

{"id":14657,"date":"2020-04-01T17:47:59","date_gmt":"2020-04-01T20:47:59","guid":{"rendered":"https:\/\/siteshom.goias.gov.br\/abc\/diario-do-isolamento-x-a-arte-no-meio-do-caos\/"},"modified":"2020-04-01T17:47:59","modified_gmt":"2020-04-01T20:47:59","slug":"diario-do-isolamento-x-a-arte-no-meio-do-caos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/diario-do-isolamento-x-a-arte-no-meio-do-caos\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio do Isolamento X &#8211; \u201cA Arte no meio do caos\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-14656\" src=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/0104_DIARIO_ISOLAMENTO-476.png\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/0104_DIARIO_ISOLAMENTO-476.png 1920w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/0104_DIARIO_ISOLAMENTO-476-300x169.png 300w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/0104_DIARIO_ISOLAMENTO-476-1024x576.png 1024w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/0104_DIARIO_ISOLAMENTO-476-768x432.png 768w, https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/04\/0104_DIARIO_ISOLAMENTO-476-1536x864.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p>&#8230;&eacute; depois das maiores tempestades que o sol volta mais brilhante&nbsp;<br \/>\ne os c&eacute;us, mais azuis.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&ldquo;Na manh&atilde; do dia 16 de abril, o Dr. Bernard Rieux saiu do consult&oacute;rio e trope&ccedil;ou num rato morto, no meio do patamar. No momento, afastou o bicho sem prestar aten&ccedil;&atilde;o e desceu a escada&rdquo;. Ap&oacute;s breve introdu&ccedil;&atilde;o sobre o assunto a ser abordado, &eacute; deste modo que come&ccedil;a a a&ccedil;&atilde;o do livro &ldquo;A Peste&rdquo; de Albert Camus, escritor franco-argelino, vencedor do Nobel de Literatura. Nesta obra, publicada em 1947, em um mundo rec&eacute;m-sa&iacute;do dos horrores da Segunda Guerra Mundial, Camus fez uma alegoria ao nazismo, &agrave;s prova&ccedil;&otilde;es que os franceses passaram durante a guerra e ao mesmo tempo, devassou o esp&iacute;rito da pr&oacute;pria humanidade. Com o crescimento da atual epidemia, a procura pelo livro aumentou consideravelmente, trazendo-o de novo para a lista dos mais vendidos.<\/p>\n<p>Esta n&atilde;o foi a primeira &ndash; e com toda a certeza n&atilde;o ser&aacute; a &uacute;ltima &ndash; vez em que a arte foi e &eacute; utilizada como escape ou resposta para tempos dif&iacute;ceis e trag&eacute;dias de diferentes escopos. Uma forma de expiar a culpa humana, servir de lenimento para a alma, clamar por um pouco de esperan&ccedil;a ou mesmo n&atilde;o deixar com que estes horrores caiam no esquecimento.<\/p>\n<p>Vem da Gr&eacute;cia antiga, ber&ccedil;o da cultura ocidental, qui&ccedil;&aacute; os primeiros exemplos disso: tanto a &ldquo;Il&iacute;ada&rdquo; quanto a &ldquo;Odisseia&rdquo;, poemas cl&aacute;ssicos cuja autoria &eacute; atribu&iacute;da&nbsp;a Homero, tratam de fatos acontecidos antes, durante e depois da Guerra de Tr&oacute;ia.<\/p>\n<p>V&aacute;rios s&eacute;culos depois, Goya, o exc&ecirc;ntrico e sofrido pintor espanhol, exasperado pelas violentas a&ccedil;&otilde;es da Fran&ccedil;a napole&ocirc;nica, fez toda uma s&eacute;rie de telas intitulada &ldquo;Os desastres da Guerra&rdquo;; entre 1810 e 1814, onde se encontram duas de suas obras primas, ambas retratando fuzilamentos em 02 e 03 de maio de 1808.<\/p>\n<p>Durante a Guerra Civil Espanhola, o tamb&eacute;m espanhol Pablo Picasso fez a sua &ldquo;declara&ccedil;&atilde;o de guerra contra a guerra e um manifesto contra a viol&ecirc;ncia&rdquo;, atrav&eacute;s da ic&ocirc;nica tela Guernica, onde denunciava o covarde bombardeio da cidade do mesmo nome e criando um libelo contra todos os conflitos.