

{"id":14730,"date":"2020-04-13T18:19:49","date_gmt":"2020-04-13T21:19:49","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/diario-do-isolamento-xviii-as-cores-que-queremos-ver\/"},"modified":"2020-04-13T18:19:49","modified_gmt":"2020-04-13T21:19:49","slug":"diario-do-isolamento-xviii-as-cores-que-queremos-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/diario-do-isolamento-xviii-as-cores-que-queremos-ver\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio do Isolamento XVIII &#8211; \u201cAs cores que queremos ver\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-14729\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/DIARIO_1304-5d1.png\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/DIARIO_1304-5d1.png 1920w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/DIARIO_1304-5d1-300x169.png 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/DIARIO_1304-5d1-1024x576.png 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/DIARIO_1304-5d1-768x432.png 768w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/DIARIO_1304-5d1-1536x864.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p>&#8230;a trama ainda est&aacute; se desenrolando<br \/>\ne n&atilde;o sabemos como ou quando tudo ir&aacute; terminar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Chrissie Watkins era uma jovem loira, bem apessoada e podemos dizer, aventureira. Enquanto participava de um luau na praia, nos arredores da cidade de Amity, decidiu tomar um banho durante a noite e correu para &aacute;gua. S&oacute; n&atilde;o contava em ser atacada por um animal enquanto nadava e morrer ali de forma selvagem e dram&aacute;tica. Parece ser um caso isolado, certo?<\/p>\n<p>Na manh&atilde; seguinte, avisada por outro participante da festa, a pol&iacute;cia vai ao local e descobre os restos da garota, dilacerados e em p&eacute;ssimo estado, demonstrando que ela sofreu um ataque de forma bruta e mortal. Uma primeira aut&oacute;psia &eacute; feita e &eacute; constatado que a causa mortis foram m&uacute;ltiplos ferimentos devido a um ataque de tubar&atilde;o. Agora temos um culpado, n&atilde;o &eacute; mesmo?<\/p>\n<p>O chefe de pol&iacute;cia, Martin Brody, ao saber disso decide fechar todas as praias para evitar que mais ataques ocorram e outras pessoas tenham o mesmo fim da pobre Chrissie. Mas, como aquela era cidade de veraneio, que vivia do dinheiro dos turistas, o prefeito Larry Vaughn, pensando no bem da economia local e no melhor para todos, d&aacute; seus pulos para que a not&iacute;cia n&atilde;o estrague o feriado da independ&ecirc;ncia, que inaugura oficialmente a temporada de f&eacute;rias (o que seria terr&iacute;vel para os neg&oacute;cios): consegue dar um jeitinho para que no atestado de &oacute;bito conste &ldquo;acidente de barco&rdquo;, que sua assessoria de imprensa abafe o caso e que o chefe de pol&iacute;cia aceite essa encena&ccedil;&atilde;o, em uma reuni&atilde;o com seus vereadores e todos os comerciantes locais. V&atilde;o al&eacute;m e ainda oferecem uma recompensa de tr&ecirc;s mil d&oacute;lares para quem eliminar o problema que tanta dor de cabe&ccedil;a tem dado a todos, sendo s&oacute; um peixe grande. E, afinal, eles precisam salvar a economia, ok?<\/p>\n<p>E, em um misto de pescaria de fim de semana com miss&atilde;o patri&oacute;tica, um bando de amadores bebuns consegue (n&atilde;o se sabe exatamente como), matar um exemplar de bom tamanho e aspecto amedrontador. O prefeito e seu assessor de imprensa vibram e tiram v&aacute;rias fotos, para mostrar em todos os jornais que a amea&ccedil;a havia sido vencida. E as elei&ccedil;&otilde;es est&atilde;o logo ali, certo?<\/p>\n<p>Entretanto, no momento em que o monstro marinho est&aacute; sendo exibido como um trof&eacute;u de guerra, um jovem ocean&oacute;grafo chamado Matt Hooper, chega ao local e, ap&oacute;s refazer a aut&oacute;psia nos restos mortais de Chrissie, constata que o animal abatido n&atilde;o foi o mesmo que a matou. E, apesar de seus apelos como especialista em vida marinha, juntamente com os do chefe de pol&iacute;cia para o que o prefeito continue com a proibi&ccedil;&atilde;o, este n&atilde;o lhes d&aacute; ouvido, uma vez que era a autoridade m&aacute;xima por ali. Dessa forma, as praias s&atilde;o reabertas para o &ldquo;bem do povo e felicidade geral da na&ccedil;&atilde;o&rdquo;. E o que esses especialistas entendem de economia, n&eacute; mesmo?