n&atilde;o s&oacute; no movimento negro, como em diversos outros setores da sociedade brasileira. O fim do regime de exce&ccedil;&atilde;o e a retomada da vida democr&aacute;tica abriram diversas possibilidades para esses grupos, que se mobilizaram para discutir temas de interesse n&atilde;o s&oacute; aos negros, mas tamb&eacute;m a outros grupos silenciados em diversos momentos da hist&oacute;ria nacional (mulheres, &iacute;ndios, analfabetos e pobres). Grupos que participaram ativamente na elabora&ccedil;&atilde;o da nova constitui&ccedil;&atilde;o brasileira, chamada de &ldquo;Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;&rdquo;. &Eacute; nesse cen&aacute;rio que o Movimento Negro Unificado se oficializa em Goi&aacute;s, a partir de discuss&otilde;es e anseios de estudantes das universidades da capital do estado.<\/p>\n<h2>Mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas<\/h2>\n<p>Nos primeiros anos do s&eacute;culo XXI, as mudan&ccedil;as politicas que se fizeram perceber no Brasil trouxeram n&atilde;o apenas um novo grupo para o centro do governo federal e suas estruturas burocr&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m novos atores puderam atuar de modo a favorecer a implementa&ccedil;&atilde;o de politicas afirmativas, buscando transformar o cen&aacute;rio de reprodu&ccedil;&atilde;o da pobreza e de exclus&atilde;o vis&iacute;vel no cotidiano do pa&iacute;s. Exemplo dessas a&ccedil;&otilde;es foram as cotas para estudantes negros nas universidades federais. Vista por estudiosos como uma &ldquo;repara&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida hist&oacute;ria da sociedade com os negros&rdquo;, a&ccedil;&otilde;es como essas foram alvos de questionamentos por grupos variados. Entretanto, tais pol&iacute;ticas come&ccedil;aram a modificar a apar&ecirc;ncia do ensino superior brasileiro, aumentando a presen&ccedil;a de jovens autodeclarados negros, assim como fomentando um processo de revaloriza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas culturais antes esquecidas e trazendo novas perspectivas para a Universidade.<\/p>\n<p>Como a sociedade &eacute; um organismo vivo que reage aos est&iacute;mulos do mundo, o atual momento das diversas democracias da Am&eacute;rica marca tamb&eacute;m um momento de recrudescimento do conservadorismo, que nega a diversidade cultural e racial da sociedade, e tamb&eacute;m as problem&aacute;ticas do racismo estrutural presente onde elas se encontram. Todavia, tamb&eacute;m &eacute; vis&iacute;vel a renova&ccedil;&atilde;o cultural com autoras e autores negros que v&atilde;o al&eacute;m das discuss&otilde;es &eacute;tnico-raciais, discorrendo tamb&eacute;m sobre outras quest&otilde;es, como Djamila Ribeiro, Luiza Bairros, &Acirc;ngela Davis, S&iacute;lvio Luiz de Almeida, assim como toda uma produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e intelectual popularizada pela internet, como Stephanie Borges e Vitor Andr&eacute;, o &ldquo;Super Choque Carioca&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Givaldo Corcinio &ndash; Historiador &ndash; ABC Digital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre uma liberdade &ldquo;dada&rdquo; pela monarquia em decl&iacute;nio e a situa&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o ganha cotidianamente, a popula&ccedil;&atilde;o negra busca construir um caminho diferente, com cultura, reflex&atilde;o, mem&oacute;ria e a&ccedil;&otilde;es que beneficiam o conjunto da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"author":249,"featured_media":16008,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-16009","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c.jpeg",1280,720,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c.jpeg",1280,720,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c.jpeg",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c-300x169.jpeg",300,169,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c-1024x576.jpeg",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c.jpeg",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/11\/1911_TBT_16x9-09c.jpeg",1280,720,false]},"rttpg_author":{"display_name":"alessandrobernardes","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/author\/alessandrobernardes\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/categoria\/institucional\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"Entre uma liberdade &ldquo;dada&rdquo; pela monarquia em decl&iacute;nio e a situa&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o ganha cotidianamente, a popula&ccedil;&atilde;o negra busca construir um caminho diferente, com cultura, reflex&atilde;o, mem&oacute;ria e a&ccedil;&otilde;es que beneficiam o conjunto da sociedade.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/249"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16009\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}