<\/p>\n<p>Entretanto, nem sempre os artistas que produzem essas obras s&atilde;o contempor&acirc;neos aos acontecimentos que retratam: Art Spigelman baseou-se nas mem&oacute;rias da m&atilde;e e em entrevistas com o pai &ndash; sobreviventes do holocausto &ndash; para escrever e desenhar a graphic novel Maus, primeira publica&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero a vencer um pr&ecirc;mio Pulitzer, enquanto que o artista pl&aacute;stico irland&ecirc;s Rowan Gillespie esculpiu, em 1997, o Memorial da Fome, um conjunto de est&aacute;tuas que representam a Grande Fome que grassou na Irlanda entre 1845 a 1849 e matou mais de um milh&atilde;o de pessoas.<\/p>\n<p>Express&otilde;es art&iacute;sticas servem n&atilde;o somente para reflitamos posteriormente sobre estes acontecimentos, como tamb&eacute;m para que as novas gera&ccedil;&otilde;es tenham conhecimento do que pessoas do per&iacute;odo vivenciaram; voltando ao exemplo de Maus, que foi publicada de forma seriada entre 1980 a 1991, a revista serviu para que a juventude daquelas d&eacute;cadas conhecesse melhor o que foi o holocausto.<\/p>\n<p>Mas nem todas as obras art&iacute;sticas s&atilde;o feitas em forma de representa&ccedil;&atilde;o, alegoria, lembran&ccedil;a ou den&uacute;ncia. H&aacute; tamb&eacute;m aquelas que nos lembram que &eacute; depois das maiores tempestades que o sol volta mais brilhante e os c&eacute;us, mais azuis.<\/p>\n<p>Por isso finalizo por hoje com um poema que recebi nestes dias em que n&atilde;o sabemos como tudo acabar&aacute;, mas nos quais temos que manter os esfor&ccedil;os para que tudo d&ecirc; certo. &nbsp;Foi escrito por Kitty O&acute;Meara, por conta desta pandemia.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>FICAR EM CASA<\/strong><\/p>\n<p>E as pessoas ficaram em casa<br \/>\nE leram livros e ouviram&nbsp;<br \/>\nE descansaram e se exercitaram<br \/>\nE fizeram arte e brincaram<br \/>\nE aprenderam novas maneiras de ser<br \/>\nE pararam<br \/>\nE ouviram fundo&nbsp;<br \/>\nAlgu&eacute;m meditou<br \/>\nAlgu&eacute;m orou<br \/>\nAlgu&eacute;m dan&ccedil;ou&nbsp;<br \/>\nAlgu&eacute;m conheceu sua sombra&nbsp;<br \/>\nE as pessoas come&ccedil;aram a pensar de forma diferente<br \/>\nE pessoas se curaram<br \/>\nE na aus&ecirc;ncia de pessoas que viviam de maneiras ignorantes,<br \/>\nPerigosas, sem sentido e sem cora&ccedil;&atilde;o,<br \/>\nAt&eacute; a Terra come&ccedil;ou a se curar<br \/>\nE quando o perigo terminou&nbsp;<br \/>\nE as pessoas se encontraram&nbsp;<br \/>\nLamentaram pelas pessoas mortas&nbsp;<br \/>\nE fizeram novas escolhas&nbsp;<br \/>\nE sonharam com novas vis&otilde;es&nbsp;<br \/>\nE criaram novos modos de vida&nbsp;<br \/>\nE curaram a Terra completamente.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Fiquem seguros.<\/p>\n<p><em>Texto: Cristiano Deveras\/ABC Digital<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;&eacute; depois das maiores tempestades que o sol volta mais brilhante&nbsp; e os c&eacute;us, mais azuis.<\/p>\n","protected":false},"author":249,"featured_media":14599,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-14657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"rttpg_featured_image_url":{"full":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"landscape":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"portraits":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb-300x169.jpg",300,169,true],"large":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb-1024x576.jpg",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2020\/03\/DIARIO_ISOLAMENTO_16x9-bcb.jpg",1280,720,false]},"rttpg_author":{"display_name":"alessandrobernardes","author_link":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/author\/alessandrobernardes\/"},"rttpg_comment":0,"rttpg_category":"<a href=\"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/categoria\/institucional\/noticias\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcias<\/a>","rttpg_excerpt":"&#8230;&eacute; depois das maiores tempestades que o sol volta mais brilhante&nbsp; e os c&eacute;us, mais azuis.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/249"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14657\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goias.gov.br\/abc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}