<\/p>\n<p>Ocorre que esqueceram de combinar com os russos, quer dizer, com o predador mar&iacute;timo e, em uma tarde de sol convidativo, o jovem Alex Kintner (e um homem n&atilde;o identificado que estava em um barquinho vermelho), s&atilde;o atacados e mortos sob os olhares horrorizados dos turistas. E em uma praia ainda at&ocirc;nita, sua m&atilde;e, Sra. Kintner &eacute; a &uacute;nica voz que clama pela falta do filho. Ser&aacute; que o pol&iacute;tico que preferiu ignorar os especialistas poderia estar errado?<\/p>\n<p>Para quem estava preocupado em perder um final de semana, ap&oacute;s a partida em massa dos turistas, a pobre cidade de Amity percebe que toda a temporada j&aacute; est&aacute; perdida. E ainda tem que desembolsar dez mil d&oacute;lares para que outro expert parta em uma miss&atilde;o de localizar e destruir a amea&ccedil;a, quando ent&atilde;o&#8230; Acho que aqui voc&ecirc; j&aacute; entendeu que a hist&oacute;ria se repete, certo?<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria acima &eacute; a base do filme Tubar&atilde;o, grande sucesso do cinema &ndash; dirigido por Steven Spielberg &ndash; que foi adaptado do livro do mesmo nome, escrito por Peter Benchley. Assisti novamente no domingo de P&aacute;scoa, lembrando do medo que tive ao assisti-lo pela primeira vez, enquanto devorava lascas de chocolate com a voracidade de um <em>Carcharodon carcharias<\/em>, o nome de batismo do popular tubar&atilde;o-branco.<\/p>\n<p>Citando uma outra obra cinematogr&aacute;fica (Alex DeLarge, Laranja Mec&acirc;nica), &ldquo;&Eacute; curioso como as cores do mundo real parecem muito mais reais quando vistas no cinema&rdquo;; interessante como uma obra de fic&ccedil;&atilde;o do long&iacute;nquo ano de 1975 pode dialogar com a atualidade, em especial o momento pelo qual passamos agora o que me lembra que uma das defini&ccedil;&otilde;es de analogia &eacute; &ldquo;uma rela&ccedil;&atilde;o de semelhan&ccedil;a entre fatos e coisas&rdquo;.<\/p>\n<p>Como j&aacute; foi dito acima, temos o governante que, em nome da economia &ndash; e j&aacute; pensando tamb&eacute;m nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es, resiste em tomar medidas protetivas, como a interdi&ccedil;&atilde;o das praias em claro choque de ideias com o chefe de pol&iacute;cia; o especialista que n&atilde;o tem seus conselhos seguidos pelo mesmo motivo; empres&aacute;rios locais que colocam seus neg&oacute;cios acima da seguran&ccedil;a de todos, inclusive dos turistas, seus clientes e por a&iacute; a banda continua tocando. E, em meio a tudo isso, a lista de v&iacute;timas do predador s&oacute; aumenta.<\/p>\n<p>Diferente de assistir a uma reprise, na qual lembramos da maioria das cenas e como tudo ocorre at&eacute; o <em>the end<\/em>, em nossa realidade verde amarela, a trama ainda est&aacute; se desenrolando e n&atilde;o sabemos como ou quando tudo ir&aacute; terminar. O que temos s&atilde;o proje&ccedil;&otilde;es e expectativas, al&eacute;m dos exemplos de outros lugares. &Eacute; necess&aacute;rio manter os esfor&ccedil;os para que voltemos a ver o mundo com as cores que queremos ver.<\/p>\n<p>Ou, ent&atilde;o, corremos o risco de protagonizar outra cena marcante do filme, quando a Sra. Kintner, a m&atilde;e de uma das v&iacute;timas, avan&ccedil;a at&eacute; o chefe de pol&iacute;cia, vibra um sonoro tapa em seu rosto e diz as palavras: &ldquo;Voc&ecirc; sabia que havia um tubar&atilde;o l&aacute; fora, sabia que era perigoso, mas, mesmo assim, deixou as pessoas nadarem. Meu filho est&aacute; morto, eu s&oacute; queria que soubesse disso&rdquo;.<\/p>\n<p>Em tempo, a atriz Lee Fierro, que interpretou essa m&atilde;e enlutada, morreu dia 06 de abril nos Estados Unidos, aos 91 anos. V&iacute;tima do coronav&iacute;rus.<\/p>\n<p>Fiquem seguros.<\/p>\n<p><em>Texto: Cristiano Deveras\/ABC Digital<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;a trama ainda est&aacute; se desenrolando e n&atilde;o sabemos como ou quando tudo ir&aacute; terminar.<\/p>\n","protected":false},"author":249,"featured_media":14599,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-14730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb-300x169.jpg",300,169,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb-1024x576.jpg",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false]},"rttpg_author":{"display_name":"alessandrobernardes","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/author\/alessandrobernardes\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/categoria\/institucional\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"&#8230;a trama ainda est&aacute; se desenrolando e n&atilde;o sabemos como ou quando tudo ir&aacute; terminar.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/249"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14730\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}